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sexta-feira, 25 de julho de 2025

Análise: Aii! - A Dor Também Se Trata Com Humor

Aii! - A Dor Também Se Trata Com Humor, de Achdé e Patrick Sichère - Ala dos Livros


Aii! - A Dor Também Se Trata Com Humor, de Achdé e Patrick Sichère - Ala dos Livros
Aii! - A Dor Também Se Trata Com Humor, de Achdé e Patrick Sichère

Houve um tempo - não tão longínquo assim - em que eram publicadas em Portugal variadíssimas obras de banda desenhada franco-belga de humor. Eram livros leves e de humor fácil, muitas vezes com histórias curtas de uma ou várias páginas. Considero que o maior "Rei" deste tipo de histórias continua a ser Gaston Lagaffe, de André Franquin, mas poderia citar inúmeras outras obras como Bruce Kid, Agente 212, Campeões, Dirty Henry, E Deus Criou a Eva, O Inferno dos Concertos, Cubitus, O Exterminador, Ligue-me ao Céu, entre muitas, muitas, muitas - e muitas! - outras séries. 

E eram variadíssimas as editoras portuguesas a apostar neste tipo de obras - embora possa dizer que as editoras Booktree ou a ASA eram das que mais editavam este tipo de BD humorística. Posso admitir que talvez se tenha exagerado um pouco na quantidade de obras deste género lançadas nesta altura, algures no início dos anos 2000, posso dizer-vos que foram muitos os livros que me divertiram e que continuam a merecer um destaque na minha estante quando quero uma banda desenhada mais divertida e despretensiosa para me divertir.

Ora, toda esta introdução serve-me para vos falar de um dos lançamentos mais recentes da editora Ala dos Livros que dá pelo nome de Aii! - A Dor Também Se Trata Com Humor e é da autoria de Achdé e Patrick Sichère. Esta é uma banda desenhada que casa perfeitamente bem no conjunto de obras por mim elencadas mais acima: é leve e humorística, com algumas histórias curtas que nos deixam bem dispostos. Parece algo simples e fácil, eu sei, mas a verdade é que, se excluirmos o regresso pouco consensual de Gaston Lagaffe no ano passado, estivemos anos e anos sem nenhum lançamento deste tipo em Portugal. E, só por isso, saúdo a aposta da Ala dos Livros.

Aii! - A Dor Também Se Trata Com Humor, de Achdé e Patrick Sichère - Ala dos Livros
Este livro que conta com desenho do atual ilustrador da série Lucky Luke e com argumento de Patrick Sichère, que é reumatologista especialista em dor, é uma banda desenhada invulgar e surpreendente, que junta duas áreas à partida pouco compatíveis: medicina e humor em BD. Talvez por isso, vá até um pouco mais longe do que algumas das séries humorísticas franco-belgas que referi acima. É que, para além de fazer rir, de causar boa disposição, este Aii! - A Dor Também Se Trata Com Humor também procura informar-nos acerca das diferentes patologias que nos causam dor física, bem como a sua origem ou a resposta dada pela medicina, ao longo da história, a esses mesmos tipos diferentes de dor, tentando atenuar as mazelas que nos incomodam. 

Partindo, então, da premissa de que a dor, ainda que real e frequentemente debilitante, pode (e talvez deva) ser alvo de um olhar bem-humorado, a obra apresenta-se como uma coletânea de oito pequenas histórias nas quais os autores nos apresentam variados tipos de dores, como enxaquecas, dores de dentes, dores em membros-fantasma, fibromialgia, dores nas costas, entre várias outras. O livro percorre uma série de episódios e tópicos relacionados com a dor, explicando as suas origens, sintomas e possíveis tratamentos. E ainda nos fala de personagens relevantes da nossa história. Sempre com um registo cómico e exagerado, claro.  

A aparentemente inusitada dupla de autores acaba por funcionar de forma exemplar: Sichère fornece o conhecimento clínico e técnico sobre as várias manifestações da dor e Achdé traduz tudo isso em sequências visuais cheias de energia, humor e expressividade. A estrutura quase enciclopédica de algumas informações que nos são dadas a conhecer é rapidamente contrariada por uma piada visual, uma caricatura ou uma vinheta absurda que desarma o leitor e o convida a rir... mesmo quando o tema é uma hérnia discal ou uma enxaqueca insuportável. O efeito é desconcertante no melhor sentido: aprendemos e divertimo-nos ao mesmo tempo.

Aii! - A Dor Também Se Trata Com Humor, de Achdé e Patrick Sichère - Ala dos Livros
E é precisamente esta fusão entre conteúdo educativo e humor que torna Aii! - A Dor Também Se Trata Com Humor um trabalho duplamente bem conseguido. Raramente uma banda desenhada informativa consegue manter o leitor tão envolvido, e raramente uma banda desenhada humorística consegue transmitir tanta informação sem se tornar maçadora. Aqui, os autores encontram um equilíbrio eficaz, onde o conhecimento serve o riso e o riso serve o conhecimento.

