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quarta-feira, 8 de julho de 2026

30 Bandas desenhadas para crianças e jovens (e adultos)


Se é verdade que é comummente aceite que, em Portugal, vivemos na atualidade uma das melhores fases - em termos de variedade, quantidade e qualidade - na edição de banda desenhada, o mesmo não é dito relativamente ao lançamento de banda desenhada destinada às crianças e aos jovens.

Com efeito, é frequente que oiçamos gente do meio da BD a dizer que "não são lançadas obras para um público infanto-juvenil em Portugal". Poderia ser verdade há uns anos, mas de há uns tempos (largos) para cá, com especial incidência nos últimos três ou quatro anos, é cada vez mais frequente e robusta a aposta em banda desenhada para as crianças e jovens. E isto já sem falar de mangás ou das bandas desenhadas mais clássicas como Astérix ou Lucky Luke. Portanto, achar-se que é pouca a BD infanto-juvenil editada por cá, no tempo presente, revela apenas uma coisa: desconhecimento sobre o meio.

E a prova cabal do que acabo de dizer é que me foi bastante fácil chegar à listagem de 30(!) obras de BD infanto-juvenil, editadas nos últimos dois/três anos, que vos trago hoje. Tive até que deixar outras obras relevantes de fora. É claro que poderemos sempre objetar que ainda há espaço para que se publiquem mais obras para este público. Sim, claro que há. Mas isso também é válido para qualquer mercado. Até o franco-belga.

Assim, este artigo tem a função de vos fazer conhecer boas obras de banda desenhada que poderão comprar para oferecer aos vossos filhos, aos vossos netos, aos vossas afilhados, aos vossos sobrinhos. A qualquer criança que vos rodeie, portanto. Pois, se queremos que a 9ª Arte prospere, também importa formar leitores. E cabe-nos a nós, leitores e amantes de banda desenhada, fazê-lo. Não contemos com grandes iniciativas do Ministério da Educação ou da Cultura...

E mesmo que não estejam rodeados de crianças, posso até dizer-vos que há nesta listagem de 30 obras, vários livros que, sendo para crianças ou jovens, também são leituras ricas para adultos.

Portanto, sem mais demoras, eis a minha lista de 30 Bandas desenhadas para crianças e jovens (e adultos):

terça-feira, 3 de março de 2026

Análise: História Alegre de Portugal

História Alegre de Portugal, de Artur Correia - Bertrand Editora

História Alegre de Portugal, de Artur Correia - Bertrand Editora
História Alegre de Portugal, de Artur Correia

Há obras que, independentemente da idade com que as descobrimos, mantêm um magnetismo especial na nossa estante. E este História Alegre de Portugal, de Artur Correia, é, sem sombra de dúvida, um desses marcos incontornáveis da banda desenhada nacional. O que o autor conseguiu com esta obra, foi transformar a herança literária de Manuel Pinheiro Chagas num objeto visual vibrante, capaz de atravessar gerações sem perder a frescura. Ainda hoje é uma obra que merece ser (re)conhecida por novas gerações. E, por tudo isso, fiquei satisfeito quando soube que a editora Bertand iria reeditar este livro sobejamente conhecido da banda desenhada portuguesa.

De facto, a proposta de contar a História de Portugal de forma leve e cativante foi, sem dúvida, uma das razões pelas quais esta BD se destacou no panorama literário português, aquando do seu lançamento original, ainda nos anos 1970.

História Alegre de Portugal, de Artur Correia - Bertrand Editora
A narrativa começa com João, um antigo mestre-escola que decide compartilhar as suas experiências e conhecimentos com os habitantes de Agualva. Esta personagem acaba por ser o elo entre o passado e o presente, permitindo que os leitores se sintam imersos naquela que é uma autêntica viagem no tempo, ficando no ar a ideia de que História não é - ou, pelo menos, pode não ser! - um mero conjunto enfadonho de datas estáticas. 

É verdade que estamos perante uma BD de cariz assumidamente didático, mas, lá está, sem que seja uma aborrecida aula de história, mas uma abordagem simples, direta e divertida que põe de lado os formalismos pesados dos manuais escolares. É desse modo que a obra nos guia pela História da nação portuguesa, desde os primórdios da nossa fundação, pelas mãos de D. Afonso Henriques, até ao final do século XIX. 

É uma viagem cronológica, dividida de forma episódica, que se foca naquilo que torna a narrativa histórica cativante: a ação e a personalidade dos seus protagonistas. E, claro, é uma obra onde há espaço para o  humor, que é uma constante ao longo das páginas, com piadas e trocadilhos que tornam a leitura leve e divertida.

História Alegre de Portugal, de Artur Correia - Bertrand Editora
A baliza temporal, que termina em 1895, não é um acaso, pois coincide com o ano da morte de Manuel Pinheiro Chagas, o autor original da obra que serviu de base a esta adaptação. Esta ligação ao texto do século XIX confere à BD um sabor clássico, mas que Artur Correia soube revitalizar com um ritmo narrativo moderno - pelo menos à altura da criação original desta BD, em 1978 - e uma linguagem visual que apela tanto aos mais novos como aos leitores mais velhos.

Além disso, uma das coisas que torna rapidamente reconhecível a obra, assim que a abrimos, é o traço de Artur Correia, colorido e marcadamente "cartoonesco" e caricatural. Deste modo, podemos olhar para as grandes figuras históricas de Portugal de um modo divertido, ainda que respeitador. 

Obviamente, é este registo visual que assegura que a abordagem seja leve e humorística. Mas é um humor que não é gratuito ou meramente focado numa piada pois, em sentido oposto, serve como um veículo para a aprendizagem. Ao rirmos, por exemplo, de uma expressão de D. João I ou de uma situação caricata durante os Descobrimentos, acabamos por reter na memória o acontecimento de forma muito mais eficaz do que através da leitura de um texto meramente factual. Especialmente se formos crianças.

História Alegre de Portugal, de Artur Correia - Bertrand Editora
Embora, ainda assim, me pareça que a obra também deve ser lida por um público adulto, seja por uma questão de obtenção de cultura geral, seja com o intuito de uma aproximação à obra de um dos grandes autores nacionais de banda desenhada.

Além disso, esta é uma edição que também se reveste de uma tentativa editorial de chegar a um público maior. Àquele que não tem por hábito a leitura de BD, mas que se pode interessar pela abordagem leve e divertida ao tema, e, também, ao público mais internacional ou estrangeiro. 

Talvez seja por isso que a Bertand optou por editar a obra em português, mas também em inglês, com o título A History of Portugal. Acredito, por isso, e espero, que este livro possa surgir, para além das livrarias, nas muitas lojas turísticas espalhadas pelo país.

A edição da Bertrand é em capa mole, com badanas, baça e com verniz localizado. No miolo o papel é baço e de boa qualidade, com a encadernação e impressão a serem igualmente boas. Como é uma obra que considero de ser de consulta, penso que teria sido bem-vinda, no fim ou no início do livro, um índice cronológico para os vários episódios aqui constantes. 

Em suma, História Alegre de Portugal é, acima de tudo, um livro que nos faz sorrir perante o nosso passado luso, provando que a História, quando bem desenhada, é tudo menos aborrecida. Continua a ser um clássico da 9ª arte portuguesa que deve ser relembrado e oferecido a todo um grupo de novos leitores, tenham eles a idade - ou nacionalidade - que tiverem.


NOTA FINAL (1/10):
8.2


Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020

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História Alegre de Portugal, de Artur Correia - Bertrand Editora

Ficha técnica
História Alegre de Portugal
Autor: Artur Correia
Adaptado a partir da obra original de: Manuel Pinheiro Chagas
Editora: Bertrand
Páginas: 256, a cores
Encadernação: Capa mole com badanas
Formato: 166 x 242 mm
Lançamento: Janeiro de 2026

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Análise: Elas #1 - A Miúda Nova

Elas #1 - A Miúda Nova, de Kid Toussaint e Aveline Stokart - Bertand Editora

Elas #1 - A Miúda Nova, de Kid Toussaint e Aveline Stokart - Bertand Editora
Elas #1 - A Miúda Nova, de Kid Toussaint e Aveline Stokart

Com um começo de 2026 bastante positivo para a editora Bertand, no que ao lançamento de banda desenhada diz respeito, com a edição de quatro livros, tendo em conta que, e convém relembrar isso, a editora portuguesa não tem apostado especialmente no lançamento de banda desenhada nos últimos anos - pelo menos, na proporcionalidade da sua dimensão e relevância editorial - uma das suas novas apostas foi a série Elas, de Kid Toussaint e Aveline Stokart. E que bela aposta, posso dizer-vos.

Kid Toussaint não é nenhum desconhecido para o mercado nacional, uma vez que é o autor da série de grande sucesso A Incrível Adele, também editada pela Bertrand, e de A Corrida do Século, editado pela Arte de Autor.

Elas #1 - A Miúda Nova, de Kid Toussaint e Aveline Stokart - Bertand Editora
Sendo dirigida a um público mais juvenil, este Elas, que conta com ilustrações de Aveline Stokart, tem registado um grande sucesso no mercado franco-belga. Sucesso esse que, quanto a mim, é justificado, uma vez que estamos diante de uma série bem pensada, com um cariz didático e - por ventura mais relevante ainda para aqueles que me leem - que pode e deve ser lida por um público mais maduro.

Na verdade, Elas pode parecer um convite para nos levar aos tempos dos recreio da escola, mas esconde, nas entrelinhas, temas bem mais densos do que aquilo que a capa colorida deixa adivinhar. Com efeito, esta é uma BD que se apresenta como um retrato juvenil e energético, mas que, à medida que avança, revela uma profundidade emocional surpreendente.

A premissa é simples e imediata: Ella chega a uma nova escola e, como qualquer adolescente, tenta encontrar o seu lugar entre colegas, amigos e pequenas paixões. O problema é que Ella não é apenas uma rapariga. Dentro dela convivem cinco personalidades diferentes, cada uma com o seu temperamento, a sua voz e até a sua cor de cabelo. A metáfora é visual, clara e eficaz, transformando algo complexo em algo que qualquer leitor consegue compreender.

Elas #1 - A Miúda Nova, de Kid Toussaint e Aveline Stokart - Bertand Editora
Além disso, a série também tem o mérito de equilibrar entretenimento e pedagogia sem nunca soar moralista. A narrativa aborda transtornos de personalidade e bipolaridade de uma forma acessível, mas sem banalizar o tema. O leitor percebe que há algo sério por trás das mudanças de humor e de comportamento de Ella, mas a história nunca perde o ritmo ou o foco.

Kid Toussaint constrói um argumento dinâmico, cheio de pequenas situações do quotidiano escolar, diálogos vivos e realistas, e momentos de humor e de tristeza. A leitura flui com naturalidade, como se estivéssemos a espreitar os corredores de uma escola onde cada sub-personagem tem o seu próprio drama, as suas inseguranças e os seus segredos. Isso faz com que a história seja muito fácil de acompanhar, mesmo para leitores mais novos.

Ainda assim, há uma camada mais profunda a atravessar toda a narrativa. Por trás das cores, das gargalhadas e dos encontros entre amigos, está a luta interna de uma jovem que tenta manter a estabilidade num mundo emocional fragmentado. É nesse contraste que a obra ganha força, mostrando que crescer nunca é simples, e que cada pessoa carrega batalhas invisíveis. Há reflexões subtis sobre identidade, pertença e saúde mental que ressoam muito para lá do público-alvo inicial. No fundo, é uma história sobre aceitar quem somos, mesmo quando esse “quem somos” é mais complexo do que gostaríamos.

Elas #1 - A Miúda Nova, de Kid Toussaint e Aveline Stokart - Bertand Editora
Essa profundidade é construída com cuidado, sem grandes dramatismos forçados. A história não tenta chocar nem ser excessivamente sombria. Pelo contrário, mantém sempre um tom leve e acessível, entrecortado por outros momentos mais intensos em termos emocionais, que ajuda a criar empatia com as personagens e com as suas dificuldades. Não sentimos que estamos a receber uma lição, mas sim a acompanhar uma vida em movimento.

Outro dos feitos desta série que, no mercado franco-belga já conta com três volumes, e que, possivelmente, também justifica o sucesso da mesma, é a empatia que emana desta protagonista. Ella, nas suas várias versões, é uma personagem com quem é fácil simpatizar. Cada personalidade tem as suas fragilidades e os seus impulsos, e isso torna-a humana, imperfeita e, por isso mesmo, próxima de quem lê.

Elas #1 - A Miúda Nova, de Kid Toussaint e Aveline Stokart - Bertand Editora
No campo visual, Aveline Stokart apresenta um trabalho que encaixa na perfeição com o tom da história. O traço é moderno, expressivo e cheio de energia, com personagens que parecem saltar das páginas. Há uma clara influência do universo visual da Disney-Pixar, tanto na construção das figuras como na expressividade dos rostos e dos gestos. Aliás, em várias vezes fui remetido para o filme Inside-Out da Disney-Pixar. Não só em termos de história, como também em termos visuais e de estética.

Essa opção estética facilita muito a ligação emocional com a narrativa. As cores, as expressões bem executadas e o design apelativo criam uma atmosfera acolhedora, quase cinematográfica, que convida o leitor a mergulhar naquele mundo. É uma BD que se lê rapidamente, mas que deixa uma sensação de proximidade com as personagens.

A edição da Bertand é em capa mole baça, com badanas, e apresenta bom papel brilhante no interior. A encadernação e a impressão são boas e, no final, há ainda um breve caderno com uma página para cada um dos vários perfis de Ella.

Em suma, Elas - A Miúda Nova revela-se uma obra especialmente interessante por conseguir aquilo que muitas vezes parece incompatível: entreter e educar ao mesmo tempo. É uma leitura dinâmica, divertida e surpreendentemente profunda, que fala de temas delicados com sensibilidade e clareza. Uma BD pensada para os mais jovens, mas com coração e inteligência suficientes para conquistar leitores de qualquer idade. Boa aposta da Bertrand!


NOTA FINAL (1/10):
8.5



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Elas #1 - A Miúda Nova, de Kid Toussaint e Aveline Stokart - Bertand Editora

Ficha técnica
Elas #1 - A Miúda Nova
Autores: Kid Toussaint e Aveline Stokart
Editora: Bertand Editora
Páginas: 96, a cores
Encadernação: Capa mole com badanas
Formato: 183 x 238 mm
Lançamento: Janeiro de 2026

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Análise: A Odisseia de Homero

A Odisseia de Homero, de Gareth Hinds - Bertand Editora

A Odisseia de Homero, de Gareth Hinds - Bertand Editora
A Odisseia de Homero, de Gareth Hinds

A adaptação para banda desenhada pelo autor americano Gareth Hinds, da obra clássica A Odisseia, de Homero, foi o primeiro livro de banda desenhada editado em Portugal, em 2026. Pelo menos, foi o primeiro que me chegou às mãos, pois sei que há outras obras a serem lançadas durante este mês de janeiro. Mesmo assim, posso dizer-vos que o livro deverá chegar às livrarias apenas a partir do próximo dia 15 de janeiro.

Esta primeira edição da Bertrand Editora que, aliás, até já deu a conhecer as suas próximas apostas na edição de outras obras de BD, traz-nos mais uma adaptação para banda desenhada de uma obra já muito conhecida do grande público. Mais não seja, pela sua celebridade.

E, convenhamos, adaptar A Odisseia para banda desenhada não é tarefa pequena. Estamos a falar de uma das colunas vertebrais da literatura ocidental, um texto tão antigo quanto influente e que já foi estudado, dissecado e recontado até à exaustão. 

A Odisseia de Homero, de Gareth Hinds - Bertand Editora
O resultado é, pois, uma banda desenhada interessante, desde logo pelo simples facto - primordial! - de tornar acessível uma obra que muitos associam a aulas aborrecidas, resumos obrigatórios e testes cheios de perguntas traiçoeiras. Aqui, a famosa e celebrada personagem de Ulisses ganha corpo, cor e movimento, e isso, por si só, já é um mérito difícil de ignorar nesta proposta de Gareth Hinds.

A história é a que todos conhecemos, mas relembro os mais esquecidos da mesma: acompanhamos o regresso interminável de Ulisses a Ítaca, numa viagem épica e recheada de encontros com monstros, deuses rancorosos, tentações mortais e desvios narrativos. 

Essa viagem acontece após a guerra de Troia e, embora devesse durar apenas algumas semanas, acaba por se prolongar por dez anos devido à ira dos deuses e às fraquezas humanas do próprio Ulisses. Pelo caminho, o protagonista enfrenta monstros como o Ciclope Polifemo, resiste ao canto das Sereias, desce ao mundo dos mortos, perde os seus companheiros e é sucessivamente desviado por tempestades, enquanto, em Ítaca, a sua esposa Penélope engana pretendentes que devoram os bens da casa, ao mesmo tempo que o filho desta e de Ulisses, Telémaco, cresce sem saber se o pai está vivo ou morto em combate. Com a ajuda da deusa Atena, Ulisses acaba por regressar disfarçado, testa a fidelidade dos seus e, numa explosão final de violência, elimina os pretendentes e recupera o trono.

A Odisseia de Homero, de Gareth Hinds - Bertand Editora
Gareth Hinds mantém-se fiel à estrutura e à essência da epopeia, sem grandes modernizações ou atalhos narrativos duvidosos. É claro que são alguns os episódios que não estão incluídos nesta adaptação, mas diria que o autor consegue assegurar que os acontecimentos mais relevantes da obra original figuram neste livro.

Esta fidelidade é, simultaneamente, virtude e limitação. Virtude porque respeita Homero e não tenta reinventar o que não precisa de ser reinventado. Mas também limitação porque, por vezes, a narrativa sente-se algo pesada, excessivamente presa ao texto, como se tivesse medo de largar o poema épico e confiar plenamente - ou, pelo menos, mais - no poder da imagem. 

Um ponto positivo é que se nota que o texto foi adaptado, mas de uma forma que tenta estar em linha com a linguagem mais arcaica e datada da obra original. Esse esforço é bem-vindo, claro, ainda que, em muitos momentos, a obra se revele demasiadamente expositiva.

Ainda assim, há aqui uma mais-valia clara: a simplificação de uma história longa e complexa, com inúmeros episódios e personagens, mas sem que isso implique amputações graves. Para leitores mais novos - ou para adultos traumatizados por textos clássicos - esta banda desenhada pode, por isso, ser uma excelente porta de entrada para a obra original.

A Odisseia de Homero, de Gareth Hinds - Bertand Editora
As ilustrações acompanham essa intenção de evocação histórica, com bastante cuidado e aprumo. O traço a lápis é elegante, as cores são suaves e bonitas, e, nos melhores momentos, o desenho consegue ser verdadeiramente grandioso. Pelo menos para mim, há algo no traço e nas cores de Gareth Hinds que remete para uma ideia quase idealizada da Grécia Antiga, entre o épico e o ilustrativo. Quando funciona, funciona mesmo muito bem e são muitas as ilustrações presentes nesta obra que nos fazem viajar para esse tempo distante contido na obra.

O problema é que não funciona sempre. A qualidade do desenho de Hinds revela-se irregular e isso nota-se com facilidade. Há páginas belíssimas, quase sublimes, sim, mas que depois são seguidas ou antecedidas por outras em que parece que o autor estava com pressa para apanhar um barco para Ítaca.

Em várias vinhetas, a linguagem corporal das personagens, a anatomia e as expressões faciais ficam aquém do esperado, sobretudo quando comparadas com páginas imediatamente anteriores ou seguintes. O que faz com que Gareth Hinds nos ofereça, no mesmo livro, desenhos belíssimos e arrebatadores e desenhos que, não sendo maus, parecem menos profissionais. E isso invalida que este livro possa chegar a voos mais altos.

A Odisseia de Homero, de Gareth Hinds - Bertand Editora
Outro dos grandes problemas da obra é a quantidade de texto. Percebo perfeitamente a dificuldade de condensar uma epopeia de cerca de 500 páginas numa BD com cerca de 250, mas o equilíbrio aqui não foi o ideal. Há páginas sufocadas por texto, onde a imagem quase pede desculpa por existir. Das duas, uma: ou se mantinha a mesma quantidade de texto, mas dividido por mais páginas; ou se mantinha o mesmo número de páginas, mas com menos texto. 

Além disso, a legendagem, procurando, através da font utilizada, ter uma aparência mais antiga, também não funciona muito bem, fazendo com que algumas páginas se tornem penosas para ler. Os balões ocupam demasiado espaço e não dialogam bem com o tipo de ilustração de Hinds, quebrando o ritmo da leitura.

Fui confirmar a edição original e posso assegurar que este problema não é culpa da edição portuguesa. A Bertrand limitou-se a respeitar o aspecto original da obra. 

E por falar na Bertand, posso dizer que a edição da obra tem uma boa qualidade, com capa mole com badanas, bom papel baço no miolo do livro e boa encadernação e impressão.

Apesar de todos os reparos, há que reconhecer o mérito evidente desta adaptação. A Odisseia de Homero, de Gareth Hinds, é uma obra honesta, ambiciosa e culturalmente importante, que consegue o que muitas adaptações falham: respeitar o texto original sem o tornar inacessível. E mesmo com as suas irregularidades, é uma obra que se lê com interesse, que tem momentos visualmente belos e que cumpre aquilo a que se propõe: contar, em linguagem de BD, uma das maiores histórias alguma vez escritas. Acaba por ser uma adaptação agradável, e que supera - em muito - uma outra adaptação para banda desenhada da mesma obra, da autoria e Christophe Lemoine e Miguel de Lalor Imbiriba, editada pela Levoir em Portugal, há uns anos. 


NOTA FINAL (1/10):
6.8



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A Odisseia de Homero, de Gareth Hinds - Bertand Editora

Ficha técnica
A Odisseia de Homero
Autor: Gareth Hinds
Editora: Bertrand
Páginas: 256, a cores
Encadernação: Capa mole com badanas
Formato: 160 x 240 mm
Lançamento: Janeiro de 2026

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

As novidades da Bertrand para 2026!



Hoje trago-vos algumas das novidades de banda desenhada que a editora Bertrand tem reservadas para este novo ano de 2026!

Sendo uma das principais editoras de livros em Portugal, a verdade é que a Bertrand não tem estado muito focada no lançamento de banda desenhada.

É verdade que, de vez em quando, a editora lá vai apostando em algumas bandas desenhadas como, por exemplo, a série de enorme sucesso A Incrível Adele, ou outras obras mais avulsas, como O Infinito Num Junco, O Alquimista, O Fruto Proibido ou, até mesmo, a obra nacional Utopia, mas a verdade é que a aposta editorial da Bertand em banda desenhada, especialmente tendo em conta a sua dimensão, tem-se revelado bastante tímida e parca.

Porém, é com satisfação e alguma esperança que vos digo que, embora ainda só estejamos no dia 6 deste novo ano, já vos possa apresentar algumas das obras de banda desenhada que a editora nos fará chegar nas próximas semanas. E é também a primeira vez, desde que criei o blog, que faço uma antevisão de várias novidades da editora, o que é sintomático de algo positivo, diria.

Não esperem um conjunto enorme de obras, mas são cinco os novos livros que vos apresento abaixo. Para já. Duas séries para um público mais adolescente - sendo que uma dessas séries é um dos maiores sucessos dos últimos anos no mercado franco-belga, ocupando tudo o que são os escaparates das livrarias -; a adaptação de uma obra clássica da literatura para banda desenhada; e, ainda, a reedição de uma obra marcante da banda desenhada nacional numa aposta dupla: na língua portuguesa e na língua inglesa - coisa que aplaudo.

Ora, sem mais demoras, aqui estão novidades de BD da Bertrand para 2026:

sexta-feira, 7 de novembro de 2025

Comparativo: "Silêncio" pela Devir e pela Bertand


Hoje trago-vos um comparativo entre duas edições separadas por mais de 30 anos!

A obra em questão é a importante Silêncio, de Comès, que aquando do seu lançamento original, em 1980, alcançou o prémio de Melhor Álbum em Angoulême.

É um belo livro, bastante original, quer na componente narrativa, quer na componente visual, que aconselho a qualquer leitor.

De um lado temos a edição da Bertand Editora, de 1993, e do outro lado temos a mais recente versão da obra lançada para o mercado português pela editora Devir, inserida na sua Coleção Angoulême. Relembro ainda que a obra já havia sido lançada pela ASA, em dois volumes, a cores.

quinta-feira, 31 de julho de 2025

Análise: A Vida Secreta das Árvores - Novela Gráfica

A Vida Secreta das Árvores - Novela Gráfica, de Fred Bernard e Benjamin Flao - Bertrand

A Vida Secreta das Árvores - Novela Gráfica, de Fred Bernard e Benjamin Flao - Bertrand
A Vida Secreta das Árvores - Novela Gráfica, de Fred Bernard e Benjamin Flao

"Uma banda desenhada sobre árvores? Mas que grande seca!", poderão dizer alguns dos que me leem. Pois bem, permitam-me convidar-vos a porem de lado esse preconceito e, se o fizerem, talvez venham a ser surpreendidos por este belo livro que a Bertrand acaba de publicar.

Chama-se A Vida Secreta das Árvores - Novela Gráfica e resulta da adaptação para banda desenhada dos autores Fred Bernard e Benjamin Flao, a partir da obra original com o mesmo nome de Peter Wohlleben. 

Esta é uma obra que surpreende pelo equilíbrio entre conteúdo informativo, apelo visual e sensibilidade ecológica. A narrativa baseia-se na experiência de vida de Wohlleben como silvicultor e no seu profundo conhecimento das florestas, aliando a ciência à emoção e o saber técnico à admiração pela natureza. Através da linguagem (mais) acessível da banda desenhada, este é um livro com o potencial de poder ser uma porta de entrada ideal para quem procura compreender melhor o funcionamento das árvores e das florestas, sem perder o encanto de uma leitura envolvente. Por outro lado, e como sucede neste tipo de livros que podem chegar a um público mais alargado, é inversamente um convite àqueles que não leem banda desenhada para que entrem no universo da 9ª arte.

A Vida Secreta das Árvores - Novela Gráfica, de Fred Bernard e Benjamin Flao - Bertrand
A história começa por nos apresentar o próprio Peter Wohlleben, figura central da narrativa, e diria que a narrativa do livro aparece dividida em três grandes vertentes. 

A primeira dessas vertentes é o cunho biográfico deste trabalho, traçando a jornada do autor desde a sua infância, quando já revelava uma forte ligação com o mundo natural, até à sua carreira como silvicultor. Este percurso pessoal não só humaniza o conhecimento transmitido, como também torna mais credível e empático o discurso científico que se segue. A forma como Wohlleben é desenhado e apresentado contribui para criar uma ligação emocional entre leitor e narrador, reforçando a mensagem ecológica do livro. É uma parte que funciona especialmente bem por humanizar o livro e fazer com que o mesmo não seja apenas um livro de teor mais técnico.

A segunda grande característica da narrativa é, naturalmente, o foco nos verdadeiros protagonistas da história: as árvores. Os autores convidam-nos a mergulhar num universo pouco conhecido e absolutamente fascinante. Descobrimos que as árvores comunicam entre si, que cuidam das suas árvores vizinhas, e que possuem memória e reagem a estímulos do ambiente de formas surpreendentes. A obra apresenta estas informações com leveza e maravilhamento, quase como se estivéssemos a entrar num mundo encantado, mas sustentado por dados científicos e pela observação de décadas do autor. 

E esta parte informativa é, talvez, a mais cativante do livro. A capacidade de Fred Bernard em adaptar os conceitos científicos de forma clara e envolvente, aliada aos desenhos expressivos de Benjamin Flao, torna o conhecimento acessível sem o simplificar em excesso. É aqui que o livro brilha mais intensamente, pois combina informação relevante com uma estética visual que eleva a experiência de leitura. As ilustrações, em aguarela, acompanham perfeitamente o tom da narrativa, ora realistas, ora poéticas, criando uma harmonia entre texto e imagem rara neste tipo de obras.

A Vida Secreta das Árvores - Novela Gráfica, de Fred Bernard e Benjamin Flao - Bertrand
A terceira vertente da obra, porém, é que seria quanto a mim mais escusada. Assenta num mergulho mais profundo em questões mais técnicas. Será um seguimento por ventura natural da segunda vertente da história que menciono mais acima, mas com a diferença de que as informações são ainda mais técnicas o que, diria, talvez o sejam em excesso. Refiro-me a várias partes da obra em que nos são dadas verdadeiras fichas técnicas de micróbios, flores, cogumelos, árvores, etc, que depois são acompanhadas pelos respetivos nomes científicos. Esta secção lembra por vezes um manual escolar, com desenhos detalhados de folhas, flores, animais e sistemas de raízes. Para alguns leitores, este momento pode parecer mais denso e até algo expositivo em demasia. Compreendo que esta parte reforça a seriedade da proposta do livro, com o mesmo a poder ser mais do que uma leitura de entretenimento. E isso não tem nada de mal, antes pelo contrário, mas é um pouco contraditório se tivermos em linha de conta que o público para uma obra deste tipo será um público menos esclarecido no tema e que procura uma porta de entrada generalista no assunto. Contudo, também tenho que referir que apesar do tom mais técnico, os autores conseguem manter o esforço visual e estético que define a obra, mesmo nesta parte, o que ajuda a suavizar a complexidade.

E para isso, conta muito o belíssimo trabalho de Benjamin Flao, que merece especial destaque. A sua arte é de uma delicadeza notável, conseguindo representar a diversidade e a beleza das florestas sem se tornar repetitiva, o que até seria, à partida, um risco natural num livro cujo tema central são as árvores. As aguarelas trazem um certo lirismo à narrativa, elevando a leitura de uma simples transmissão de conhecimento para uma verdadeira experiência sensorial. Em muitos momentos, os desenhos falam por si, dispensando palavras. São desenhos absolutamente bonitos, com um traço que ora se revela "cartoonesco" para a caracterização das personagens, ora se revela mais realista para os cenários naturais ou criados pelo Homem. Reconheço que fiquei fã de Benjamin Flao, de quem não conhecia o trabalho.

A Vida Secreta das Árvores - Novela Gráfica, de Fred Bernard e Benjamin Flao - Bertrand
Quanto à edição da obra, o livro apresenta capa baça e mole, com badanas e um ligeiro brilho no título. No miolo, o papel é baço e de boa qualidade, tal como também assim o é a encadernação e a impressão. Talvez o formato pudesse ser um pouco maios, para melhor absorvermos os belos desenhos de Benjamin Flao. 

Mesmo assim, é com satisfação que vejo a Bertrand, uma das maiores editoras nacionais, a apostar numa obra de banda desenhada, pois não é algo que, lamentavelmente, o faça muitas vezes. Bem sei que esta aposta advém do simples e direto facto da editora já ter no seu catálogo os livros em prosa de Peter Wohlleben e, portanto, o lançamento desta novela gráfica é apenas um lançamento natural e complementar. Não representará, pois, uma aposta especialmente séria da editora em banda desenhada. Mesmo assim, é sempre positivo, claro, e faço votos para que a Bertrand não se quede por estes lançamentos solitários de banda desenhada.

No panorama das bandas desenhadas didáticas, este A Vida Secreta das Árvores posiciona-se, pois, como uma obra de referência. É uma leitura informativa, mas também profundamente tocante, que consegue despertar uma nova consciência ecológica no leitor. A comparação com obras de excelência deste tipo como Sapiens ou O Mundo Sem Fim, é ajustada, pois também aqui se dá uma fusão bem conseguida entre ciência, arte e narrativa.

E, mais importante que tudo, a leitura deste livro provoca uma mudança de olhar sobre a floresta e sobre o nosso papel enquanto seres humanos no planeta. Deixa-nos a sensação de que vivemos ao lado de um mundo vivo, complexo e interconectado que, durante demasiado tempo, ignorámos ou reduzimos a um mero recurso económico. Ao mostrar que as árvores têm vida interior, o livro obriga-nos a repensar profundamente a nossa relação com o ambiente. E atenção que esta tomada de consciência não é à custa de demasiados lirismos romanceados que nos sugerem abraçar árvores, mas antes a compreender o seu papel insubstituível para as nossas vidas. Notável feito, portanto!

O saldo final é extremamente positivo. Trata-se de uma obra bem pensada, bem executada e, acima de tudo, necessária num tempo de urgência ecológica. A Vida Secreta das Árvores – Novela Gráfica é uma leitura obrigatória para quem se interessa por natureza, ciência ou simplesmente quer ver o mundo com outros olhos. Com um equilíbrio admirável entre conteúdo e forma, é um livro que educa, encanta e transforma.


NOTA FINAL (1/10):
8.7


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A Vida Secreta das Árvores - Novela Gráfica, de Fred Bernard e Benjamin Flao - Bertrand

Ficha técnica
A Vida Secreta das Árvores - Novela Gráfica
Autores: Fred Bernard e Benjamin Flao
Adaptado a partir da história original de: Peter Wohlleben
Editora: Bertrand
Páginas: 240, a cores
Encadernação: Capa mole, com badanas
Formato: 162 x 241 mm
Lançamento: Julho de 2025

quinta-feira, 26 de agosto de 2021

Alguns dos livros de BD que terão um preço especial na Feira do Livro de Lisboa!



No dia em que a Feira do Livro de Lisboa arranca, o Vinheta 2020 dá-te a conhecer os preços especiais de "Livro do Dia" de algumas bandas desenhadas que podes encontrar por lá. E há preços espetaculares que são propostas verdadeiramente irrecusáveis!

Para quem não sabe, os "Livros do Dia" são livros selecionados pelos stands que, durante o dia estipulado, estão disponíveis a um preço muito convidativo. Muitas vezes aproximando-se dos 50% de desconto!

Nesse sentido, e porque considero esta uma excelente oportunidade para os leitores deste espaço adquirirem livros de bd com preços fantásticos, contactei as principais editoras portuguesas no sentido de obter estas informações mas, por enquanto, nem todas elas têm noção de quais (e quando) serão os livros do dia e os respetivos preços. Isto acontece porque são os stands (distribuidores) que estipulam os "Livros do Dia" e nem sempre comunicam essas informações às editoras.

Portanto, compreendam que esta lista será dinâmica e receberá novas adições desde que as editoras (ou os stands) me façam chegar essas informações. Sugiro, por esse motivo, que voltem a este artigo, durante os próximos dias, para verificarem se há novidades ou não.

Por agora, deixo-vos a calendarização de que disponho com os livros de bd que serão "Livros do Dia" durante esta Feira do Livro!

Não deixem de aproveitar estes "negócios da china" para reforçar a vossa estante com bons livros de bd!

quinta-feira, 27 de maio de 2021

Comparativo: Peter Pan, de Loisel, pela Booktree e pela ASA


Tal como fiz na edição do primeiro tomo, Londres, da presente coleção Peter Pan, da autoria de Régis Loisel, que a ASA tem estado a editar em parceria com o jornal Público, desta vez faço um comparativo entre as edições do tomo 3, Tempestade, que foram lançadas em Portugal, quer pela extinta editora Booktree, quer, agora, pela ASA.

Quem já leu o comparativo entre as edições da Bertrand e a ASA, saberá que esta nova edição, que a ASA nos apresenta, tem um formato maior. Assim, tal como na versão dos 2 tomos publicados pela Bertrand, os dois tomos que a Booktree publicou, também tinham um formato mais pequeno do que a nova edição da ASA. E também as capas tinham uma moldura em verde que, na edição da ASA foram (bem) retiradas. As capas - especialmente a partir deste tomo 3 - ficam verdadeiramente maravilhosas e qualquer moldura que lhes retire dimensão, tira-lhes destaque. Portanto, boa escolha, ASA.

Além disso, também as páginas de guarda da versão da Booktree tinham uma ilustração. Na nova versão da ASA, essas páginas passaram a ser a azul, apenas. A meu ver, teria sido melhor ter deixado ficar estas as ilustrações nas páginas de guarda.


Porém, o título e os créditos são mais bonitos e atuais nesta nova versão da ASA. Embora na versão anterior também fossem agradáveis.



As edições da Bertrand e da Booktree são, aliás, muito semelhantes entre si. Talvez porque a Booktree agarrou a série a meio e tentou continuá-la no exato ponto em que tinha sido cancelada.

No entanto, verifico que, em termos de cores, a edição da Booktree está mais bem conseguida do que a da Bertrand e que, por esse motivo, se aproxima mais da edição atual da ASA. Assim, ao contrário da edição da Bertrand, que apresentava cores mais escurecidas, isso não se verifica na edição da Booktree.

E quando se colocam, lado a lado, as edições da Booktree e da ASA, as diferenças mal se fazem notar. Ora, vejam lá:




Se a edição ASA superou claramente a edição da Bertrand e até estava a "ganhar" à edição da Booktree, há, todavia, uma ausência na edição da ASA que é bastante lamentável. 

É que, ao contrário do livro da Booktree que contava com um generoso caderno de extras com esboços de Loisel, o único extra da edição da ASA é mesmo a biografia, comum a todos os livros.

Compreendo que a ASA tenha querido uniformizar todos os livros e que talvez não fizesse sentido ter um livro, a meio da série, com extras, enquanto os outros não os tinham. 

Ainda assim, tratando-se da arte miraculosa de Loisel, é com pena que verifico que os fantásticos esboços que apresento abaixo, que figuram na edição da Booktree, não aparecem nesta nova edição da ASA, em parceria com o jornal Público.

Será que o sexto e último volume reunirá estes extras? Seria muito bom que isso acontecesse. Mas não tenho, até agora, qualquer confirmação da editora nesse sentido.

Convido-vos, agora, a observarem os fantásticos esboços que o Tomo 3, A Tempestade, publicado pela Booktree, contém: