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segunda-feira, 19 de setembro de 2022

Comparativo: Mickey e A Terra dos Anciões pela Glénat e pela Panini Comics

Comparativo: Mickey e A Terra dos Anciões pela Glénat e pela Panini Comics

Embora, com muito pesar meu, diga-se, a coleção dos originais da Disney da editora francesa Glénat não seja editada em Portugal, a boa notícia para quem não consegue - ou não quer - ler em francês é que, recentemente, a Panini Comics começou a editar vários títulos desta coleção.

Os puristas dirão que o "português do Brasil" não é a mesma coisa do que o "português de Portugal" - e, naturalmente, não será - mas a verdade é que, com esta iniciativa da Panini Comics, estas obras de qualidade superior passaram a ser editadas em português e, portanto, a ficarem mais acessíveis aos leitores portugueses.

Depois de, após a análise que fiz a esta obra, ter recebido várias mensagens acerca da mesma, opto por fazer um comparativo entre a edição original francesa e a edição brasileira.

Olhando, então, para as duas edições, há várias diferenças que posso referir.

Começando pelas capas e contracapas, verifica-se que a edição da Panini Comics tenta ser bastante fiel à edição original. Capa dura, baça, com as letras do título da obra e as figuras de Mickey e Minnie a verniz. Na contracapa a edição brasileira colocou uma sinopse da obra.  

Comparativo: Mickey e A Terra dos Anciões pela Glénat e pela Panini Comics

A maior diferença na parte exterior do livro é na lombada do livro. A edição francesa da Glénat tem lombada a tecido e a edição brasileira tem uma lombada normal cartonada. 

Embora, naturalmente, a edição a tecido seja mais nobre e mais bela, gosto do facto da Panini Comics ter feito uma certa tentativa de aproximação à edição original, dotando a lombada de uma cor diferente em relação à capa. 

Comparativo: Mickey e A Terra dos Anciões pela Glénat e pela Panini Comics

Em termos de papel, ambas as edições são bastante diferentes. 

O livro da Glénat tem papel baço, de ótima gramagem. Já o papel da edição da Panini Comics é papel com brilho e com uma gramagem que, mesmo sendo aceitável, o torna bastante mais fino do que o papel da edição original. 

Sendo mesmo justo, não considero que o papel da edição brasileira seja minimamente "mau". Não o é. O papel da Glénat é que é extremamente bom. 

Por esse motivo, até chega a ser curioso verificar que embora a versão brasileira tenha mais 7 páginas do que a edição original, mesmo assim a espessura do livro francês é muito maior - quase o dobro! - do que a do livro brasileiro.

Comparativo: Mickey e A Terra dos Anciões pela Glénat e pela Panini Comics

O facto de se ter optado por papel brilhante, em detrimento do papel baço, é que me deixou um pouco desapontado. 

Não sei se a fotografia acima permite ver isso - talvez não - mas a verdade é que o tipo de ilustrações majestosas que o autor Silvio Camboni nos oferece, beneficiam muito mais em papel baço. 

Não é que a experiência de leitura no livro da Panini Comics não seja boa - porque o é - mas a experiência do papel mate da versão francesa supera em muito o papel brilhante. Até porque, em alguns casos, senti as cores demasiado escuras na versão brasileira.

Comparativo: Mickey e A Terra dos Anciões pela Glénat e pela Panini Comics

Por fim, ambas as edições têm alguns extras, em que nos é permitido visualizar o trabalho de preparação de Camboni. Porém, neste ponto, a edição brasileira supera a edição francesa. 

Enquanto que o livro da Glénat só nos oferece duas páginas para vermos os estudos de capa do autor, a edição da Panini dá-nos onze (!) páginas onde, para além de vermos o estudo de capa de Camboni, também vemos alguns dos seus esboços para as personagens e storyboards de algumas pranchas. E tudo isto com comentários de Camboni. 

Em termos de extras, a edição brasileira é, pois, francamente melhor do que a edição original francesa.

Comparativo: Mickey e A Terra dos Anciões pela Glénat e pela Panini Comics

Resumindo e concluindo, a edição original da Glénat é bastante melhor em termos de materiais e acabamentos utilizados embora a edição da Panini Comics seja bem mais generosa em termos de caderno de extras.

Quanto à escolha dos leitores do Vinheta 2020 sobre que edição comprar, tenho que dizer que é algo bastante pessoal e que, por isso, deve ficar ao critério de cada um, consoante a sua capacidade e/ou vontade para ler em francês. 

Não tenho dúvidas de que a edição francesa não só é "a" original como tem melhores acabamentos. No entanto, eu pertenço à equipa do "prefiro sempre ler em português, mesmo que a edição física não seja tão boa". E isto já para não dizer que a versão brasileira ainda tem um caderno de extras mais completo do que a edição francesa. 

Feitas as comparações, que cada um faça a sua escolha, portanto! 

Comparativo: Mickey e A Terra dos Anciões pela Glénat e pela Panini Comics

Comparativo: Mickey e A Terra dos Anciões pela Glénat e pela Panini Comics

Comparativo: Mickey e A Terra dos Anciões pela Glénat e pela Panini Comics



sexta-feira, 9 de setembro de 2022

Análise: Mickey e a Terra dos Anciões

Mickey e a Terra dos Anciões, de Denis-Pierre Filippi e Silvio Camboni - Panini Comics (Disney Glénat)

Mickey e a Terra dos Anciões, de Denis-Pierre Filippi e Silvio Camboni - Panini Comics (Disney Glénat)
Mickey e a Terra dos Anciões, de Denis-Pierre Filippi e Silvio Camboni

Se há coisas que eu gostaria de ver publicadas em Portugal uma delas era a coleção da Disney Glénat, em que autores de renome e com provas dadas na banda desenhada mundial, criam as suas próprias histórias que envolvem as famosas personagens da Disney. Não havendo, porém, publicação da Disney Glénat em Portugal que, pelo que pude constatar, acarretaria um investimento demasiado grande por parte das editoras portuguesas, podemos ler estes fantásticos livros na sua língua original – o francês – ou em português do Brasil.

Estou certo que para alguns puristas do português de Portugal isto será um ultraje para com Camões, mas, sejamos sinceros, também é verdade que muita gente – para não dizer “toda a gente” – se habitou a ler as revistas da Disney em português do Brasil. Ou a Turma da Mônica, vá. Portanto, não será um problema para a grande maioria dos leitores portugueses, espero. Até porque estamos a falar de um tipo de história leve. Não há nada de muito filosófico num livro da Disney, como sabemos. No meu caso, mesmo conseguindo ler em francês, prefiro sempre ler em português. E com a oferta crescente de livros brasileiros por parte da loja Casa da BD, mesmo ao pé da minha casa, torna-se por demais apelativo para mim ler estas edições brasileiras.

Mickey e a Terra dos Anciões, de Denis-Pierre Filippi e Silvio Camboni - Panini Comics (Disney Glénat)
Se a edição brasileira será melhor ou pior que a edição francesa já são outros quinhentos que abordarei num destes dias até porque tenho as duas versões e brevemente farei um comparativo entre elas.

Centremo-nos, então, na análise a esta edição brasileira da Panini Comics.

A dupla criativa responsável por este Mickey e A Terra dos Anciões é Denis-Pierre Filippi, no argumento, e Silvio Camboni, no desenho. Dupla esta que é repetente nesta coleção da Disney Glénat, uma vez que já nos deu a obra Mickey e o Oceano Perdido.

A primeira coisa que salta à vista neste livro é, sem dúvida alguma, a maravilhosa componente visual. Os desenhos de Camboni, elegantemente coloridos por Samuel Spano, são de uma beleza ímpar e magnífica que facilmente nos tira o fôlego. As personagens são copiosamente bem retratadas, mas é nos cenários, deslumbrantes, que nos transportam no espaço e no tempo para um local do foro onírico, e nas cenas em que vemos Mickey a voar às costas do seu pássaro em céus de perder de vista, sobrevoando planetas verdejantes que são como que ilhas voadoras – onde possivelmente, o filme Avatar nos virá à memória – que este Mickey e A Terra dos Anciões mais se destaca. É verdadeiramente cativante e é fácil termos o ímpeto de ficar a observar estas sublimes ilustrações durante largos minutos.

Posso dizer que os desenhos são tão belos que mesmo que não houvesse qualquer história, já seria um álbum apetecível. Acho ainda que a grande diferença entre estes álbuns da Disney Glénat e de uma qualquer revista da Disney que selecionemos aleatoriamente é - para além da óbvia utilização do grande formato e dos nomes célebres dos autores - o cuidado especial com a arte visual. Convenhamos que as revistas da Disney sempre foram bem desenhadas. Mas eram-no – e são-no – de uma forma rápida e eficaz, não deixando grande espaço de manobra para desenhos mais detalhados e intrincados. Ora, com os álbuns da Disney Glénat que até agora me passaram pelas mãos, isso não acontece. Os desenhos são belos, detalhados e onde se vê claramente que os autores depositaram um grande cuidado. O crème de la crème da banda desenhada a envolver personagens da Disney, diria.

Mickey e a Terra dos Anciões, de Denis-Pierre Filippi e Silvio Camboni - Panini Comics (Disney Glénat)
Falando agora na história deste Mickey e A Terra dos Anciões, temos o argumentista Filippi a convidar-nos a mergulhar num “universo aéreo”, onde a população local reside em pequenas ilhotas que flutuam pelos céus. Neste mundo retirado da cabeça de Filippi, Mickey tem uma importante responsabilidade que é a de manter em segurança as muitas pequenas porções de terra (as tais ilhotas) dos habitantes, face às temíveis tempestades que as colocam em perigo. 

Há, também, um conhecido vilão que é o Mancha Negra, que aqui governa enquanto tirano absolutista, controlando este vasto universo com mão de ferro. Mas quando João Bafo de Onça e o seu clã entram em ação, apontando armas aos soldados do Mancha Negra, não fica muito claro para Mickey e para os seus amigos Minnie, Pateta, Horácio e Clarabela, em que fação do combate se hão-de colocar. Depois, claro, há alguns volte-faces que, naturalmente, não revelarei sob pena de arruinar a experiência de leitura àqueles que lêem este texto.

Convém ressalvar que embora pelas minhas palavras possa parecer um ambiente futurista, as imagens que aqui coloco, da edição francesa, não enganam, permitindo-nos perceber que o universo criado pelos autores é mais do foro da fantasia de aventura do que, propriamente, de algo mais futurista ou de ficção científica.

Mickey e a Terra dos Anciões, de Denis-Pierre Filippi e Silvio Camboni - Panini Comics (Disney Glénat)
Deixem-me dizer-vos que a história, entretendo bem e tendo alguns bons elementos é, talvez, um pouco linear demais. Bem sei que estamos perante um livro do Mickey, que procura ser acessível para uma criança ou para um adulto, mas, não obstante, acho que o argumento poderia ter dado mais ao leitor. Ou então, claro, as páginas poderiam ser em maior número para que o fim da história não parecesse, de certa forma, algo apressado. No entanto, é uma história que se lê bem e que tem os seus pontos de interesse.

Quanto à edição da Panini Comics, o livro é em capa dura, com papel couché e um bom trabalho de encadernação e impressão. No final, temos um caderno de esboços e estudos, comentado por Camboni, que é muito bem-vindo. É interessante olhar para a edição brasileira e para a edição francesa ao mesmo tempo e, por esse motivo, farei o tal comparativo entre ambas as edições num artigo futuro. Para já, digo apenas que a edição brasileira, sendo inferior em termos qualitativos à edição francesa é, ainda assim, bem conseguida.

Olhando, por fim, não apenas para este excelente Mickey e a Terra dos Anciões mas, também, para toda a série Disney Glénat, acho que podemos dizer que todos nós já gastámos (investimos?) horas da nossa vida nas revistas da Disney, certo? Pois agora imaginem que, de alguma forma, esse universo mágico que nos ficou na retina ao longo de décadas, era recapturado por autores de renome e nos era dado numa bandeja de prata. Ainda vou mais longe! Se formos justos, concordaremos que os nossos gostos, leitores de banda desenhada, também foram sendo refinados à medida que crescemos e que fomos aprofundando o nosso conhecimento em banda desenhada tendo, quiçá, posto de lado as revistas da Disney. Mas a proposta da Disney Glénat parece perceber isso muito bem - e talvez seja esse o grande segredo no sucesso desta coleção – e decide projetar obras de banda desenhada que podem muito bem ser lidas por crianças a partir dos 6 anos, mas que também estão direcionadas ao público que já tem 66 anos (ou mais) e quer, de alguma forma, subtrair um 6 à sua idade e voltar a ser criança. E sim, acima de tudo, o bom da coleção Disney Glénat é que nos permite, a nós adultos, voltarmos a ser crianças através de bandas desenhadas majestosamente bem concebidas. Leiam em francês ou em português do Brasil… mas leiam!


NOTA FINAL (1/10):
8.7



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020



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Mickey e a Terra dos Anciões, de Denis-Pierre Filippi e Silvio Camboni - Panini Comics (Disney Glénat)

Ficha técnica
Mickey e a Terra dos Anciões
Autores: Denis-Pierre Filippi e Silvio Camboni
Editora: Panini Comics
Páginas: 72, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 23.5 x 31.2 cm
Lançamento: 2022

segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Análise: Mickey Horrifikland



Mickey Horrifikland – Une Térrifiante Aventure de Mickey Mouse, de Lewis Trondheim e Alexis Nesme

Começo esta análise com um lamento: que pena tenho eu que este Mickey Horrifikland não tenha versão em português! É com quase pesar, que assinalo isso, pois este é um daqueles livros mágicos, com uma arte assombrosamente magnífica e uma história, bem equilibrada, que certamente deixará maravilhados todos os fãs da Disney. 

E é pegando neste assunto, os “fãs da Disney”, que pergunto: quem são as pessoas que são fãs de banda desenhada e não são fãs da Disney? Será, sequer, possível existirem fãs de banda desenhada que tenham passado ao lado do enorme legado Disney? Quem são os leitores de bd que não reservam na sua memória um espaço para os “livros do tio patinhas”, como nos habitámos a chamar? Mesmo que, pelo amadurecimento natural dos nossos interesses, tenhamos deixado um pouco de lado os livros do “tio patinhas”, acho que um convite a navegarmos novamente por esse universo mágico, que moldou o nosso imaginário desde tenra idade, é sempre uma oferta que não podemos recusar, como diria Don Corleone em O Padrinho, certo?

E essa é a proposta deste Mickey Horrifikland dos autores Lewis Trondheim e Alexis Nesme. E, sem exageros, considero esta obra um livro de sonho pois, de facto, é tudo aquilo que eu, um leitor que há muito não lê banda desenhada da Disney, poderia sonhar!

Vamos por partes.

A história apresenta-nos as personagens Mickey, Donald e Pateta que têm uma agência de detetives que vive nas ruas da amargura, por manifesta falta de clientes. Até que aparece uma cliente cujo gato tinha desaparecido desde que tinha entrado no abandonado parque de diversões "Horrifikland". Este é um parque fantasmagórico, repleto de muitas atrações, há muito deixadas ao abandono, para onde os nossos heróis se verão forçados a ir, apesar dos claros receios de Donald. 

Esta é, pois, uma história de terror, mas não um terror “a sério”. Diria que é um terror “à Disney”. Pois mesmo que Horrikland apresente um ambiente que poderia ter sido retirado do universo gótico de Tim Burton em The Nightmare Before Christmas ou The Corpse Bride, a assinatura Disney está bem presente. E afinal de contas, é uma história suave e leve que pode ser lida por miúdos e graúdos. Há elementos assustadores, mas sempre numa medida suave, que ainda por cima, é atenuada com várias tiradas cómicas, sobretudo do Donald, também elas bem conseguidas.

À semelhança das histórias de Scooby Doo em que nem sempre aqueles que pareciam maus eram os verdadeiros vilões, também aqui o enredo está bem construído, levando Mickey e Companhia a inúmeras peripécias, encontros e desencontros e algumas surpresas no final. Se a narrativa apresenta solidez e uma história tipicamente Disney, que não desiludirá os fãs do género, a arte é qualquer coisa de espetacular!

Quanto às ilustrações, é um livro que merece nota máxima. A fidelidade às personagens de Walt Disney na sua fisionomia e expressões é total e o resultado final é, arrisco-me a dizer, perfeito. Os cenários góticos estão incrivelmente bem conseguidos e assinale-se que, mesmo mantendo uma boa linha de continuidade e coesão, são cenários bastante variados pois os nossos heróis percorrerão cemitérios, casas assombradas, asilos abandonados, laboratórios sinistros, grutas sombrias, pântanos assustadores, comboios-fantasma, galeões de piratas escondidos ou mesmo pirâmides assombradas. Tudo isto em apenas 46 páginas que compõem este Horrifikland. Tudo bem montado, do ponto de vista narrativo e com uma arte ímpar.

Relativamente às cores, é-me difícil pensar num livro de banda desenhada que seja tão magnífico como este. Não diria que não exista, mas, reafirmo, é-me difícil pensar num livro com melhores cores que este. Com efeitos de luz espantosos, com tonalidades de uma beleza ímpar quer nos ambientes exteriores, quer nos interiores, quer em cenários bem iluminados, quer em cenários sombrios, este é um livro especial e ímpar na sua conceção cromática. 

De realçar também que existem várias páginas em que os próprios limites das pranchas ou vinhetas receberam cuidadosos e intricados ornamentos, dando uma ideia de bonitas molduras que enfeitam as já lindíssimas páginas que nos são dadas. Como se a arte já não fosse uma beleza para os olhos, estes ornamentos ainda fazem das páginas algo mais original e com mais classe.

A qualidade da edição da Glénat também é impressionante, com uma lombada em tecido, com papel de gramagem adequada e com a soberba capa da obra marcada com vários detalhes a verniz. Nada está errado ou fora do sítio.

Há uma certa “magia” nesta história, nesta arte e nestas cores que por ventura será difícil de definir, mas que, estou certo, quem me lê, saberá a que me refiro quando estamos a falar da Disney. É verdade que nem tudo o que a Disney faz é mágico, mas também é verdade que quando o faz, parece que vai aonde os outros não conseguem ir em termos de “magia”. Este é o caso. Se alguma vez, uma pessoa já ficou rendida a algo que a Disney fez – possivelmente, toda a gente – então este livro é obrigatório.

Esta obra, lançada em Janeiro de 2019 pela Glénat, faz parte da coleção de Originais Disney que a editora francesa tem vindo a desenvolver desde 2016, convidando autores de renome para criar histórias novas com as personagens clássicas da Disney. Desta coleção já saíram títulos como Mickey's Craziest Adventures, de Lewis Trondheim e Keramidas; Une mystérieuse mélodie, de Cosey; La Jeunesse de Mickey, de Tebo; Café Zombo, de Régis Loisel; Mickey et l'océan perdu, de Denis-Pierre Filippi e Silvio Camboni; Donald's Happiest Adventures, de Lewis Trondheim e Keramidas; Mickey à travers les siècles, de Dab's e Fabrizio Petrossi; Super Mickey, de Pieter de Poortere; Minnie et le secret de Tante Miranda, de Cosey; Mickey et la terre des anciens, de Denis-Pierre Filippi, Sara Spano e Silvio Camboni e este Mickey Horrifikland da dupla Lewis Trondheim e Alexis Nesme. Uma coleção já bastante extensa, marcada por uma qualidade que merecia ter edição em português.

Admito que não conheço os moldes e trâmites da venda dos direitos destas obras mas, seja como for, considero um pecado capital se os direitos de publicação desta coleção, e em particular deste Horrifikland, (ainda) não estiverem assegurados por nenhuma editora portuguesa. O fim da editora Goody que publicava as "revistas clássicas da Disney" (chamemos-lhe assim) foi certamente uma grande perda para os fãs de banda desenhada da Disney. Mas esta coleção da Glénat, não existindo em português, será uma perda, por ventura, maior. Obviamente, acho que se pode facilmente perceber que são tipos de leitores diferentes: as revistas da Disney em pequeno formato, são para um público mais infanto-juvenil e mais desprendido. Estes Originais Disney da Glénat são para um público mais maduro, mais seguidor da banda desenhada e com mais poder de compra (porque afinal de contas, são livros em grande formato e em edições de capa dura luxuosas). Numa altura em que editoras como a G.Floy, a Arte de Autor, a Ala dos Livros e até A Seita estão a começar a apostar em edições luxuosas e mais caras, direcionadas a um púbico cada vez mais informado e com algum poder de compra, julgo ser legítimo dizer que há um claro espaço e uma óbvia oportunidade para que estes Originais Disney da Glénat entrem no mercado português. Será certamente um dia muito bom para a banda desenhada portuguesa quando este Horrifikland – ou outro(s) título(s) da coleção – for publicado em português. 

Este é um livro soberbo, com ilustrações para lá do magnífico, com cores maravilhosas e uma história com a linguagem Disney que tanto marcou o mundo da animação no cinema mas, também, e não menos importante, o género da banda desenhada. Não há defeitos neste livro que roça a perfeição. O único defeito é mesmo (ainda) não ter versão em português, o que me leva ao lamento com que iniciei esta análise. Que pena tenho eu que este Mickey Horrifikland não tenha versão em português!


NOTA FINAL (1/10):

9.7



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020



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Ficha Técnica
Mickey Horrifikland – Une Térrifiante Aventure de Mickey Mouse
Autores: Lewis Trondheim e Alexis Nesme
Editora: Glénat
Páginas: 46, a cores
Encadernação: capa dura
Lançamento: Janeiro de 2019