À medida que ia lendo, senti-me não só entretido como verdadeiramente instruído. De certa forma, desejei que o livro fosse maior: quando dei por mim a terminar a leitura, tive vontade de continuar, de aprender mais sobre a origem de outras dores específicas, e de o fazer neste registo tão peculiar e refrescante. São apenas 8 temas que aqui são tratados, mas bem que poderiam ser 20 ou 30. Ou mais.

No plano visual, Achdé revela um belo jogo de cintura. Embora o autor seja amplamente conhecido  pelo seu trabalho em Lucky Luke, neste livro o ilustrador opta por um estilo mais solto, mais adequado ao tom desbragadamente cómico da narrativa. No entanto, há momentos – expressões faciais, gestos exagerados, certos enquadramentos – que parecem piscar o olho ao universo do cowboy solitário. São apenas subtis reminiscências que, diria, conseguem trazer um charme adicional à leitura, sobretudo para os fãs de longa data do autor.

A edição da Ala dos Livros é em capa dura baça, com detalhes a verniz, e, no miolo, podemos encontrar um bom papel brilhante e um bom trabalho ao nível de impressão e encadernação. Pode parecer - e é - um preciosismo da minha parte, mas parece-me que em vez de se chamar "Aii!", a obra deveria chamar-se, simplesmente, "Ai!". Julgo que ficaria mais inequívoca essa interjeição de dor. Mas também compreendo que isto implicaria um certo ajuste gráfico da capa.

Em suma, termino dizendo que este tipo de banda desenhada – informativa, cómica e temática – tem estado notoriamente ausente das livrarias portuguesas. Há muito que não se via uma obra que abordasse um tema específico com esta leveza humorística e simultaneamente com tanta seriedade no conteúdo. Por isso, Aii! - A Dor Também Se Trata Com Humor não só cumpre plenamente aquilo a que se propõe, como preenche uma lacuna no panorama editorial português. Um manual ilustrado de dores humanas que, em vez de nos fazer sofrer, nos leva a rir. Uma leitura que, ironicamente, até nos pode ajudar a que certas dores nos doam menos.


NOTA FINAL (1/10):
8.3



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020



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Aii! - A Dor Também Se Trata Com Humor, de Achdé e Patrick Sichère - Ala dos Livros

Ficha técnica
Aii! - A Dor Também Se Trata Com Humor
Autores: Achdé e Patrick Sichère
Editora: Ala dos Livros
Páginas: 60, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 210 x 285 mm
Lançamento: Maio de 2025

terça-feira, 6 de maio de 2025

Ala dos Livros vai lançar nova BD do autor de Lucky Luke!



A editora Ala dos Livros prepara-se para lançar, ainda durante este mês de Maio, o livro Aii! - A Dor Também Se Trata Com Humor, de Achdé, o ilustrador oficial de Lucky Luke!

Este é um livro de humor sobre os diferentes tipos de dores que temos, que Achdé assina com a colaboração de Patrick Sichère no argumento e que foi primeiramente anunciado na Gala dos VINHETAS D'OURO 2023 pelo próprio autor, no vídeo a propósito da atribuição do Prémio Carreira a Maria José Magalhães Pereira.

Aii! - A Dor Também Se Trata Com Humor já se encontra em pré-venda no site da editora e deverá chegar às livrarias ainda durante o mês de Maio. Refiro também que Achdé será um dos autores presentes no próximo Festival de Beja, o que é um motivo adicional para compra deste volume e visita ao certame alentejano.

Por agora, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.


Aii! - A Dor Também Se Trata Com Humor, de Achdé e Patrick Sichère

Toda a gente sabe que quem tem dores é sensível. Será que podemos, então, rir-nos de todas as dores de todos os que têm dores?

Claro que sim: receitando anedotas, pequenas histórias e tratamentos do passado e do presente. Abordemos este tema sério sem ser a sério, mas de um ponto de vista sério…

Estão a perceber?

Patrick Sichère, reumatologista especialista em dor, e Achdé, desenhador de várias séries de humor e da personagem criada por Morris, Lucky Luke, dão-nos informação sobre os pequenos e grandes dói-dóis, as suas causas, os seus sintomas e os seus tratamentos, e isso não faz mal nenhum!

Enxaqueca, dor de dentes, dores nas costas, dores-fantasma, todos temos, tivemos ou teremos uma dor, e não é porque o assunto é sério que deixa de ter piada!

Uma visão bem-humorada e bem-disposta sobre a dor! Para rir até doer…

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Ficha técnica
Aii! - A dor também se trata com humor
Autores: Achdé e Patrick Sichère
Editora: Ala dos Livros
Páginas: 60, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 210 x 285 mm
PVP: 16,50€

terça-feira, 14 de janeiro de 2025

Análise: Lucky Luke - Um Cowboy Sob Pressão


Lucky Luke - Um Cowboy Sob Pressão, de Achdé e Jul - ASA - LeYa
Lucky Luke - Um Cowboy Sob Pressão, de Achdé e Jul

Sou dos poucos leitores de Lucky Luke, creio, que não tem estado "zangado" com aquilo que os autores Achdé e Jul têm feito pela série há quase uma dúzia de álbuns. Concordo que a qualidade e inspiração dos mesmos, em termos de argumento, tem sido algo incerta, com altos e baixos, mas, de um modo geral, sou adepto (e agradecido até!) pelo trabalho de Achdé e Jul ao continuarem a dar vida a uma das séries mais emblemáticas da banda desenhada europeia, que é Lucky Luke. Originalmente criada por Morris e, numa segunda fase, muito bem desenvolvida por Goscinny, esta é uma série que moldou a minha vida e o meu gosto por banda desenhada desde a minha tenra infância. E podendo ser uma afirmação algo polémica, quiçá, até diria que coloco Lucky Luke à frente de séries tão célebres como Astérix ou Tintin (embora também as adore, claro está!).

Mas, como dizia, desde que Achdé e Jul se lançaram na nova série do "cowboy que dispara mais rápido do que a própria sombra", em As Aventuras de Lucky Luke Segundo Morris, o seu trabalho me tem deixado satisfeito. Não apaixonado, concedo, mas satisfeito.

E isso acontece porque me parece haver uma grande fidelidade de Achdé, nos desenhos, ao melhor momento de Morris; e de Jul aos mirabolantes e infinitamente criativos argumentos de Goscinny. Nem sempre Jul tem chegado ao nível de Goscinny, mas é provável que o seu melhor momento de aproximação seja mesmo neste Um Cowboy Sob Pressão. Se eu já estava satisfeito com os últimos álbuns, especialmente com Um Cowboy no Negócio do Algodão, fiquei extremamente bem impressionado com o mais recente álbum da série, lançado em Novembro último.

Lucky Luke - Um Cowboy Sob Pressão, de Achdé e Jul - ASA - LeYa
Começando pelos desenhos, o trabalho de Achdé volta a encantar-me, pois consegue o melhor de dois mundos: por um lado, é totalmente fiel ao trabalho de Morris, fazendo com que haja uma impressionante continuidade visual dentro da série clássica. Por outro lado, Achdé permite-se algumas modernidades visuais - chamar-lhe ia mesmo "melhorias" - que permitem que a planificação seja mais airosa e bela, com algumas ilustrações que fogem ao expectável e onde vislumbramos dinâmica e uma certa dose de poesia - como aquela constante na página 11 do livro, por exemplo. Em termos de desenho, só mesmo na componente da capa é que o livro ficou um pouco aquém do seu potencial, a meu ver. Não é que seja uma má capa, mas não tem o brio de outras com que Achdé já nos brindou.

Mas se o trabalho de Achdé convence desde o início da sua entrada na série, é Jul quem mais me deixou satisfeito com este que é o seu melhor argumento para Lucky Luke e que tem uma premissa divertida e original. 

A história arranca em Nova Munique, uma pequena vila em Dakota fundada por alemães, o que faz com que, tal como acontece em boa parte das cidades e localidades dos Estados Unidos, haja uma forte presença da cultura e costumes da nacionalidade do povo estrangeiro que colonizou as referidas terras. E se falamos de alemães, é quase impossível não falar de cerveja. E é essa a fonte de problemas com que Lucky Luke se vê confrontado assim que chega a Nova Munique.

Lucky Luke - Um Cowboy Sob Pressão, de Achdé e Jul - ASA - LeYa
A apreciada cerveja, que é produzida em grande quantidade naquela cidade, e que abastece a insaciável sede de muitos cowboys, está a parar de ser produzida devido à greve geral convocada pelos sindicalistas que, por arrasto, paralisa todas as unidades cervejeiras do país. Para resolver o problema, Lucky Luke ruma ao Milwaukee, a capital americana da cerveja. A ele juntam-se várias personagens novas divertidas e algumas por todos nós conhecidas, como os infames irmãos Dalton ou o "cão mais estúpido do que a própria sombra", Rantanplan.  

A premissa é divertida, mas é na forma como Jul consegue construir a narrativa, de um modo muito orgânico, com momentos cómicos não forçados que nos fazem sorrir, ao mesmo tempo que são tecidas algumas críticas sociais e paralelismos com a sociedade atual, que está o segredo para que este Um Cowboy Sob Pressão funcione tão bem e nos remeta para os melhores álbuns de Lucky Luke assinados por Goscinny. Não é que Jul tente algo de especialmente diferente. Pelo contrário, diria, o autor conseguiu repescar tudo aquilo que nos fez adorar as histórias mais clássicas de Lucky Luke - como o ritmo, o humor, as personagens impactantes, os bons jogos de palavras, a crítica social e a base histórica - de um modo pleno de graciosidade. Não é uma cópia do trabalho de Goscinny, é uma justa inspiração.

A edição da ASA acompanha o cânone da série: capa dura brilhante, com bom papel baço no interior do livro e um bom trabalho ao nível da impressão e da encadernação.

Em suma, este é provavelmente o melhor Lucky Luke feito por Achdé e Jul, com uma história interessante, divertida e sólida, em que encontramos ambos os autores a demonstrarem-se muito inspirados. Se há um bom livro, mais contemporâneo, capaz de introduzir os mais jovens à série Lucky Luke ou, paralelamente, se há um livro que pode (re)conquistar aquele público mais "zangado" com estas novas aventuras que procuram dar nova vida ao Lucky Luke de Morris e Goscinny, esse livro é mesmo este Um Cowboy Sob Pressão. Recomenda-se totalmente!


NOTA FINAL (1/10):
9.0


Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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Lucky Luke - Um Cowboy Sob Pressão, de Achdé e Jul - ASA - LeYa

Ficha técnica
Lucky Luke - Um Cowboy Sob Pressão
Autores: Jul e Achdé
Editora: ASA
Páginas: 48, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 298 x 228 mm
Lançamento: Novembro de 2024

terça-feira, 12 de novembro de 2024

Vem aí o novo Lucky Luke!


A editora ASA prepara-se para lançar, durante a próxima semana, o mais recente álbum de Lucky Luke.

O novo livro chama-se Um Cowboy Sob Pressão e tem argumento de Jul e ilustração de Achdé, como tem vindo a acontecer nos mais recentes álbuns da série.

O livro já se encontra em pré-venda no site da editora, mas deverá chegar às livrarias na próxima semana, a partir do dia 19 de Novembro.

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.


Lucky Luke - Um Cowboy Sob Pressão, de Jul e Achdé

A atmosfera é sombria em Nova Munique, uma pequena vila em Dakota fundada por colonos alemães.

A razão? A escassez de cerveja causada pela greve geral que paralisa todas as cervejarias do país! 

Assim, Lucky Luke é chamado para o resgate, terá de ir a Milwaukee, a capital americana da cerveja, para aliviar as tensões entre os sindicalistas marxistas e os barões industriais. 

E se o nosso cowboy solitário já está dominado pelos espasmos do conflito social, isso sem contar com os Daltons que vêm se envolver no jogo.

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Ficha técnica
Lucky Luke - Um Cowboy Sob Pressão
Autores: Jul e Achdé
Editora: ASA
Páginas: 48, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 298 x 228 mm
PVP: 12,90€

quarta-feira, 7 de dezembro de 2022

Análise: Lucky Luke - A Arca de Rantanplan

Lucky Luke - A Arca de Rantanplan, de Achdé e Jul - ASA

Lucky Luke - A Arca de Rantanplan, de Achdé e Jul - ASA
Lucky Luke - A Arca de Rantanplan, de Achdé e Jul

Tinha muitas expetativas para este novo álbum de Lucky Luke, lançado em Outubro pela ASA, especialmente por dois motivos: primeiro, porque gostei bastante do último álbum da dupla Achdé e Jul que foi Um Cowboy no Negócio do Algodão. Achei que, com esse livro, o famoso cowboy da banda desenhada voltou à boa forma com um volume bastante bem conseguido a todos os níveis. Por outro lado – e já aqui o escrevi diversas vezes – sou um grande fã da personagem de Rantanplan. Há várias personagens que se tornaram emblemáticas na série de Lucky Luke, mas, para mim, Rantanplan, “o cão mais estúpido do faroeste” é, sem grande concorrência, a personagem mais divertida da série. Adoro-a! E sabendo que iria figurar na história - tendo até o destaque de ter o seu nome no título do álbum - deixou-me muito entusiasmado.

Lucky Luke - A Arca de Rantanplan, de Achdé e Jul - ASA
Depois de feita a leitura, as minhas expetativas para este A Arca de Rantanplan foram correspondidas a metade. Não é um álbum tão bom como eu desejava – e fica vários furos abaixo de Um Cowboy no Negócio do Algodão – mas é, mesmo assim, uma boa leitura e um livro que vai agradar aos muitos fãs que Lucky Luke tem pelo mundo e, concretamente, em Portugal.

Como tem sido feito pela dupla de autores Achdé e Jul, há também neste A Arca de Rantanplan uma tentativa de pegar num tema da atualidade e transpô-lo para o universo de Lucky Luke. Isso traz sempre uma certa pertinência e valor histórico aos álbuns do célebre cowboy, já que, acabam sempre por nos fazer aprender algo mais sobre determinado tema. No caso deste livro, o tema é a proteção dos direitos dos animais e a sugestão de, para garantia dos mesmos, uma adoção do vegetarianismo. O tema é, portanto, mais do que atual.

Ora, no universo dos cowboys, se há coisas onde os humanos não perdiam tempo era com os direitos dos animais. Cavalos, vacas, ovelhas, bisontes… eram vistos como matéria-prima para o enriquecimento dos seus proprietários. Aliás, basta pensarmos no próprio nome “cowboy” (ou “vaqueiro”, em português) para percebermos que os animais eram a fonte de rendimento de uma grande parcela da população. Ainda o é, de um modo mais industrializado e capitalista. Disso não tenhamos quaisquer dúvidas.

No entanto, e no longínquo ano de 1866, Henry Bergh criou a USPCA, a “Sociedade Americana para a Prevenção da Crueldade contra os Animais”.

Lucky Luke - A Arca de Rantanplan, de Achdé e Jul - ASA
E, com base nisso, o argumentista Jul traz-nos a personagem de Ovide Byrde que, em pleno faroeste, cria a Sociedade Protetora dos Animais do Condado de Cattle Gulch, cujo próprio nome, “Ravina do Gado”, já nos faz antever os problemas que surgirão desta iniciativa. E assim é. Devido às suas atividades de tentativa de salvar todo e qualquer animal, Ovide Byrde passa a ser perseguido pela população local, estando à beira de um linchamento público quando Lucky Luke esbarra com a situação e resolve intervir, em auxílio do desamparado Byrde.

Byrde é um homem à frente do seu tempo e, como tal, age de um modo incompreensível para os demais: acolhe na sua quinta todos os animais feridos ou abandonados. Mas é quando Ovide Byrde descobre, devido a Rantanplan, uma grande quantidade de ouro, que os eventos começam a ser alterados. A novidade sobre a riqueza do protetor dos animais espalha-se e, em pouco tempo, surge em cena Tacos, um presidiário que é posto em liberdade e que logo encabeça um plano para extorquir a fortuna a Ovide Byrde. Em nome do bem-estar animal, e com a ajuda de Tacos, Ovide Byrde passa a levar ao extremo as suas metodologias em defesa dos animais.

Se até aqui me parecia que o enredo, sendo simples, estava bem pensado por Jul, depois disto o autor introduz os índios nesta história, o que dá uma clara sensação de filler ou, em bom português, dá uma clara sensação de “enchimento de chouriços”. É certo que o pequeno índio Rabanete Ágil procura ser o estereótipo de um jovem que, de um momento para o outro, começa a perceber a importância da vida dos animais e tenta operar, em si e no mundo à sua volta, uma mudança drástica, recusando tudo o que é carne e defendendo uma alimentação vegetariana. Mas mesmo permitindo alargar um pouco o espetro da temática do livro, parece-me que o autor o faz de forma um pouco atabalhoada. E é, pois, a partir deste ponto que a história perde fulgor. Não fica estragada, mas perde o bom ritmo que levava, parecendo algo desinspirada e até algo forçada daqui em diante.

Lucky Luke - A Arca de Rantanplan, de Achdé e Jul - ASA
Convém relembrar ainda que entre os animais acolhidos na sua quinta por Byrde está Rantanplan que, naturalmente, tem uma visão deturpada e completamente alheada da realidade que o envolve. Percebo que Rantanplan sempre teve um papel secundário, de comic relief, nas histórias de Lucky Luke (excetuando, claro, quando recebeu uma série própria, à margem da série principal). Não obstante, e até pelo título do livro – que acaba por ser enganador neste ponto - gostaria de ter visto Rantanplan a ter mais destaque nesta história. Continua a ter pensamentos completamente absurdos que me fizeram rir várias vezes, mas acaba por desempenhar um papel mais secundário na trama principal. O seu aparecimento é bom, mas subaproveitado, quanto a mim.

Voltando à história, caberá a Lucky Luke tentar restabelecer a justiça e tentar reconciliar todas as partes porque dizem que “a virtude está no meio”. E mesmo sem ter um argumento com a coesão desejada, gostei da mensagem do álbum de que os direitos dos animais deverão ser protegidos e tidos em conta pela humanidade, mas também não é forçando essa mensagem, de forma artificial, e da noite para o dia, que se consegue mudar de forma positiva para todos. A mudança é um processo gradual e é com isso em mente que conseguimos operá-la da melhor forma. Ora, se pensarmos que Lucky Luke (também) é uma série infanto-juvenil, que bela e madura mensagem este álbum consegue proporcionar.

Lucky Luke - A Arca de Rantanplan, de Achdé e Jul - ASA
Olhando para os desenhos de Achdé, não tenho muito a acrescentar face àquilo que já escrevi na análise ao anterior álbum da série, portanto, parece-me ajustado repescar o que escrevi nessa altura: “quanto ao trabalho de Achdé, só posso dizer que é impecável. Sem uma única falha que lhe possa apontar. Mesmo que os mais puristas considerem que Achdé se limita a emular o autor original da série, Morris, a verdade é que o faz de forma perfeita e permite a milhões de leitores em todo o mundo, a oportunidade de continuar a ler novas histórias de Lucky Luke. Portanto, todos aqueles que são fãs da arte de Lucky Luke, dos desenhos tão característicos desta série, certamente ficarão muito satisfeitos com esta obra. Há até espaço para algumas pranchas algo diferentes, em termos de planificação e dimensão das vinhetas, mas, lá está, sempre respeitando o legado do mestre Morris. O álbum não é desenhado por Morris, mas poderia sê-lo perfeitamente.

A capa volta a ser bastante apelativa, o que é um bónus. E a edição da ASA vai ao encontro daquilo que estaríamos à espera para a série: capa dura e papel baço. Nota positiva para o facto de, mais uma vez, o lançamento da obra em Portugal ter ocorrido em simultâneo com o lançamento mundial. Os leitores portugueses de banda desenhada merecem que isto seja prática comum!

Concluindo, A Arca de Rantanplan poderia ser melhor em termos de argumento – ou na gestão do mesmo, vá. No entanto, os muitos fãs portugueses da série podem ficar descansados porque estamos perante um álbum bastante agradável e que se lê muito bem.


NOTA FINAL (1/10):
7.0



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020



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Lucky Luke - A Arca de Rantanplan, de Achdé e Jul - ASA

Ficha técnica
Lucky Luke - A Arca de Rantanplan
Autores: Achdé e Jul
Editora: ASA
Páginas: 48, a cores
Encadernação: Capa dura
Lançamento: Outubro de 2022

segunda-feira, 26 de setembro de 2022

O novo álbum de Lucky Luke chega-nos no próximo mês!



E ainda por cima traz Rantanplan em lugar de destaque na história!

Já aqui o disse e vou repetir: Rantanplan é possivelmente o meu cão preferido da banda desenhada. Estúpido, ingénuo e hilariante como é raro encontrar. Adoro-o!

Portanto, estou muito entusiasmado para o que aí vem. O álbum chamar-se-á A Arca de Rantanplan e será lançado, pela ASA, no dia 21 de Outubro de 2022, em paralelo com o lançamento mundial!

Continua a ser assinado pela dupla Achdé e Jul.

Que chegue depressa o dia 21 de Outubro!

Abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.

Lucky Luke - A Arca de Rantanplan, de Achdé e Jul

Quando Lucky Luke encontra num lugarejo perdido no Texas um certo Ovide Byrde, sonhador inveterado que recolhe na sua quinta animais abandonados ou feridos, o nosso cowboy assume a sua defesa face à chacota e à perseguição de que ele é alvo. A brutalidade a que são submetidos os animais selvagens e domésticos, bem como a indiferença do homem para com o seu destino, fazem parte da cultura do faroeste. Todavia, quando Byrde descobre ouro e se torna de repente dono de uma riqueza colossal, a situação muda radicalmente: manipulado por um bandido sem escrúpulos, vai transformar-se num tirano que aterroriza a região em nome do bem-estar animal!
Conseguirá Lucky Luke restabelecer a justiça sem prejudicar os animais?

Um amigo dos animais que contrata um bando de malfeitores vegetarianos, um Rantanplan transformado em mascote contra a sua vontade e um Lucky Luke justiceiro com a tarefa de reconciliar todas as partes...

Com um tema mais atual do que nunca, este novo álbum mergulha-nos numa frenética aventura repleta de pelos, penas e alcatrão!

Imagina um faroeste onde os caçadores já não vendem peles, os índios já não caçam bisontes e os cowboys já não comem carne. Sê bem-vindo a Veggie Town! A partir da história verídica da criação da Sociedade Protetora dos Animais na América, A Arca de Rantanplan projeta o nosso Lucky Luke num Texas convertido ao respeito pelos animais… para o bem e para o mal.

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Ficha técnica
Lucky Luke - A Arca de Rantanplan
Autores: Achdé e Jul
Editora: ASA
Páginas: 48, a cores
Encadernação: Capa dura
PVP: 11,90€

quinta-feira, 26 de novembro de 2020

Análise: Lucky Luke – Um Cowboy no Negócio do Algodão

Lucky Luke – Um Cowboy no Negócio do Algodão


Lucky Luke – Um Cowboy no Negócio do Algodão
Lucky Luke – Um Cowboy no Negócio do Algodão, de Achdé e Jul 

Lucky Luke – Um Cowboy no Negócio do Algodão é o mais recente álbum de Lucky Luke. É o 9º volume da série As Aventuras de Lucky Luke segundo Morris, em que Achdé passou a desenhar a série. Relativamente ao argumentista, Jul, este é o terceiro álbum (consecutivo) que o autor assina. 

Um Cowboy no Negócio do Algodão foi um álbum que desde logo suscitou o meu interesse – e, possivelmente, do mercado em geral – por abordar a temática da escravatura nos Estados Unidos da América. E ainda que considere o humor de Lucky Luke divertido e ligeiro – não comprometendo em demasia o(s) seu(s) autor(es) – devo dizer que quando soube desta nova obra, que a mesma se moveria questões demasiado sensíveis para muitos. A coisa poderia ter corrido mal, vá. 

Não é que eu seja uma pessoa que se melindre quando se goza ou brinca com qualquer tema que seja. Nessa matéria, considero-me, até, 100% liberal. Sou daqueles que não se incomodam por qualquer que seja o tema abordado numa qualquer rábula humorística. Mas, claro, isso também não quer dizer que ache piada só porque é uma graçola ousada. Quero, pois, com isto dizer, que temi que o tema escolhido para esta história do cowboy mais conhecido do mundo, fosse um tiro no pé por parte dos autores. Por se tornar seco e apenas provocador. E que pudesse ofender as pessoas mais sensíveis por se tratar, afinal, de um tema pouco divertido e bastante sério. 

Lucky Luke – Um Cowboy no Negócio do Algodão
Todavia, e felizmente, nem as pessoas mais sensíveis poderão sentir-se ofendidas com esta obra, estou certo. Lucky Luke – Um Cowboy no Negócio do Algodão é um livro divertido que se lê muito bem. Tem o seu leve humor característico, enquanto que procura ensinar – ou relembrar - algo aos leitores. Sempre foi assim nos livros de Lucky Luke e aqui também não é exceção. Acho por isso que a escolha do tema foi corajosa mas muito bem executada. 

A história começa quando Lucky Luke herda uma das maiores plantações de algodão no Luisiana. O nosso herói, sendo o cowboy solitário que todos conhecemos, não fica muito atraído por tantas riquezas e decide redistribuir a sua herança pelos escravos negros que, até então, trabalhavam de sol a sol, sendo totalmente explorados nesta plantação. Lucky Luke é então atenciosamente acolhido pelos plantadores brancos que são extremamente racistas e pertencem até ao KKK (Ku Klux Klan). 

E, claro, depressa Lucky Luke se demarca destas personagens detestáveis e, nos dias de hoje, risíveis. E é mesmo fazendo um retrato da classe alta e branca que explorava os escravos negros na altura, que Jul faz um bom trabalho. Nem é preciso exagerar muito os comportamentos das personagens para que o seu dicurso e atitudes sejam racistas e absurdos, baseados em ideias obtusas, sem qualquer fundamento legítimo. Ao fazer uma narração de como eram os brancos desta altura, o autor consegue expô-los ao ridículo. Os vilões acabam por ser os brancos racistas desta história. E servindo-se da personagem de Lucky Luke, os autores conseguem, eles próprios, condenar o tempo do racismo e da exploração dos negros. E, dessa forma, os pressupostos desta narrativa podem ser passados para a atual sociedade onde, frequentemente, (ainda) assistimos a comportamentos racistas. Acredito, pois, que a obra chega a ter um propósito lúdico e social. E isso é muito bem-vindo, especialmente dado o público infanto-juvenil para o qual a obra (mais) se destina.

Lucky Luke – Um Cowboy no Negócio do Algodão
Voltando à história, nesta obra também somos brindados com o aparecimento dos irmãos Dalton que, continuam iguais a eles próprios, e que nos oferecem várias pérolasm com as tiradas ingénuas de Averell ou com a raiva crescente de Joe por Lucky Luke. A personagem real que aparece é o herói Bass Reeves, que entrou para a história como o primeiro Marshall adjunto negro nomeado a oeste do Mississipi e que, nesta aventura, presta um importante auxílio a Lucky Luke. As personagens de Mark Twain, Tom Sawyer e Huckberry Finn, também chegam a aparecer na história. Mas, neste caso, pareceu-me algo mais forçado e que pouco ou nada contribuiu para o desenvolvimento da narrativa. 

Quanto ao trabalho de Achdé, só posso dizer que é impecável. Sem uma única falha que lhe possa apontar. Mesmo que os mais puristas considerem que Achdé se limita a emular o autor original da série, Morris, a verdade é que o faz de forma perfeita e permite a milhões de leitores em todo o mundo, a oportunidade de continuar a ler novas histórias de Lucky Luke. Portanto, todos aqueles que são fãs da arte de Lucky Luke, dos desenhos tão característicos desta série, certamente ficarão muito satisfeitos com esta obra. Há até espaço para algumas pranchas algo diferentes, em termos de planificação e dimensão das vinhetas mas, lá está, sempre respeitando o legado do mestre Morris. O álbum não é desenhado por Morris mas poderia sê-lo perfeitamente. 

Lucky Luke – Um Cowboy no Negócio do Algodão
Faço ainda o destaque para a magnífica capa da obra. O efeito da plantação de algodão está muito bem conseguido, bem como a aproximação de elementos do KKK atribui um certo dramatismo à capa. E, se havia dúvidas sobre de que lado estaria o cowboy nesta questão racial, a própria capa, ao mostrar Lucky Luke junto do Xerife negro Bass Reeves, a preparar-se para atacar os elementos do KKK, torna a questão clarividente. 

A edição da editora ASA faz bem o seu trabalho, sem quaisquer percalços. Capa dura, papel baço de qualidade. O lançamento da obra foi feito em simultâneo com o lançamento mundial e isso é algo que sempre aplaudo, pois há aqui um comprometimento da editora em assegurar que os leitores portugueses não ficam à espera da edição portuguesa. E isso é excelente. 

Em conclusão, este não será o melhor álbum de Lucky Luke, mas está longe de ser o pior. É-nos dada uma narrativa bem ritmada e entusiasmante, servida pela arte perfeita de Achdé, enquanto é abordado o tema do racismo. Tema esse que, infelizmente, teima em continuar atual. Os fãs de Lucky Luke têm aqui (mais) um excelente álbum do cowboy que dispara mais rápido do que a própria sombra, e que vale bem a pena conhecer. 


NOTA FINAL (1/10): 
8.7 


Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020 


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Lucky Luke – Um Cowboy no Negócio do Algodão
Ficha técnica 
Lucky Luke - Um Cowboy no Negócio do Algodão 
Autores: Jul e Achdé 
Editora: ASA 
Páginas: 48, a cores 
Encadernação: Capa dura 
Lançamento: Outubro de 2020

domingo, 25 de outubro de 2020

Lançamento: Lucky Luke - Um Cowboy no Negócio do Algodão



Já está disponível para compra o novo livro de Lucky Luke, que é lançado pelas Edições ASA e assinado pela dupla Achdé e Jul! 

Trata-se do volume Um Cowboy no Negócio do Algodão que tem a tarefa difícil de abordar, pela primeira vez, o tema da escravatura, adicionando-lhe, presumivelmente, uma boa dose de humor.

A expetativa é grande para este livro!

Fiquem com as imagens promocionais e nota da editora.


Lucky Luke - Um Cowboy no Negócio do Algodão, de Achdé e Jul

Um Cowboy no Negócio do Algodão é um álbum que vai ficar para a História. Ao abordarem pela primeira vez a temática da escravatura, Jul e Achdé oferecem um grande tema a um grande herói. 

Quando Lucky Luke trata a história dos Estados Unidos sem rodeios, isso resulta numa aventura tão divertida como profunda, que traz para o panorama da banda desenhada um álbum que fazia falta.

O nosso cowboy solitário herda uma imensa plantação de algodão na Luisiana! Acolhido pelos plantadores brancos como um dos seus, Lucky Luke vai ter de enfrentar vários obstáculos para redistribuir esta sua herança pelos quinteiros negros. 

Nesta luta contra os poderosos da região e contra a segregação racial, ele vai ser apoiado, contra todas as expetativas, pelos irmãos Dalton, cujo objetivo inicial todavia era eliminá-lo, e pelos Cajuns, os habitantes brancos do pântano, marginalizados à custa da prosperidade do Sul. 

Mas será apenas graças à ajuda de uma surpreendente figura do Faroeste que ele vai conseguir efetivamente repor a justiça: um herói de nome Bass Reeves, personagem real que entrou para a História como o primeiro Marshall adjunto negro nomeado a oeste do Mississípi, e um dos melhores «gatilhos» do seu tempo. 

Uma região, a Luisiana, até agora inexplorada pelo «cowboy que dispara mais rápido do que a própria sombra», uma história que gira em torno de uma amizade incomum e uma sólida base histórica que muito tem a ver com a atualidade: eis alguns dos inesperados ingredientes que dão corpo a esta nova aventura! 

Depois do sucesso de Um Cowboy em Paris, a dupla Jul e Achdé assina o seu terceiro álbum de Lucky Luke.

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Ficha técnica
Lucky Luke - Um Cowboy no Negócio do Algodão
Autores: Jul e Achdé
Editora: ASA
Páginas: 48, a cores
Encadernação: Capa dura
PVP: 10,90€