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terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Análise: O Natal de Hercule Poirot e A Aventura do Bolo de Natal

O Natal de Hercule Poirot e A Aventura do Bolo de Natal, de Isabelle Bottier, Callixte e Alberto Taracido - Arte de Autor

O Natal de Hercule Poirot e A Aventura do Bolo de Natal, de Isabelle Bottier, Callixte e Alberto Taracido - Arte de Autor
O Natal de Hercule Poirot e A Aventura do Bolo de Natal, de Isabelle Bottier, Callixte e Alberto Taracido

Foi já fora de época que li, em conjunto, dois dos mais recentes livros da coleção que adapta para banda desenhada as obras clássicas de Agatha Christie e que a Arte de Autor tem vindo a editar, naquela que é a maior coleção, em número de volumes, da editora portuguesa.

Ambos os livros foram lançados por cá, compreensivelmente, perto da quadra natalícia: O Natal de Hercule Poirot teve lançamento em Dezembro de 2024, enquanto A Aventura do Bolo de Natal, o mais recente álbum da coleção, chegou-nos em Novembro de 2025.

O Natal de Hercule Poirot e A Aventura do Bolo de Natal, de Isabelle Bottier, Callixte e Alberto Taracido - Arte de Autor
De um modo genérico, posso dizer-vos que estes dois livros, ambos com argumento de Isabelle Bottier, presença assídua nesta coleção, e com ilustrações de Callixte (O Natal de Hercule Poirot) e Alberto Taracido (A Aventura do Bolo de Natal), mesmo não sendo os melhores da coleção, representam mais dois acréscimos interessantes à mesma, mantendo o charme do detetive belga Hercule Poirot e adaptando os contos originais a um formato quiçá mais acessível. Apesar disso, as duas obras apresentam diferenças notáveis na execução narrativa e estética. Mas, quanto a isso, já lá irei.

Falando um pouco das histórias propriamente ditas, em O Natal de Hercule Poirot, Hercule Poirot é convidado para passar o Natal na casa de Simeon Lee, um velho tirânico e rico. Lee mantém relações tensas com os seus filhos e netos, que parecem mais interessados na sua herança do que na companhia do idoso homem. Na véspera de Natal, o velho é brutalmente assassinado em casa, o que leva Poirot a assumir a investigação, observando minuciosamente as interações da família e examinando os indícios deixados pelo assassino. Como é habito nas histórias de Agatha Christie, todos os presentes tinham motivos para desejar a morte do patriarca, tornando o caso extremamente complexo.

O Natal de Hercule Poirot e A Aventura do Bolo de Natal, de Isabelle Bottier, Callixte e Alberto Taracido - Arte de Autor
Por sua vez, em A Aventura do Bolo de Natal, Hercule Poirot também é convidado a passar o Natal - mas será que este homem era assim tantas vezes convidado sem nunca convidar ninguém? Piadolas à parte, neste caso é a família Endicott que o recebe na sua antiga mansão, onde a atmosfera festiva contrasta com um clima de suspense logo desde o início. Antes mesmo da refeição de Natal começar, Poirot encontra um bilhete anónimo na sua almofada avisando‑o para não comer o tradicional bolo de Natal. Durante o jantar, um pedaço de rubi aparece no bolo servido a um dos convidados, o que desperta suspeitas. A dita pedra desaparece antes da festa e precisa ser recuperada sem envolver a polícia para evitar um escândalo internacional.

Em termos de narrativa, O Natal de Hercule Poirot revela-se mais sólido e coerente. A história mantém um bom ritmo, preservando o mistério e o suspense até ao final. O enredo está bem estruturado, e o desenvolvimento do móbil das personagens é convincente, proporcionando uma leitura envolvente. Este volume consegue prender o leitor do início ao fim, graças à forma como a intriga é construída e aos detalhes cuidadosamente trabalhados na interação entre as personagens. A tensão é gradual, e os momentos de revelação são satisfatórios, respeitando o espírito do original de Agatha Christie.

