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sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Análise: Dylan Dog - Morte em 16 por 9

Dylan Dog - Morte em 16 por 9, de Roberto Recchioni e Corrado Roi - A Seita

Dylan Dog - Morte em 16 por 9, de Roberto Recchioni e Corrado Roi - A Seita
Dylan Dog - Morte em 16 por 9, de Roberto Recchioni e Corrado Roi

Por ocasião do 40º aniversário de Dylan Dog, uma das mais famosas e idolatradas séries dos fumetti da Bonelli, A Seita editou recentemente, numa edição especial, a obra Dylan Dog - Morte em 16 por 9, de Roberto Recchioni e Corrado Roi! E que bela obra é esta que entra diretamente para os meus livros favoritos da popular personagem italiana!

Dos mesmos autores, a editora portuguesa já por cá editou, relembro, Dylan Dog - Batman: A Sombra do Morcego e Dylan Dog / Dampyr - O Detective e o Caçador, ambos com argumento de Roberto Recchioni; e Dylan Dog - Trevas Profundas e Apocalipse: O Livro da Revelação de São João, estes dois últimos com ilustrações de Corrado Roi.

Dylan Dog - Morte em 16 por 9, de Roberto Recchioni e Corrado Roi - A Seita
Se Dylan Dog já é uma série que eu muito aprecio, tenho que vos dizer que este Morte em 16 por 9 me encheu as medidas, pois mais do que ser uma simples aventura do Investigador do Pesadelo, aqui estamos perante uma experiência profundamente sensorial, construída a partir de imagens, silêncios, olhares e emoções contraditórias e sensuais que se vão infiltrando lentamente no leitor. É uma banda desenhada que parece respirar cinema em cada vinheta e que nos envolve numa atmosfera simultaneamente sedutora, inquietante e melancólica.

A história começa com o desaparecimento de um restaurador de arte, namorado de Mina, que leva esta a pedir ajuda a Dylan Dog para investigar o caso. A partir desse ponto, a investigação conduz o detetive até à bela Lucille e ao misterioso quadro que domina toda a narrativa. E rapidamente somos transportados para uma viagem carregada de obsessões, desejos proibidos e muito sexo. Sim, de todos os livros que me lembro de ter ligo de Dylan Dog - e já foram alguns - não me lembro de uma história em que os momentos de sensualidade - por vezes, extrema, no bom sentido da palavra - fossem tantos. Das várias cenas de sexo com três e quatro pessoas, bissexualidade, bondage e dominação, Dylan Dog passa para um estado de êxtase tal, que permite à história arrastar-nos para o seu lado mais obscuro e retorcido. Um lado mais onírico e mais do âmbito do fantástico.

Mas mesmo havendo uma generosa e intensa sensualidade neste livro, também há um certo requinte na forma como a mesma nos é dada, fazendo com que, mesmo sendo uma obra para um público adulto, nunca se ultrapasse a linha da vulgaridade. Pelo menos, claro, para os meus standards que são bastante tolerantes neste tipo de questões. Não há gratuitidade nem provocação barata. Pelo contrário, tudo é enquadrado numa atmosfera de fascínio e de mistério que transforma o erotismo num elemento essencial da narrativa. Diria até mesmo que, neste caso, o desejo se torna uma força narrativa tão poderosa quanto o próprio terror contido na obra.

Dylan Dog - Morte em 16 por 9, de Roberto Recchioni e Corrado Roi - A Seita
E nesse contexto, tenho que mencionar que a personagem de Lucille assume um papel absolutamente central na narrativa, pois poucas vezes encontrei numa banda desenhada uma figura tão magneticamente perigosa e sexy, ao mesmo tempo. Talvez por isso, a sua presença me tenha remetido inevitavelmente para Catherine Tramell, a inesquecível personagem interpretada por Sharon Stone em Instinto Fatal. Lucille possui essa mesma combinação devastadora de beleza, inteligência, mistério e ameaça latente, com cada aparição sua a parecer anunciar simultaneamente prazer e catástrofe. Quer para Dylan Dog, quer para nós, meros leitores voyeuristas.

Durante boa parte da leitura, desejamos que o protagonista se entregue a essa atração inevitável, mesmo sabendo que as consequências poderão ser devastadoras. Trata-se de uma dinâmica construída com enorme subtileza por parte do argumentista e que confere à obra uma intensidade emocional rara. 

Além disso, convém ainda referir que uma das características mais marcantes de Morte em 16 por 9 é a forma como Roberto Recchioni constrói a narrativa. Há vários momentos praticamente mudos, privilegiando o impacto visual em detrimento do diálogo. O silêncio torna-se uma linguagem própria, permitindo que as imagens falem por si mesmas.

