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terça-feira, 25 de novembro de 2025

Análise: Peças

Peças, de Víctor L. Pinel - Ala dos Livros

Peças, de Víctor L. Pinel - Ala dos Livros
Peças, de Víctor L. Pinel

Há livros que se abrem como portas de um elétrico: de repente, sem aviso, e basta um segundo para que algo mude. Peças, do espanhol Víctor L. Pinel, começa justamente assim, com um jovem que, numa dessas aberturas súbitas do quotidiano, vê uma rapariga que não voltará a encontrar, mas que o marca de forma irremediável. É um ponto de partida simples, quase frágil, daqueles que cabem num parágrafo curto… mas que escondem a promessa de algo maior. É este o começo do mais recente livro de Víctor L. Pinel, editado pela Ala dos Livros, autor do qual a editora já tinha publicado o muito interessante O Mergulho, dessa feita, com argumento de Séverine Vidal.

Em Peças, Víctor L. Pinel, assume-se como autor completo, oferecendo-nos argumento e ilustrações. E, se nas ilustrações o autor nos volta a dar um belo trabalho, é no argumento que mais me surpreendeu.

Ao início, confesso-vos, a história deste livro pareceu-me leve em demasia e carregada de alguns clichets, com personagens que sentimos já ter encontrado noutro livro, noutro filme, noutro romance... até noutra banda desenhada qualquer. Há reconhecimentos imediatos, quase automáticos, como se Pinel estivesse a jogar com arquétipos já gastos. Mas é precisamente por aí que o autor nos engana: a leveza é apenas o disfarce da peça antes de ser movida e, acreditem, o argumento deste livro acaba por se nos revelar mais inteligente e intrincado do que aquilo que, à partida, poderíamos adivinhar.

Peças, de Víctor L. Pinel - Ala dos Livros
Pouco a pouco, percebemos que há algo muito especial por baixo dessa superfície aparentemente familiar. A narrativa abre pequenas fendas, deixa pistas quase imperceptíveis, e o que parecia um conjunto de histórias independentes, quase uma antologia, ganha profundidade, textura e intenção. O autor escreve com a precisão de alguém que sabe que cada detalhe - mesmo o mais discreto - pode alterar toda a estratégia do jogo. Afinal de contas, é de o xadrez que estamos a falar.

Mas, voltando ao início deste texto, é a partir da referida faísca inaugural, em que um jovem observa outra jovem pelas portas de um elétrico que se abrem - o que me remeteu para o filme Sliding Doors, com Gwyneth Paltrow, já agora - que Víctor L. Pinel lança um conjunto de personagens que carregam nos ombros as suas falhas, as suas desistências e as suas pequenas esperanças. Todas as personagens se movem como peças num tabuleiro de xadrez invisível, avançando, recuando ou estagnando, às vezes sem perceberem que o jogo já começou. Ou que ainda não acabou. Os peões questionam-se sobre o preço do sacrifício, os bispos cruzam caminhos sem verdadeiramente se tocarem, e o cavalo salta com uma liberdade que é, paradoxalmente, a sua maior vulnerabilidade.

Temos aqui vários exemplos de vida: o clássico adolescente bonitão da escola, por quem todas as outras miúdas suspiram, mas que acaba por se apaixonar pela miúda geek de óculos a quem ninguém dá importância; a mulher traída pelo marido, que não consegue prosseguir com a vida; a mulher que sente-se só na vida com o seu namorado, que nunca parece estar disponível para ela; o galã da televisão que, embora desejado por tantas mulheres, sente um enorme vazio e uma vontade de conhecer alguém que goste dele por aquilo que ele é e não pela imagem que a indústria do entretenimento fabricou de si; o casal que está separado pela distância física e onde os projetos de um não parecem coincidir com os projetos do outro; o casal mais idoso que viu a sua relação acomodar-se pelo peso da rotina; a rapariga que não se consegue prender a relacionamentos sérios; a idosa que desistiu de viver enquanto aguarda pela sua morte e o rapaz, já mencionado, que se apaixona por uma estranha à saída do elétrico.

Sem que o leitor se aperceba, este mosaico de trajetórias vai montando uma espécie de coreografia silenciosa: todos avançam, todos colidem, todos procuram sentido neste tabuleiro urbano a que chamamos "vida" e onde nada parece totalmente controlável. A vida, aqui, não é tanto um jogo para ganhar, mas um jogo para tentar resolver.

Peças, de Víctor L. Pinel - Ala dos Livros
A metáfora do xadrez, longe de ser um truque estilístico, transforma-se, pois, num verdadeiro eixo temático. Cada tipo de peça corresponde subtilmente a um tipo de personagem, um tipo de movimento emocional, um modo próprio de existir. Somos todos distintos, sim, mas todos estamos a jogar algum tipo de xadrez. Uns fazem-nos com avanços cautelosos, outros com saltos impulsivos, outros parecem estar presos em diagonais impossíveis. O argumento é simples na forma, mas absolutamente brilhante na execução.

Peças é, acima de tudo, um livro que aquece o coração. Cada página convida à reflexão sobre as nossas escolhas, sobre os laços que criamos e sobre a fragilidade das relações humanas. Pinel lembra-nos, de forma subtil e poética, que tudo precisa de cuidado. Um gesto ignorado, uma palavra não dita, uma atitude não explícita pode fazer um amor desvanecer-se como se este nunca tivesse existido. E, como no xadrez, perceber o momento certo de avançar ou recuar, de arriscar ou proteger, é essencial: jogar bem a vida é, muitas vezes, a única forma de preservar aquilo que nos importa.

Mas se toda esta metáfora entre a vida e o xadrez já dava uma boa profundidade à obra, o autor vai ainda mais longe quando, no final, nos apresenta, através de cirúrgicos flashbacks, várias pequenas escolhas das personagens que desfilaram à nossa frente, e que, sem dêssemos conta - ou sem que isso nos fosse previamente demonstrado - acabaram por impactar as vidas das restantes personagens. Nessa parte final há, pois, um certo momento de epifania narrativa, quase cinematográfica, em que tudo se encaixa. As histórias, que antes pareciam soltas e meramente circunspetas a um tema comum, convergem numa revelação que lembra o filme O Efeito Borboleta, com o ator Ashton Kutcher, não pelo tema, mas pela sensação de que cada pequeno gesto nas nossas vidas pode ter consequências escondidas. É um “ah!” silencioso, daqueles que fazem o leitor recuar duas páginas só para confirmar que as peças sempre estiveram lá, prontas a serem alinhadas.

É impossível não pensar no trabalho estrutural que isto exige. O argumento é intrincado, quase milimétrico, e denuncia um autor que preparou tudo com extremo cuidado para que as interligações nunca ficassem desalinhadas. Há inteligência, mas também há um enorme respeito pelo leitor a quem é feito o convite para participar na montagem do puzzle.

Já falei de vários filmes nesta análise, para os quais fui remetido, e há um em especial que também não posso deixar de referir: a comédia romântica Amor Acontece. Não tanto pelo enredo que, nesta caso, nada tem a ver com o natal, mas no modo como várias histórias se cruzam sem perderem a sua individualidade e, também, por nos passar a ideia de uma certa harmonia, que nos faz sentir bem, mesmo que, por momentos, possamos ficar pensativos. São vidas que se tocam por momentos, criando linhas de força que só percebemos quando olhamos para o conjunto completo.

Peças, de Víctor L. Pinel - Ala dos Livros
Do ponto de vista visual, Peças abraça um desenho moderno, com um toque semi-cartoonesco que lhe assenta bem. Algo a que Pinel já nos habituou em O Mergulho. O traço, solto mas expressivo, faz lembrar o trabalho de Jordi Lafebre na forma como combina leveza estética com peso emocional. Não se trata apenas de ilustrar a história: trata-se de lhe dar ritmo, humores, gestos quase coreográficos. As expressões das personagens são muito bonitas e as cores suaves convergem para a leveza bela do relato.

E essa acessibilidade gráfica contribui para algo que não devamos esquecer: Peças é uma banda desenhada perfeita para introduzir pessoas ao próprio universo da banda desenhada. Não exige bagagem prévia, não pede que o leitor domine códigos ou convenções. É uma obra acolhedora, acessível, fácil de ler, com uma mensagem tão universal como o amor nas nossas vidas. Quando alguém, que não lê BD, me voltar a perguntar: "Com que livro é que devo por começar o meu mergulho na banda desenhada?" - e, acreditem, é uma pergunta que me fazem recorrentemente - é bem provável que eu lhe coloque este Peças nas mãos.

Nota positiva, ainda, para o facto de ser notório que, ao longo do livro, o traço de Vidal ficou mais aprimorado e elegante. Basta comparar a página 6 e umas das páginas do final da obra para constatarmos facilmente isto. 

Quanto à edição da Ala dos Livros, encontramos um livro com capa dura baça, lombada arredondada, com bom papel brilhante no interior.

Em suma, Peças é um livro que se lê com a suavidade de uma história simples, mas que se entranha no leitor com a complexidade de um argumento muito bem montado. E que, como no xadrez, nos lembra que a vida é um avanço contínuo, às vezes lento, às vezes inesperado, quase sempre imprevisível. Uma obra delicada e inteligente, que confirma que, no fim de tudo, somos sempre peças em movimento. É uma das BDs que mais prazer me deu ler no corrente ano e, sem dúvida, uma das grandes surpresas do ano. Antes de a ler, achava que seria boa, mas não tão boa. Adorei.


NOTA FINAL (1/10):
9.7



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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Peças, de Víctor L. Pinel - Ala dos Livros

Ficha técnica
Peças
Autor: Víctor L. Pinel
Editora: Ala dos Livros
Páginas: 176, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 285 x 210 mm
Lançamento: Agosto de 2025

quarta-feira, 20 de agosto de 2025

Ala dos Livros lança nova banda desenhada!



Será ainda durante este mês de Agosto que chegará às livrarias a nova aposta da editora Ala dos Livros!

Trata-se de Peças, de Víctor L. Pinel, de quem a editora portuguesa já editou a banda desenhada O Mergulho. Dessa vez, o argumento foi da autoria de Séverine Vidal, com desenho de Víctor Pinel, mas no caso deste novo Peças, é o autor espanhol que assegura o argumento e as ilustrações.

Este é um livro do qual já li boas opiniões e que, pelo seu belo desenho, tem estado debaixo do meu radar há alguns meses. Estou, portanto, muito curioso para mergulhar nesta leitura.

Por agora, o livro já se encontra em pré-venda no site da editora.

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.

Peças, de Víctor L. Pinel

«A vida é como um jogo de xadrez. Fácil de aprender, divertido de jogar, difícil de ganhar… impossível de controlar!»

As portas de um eléctrico abrem-se e um jovem vislumbra uma mulher que nunca mais voltará a ver, mas pela qual se apaixona. 

É este o ponto de ponto de partida desta obra em que os protagonistas, todos com relações pessoais falhadas, são como peças num jogo de xadrez. 

Os peões perguntam-se se não estará na altura de sacrificar uma peça para continuarem a avançar. Os bispos cruzam-se sem nunca se encontrarem verdadeiramente.

O cavalo, livre, capaz de saltar por cima das outras peças, mas vulnerável porque, por mais esquivo que seja, um cavalo pode ser apanhado por um simples peão. 

Todos avançam, confrontam-se, movimentam-se nas suas vidas como num tabuleiro de xadrez. 

Estão todos ligados sem o saberem e prestes a jogarem um jogo que irá mudar as suas vidas.




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Ficha técnica
Peças
Autor: Víctor L. Pinel
Editora: Ala dos Livros
Páginas: 176, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 285 x 210 mm
PVP: 27,50 €

quarta-feira, 20 de julho de 2022

Análise: O Mergulho

O Mergulho, de Séverine Vidal e Víctor Pinel - Ala dos Livros

O Mergulho, de Séverine Vidal e Víctor Pinel - Ala dos Livros
O Mergulho, de Séverine Vidal e Víctor Pinel

Se há coisas de que gosto é de começar a leitura de uma banda desenhada sem ter qualquer ideia da obra que vou ler e sem conhecer o(s) autor(es). Partir às escuras sem qualquer referência, portanto. E olhem que, cada vez mais, isso é uma coisa difícil de acontecer. Porque, mesmo nos casos em que não conheço a obra, acabo quase sempre por obter, de forma voluntária ou involuntária, informações – mesmo que básicas – sobre o livro em questão ou sobre os autores.

Mas com este O Mergulho, que a Ala dos Livros acaba de editar, aconteceu-me essa tal sensação de que gosto: nada sabia sobre a obra e sobre os seus autores. E, por esse motivo, este O Mergulho constituiu para mim um autêntico “mergulho” no desconhecido. Nem sempre o resultado destas obras totalmente desconhecidas é fantástico, mas, neste caso, posso dizer que esta nova aposta da Ala dos Livros foi uma bela surpresa! O que faz até – e permitam-me falar sobre o tema – com que haja uma crescente e justa confiança dos leitores nas propostas que a Ala dos Livros vai trazendo. E isto não se conquista só "porque sim"… conquista-se com um bom e continuado trabalho.

O Mergulho, de Séverine Vidal e Víctor Pinel - Ala dos Livros
O Mergulho
conta-nos a história de um grupo de idosos que se vê forçado a viver a última parte das suas vidas numa residência sénior. Uma história tão comum para tantas pessoas em todo o mundo. No entanto, é uma temática nem sempre abordada em filmes, livros ou banda desenhada. Quer dizer, nos últimos anos, no caso da bd em específico, isso até tem sido mudado. De facto, as histórias que envolvem idosos têm até sido cada vez mais abordadas na banda desenhada, com destaque para a bd de origem espanhola. Isso foi feito, por exemplo, em Presas Fáceis, de Miguelanxo Prado (Levoir) ou em Como Viaja a Água, de Juan Díaz Canales (Arte de Autor).

No entanto, é em Rugas, de Paco Roca (Levoir) que temos uma história mais próxima deste O Mergulho que, curiosamente, também é fruto de um autor espanhol (Víctor Pinel) que aqui colabora com a autora francesa Séverine Vidal. E, tal como em Rugas, também aqui somos introduzidos ao dia-a-dia de idosos que vivem numa residência sénior. O meu intuito com estas referências não é fazer uma comparação direta entre obras, mas sim chamar a atenção para o facto da terceira idade estar a receber mais destaque por parte dos argumentistas espanhóis. E isso é algo positivo, diria.

O Mergulho, de Séverine Vidal e Víctor Pinel - Ala dos Livros
A protagonista deste O Mergulho é Yvonne que, com 80 anos, fecha pela última vez as portas da sua casa para rumar a uma residência para a terceira idade. Naquela casa havia passado quarenta anos da sua vida, tendo tido um casamento feliz, vários filhos e vários netos. Muitas memórias, muitas vivências. Naturalmente, Yvonne não parece, portanto, muito feliz com a ideia de rumar a um lar para idosos. Mais que não seja porque essa própria mudança a relembra do simples facto de ela estar cada vez mais próxima do fim. Do mergulho no vazio.

Com efeito, sente bastante dificuldade em adaptar-se a esta nova vida, não parecendo nutrir qualquer vontade de ali estar. Mas o tempo vai passando e acaba por ali fazer novos amigos e, até mesmo, encontrar uma nova paixão amorosa. O seu maior receio é que as suas memórias comecem a fugir da sua mente.

O Mergulho coloca em perspetiva a última parte da vida dos seres humanos (que pode demorar 5, 10, 20 ou 30 anos, conforme a resistência da pessoa) e fá-lo sem complacências. Da maneira que é. Uma fase da vida triste, solitária, melancólica, nostálgica e com a sensação - sempre presente - que se está a mergulhar no fim dos dias. Que a morte espreita à porta. Se isto é verdadeiramente drástico e profundamente devastador, posso dizer-vos que O Mergulho não é apenas um livro triste. Ao invés, mostra-nos (também) um raio de luz possível, uma saída, uma forma de encarar com alegria a vida, esteja ela em que fase estiver.

O Mergulho, de Séverine Vidal e Víctor Pinel - Ala dos Livros
Gostei do facto de não se tentar cair nos lugares comuns do “o que interessa é a idade mental” e bla bla bla. Pelo contrário até, Séverine Vidal apresenta-nos um conjunto de personagens que não tenta enganar a velhice, mas, simplesmente, viver o que falta viver. Seja através de um jogo de tabuleiro, de uma piada ou de uma desobediência às rígidas regras do Lar. Seja até através de um novo relacionamento amoroso. Tudo é bom desde que nos ocupe e nos deixe feliz. Ou se não nos deixar feliz, pelo menos que nos deixe fora da infelicidade - não é exatamente a mesma coisa, mas quando estamos nessa última etapa da vida, é bem provável que seja o suficiente.

Os desenhos de Victor Pinel enquadram-se muito bem no relato que nos é dado pela argumentista. Com um traço dinâmico que não é muito pormenorizado mas que é altamente eficiente nas emoções que passa, o autor oferece-nos um desenho que me remeteu para um estilo bastante franco-belga, que me deixou muito agradado. É daqueles tipos de ilustração em que me basta olhar para uma só vinheta e consigo, em 20 segundos dizer que gosto.

Gostei particularmente da opção do(s) autor(es) em termos vários desenhos onde vemos as personagens nuas. Por vezes dizemos que a nudez em determinada banda desenhada é gratuita e que não acrescenta nada de relevante. Mas, neste caso, a nudez de corpos idosos assume uma importância do espectro narrativo, pois não me parece que esta escolha dos autores tenha sido tomada com o propósito de chocar ou de desagradar os nossos olhos, tão habituados a imagens bonitas e comerciais da nudez. Pelo contrário, torna-se claro que o intuito dos autores é o de tratar a velhice de forma crua, mas também com a própria dignidade e transparência que a mesma também merece. Lá porque a nudez é gorda, velha ou imperfeita na sua perfeição única, também merece ser retratada, não?

O Mergulho, de Séverine Vidal e Víctor Pinel - Ala dos Livros
A planificação também procura ser bastante dinâmica, destacando-se as ilustrações que ocupam uma só página e onde nos é oferecida uma qualquer reflexão de Yvonne. Estas são páginas de fortes e profundos significados que ficam gravadas na nossa retina já depois de terminada a leitura.

Acredito que certos aspetos do argumento – ou mesmo o próprio final da obra – poderiam ter tido uma resolução (ainda) mais profunda, mas compreendo que o objetivo dos autores não era um arrebatamento total dos leitores, mas apenas a de proporcionarem uma reflexão agridoce. E nisso, são muito bem-sucedidos.

A edição da Ala dos Livros é expetavelmente muito bem conseguida. Capa dura – com os detalhes da água e das algas a verniz – bom papel couché, boa encadernação e boa impressão. Tudo bem feito como é apanágio da editora.

Sintetizando, este é um livro bastante emotivo que ora nos faz temer pela nossa velhice (bem como pela dos que nos rodeiam), deixando-nos um travo de tristeza no âmago, ora nos faz sorrir com a simplicidade e ternura com que é possível alegrar todo e qualquer idoso. Uma mensagem profundamente humana, tratada com muita sensibilidade, ternura e delicadeza, que merece ser lida. O Mergulho acabou por ser uma ótima surpresa para mim.


NOTA FINAL (1/10):
9.2



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020



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O Mergulho, de Séverine Vidal e Víctor Pinel - Ala dos Livros

Ficha técnica
O Mergulho
Autores: Séverine Vidal e Víctor Pinel
Editora: Ala dos Livros
Páginas: 80, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 220 x 295 mm
Lançamento: Junho de 2022