O Natal de Hercule Poirot e A Aventura do Bolo de Natal, de Isabelle Bottier, Callixte e Alberto Taracido - Arte de Autor
Por outro lado, A Aventura do Bolo de Natal revela-se mais irregular. A história, embora interessante, não consegue gerar o mesmo envolvimento. A construção do enredo é menos consistente, e há momentos em que o mistério perde força, tornando a narrativa mais previsível e menos cativante. A própria estrutura narrativa deste segundo volume parece menos fluida, com alguns dos elementos a surgirem de forma abrupta ou sem o devido desenvolvimento, o que compromete a capacidade do leitor de se imergir totalmente na história.

Em termos de ilustração, os dois livros também apresentam abordagens bastante distintas, mas, neste caso, o vencedor é, quanto a mim, A Aventura do Bolo de Natal. O trabalho de Alberto Taracido salta imediatamente à vista pela sua elegância e originalidade. As personagens têm um traço mais caricatural e expressivo, e as cores suaves conferem um registo autoral e distintivo dentro da coleção. Taracido arrisca mais, oferecendo-nos uma estética diferente da usada tradicionalmente na série, e isso funciona como um refresco visual. 

O Natal de Hercule Poirot e A Aventura do Bolo de Natal, de Isabelle Bottier, Callixte e Alberto Taracido - Arte de Autor
Por contraste, Callixte, em O Natal de Hercule Poirot, mantém um estilo mais clássico e eficiente, alinhado com o que tem sido apresentado na maioria das adaptações da coleção. O traço é limpo, preciso, e as personagens são facilmente reconhecíveis. Embora o trabalho do autor não traga grandes inovações visuais, é funcional e adequado à história, reforçando a narrativa sem a distrair. 

Assim sendo, e comparando os dois volumes, percebe-se uma assimetria clara nas suas valências: o primeiro destaca-se pela força narrativa, enquanto o segundo se sobressai pelo valor estético e originalidade gráfica. 

Olhando para a edição, estes dois livros apresentam o mesmo cuidado a que os restantes livros da coleção nos têm habituado: capa dura brilhante, bom papel baço no interior, boa encadernação e boa impressão.

Em conclusão, O Natal de Hercule Poirot e A Aventura do Bolo de Natal são mais dois bons títulos, bem-vindos para quem acompanha a coleção de adaptações para banda desenhada de Agatha Christie. A sua leitura é especialmente adequada para a época natalícia, junto à lareira e com um chocolate quente na mão, mas também são livros que podem perfeitamente ser lidos fora da época festiva, especialmente por aqueles que procuram histórias bem carregadas de mistério e charme.


NOTA FINAL (1/10):
8.0



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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O Natal de Hercule Poirot e A Aventura do Bolo de Natal, de Isabelle Bottier, Callixte e Alberto Taracido - Arte de Autor

Fichas técnicas
Hercule Poitot - O Natal de Poirot
Autores: Isabelle Bottier e Callixte
Editora: Arte de Autor
Páginas: 64, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 210 x 285 mm
Lançamento: Dezembro de 2024

O Natal de Hercule Poirot e A Aventura do Bolo de Natal, de Isabelle Bottier, Callixte e Alberto Taracido - Arte de Autor

Hercule Poirot - A Aventura do Bolo de Natal
Autores: Isabelle Bottier e Alberto Taracido
A partir da obra original de: Agatha Christie
Editora: Arte de Autor
Páginas: 48, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 210 x 285 mm
Lançamento: Novembro de 2025


quarta-feira, 13 de novembro de 2024

Arte de Autor lança BD natalícia!


A editora Arte de Autor prepara-se para lançar, já a partir da próxima semana, o seu mais recente livro da coleção dedicada à adaptação para banda desenhada dos Clássicos de Agatha Christie

Desta vez, a história é natalícia - embora tenha todos os ingredientes habituais de um conto de Agatha Christie - e tem, novamente, Hercule Poirot como personagem principal.

Os autores ao leme desta adaptação também são repetentes nesta coleção. Callixte ilustrou No Início, eram 10... e Morte no Nilo. Já Isabelle Bottier, foi responsável pelo argumento não só nesse mesmo Morte no Nilo, como também em A Morte Não é o Fim.

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais. O livro já se encontra em pré-venda no site da editora.

Hercule Poitot - O Natal de Poirot, de Isabelle Bottier e Callixte

O que há de mais belo e romântico do que uma família reunida a poucos dias do Natal?

A oportunidade de se reverem, de compartilharem o calor de um lar enquanto a neve cai lá fora… 

Mas o velho Simeon Lee não é do tipo sentimental e, se reuniu os filhos à sua volta, é porque tem coisas para lhes anunciar, o que pode não agradar a toda a gente.

Não agradar a ponto de matar?

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Ficha técnica
Hercule Poitot - O Natal de Poirot
Autores: Isabelle Bottier e Callixte
Editora: Arte de Autor
Páginas: 64, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 210 x 285 mm
PVP: 19,50€

quarta-feira, 23 de março de 2022

Análise: No início, eram 10...

No início, eram 10..., de Pascal Davoz e Callixte - Agatha Christie - Arte de Autor

No início, eram 10..., de Pascal Davoz e Callixte - Agatha Christie - Arte de Autor
No início, eram 10..., de Pascal Davoz e Callixte

A Coleção Agatha Christie é das coleções mais numerosas em volumes, por parte da Arte de Autor, ficando apenas atrás de Corto Maltese, em matéria de número de livros editados. O que me leva a crer que esta é, afinal, uma grande aposta da editora. E uma aposta que se justifica, diga-se em abono da verdade.

Depois de vários livros consagrados a algumas das icónicas personagens de Agatha Christie, como Hercule Poirot, Miss Marple ou Os Beresford, é altura de olharmos com detalhe para este No início, eram 10..., que é o romance mais conhecido e adaptado da célebre autora inglesa, nos mais diversos meios. Esta adaptação para banda desenhada ficou a cargo dos autores Pascal Davoz e Callixte. Este último, foi também o ilustrador em Hercule Poirot - Morte no Nilo.

A intriga, num ambiente fechado, em que qualquer uma das personagens está mergulhada em mistério e pode – ou não – ser o(a) autor(a) do crime, consiste numa fórmula de sucesso que a autora tão bem soube criar e que, nos mais variados meios, tem vindo a ser replicada até aos dias de hoje. Especialmente no cinema. Mas não só.

No início, eram 10..., de Pascal Davoz e Callixte - Agatha Christie - Arte de Autor
A história deste livro começa quando oito personalidades de meios e origens diferentes, a que se juntam um casal de empregados, são convidadas para uma bela ilha, com praia em redor e uma fantástica mansão, para umas pequenas férias. Nenhum dos convidados sabe muito bem os motivos para ali estar, mas a carta que cada um deles recebeu do anfitrião O’Nyme, faz com que o convite pareça aliciante.

E mal os convidados se instalam na luxuosa mansão, começam a aparecer, de forma gradual e metódica, assassinatos que parecem obedecer a uma lengalenga famosa. Mas quem será o(a) assassino(a)? Bem, sob pena de estragar o prazer de leitura a alguém, fico-me por aqui, não revelando nada mais, acerca da história.

Posso apenas dizer que a adaptação para bd, por parte de Davoz, está muito bem conseguida. É certo que este álbum é maior – em número de páginas – do que a maioria dos outros livros da coleção. E, nesse sentido, também é justo dizer que o autor teve mais páginas para melhor desenvolver o intrincado enredo desta história. Mas lá que o fez bem, ah isso fez.

No início, eram 10..., de Pascal Davoz e Callixte - Agatha Christie - Arte de Autor
Como que num bailado entre o que é e o que parece ser, e em que as personagens são dispostas no espaço da ação conforme peças de xadrez, No início, eram 10... apresenta-se inteligentíssimo e com aquela capacidade audaz da autora em saber brincar com o leitor. Como se o próprio leitor fosse levado a cair na ratoeira da dedução óbvia e fácil.

A história aparece, pois, bem compilada, com os momentos marcantes – e são muitos – a serem bem doseados e preparados, do ponto de vista da narração.

Quanto ao desenho, não se deixem enganar pela péssima capa deste livro. Os desenhos de Callixte são bastante bons. Muito em linha com o igualmente bom trabalho que o autor nos ofereceu em Hercule Poirot - Morte no Nilo.

Apresentando um traço da escola franco-belga em linha clara, Callixte oferece-nos desenhos elegantes, com um bom trabalho de cores e luz, e com uma classe no ambiente recriado que, prontamente, associamos às histórias de Agatha Christie.

No início, eram 10..., de Pascal Davoz e Callixte - Agatha Christie - Arte de Autor
As personagens são bem esculpidas, os planos e enquadramentos são dinâmicos, há boas expressões faciais nas personagens (embora, por vezes, um algo estáticas), bom comportamento físico das personagens, e boa caracterização cénica. No fundo, um álbum coeso e bastante bem desenhado.

O resultado é vistoso e muito, muito elegante. As cores, também da autoria de Callixte, são mais uma razão para que o conjunto da parte visual do livro se mantenha muito apelativo.

Já mencionei a fraca capa do livro mais atrás mas penso que o tema me merece uma nova referência. É que, tendo especialmente em conta a qualidade do desenho do autor Callixte, custa-me a crer como é que o autor se sentiu satisfeito – se é que se sentiu! – com esta capa medíocre. O desenho, sendo um objeto, não é de todo apelativo. E aquele fundo, a cor de vinho, também não ajuda. Basta folhearmos o livro de forma aleatória para percebermos como os desenhos são belos. Só não o são nesta capa que considero muito fraca e que se presta a um mau serviço em prol da boa obra que o livro é. Compreendo a razão que levou à ilustração... mas acho que foi bastante mal conseguida. Uma vinheta escolhida ao calhas daria uma melhor capa, sinceramente.

A edição deste livro não foge à regra em relação aos outros álbuns da mesma série. Ou seja, o livro tem capa dura brilhante, bom papel baço, e uma boa encadernação e impressão. Tudo bem feito.

Em conclusão, este No início, eram 10... assume-se como um dos melhores álbuns da coleção dedicada a adaptações para banda desenhada dos clássicos de Agatha Christie! O enredo original, que é brilhantemente construído, acaba por ser adaptado com sucesso e as ilustrações são bastante boas. Uma boa porta de entrada nesta Coleção Agatha Christie, para que aqueles que ainda não deram uma oportunidade a esta bela série da Arte de Autor.


NOTA FINAL (1/10):
8.9


Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020



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No início, eram 10..., de Pascal Davoz e Callixte - Agatha Christie - Arte de Autor

Ficha técnica
No início, eram 10...
Autores: Pascal Davoz e Callixte
Adaptado a partir da obra original de: Agatha Christie
Editora: Arte de Autor
Páginas: 80, a cores
Encadernação: Capa dura
Lançamento: Outubro de 2021

quinta-feira, 21 de outubro de 2021

Mais um clássico de Agatha Christie em banda desenhada!




Depois de lançar recentemente a obra Hercule Poirot - Os Crimes do ABC, a Arte de Autor lança, neste Amadora BD, mais um livro desta coleção dedicada às adaptações para bd dos clássicos da escritora Agatha Christie.

Desta feita, é a vez de No início, eram 10..., com adaptação por Pascal Davoz e Callixte. Este último, foi o ilustrador de Morte no Nilo, da mesma coleção.

Abaixo, fiquem com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.

No início, eram 10..., de Pascal Davoz e Callixte
Foi publicado originalmente em português com o título Convite para a morte, em 1948, e é o romance mais conhecido e adaptado de Agatha Christie. Uma intriga em ambiente fechado que nos faz suster a respiração até à última página.

Oito convidados para uma ilha, que se juntam a um casal de empregados. Ninguém conhece ninguém. Uma curiosa lengalenga que encadeia a morte sucessiva de dez soldados… 

A tempestade rude, a tensão atinge o auge. O que pode esconder este estranho encontro? E quando chegarão os anfitriões, o senhor e a senhora O’Nyme?


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Ficha técnica
No início, eram 10...
Autores: Pascal Davoz e Callixte
Adaptado a partir da obra original de: Agatha Christie
Editora: Arte de Autor
Páginas: 80, a cores
Encadernação: Capa dura
PVP: 17,50€

segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

Análise: Hercule Poirot - Morte no Nilo e O Misterioso Caso de Styles

Hercule Poirot - Morte no Nilo e O Misterioso Caso de Styles, de Isabelle Bottier, Callixte, Jean-François Vivier e Romuald Gleyse


Hercule Poirot - Morte no Nilo e O Misterioso Caso de Styles, de Isabelle Bottier, Callixte, Jean-François Vivier e Romuald Gleyse
Hercule Poirot - Morte no Nilo e O Misterioso Caso de Styles, de Isabelle Bottier, Callixte, Jean-François Vivier e Romuald Gleyse 

Recentemente, a editora Arte de Autor publicou mais um livro da sua Coleção Agatha Christie, que conta agora com 4 livros. Depois de Hercule Poirot – Crime no Expresso do Oriente, Os Beresford – Mister Brown e Miss Marple – Um Cadáver na Biblioteca, chega-nos agora este quarto álbum que tem a particularidade de ser um álbum duplo, e que reúne as duas histórias de Hercule Poirot Morte no Nilo e O Misterioso Caso de Styles. Acaba por ser uma lançamento simbólico pois o primeiro livro escrito por Agatha Christie, O Misterioso Caso de Styles, comemora este ano o seu 100º aniversário. 

Por sua vez, Morte no Nilo recebeu uma nova versão cinematográfica, com estreia prevista para o próximo dia 17 de Dezembro. O ano de 2020 é, portanto, um ano emblemático para estas duas obras da autora inglesa e a Arte de Autor, com um excelente sentido de oportunidade, lança agora as duas adaptações para banda desenhada, aproveitando este momentum especial. 

Hercule Poirot - Morte no Nilo e O Misterioso Caso de Styles, de Isabelle Bottier, Callixte, Jean-François Vivier e Romuald Gleyse
E este é, pelo menos até à data - e tendo, também, em conta que ainda não tive a oportunidade de ler Miss Marple – Um Cadáver na Biblioteca embora já o tenha na minha pilha de livros para ler – o melhor livro da coleção! Devo confessar que o primeiro dos livros desta coleção, Hercule Poirot – Crime no Expresso do Oriente, não me deixou muito convencido pois considerei que a trama, tal como o enredo bem intricado que é célebre nas histórias construídas por Agatha Christe, não teve uma adaptação muito feliz para banda desenhada por Benjamin von Echarksberg e Chaiko. Não é que fosse um mau livro. Pareceu-me apenas algo desinspirado. Na altura até me fez achar que talvez esta série não fosse para mim. Mas depois li Os Beresford – Mister Brown e a minha opinião mudou drasticamente. E agora, com este álbum duplo, posso dizer que já estou fã da série. 

O estilo de escrita de Agatha Christie é tão célebre que praticamente dispensa apresentações. As suas histórias quase sempre têm assassinatos misteriosos em que cabe aos protagonistas da história desvender os verdadeiros culpados. Quase sempre, também, as aparências iludem e o leitor é confrontado com uma surpresa antes de lhe ser revelada a identidade do autor do crime. É um estilo de narrativa simples mas intricado no desenvolvimento da trama e que entretem de forma inteligente. E nestas duas histórias também é assim. 

Hercule Poirot - Morte no Nilo e O Misterioso Caso de Styles, de Isabelle Bottier, Callixte, Jean-François Vivier e Romuald Gleyse
Morte no Nilo
será, por ventura, e talvez a par de Crime no Expresso do Oriente, o romance mais famoso da autora inglesa. Conta-nos a história da sensual Linnet Ridgeway que, a propósito da sua lua de mel, viaja para o Egipto para uma viagem de cruzeiro pelo rio Nilo. Mas passa pouco tempo até que Linnet apareça assassinada. Quem terá sido? E qual o motivo de tal acto? As personagens com quem a vítima travou conhecimento durante e antes da viagem são bastantes, o que aumenta o número de suspeitos e as possibilidades em cima da mesa da investigação. 