À medida que a narrativa avança, o lado fantástico vai assumindo maior protagonismo, o que é habitual nas histórias de Dylan Dog, casando, portanto, bem com a série. Mas, ao contrário de algumas histórias do foro fantástico que, por vezes, se podem tornar menos plausíveis, este Morte em 16 por 9 apresenta-se muito mais credível por veicular todo esse lado fantástico e onírico através da doçura da euforia sexual. Se Dylan Dog não se envolvesse com Lucille, não visitaríamos certamente esse lado mais obscuro e fantástico da obra.

Dylan Dog - Morte em 16 por 9, de Roberto Recchioni e Corrado Roi - A Seita
Naturalmente, Dylan não atravessa sozinho este pesadelo. Groucho, o seu assistente, faz a sua aparição em vários momentos da história. Confesso que, ao contrário daquilo que acontece noutros livros da série, achei que, neste caso, as tiradas de Groucho me pareceram mais forçadas e menos bem-vindas do que o desejável. Groucho é uma personagem que já me deixou muito bem humorado com os seus comentários noutros livros da franquia, mas neste Morte em 16 por 9 achei-o algo cansativo e até dispensável, deixando no ar a ideia de que aparece na história mais para "picar o ponto". Há ainda outras aparições de algumas personagens míticas da série como a da bela Lillie Connolly, a do Inspector Bloch ou a do memorável Johnny Freak.

Mas se existe um verdadeiro protagonista desta obra para além do próprio Dylan, esse protagonista chama-se Corrado Roi. O seu trabalho gráfico é absolutamente extraordinário! Poucos artistas dominam o preto e branco com tamanha elegância e sensibilidade, a meu ver. Cada página parece ter sido cuidadosamente construída para evocar emoções específicas, explorando magistralmente luzes, sombras e contrastes.

O traço de Roi é simultaneamente realista e onírico. As personagens possuem uma presença física convincente, mas os cenários e as atmosferas parecem emergir de um sonho sombrio. As sombras invadem frequentemente as páginas quase como "entidades vivas", transformando o espaço visual numa extensão dos estados emocionais das personagens. É um trabalho gráfico de enorme maturidade e requinte que eu assumidamente adoro!

Dylan Dog - Morte em 16 por 9, de Roberto Recchioni e Corrado Roi - A Seita
E também a opção formal de utilizar exclusivamente três vinhetas horizontais por página merece aplauso. A referência, no título, ao formato cinematográfico 16:9 não é meramente decorativa, moldando, pelo contrário, toda a experiência de leitura. O resultado aproxima-se mais de um filme do que de uma banda desenhada convencional, com cada vinheta a funcionar como um enquadramento cuidadosamente composto, conferindo ritmo, tensão e uma impressionante fluidez narrativa.

A edição d' A Seita é integral, pois reúne num só volume os dois tomos que constituem a obra original e é feita num formato superior ao que a editora habitualmente utiliza para os restantes livros de Dylan Dog, exceptuando o já referido Dylan Dog - Batman: A Sombra do Morcego, com quem partilha o mesmo formato de 20 x 26,5 cm. De resto, a edição é em capa dura, com detalhes a verniz, com excelente papel baço no interior e um bom trabalho a nível da encadernação e impressão. Há ainda um prefácio de João Miguel Lameiras e, no final do livro, um caderno adicional de extras, com 12 páginas, que nos oferece um texto de Gianmaria Contro sobre a obra e que é acompanhado por vários esboços e ilustrações.

Em suma, Dylan Dog - Morte em 16 por 9 revelou-se para mim uma experiência extraordinária. É uma obra despudoramente sensual, sombria, poética e profundamente cinematográfica, capaz de combinar erotismo, horror, romance e introspeção numa narrativa coerente e emocionalmente poderosa. Roberto Recchioni oferece um dos argumentos mais envolventes que li recentemente na série, enquanto Corrado Roi assina um verdadeiro recital gráfico. Daquelas leituras que não se limitam a ocupar algumas horas do nosso tempo, mas que permanecem connosco muito depois de fecharmos o livro!


