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sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Análise: El Diablo

El Diablo, de Lewis Trondheim e Alexis Nesme - A Seita

El Diablo, de Lewis Trondheim e Alexis Nesme - A Seita
El Diablo, de Lewis Trondheim e Alexis Nesme

El Diablo é um dos mais recentes livros editados pela editora A Seita que, deste modo, nos volta a trazer mais um Marsupilami de Autor, depois do fantástico A Fera, de Zidrou e Frank Pé. Desta vez, voltamos a ter uma dupla consagrada de autores: Lewis Trondheim e Alexis Nesme.

Já tendo lido outros livros de Alexis Nesme, como aqueles que o mesmo fez para a coleção Disney da Glénat - num deles, Mickey Horrifikland, até colaborou igualmente com Trondheim -, posso dizer-vos que estava muito empolgado para ler este El Diablo. E não fiquei nada desiludido. Pelo menos, com o trabalho de Alexis Nesme que, mais uma vez, volta a ser sublime.

El Diablo, de Lewis Trondheim e Alexis Nesme - A Seita
Este é um daqueles livros que nos prende o olhar durante largos momentos para que possamos apreciar o cuidado, o detalhe e o virtuosismo técnico de Alexis Nesme, que torna as suas pranchas autênticas obras de arte. 

Nesta aventura carregada por um exotismo próprio da selva da América do Sul, esta capacidade ilustrativa de Nesme vem claramente ao de cima, com cada vinheta a servir como janela para uma selva imaginada com o cuidado obsessivo de quem sabe que cada folha de árvore, cada sombra, cada raio de sol pode transformar uma página de banda desenhada numa experiência quase tátil. Nesme apresenta um mar poeticamente agitado, um galeão que parece saído dos nossos sonhos de criança e paisagens densas, com folhas quase translúcidas, reflexos de água e luz que parecem desafiar as limitações do papel. Até na parte em que as personagens rumam ao alto de uma montanha gelada, a maneira como o autor desenha a neve e o ambiente gélido, é fenomenal. Puro deleite para o olhar! 

Se o desenho é fantástico, as cores também fazem com que as ilustrações pareçam ganhar vida, com os amarelos dos raios solares a irromper pelas frestas da densa vegetação verdejante da selva e com os tons azulados a marcar o escuro da noite num céu isento de nuvens. Este é um álbum lindo da primeira à última página e não há como negá-lo. Até a própria planificação e arranjo das pranchas e vinhetas, ricamente pormenorizadas, é algo, no mínimo, impressionante. Possivelmente, este é um dos livros mais bonitos no catálogo da editora A Seita.

El Diablo, de Lewis Trondheim e Alexis Nesme - A Seita
Mas, agora que já comentei as sublimes ilustrações de Nesme, deixem-me falar-vos um pouco da história imaginada por Trondheim que, infelizmente, e embora funcionando, não é tão inesquecível como o desejável.

Acompanhamos a personagem de José, um jovem grumete a bordo de um galeão espanhol que se vê perdido na selva sul-americana, mais concretamente na "Palombia", durante a era das expedições espanholas. José acaba por avistar Marsupilami, o pequeno e ágil animal que todos conhecemos, mas que aqui nos é dado numa versão mais ancestral e selvagem. À medida que o rapaz vai tentando sobreviver à selva e, principalmente, aos conquistadores espanhóis, que são gananciosos em busca de ouro e poder, e aos nativos chahuta, acaba por criar uma relação especial, ao nível metafísico, com Marsupilami. 

É uma história simples, de tom clássico, eficiente nos seus pressupostos, mas que também apresenta algumas fragilidades e, especialmente, alguma desinspiração por parte de Lewis Trondheim.

El Diablo, de Lewis Trondheim e Alexis Nesme - A Seita
O choque cultural entre os europeus e os nativos Chahuta é tratado com leveza, com alguma ironia que nos pode arrancar um ou outro sorriso, mas sem a profundidade crítica que poderia elevar o álbum a um clássico moral ou histórico. E mesmo na parte da "aventura" da história, nunca achei que houvesse situações verdadeiramente impactantes que permitissem um maior envolvimento do leitor na obra. Aqui, o foco está mais na diversão da leitura e no prazer de ver um mundo imaginário ganhar vida. O que também é válido, claro. É verdade que há uma subtil crítica histórica e cultural, mas é feita de forma indireta, especialmente na forma como os conquistadores são retratados.

Reconheço também que a ideia de evocar este lado mais ancestral de Marsupilami no contexto dos conquistadores espanhóis, misturando o mito do El Dorado com o nascimento lendário de Palombia, é uma escolha interessante. Mas, reitero, é tudo embrulhado com o recurso a escolhas fáceis e a uma história que, no final, nos deixa com a sensação de termos ficado com uma mão cheia de nada. O que é pena, face à qualidade inegável e estrondosa das ilustrações de Alexis Nesme. Parece-me óbvio que o livro pedia um argumento mais profundo e bem estruturado que pudesse elevar este álbum a outros patamares... àqueles onde podemos encontrar, por exemplo, o já mencionado A Fera, que combina, de um modo mais equilibrado, um belo argumento com um belo desenho. 

El Diablo, de Lewis Trondheim e Alexis Nesme - A Seita
Neste El Diablo, o que é verdadeiramente belo, é mesmo o desenho. O argumento parece um pouco preguiçoso, por vezes, deixando no leitor a sensação que, apesar de tudo o que acontece, ficamos com a sensação de que “não acontece nada” na história. Não no sentido de monotonia, atenção, mas de falta de consequências duradouras ou de transformações profundas nas personagens. É como se cada evento existisse mais para provocar diversão e mostrar a arte, do que para alterar realmente o mundo narrativo. Um detalhe que não diminui o encanto do álbum, mas que deixa no ar um ligeiro sabor de oportunidade perdida.

Diga-se em abono da verdade que há alguns momentos ternurentos, em que percebemos a ligação espiritual entre o grumete e Marsupilami, mas o texto não se arrisca demasiado, mantendo sempre uma distância segura da densidade emocional que Nesme poderia, facilmente, sustentar com os seus desenhos maravilhosos. É, em certa medida, como se a escrita de Trondheim fosse apenas um mero engodo, um instrumento de acompanhamento para a verdadeira orquestra visual.

El Diablo, de Lewis Trondheim e Alexis Nesme - A Seita
Deteta-se ainda, e por fim, que, em termos de história, há um ponto que acaba por quebrar ligeiramente o ritmo da leitura que assenta nos pequenos saltos temporais que Trondheim introduz ao longo da narrativa. Algumas cenas parecem surgir de repente, sem a transição suave que nos permitiria sentir a passagem do tempo, dando a sensação de que falta ali uma vinheta ou uma legenda que ligasse melhor os acontecimentos. É um detalhe menor, mas suficiente para que percebamos que Trondheim poderia estar mais investido na obra.

A edição d' A Seita é verdadeiramente bela. O livro apresenta um formato muito generoso, de 24 por 33 cm, capa dura com textura suave ao toque, detalhes a verniz localizado, excelente papel brilhante no miolo e boa encadernação e impressão. Aliando estas boas características físicas à beleza dos desenhos que Nesme coloca nas ilustrações da capa e contracapa, temos um objeto lindo para observar ainda antes de o folhearmos.

Em suma, El Diablo é um triunfo gráfico, uma ode ao imaginário do Marsupilami e uma aventura que combina humor, ternura e exotismo, embora pudesse ter um argumento mais coeso e inspirado, por parte do argumentista Trondheim. Por seu turno, é o desenhador Nesme que "salva" este argumento insípido, transformando cada página do livro numa pintura viva. Felizmente, amei o trabalho de Nesme mas, lamentavelmente, desiludi-me com o trabalho de Trondheim.


NOTA FINAL (1/10):
8.0



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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El Diablo, de Lewis Trondheim e Alexis Nesme - A Seita

Ficha técnica
El Diablo
Autores: Lewis Trondheim e Alexis Nesme
Editora: A Seita
Páginas: 64, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 24 x 33 cm
Lançamento: Outubro de 2025

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

A Seita lança novo Marsupilami de autor!



Já se encontra nas livrarias o novo Marsupilami de autor da editora A Seita!

Depois do fabuloso díptico A Fera, de Zidrou e Frank Pé - autor que lamentavelmente nos deixou há uns dias - chega-nos agora um novo álbum que, desta vez, tem outra dupla de célebres autores na sua feitura: Lewis Trondheim e Alexis Nesme.

Chama-se El Diablo e leva-nos ao tempo dos descobrimentos e à terra de origem de Marsupilami.

Já pude ler o livro - que brevemente será aqui analisado - e posso dizer-vos que estamos perante um livro verdadeiramente lindo em termos de desenho. Os desenhos de Alexis Nesme, autor que permanecia inédito em Portugal, são de tirar o fôlego como, aliás, também o foram em obras como Mickey Horrifikland ou Mickey Terror-Island.

Por agora, deixo-vos com a nota de imprensa da editora e com algumas promocionais da obra.


El Diablo, de Lewis Trondheim e Alexis Nesme

Como seria o Marsupilami no tempo dos Descobrimentos?

Todos conhecem bem o Marsupilami, e muitos já conhecem o seu avô ou bisavô, a fera cuja história foi contada nos dois volumes de A Fera, de Zidrou e Frank Pé... mas será que conhecem o seu... trisavô? Decavô...? Avô da não sei quantésima geração? Muito-lá-para-trás-avô? Até ao século XVI? Pois vão poder conhecê-lo!
As coisas estão a correr mal no galeão do capitão espanhol Santoro, nestes dias aventurosos do século 16. Os mantimentos esgotaram-se, por isso escolheu um grumete... para o comer! O jovem José, agora na ementa da tripulação, avista felizmente uma terra desconhecida e escapa à morte culinária! Nessa terra ainda por explorar, que um dia será a futura Palômbia, irá descobrir um animal estranho - amarelo, com manchas negras e uma longa cauda, a quem os nativos chamam El Diablo… Nada menos que o tatatatatatataravô do Marsupilami! - que Santoro fere, e que quase mata José. Acolhido pelos índios Chahuta, o grumete descobre que se tornou uma espécie de parente espiritual do Marsupilami, o "espírito da floresta", ao qual está de agora em diante ligado por um elo mágico. Os dois vivenciarão, assim, o sofrimento e as emoções um do outro... O início de uma relação especial que rapidamente se complicará por causa da desbragada sede de ouro do Capitão Santoro, determinado a deitar as mãos ao suposto El Dorado dos Chahuta...

Ambientada no tempo dos Descobrimentos, a aventura explora o choque de culturas entre os europeus e os nativos com o Marsupilami no centro dos acontecimentos, tudo temperado com bastante humor fenomenais. Depois do sucesso de A Fera, uma nova dupla de autores aventura-se pela selva palombiana para criar a sua própria versão do Marsupilami. Desta vez temos o célebre Lewis Trondheim a escrever mais um dos seus argumentos repletos de humor e mordacidade para a bela arte – e as cores fabulosas - do desenhador Alexis Nesme. Completa em um único álbum, esta obra agradará a leitores de todas as idades, daqueles que estão a conhecer a personagem pela primeira vez, até aos que acompanham o Marsupilami desde as aventuras de Spirou, criadas pelo genial André Franquin.

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Ficha técnica
El Diablo
Autores: Lewis Trondheim e Alexis Nesme
Editora: A Seita
Páginas: 64, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 24 x 33 cm
PVP: 18,95€

segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Análise: Mickey Horrifikland



Mickey Horrifikland – Une Térrifiante Aventure de Mickey Mouse, de Lewis Trondheim e Alexis Nesme

Começo esta análise com um lamento: que pena tenho eu que este Mickey Horrifikland não tenha versão em português! É com quase pesar, que assinalo isso, pois este é um daqueles livros mágicos, com uma arte assombrosamente magnífica e uma história, bem equilibrada, que certamente deixará maravilhados todos os fãs da Disney. 

E é pegando neste assunto, os “fãs da Disney”, que pergunto: quem são as pessoas que são fãs de banda desenhada e não são fãs da Disney? Será, sequer, possível existirem fãs de banda desenhada que tenham passado ao lado do enorme legado Disney? Quem são os leitores de bd que não reservam na sua memória um espaço para os “livros do tio patinhas”, como nos habitámos a chamar? Mesmo que, pelo amadurecimento natural dos nossos interesses, tenhamos deixado um pouco de lado os livros do “tio patinhas”, acho que um convite a navegarmos novamente por esse universo mágico, que moldou o nosso imaginário desde tenra idade, é sempre uma oferta que não podemos recusar, como diria Don Corleone em O Padrinho, certo?

E essa é a proposta deste Mickey Horrifikland dos autores Lewis Trondheim e Alexis Nesme. E, sem exageros, considero esta obra um livro de sonho pois, de facto, é tudo aquilo que eu, um leitor que há muito não lê banda desenhada da Disney, poderia sonhar!

Vamos por partes.

A história apresenta-nos as personagens Mickey, Donald e Pateta que têm uma agência de detetives que vive nas ruas da amargura, por manifesta falta de clientes. Até que aparece uma cliente cujo gato tinha desaparecido desde que tinha entrado no abandonado parque de diversões "Horrifikland". Este é um parque fantasmagórico, repleto de muitas atrações, há muito deixadas ao abandono, para onde os nossos heróis se verão forçados a ir, apesar dos claros receios de Donald. 

Esta é, pois, uma história de terror, mas não um terror “a sério”. Diria que é um terror “à Disney”. Pois mesmo que Horrikland apresente um ambiente que poderia ter sido retirado do universo gótico de Tim Burton em The Nightmare Before Christmas ou The Corpse Bride, a assinatura Disney está bem presente. E afinal de contas, é uma história suave e leve que pode ser lida por miúdos e graúdos. Há elementos assustadores, mas sempre numa medida suave, que ainda por cima, é atenuada com várias tiradas cómicas, sobretudo do Donald, também elas bem conseguidas.

À semelhança das histórias de Scooby Doo em que nem sempre aqueles que pareciam maus eram os verdadeiros vilões, também aqui o enredo está bem construído, levando Mickey e Companhia a inúmeras peripécias, encontros e desencontros e algumas surpresas no final. Se a narrativa apresenta solidez e uma história tipicamente Disney, que não desiludirá os fãs do género, a arte é qualquer coisa de espetacular!

Quanto às ilustrações, é um livro que merece nota máxima. A fidelidade às personagens de Walt Disney na sua fisionomia e expressões é total e o resultado final é, arrisco-me a dizer, perfeito. Os cenários góticos estão incrivelmente bem conseguidos e assinale-se que, mesmo mantendo uma boa linha de continuidade e coesão, são cenários bastante variados pois os nossos heróis percorrerão cemitérios, casas assombradas, asilos abandonados, laboratórios sinistros, grutas sombrias, pântanos assustadores, comboios-fantasma, galeões de piratas escondidos ou mesmo pirâmides assombradas. Tudo isto em apenas 46 páginas que compõem este Horrifikland. Tudo bem montado, do ponto de vista narrativo e com uma arte ímpar.

Relativamente às cores, é-me difícil pensar num livro de banda desenhada que seja tão magnífico como este. Não diria que não exista, mas, reafirmo, é-me difícil pensar num livro com melhores cores que este. Com efeitos de luz espantosos, com tonalidades de uma beleza ímpar quer nos ambientes exteriores, quer nos interiores, quer em cenários bem iluminados, quer em cenários sombrios, este é um livro especial e ímpar na sua conceção cromática. 

De realçar também que existem várias páginas em que os próprios limites das pranchas ou vinhetas receberam cuidadosos e intricados ornamentos, dando uma ideia de bonitas molduras que enfeitam as já lindíssimas páginas que nos são dadas. Como se a arte já não fosse uma beleza para os olhos, estes ornamentos ainda fazem das páginas algo mais original e com mais classe.

A qualidade da edição da Glénat também é impressionante, com uma lombada em tecido, com papel de gramagem adequada e com a soberba capa da obra marcada com vários detalhes a verniz. Nada está errado ou fora do sítio.

Há uma certa “magia” nesta história, nesta arte e nestas cores que por ventura será difícil de definir, mas que, estou certo, quem me lê, saberá a que me refiro quando estamos a falar da Disney. É verdade que nem tudo o que a Disney faz é mágico, mas também é verdade que quando o faz, parece que vai aonde os outros não conseguem ir em termos de “magia”. Este é o caso. Se alguma vez, uma pessoa já ficou rendida a algo que a Disney fez – possivelmente, toda a gente – então este livro é obrigatório.

Esta obra, lançada em Janeiro de 2019 pela Glénat, faz parte da coleção de Originais Disney que a editora francesa tem vindo a desenvolver desde 2016, convidando autores de renome para criar histórias novas com as personagens clássicas da Disney. Desta coleção já saíram títulos como Mickey's Craziest Adventures, de Lewis Trondheim e Keramidas; Une mystérieuse mélodie, de Cosey; La Jeunesse de Mickey, de Tebo; Café Zombo, de Régis Loisel; Mickey et l'océan perdu, de Denis-Pierre Filippi e Silvio Camboni; Donald's Happiest Adventures, de Lewis Trondheim e Keramidas; Mickey à travers les siècles, de Dab's e Fabrizio Petrossi; Super Mickey, de Pieter de Poortere; Minnie et le secret de Tante Miranda, de Cosey; Mickey et la terre des anciens, de Denis-Pierre Filippi, Sara Spano e Silvio Camboni e este Mickey Horrifikland da dupla Lewis Trondheim e Alexis Nesme. Uma coleção já bastante extensa, marcada por uma qualidade que merecia ter edição em português.

Admito que não conheço os moldes e trâmites da venda dos direitos destas obras mas, seja como for, considero um pecado capital se os direitos de publicação desta coleção, e em particular deste Horrifikland, (ainda) não estiverem assegurados por nenhuma editora portuguesa. O fim da editora Goody que publicava as "revistas clássicas da Disney" (chamemos-lhe assim) foi certamente uma grande perda para os fãs de banda desenhada da Disney. Mas esta coleção da Glénat, não existindo em português, será uma perda, por ventura, maior. Obviamente, acho que se pode facilmente perceber que são tipos de leitores diferentes: as revistas da Disney em pequeno formato, são para um público mais infanto-juvenil e mais desprendido. Estes Originais Disney da Glénat são para um público mais maduro, mais seguidor da banda desenhada e com mais poder de compra (porque afinal de contas, são livros em grande formato e em edições de capa dura luxuosas). Numa altura em que editoras como a G.Floy, a Arte de Autor, a Ala dos Livros e até A Seita estão a começar a apostar em edições luxuosas e mais caras, direcionadas a um púbico cada vez mais informado e com algum poder de compra, julgo ser legítimo dizer que há um claro espaço e uma óbvia oportunidade para que estes Originais Disney da Glénat entrem no mercado português. Será certamente um dia muito bom para a banda desenhada portuguesa quando este Horrifikland – ou outro(s) título(s) da coleção – for publicado em português. 

Este é um livro soberbo, com ilustrações para lá do magnífico, com cores maravilhosas e uma história com a linguagem Disney que tanto marcou o mundo da animação no cinema mas, também, e não menos importante, o género da banda desenhada. Não há defeitos neste livro que roça a perfeição. O único defeito é mesmo (ainda) não ter versão em português, o que me leva ao lamento com que iniciei esta análise. Que pena tenho eu que este Mickey Horrifikland não tenha versão em português!


NOTA FINAL (1/10):

9.7



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020



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Ficha Técnica
Mickey Horrifikland – Une Térrifiante Aventure de Mickey Mouse
Autores: Lewis Trondheim e Alexis Nesme
Editora: Glénat
Páginas: 46, a cores
Encadernação: capa dura
Lançamento: Janeiro de 2019