Relativamente a O Misterioso Caso de Styles, cuja história eu não conhecia até à leitura deste livro, é-nos dada a visão do capitão Hastings, um soldado que, depois de ferido em combate, vai convalescer para Styles Court, a mansão onde vive o seu amigo John Cavendish, juntamente com a mãe, o padrasto, o irmão, a esposa deste e mais algumas personalidades interessantes. Mas entretanto, a mãe de John, Emily, é mortalmente envenenada e logo todas as suspeitas são levantadas. Quem terá sido? E de que forma? Como foi engendrado este crime aparentemente perfeito? É por essa altura que Hercule Poirot surge em cena para ajudar o capitão Hastings a desvendar mais um mistério, de forma perspicaz. 

Hercule Poirot - Morte no Nilo e O Misterioso Caso de Styles, de Isabelle Bottier, Callixte, Jean-François Vivier e Romuald Gleyse
Em termos de histórias, temos duas narrativas que são semelhantes em tom e forma, e que se montam e desmontam de forma inteligente, mantendo vivo o interesse do leitor. Quanto à forma como a história nos é narrada, só mesmo no facto de O Misterioso Caso de Styles ter um narrador participante – o capitão Hastings - é que há uma ligeira diferença entre a forma como é contada a história. Mas o tom e ritmo da narrativa é em tudo semelhante. 

Já quanto à arte é que temos algumas diferenças. Ambos os estilos são da escola franco-belga mas a primeira história apresenta um traço muito elegante, com um excelente trabalho de cores e luz, que dão um toque de classe a Morte no Nilo. O autor Callixte apresenta uma arte visual muito bem concebida e vistosa. Foi uma surpresa pela positiva. 

A segunda história está ilustrada de forma um pouco diferente. Mais simplista no traço e nas cores, remeteu-me um pouco para o tipo de ilustração da famosa série Blake e Mortimer. Dizer que a arte de Romual Gleyse é mais simples do que a arte de Callixte não deve ser visto como algo negativo. São estilos! Eu prefiro o estilo da primeira história mas a verdade é que também gosto bastante do estilo da segunda história. E ambos os tipos de ilustração encaixam bem na ambiência das histórias de Agatha Christie. 

E também convém dizer que, embora hajam as expetáveis diferenças no estilo de ilustração, que poderiam fazer alguns céticos ficarem de pé atrás relativamente à aposta da Arte de Autor em reunir duas histórias, de autores diferentes, num só álbum, devo dizer que, na minha opinião, esse foi um passo bem dado e uma aposta ganha. Os estilos de ilustração são diferentes mas encaixam bem um no outro. Há uma diferença harmoniosa, vá. 

Hercule Poirot - Morte no Nilo e O Misterioso Caso de Styles, de Isabelle Bottier, Callixte, Jean-François Vivier e Romuald Gleyse
Onde as coisas não funcionaram tão bem foi na excução da capa. Devo dizer que a editora portuguesa não tinha aqui uma tarefa fácil. Se as duas histórias fossem dos mesmos autores, seria fácil. Usava-se apenas uma das duas capas aqui presentes. Algo como a Arte de Autor fez no brilhante Armazém Central, por exemplo. Agora, tratando-se de autores diferentes, compreendo que a editora tenha querido honrar o trabalho dos autores da segunda história. E então, decidiu oferecer cerca de um terço da capa à segunda história. Mas, o resultado visual não foi muito bom. Mesmo sublinhando novamente que o desafio de paginação de capa era grande, talvez(?) tivesse funcionado melhor utilizar a contracapa para a capa da segunda história – embora isso também fizesse com que se perdesse alguma uniformização com os outros livros da coleção da editora, reconheço. Ou então, poderia ter sido feita uma menção diferente à segunda história, com um género de sticker arredondado, que ocuparia menos espaço útil da capa mas que conseguiria ter uma chamada de atenção para a segunda página. É como digo: a tarefa não era fácil mas talvez existissem outras formas de conseguir uma melhor capa. A meu ver, é uma capa que não funciona bem. E é uma pena pois as ilustrações deste livro mereciam-no. 

Mas claro, todo o restante trabalho da Arte de Autor mantém os altos padrões de qualidade. Desta vez, com capa brilhante e dura e um livro com papel baço de boa gramagem. Nada a apontar nesse cômputo. 

Em conclusão, o mais recente álbum duplo da coleção da Agatha Christie, da editora Arte de Autor, é mesmo o melhor que já li desta coleção. A arte em Morte no Nilo é dotada de uma grande classe e virtuosimo por parte de Callixte. E quanto a O Misterioso Caso de Styles, mesmo não tendo uma arte tão fantástica como a primeira história, é, ainda assim, um excelente livro. Ambas as histórias estão muito bem adaptadas para a banda desenhada. Preparem-se, por isso, para misteriosas confissões e descobertas e mergulhem no mundo de Agatha Christie aos quadradinhos. 


NOTA FINAL (1/10): 
8.9 


Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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Hercule Poirot - Morte no Nilo e O Misterioso Caso de Styles, de Isabelle Bottier, Callixte, Jean-François Vivier e Romuald Gleyse
Ficha técnica 
Hercule Poirot - Morte no Nilo e O Misterioso Caso de Styles 
Autores: Isabelle Bottier e Callixte (Morte no Nilo) e Jean-François Vivier e Romuald Gleyse (O Misterioso Caso de Styles) 
Editora: Arte de Autor 
Páginas: 136, a cores 
Encadernação: Capa dura 
Lançamento: Outubro de 2020

quinta-feira, 8 de outubro de 2020

Lançamento: Hercule Poirot - Morte no Nilo e O Misterioso Caso de Styles




Tal como avançado ontem, a Arte de Autor lança este mês um álbum duplo para a sua coleção da Agatha Christie. 

As histórias que compõem este lançamento são Morte no Nilo (cuja adaptação cinematográfica estreia a 17 de Dezembro) e O Misterioso Caso de Styles, que é o primeiro livro que Agatha Christie escreveu, e que comemora este ano o 100º aniversário da sua primeira publicação.

É pois fácil de verificar e de aplaudir o bom sentido de oportunidade da editora ao lançar estes dois livros nesta fase.

Abaixo, fiquem com as notas da editora e com as imagens promocionais.


Hercule Poirot - Morte no Nilo e O Misterioso Caso de Styles, de Isabelle Bottier, Callixte, Jean-François Vivier e Romuald Gleyse 

Morte no Nilo é, com o Crime no Expresso do Oriente, um dos romances de Agatha Christie que conheceu o maior sucesso. Foi traduzido em mais de trinta línguas.

A muito bela Linnet Ridgeway acaba de se casar e faz conta de aproveitar bem a sua lua de mel no Nilo com o seu marido. Mas ainda o cruzeiro mal começou quando a rica herdeira é descoberta morta, assassinada com uma bala no seu camarote. 

Quem poderia desejar a morte da jovem? Hercule Poirot vai ter de utilizar todas as suas «pequenas células cinzentas» para desvendar o fundo da questão desta história e uma maquinação diabólica.

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O Misterioso caso de Styles é o primeiro romance publicado por Agatha Christie, apresentando já Hercule Poirot, provavelmente o melhor investigador do mundo!

Em 1917, o capitão Hastings, ferido em combate, é repatriado para Inglaterra e vai convalescer em Styles Court, a residência familiar do seu amigo John Cavendish. 

O ambiente é pesado porque Emily, a mãe de John, voltou a casar-se com o antipático Alfred Inglethorp, mais novo do que ela. E quando Emily morre, envenenada, o acaso intervém providencialmente, pondo no local um antigo polícia belga, amigo do capitão Hastings. 

Será Hercule Poirot capaz de separar o verdadeiro do falso e confundir o culpado?


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Ficha técnica
Hercule Poirot - Morte no Nilo e O Misterioso Caso de Styles
Autores: Isabelle Bottier e Callixte (Morte no Nilo) e Jean-François Vivier e Romuald Gleyse (O Misterioso Caso de Styles)
Editora: Arte de Autor
Páginas: 136, a cores
Encadernação: Capa dura
PVP: 25,75€