NOTA FINAL (1/10):
9.3



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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Dylan Dog - Morte em 16 por 9, de Roberto Recchioni e Corrado Roi - A Seita

Ficha técnica
Dylan Dog - Morte em 16 por 9
Autores: Roberto Recchioni e Corrado Roi
Editora: A Seita
Páginas: 208, a preto e branco
Encadernação: Capa dura
Formato: 20 x 26,5 cm
Lançamento: Junho de 2026

terça-feira, 12 de outubro de 2021

Análise: Apocalipse: O Livro da Revelação de São João

Apocalipse: O Livro da Revelação de São João, de Alfredo Castelli, e Corrado Roi - A Seita

Apocalipse: O Livro da Revelação de São João, de Alfredo Castelli, e Corrado Roi - A Seita

Apocalipse: O Livro da Revelação de São João, de Alfredo Castelli, e Corrado Roi

Apocalipse: O Livro da Revelação de São João é o segundo livro a figurar na coleção Nona Literatura da editora A Seita. O primeiro foi o fantástico Drácula, de Georges Bess, que é uma autêntica obra-prima. Entretanto, a editora também já anunciou que os próximos álbuns desta série serão Macbeth - Rei da Escócia, de Thomas Day e Guillaume Sorel; e Frankenstein, de Georges Bess. Este último que deverá marcar um estilo de ilustração muito de acordo com aquilo que o mesmo autor nos deu em Drácula.

Mas, por agora, foquemo-nos neste Apocalipse: O Livro da Revelação de São João que constitui, quanto a mim, uma aposta mais em qualidade do que na vertente comercial, por parte da editora.

Apocalipse: O Livro da Revelação de São João, de Alfredo Castelli, e Corrado Roi - A Seita

A autoria da obra é dos autores Alfredo Castelli e Corrado Roi. Nome consagrados do fumetti italiano. E, assim de rajada, desenganem-se aqueles que, pelo facto desta ser uma obra baseada em textos sagrados da bíblia, poderiam considerar este livro muito cristão ou muito “tenrinho”. Na verdade, este é provavelmente o livro mais “heavy metal” e de cariz mais mórbido e sombrio do ano! Ou não fosse, afinal de contas, sobre esse último livro da bíblia sagrada, denominado "Apocalipse"!

O Apocalipse, ou Livro das Revelações, que é atribuído ao evangelista São João, conta-nos, de uma forma caótica e catastrófica, o fim dos nossos dias, que é levado a cabo segundo a ira de Deus. E “caos” será, provavelmente, uma das melhores palavras para descrever este último livro do Novo Testamento. Aliás, até digo mais: do ponto de vista narrativo, esta é uma história que parece ter sido escrita sob o efeito de narcóticos, tal não é a “salada de frutas” narrativa, que ora anda para a frente , ora anda para trás, ora introduz elementos novos, ora repete da forma mais redundante elementos já abordados, não obedecendo a nada nem a ninguém, e carecendo de elementos narrativos que nos permitem apreciar convenientemente a história. Uma autêntica anarquia narrativa que mais parece um punhado aleatório de ideias e de previsões. 

Apocalipse: O Livro da Revelação de São João, de Alfredo Castelli, e Corrado Roi - A Seita

É certo que cada ideia tem um simbolismo bastante interessante mas, tirando isso, mais parece um texto quase poético, cheio de clamor, mas sem uma linha condutora. E isso leva-me para uma questão. É que esta adaptação para banda desenhada acaba por ser, também ela, uma grande anarquia do ponto de vista narrativo. Dir-me-ão: “ah, mas isso só acontece porque o texto original também é assim”. E eu concordarei com isso, claro. No entanto, se estamos perante um texto que é apenas e só do foro simbólico, com pouco ou nenhum fio condutor, para quê dotá-lo, então, desse mesmo texto? Para quê repetir algo que não é bem feito? Só pela questão da fidelidade ao texto original? É que, de facto, o argumentista Alfredo Castelli até se preocupou em adaptar o texto original de forma fiel. Mas tendo em conta a "salganhada" que é este texto, esse foi um trabalho inglório do autor, quanto a mim. E olhando para a fenomenal, sublime, maravilhosa, incrível arte ilustrativa de Corrado Roi, acho que este livro funcionaria melhor sem qualquer legenda, apoiando-se apenas dessa arte impactante de Roi. Não seria necessário texto nesta adaptação, a meu ver. “Ah, mas isso faria com que ficássemos perdidos na narrativa e nos acontecimentos!”. Então, mas se isso continua a acontecer com texto, quer dizer que o texto também pouco ou nada contribui para um melhor entendimento da "história".

Apocalipse: O Livro da Revelação de São João, de Alfredo Castelli, e Corrado Roi - A Seita

É certo que, para além de adaptar o texto bíblico original, Castelli também tenta analisar a importância do Apocalipse, ao longo dos tempos, através da influência que esse texto teve em personalidades tão diversas como Isaac Newton, Aleister Crowley ou Jorge Luís Borges, entre outros. Mas fá-lo de uma maneira que não me convenceu muito, já que me pareceu algo forçada, quase que a tentar – em vão – trazer para a experiência de leitura uma certa cadência e lógica mais estruturadas. Isto poderia ter resultado melhor se não fosse colocado na história de forma tão abrupta.

Mas se a parte de Castelli, a adaptação do texto e da história original, não me pareceu muito bem conseguida, a minha opinião muda de forma radical quando olho para o trabalho de Corrado Roi. Verdadeiramente deslumbrante, carregado de personalidade própria e que nos deixa imagens visuais na memória muito depois de terminada a leitura da obra é como posso classificar o trabalho do autor nesta obra. 

Apocalipse: O Livro da Revelação de São João, de Alfredo Castelli, e Corrado Roi - A Seita

É verdadeiramente sublime o trabalho de Roi e torna este um dos livros com melhores e mais originais desenhos a serem lançados por cá, durante este ano de 2021. A maneira como Roi interpreta cada personagem, cada momento do texto original, é uma verdadeira obra de arte. Na verdade, se há exposição que eu gostaria de ver, era a das pranchas e vinhetas deste Apocalipse! Cada personagem, cada momento, cada pose, cada ambiente é carregado por uma inspiração divina(?) de Corrado Roi que é digna de nos tirar o fôlego. Sendo um estilo de ilustração demasiado sombrio e macabro para muitos, acho que, ainda assim, mesmo que não se goste do estilo, temos que admitir que o trabalho do autor é de uma força visual magnífica. É um tipo de ilustração que poderíamos encontrar numa capa de bandas como Slipknot, Tool ou Marylin Manson, por exemplo.

A técnica a preto e branco, o trabalho de luz e sombra, o jogo de câmaras, a dinâmica na planificação de páginas e, sobretudo, a originalidade e inspiração que emana de cada ilustração fazem deste Apocalipse uma obra obrigatória para todos os que sabem (e gostam de) apreciar um bom trabalho de ilustração.

Apocalipse: O Livro da Revelação de São João, de Alfredo Castelli, e Corrado Roi - A Seita

E é também por causa disso que eu terei que me repetir e dizer, uma vez mais, que este livro seria perfeito se fosse mudo, sem qualquer recurso a legendas com texto. E a parte mais contemporânea das personalidades Newton, Crowley e outros, também poderia sair, quanto a mim. É no bailado de ilustração que este livro é fantástico.

A edição d’ A Seita apresenta capa dura, bom papel baço e boa qualidade de encadernação e impressão. Os dossiers de extras, que aparecem no início e no fim do livro, estão muito bem preparados por Castelli. O "Guia de Leitura" também é uma boa adição para tornar menos penosa a leitura da história. Nota ainda para o facto desta edição ter duas capas diferentes - a dita "normal" e a exclusiva da loja Wook. Coisa que me parece interessante e aumenta o cariz colecionável da obra.

Em conclusão, tenho que felicitar a editora pela aposta nesta obra de qualidade. Este é um livro que me deixa com sentimentos mistos, é certo, pois, por um lado, temos um trabalho de ilustração que é uma verdadeira obra magna, mas, por outro lado, temos uma adaptação do “argumento” original – se é que se pode considerar “argumento” – que não é muito feliz. Seja como for, uma coisa é certa, esta é uma obra que marcará qualquer leitor pela força visual que traz consigo.


NOTA FINAL (1/10):
8.3



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020



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Apocalipse: O Livro da Revelação de São João, de Alfredo Castelli, e Corrado Roi - A Seita

Ficha técnica
Apocalipse: O Livro da Revelação de São João
Autores: Alfredo Castelli, e Corrado Roi
Editora: A Seita
Páginas: 112, a preto e branco (e 16 páginas a cores)
Encadernação: Capa dura
Lançamento: Julho de 2020

segunda-feira, 27 de setembro de 2021

Lançamento: Apocalipse: O Livro da Revelação de São João




Depois do fantástico Drácula, de Georges Bess, é altura de recebermos um novo volume para a coleção Nona Literatura, composta por adaptações para BD de alguns textos universais, em que a editora A Seita tem vindo a apostar. Desta feita, é a vez de Apocalipse: O Livro da Revelação de São João, dos autores Alfredo Castelli e Corrado Roi. Nome consagrados do fumetti italiano.

Nota para o facto desta edição ter duas capas diferentes - a dita "normal" e a exclusiva da loja Wook - e um prefácio extenso, complementado por um guia de leitura do Apocalipse, e um dossier final que examina a iconografia do Apocalipse ao longo dos séculos, desde a mais antiga Alta Idade Média, ao mundo actual.
Abaixo, fiquem com a nota de imprensa da editora, com algumas imagens promocionais e, no fim, com a imagem da capa exclusiva da loja Wook.


Apocalipse: O Livro da Revelação de São João, de Alfredo Castelli, e Corrado Roi

O Apocalipse, ou Livro das Revelações, é o último e o mais visionário livro do Novo Testamento. Atribuído ao evangelista São João, este capítulo fulcral da Bíblia é adaptado à banda desenhada de forma simultaneamente rigorosa e inovadora por dois mestres dos fumetti italianos, Alfredo Castelli e Corrado Roi, não só traduzindo em imagem o texto alegórico de São João, como analisando a importância deste texto bíblico ao longo dos tempos, através da influência que o Apocalipse teve sobre personalidades tão diversas como Isaac Newton, Aleister Crowley e Jorge Luís Borges.

Uma adaptação espectacular e visionária, que encontra na arte de Corrado Roi a sua representação mais eficaz e surpreendente, e que é o segundo volume da Colecção Nona Literatura, o selo d’A Seita consagrado à adaptação de grandes textos literários à banda desenhada.

Nascido em 1947, Alfredo Castelli é um prolífico escritor, investigador, argumentista e especialista em banda desenhada. A sua estreia no género dá-se aos 19 anos, com a criação de Scheletrino, uma tira humorística publicada como suplemento da revista Diabolik. No ano seguinte, escreve e edita aquele que foi o primeiro fanzine italiano sobre BD, Comics Club 104. À sua actividade como argumentista para diversas editoras e publicações, junta também a escrita de guiões para séries televisivas da RAI e para desenhos animados.
Para a revista Il Corriere dei Ragazzi cria inúmeras histórias e personagens, como Gli Aristocratici e Allan Quatermain, que irá servir de modelo para a criação de Martin Mystère, e em que já é bem evidente o gosto de Castelli por histórias muito bem documentadas que misturam o género fantástico, e as teorias da conspiração, com a aventura e a História. Para a Bonelli, Castelli escreve argumentos para Zagor, Ken Parker e Mister No, mas é a criação em 1982 de Martin Mystère, o detective do impossível, que o tornou num dos mais importantes argumentistas italianos em actividade.

Um dos mais populares, talentosos e activos desenhadores italianos de fumetti, Corrado Roi encontrou nas aventuras de Dylan Dog o palco de eleição para o seu estilo sombrio e estilizado. A sua estreia na Bonelli faz-se em meados da década de 80 nas séries Mister No e Martin Mystère, antes de se afirmar na série Dylan Dog, de que desenhou dezenas de histórias, incluindo a história em três partes Os Inquilinos Arcanos, e Trevas Profundas, duas das suas histórias do detective do pesadelo que tiveram direito a edição nacional.

Para além da sua colaboração na série Dylan Dog, que inclui as capas da colecção Grande Ristampa, Roi ilustrou também um volume anual de Tex, e diversas histórias de Nathan Never, Julia, Mágico Vento e Dampyr, para além da mini-série UT, o seu projecto mais pessoal, escrito a meias com Paola Barbato, argumentista com quem já colaborou por diversas vezes na série Dylan Dog.

Apocalipse volta a reunir Roi com Castelli num volume que inclui também um prefácio inicial que dá pistas para a leitura e interpretação da obra bíblica, e um dossier final que analisa e documenta o Apocalipse do ponto de vista iconográfico, e das várias adaptações de todos os tipo de que foi alvo.


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Ficha técnica
Apocalipse: O Livro da Revelação de São João
Autores: Alfredo Castelli, e Corrado Roi
Editora: A Seita
Páginas: 112, a preto e branco (e 16 páginas a cores)
Encadernação: Capa dura
PVP: 20,00€













quarta-feira, 8 de setembro de 2021

A Seita anuncia a aposta em mais 3 novas obras de BD!



A editora A Seita aproveitou - e bem! - o Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja para anunciar, através de dois dos seus editores, José Pedro Castello-Branco e João Miguel Lameiras, mais três obras a lançar futuramente, numa das suas coleções que é, igualmente, uma das mais recentes apostas da editora em banda desenhada.

A coleção em questão é dedicada a adaptações para bd de obras clássicas da literatura, e intitula-se Nona Literatura. Abriu em grande com o lançamento, há uns meses, da sua primeira obra, Drácula, de Georges Bess, um livro soberbo que já aqui foi analisado.

Mas agora são conhecidos mais alguns títulos que deverão chegar ao mercado nos próximos meses.

Avancemos, então, para a partilha com os leitores do Vinheta 2020 das novidades referentes a esta coleção d' A Seita: