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quinta-feira, 14 de agosto de 2025

TOP 10 - A Melhor BD lançada pela G. Floy Studio nos últimos 5 anos!


Hoje trago-vos as 10 melhores bandas desenhadas editadas pela G. Floy Studio nos últimos 5 anos! 

Esta editora que nos últimos anos até tem andado algo tímida no que ao lançamento de banda desenhada diz respeito, editou inúmeras bandas desenhadas de qualidade superior entre os anos 2020 e 2025, contribuindo com a sua parte para que a 9ª arte tenha vivido um momento tão bom na última meia década.

Convém relembrar que este conceito de "melhor" é meramente pessoal e diz respeito aos livros que, quanto a mim, obviamente, são mais especiais ou me marcaram mais. Ou, naquela metáfora que já referi várias vezes, "se a minha estante de BD estivesse em chamas e eu só pudesse salvar 10 obras, seriam estas as que eu salvava".

Faço aqui uma pequena nota sobre o procedimento: considerei séries como um todo e obras one-shot. Tudo junto. Pode ser um bocado injusto para as obras autocontidas, reconheço, e até ponderei fazer um TOP exclusivamente para séries e outro para livros one-shot, mas depois achei que isso seria escolher demasiadas obras. Deixaria de ser um TOP 10 para ser um TOP 20. Até me facilitaria o processo, honestamente, mas acabaria por retirar destaque a este meu trabalho que procura ser de curadoria. Acabou por ser um exercício mais difícil, pois tive que deixar de fora obras que também adoro, mas acho que quem beneficia são os meus leitores que, deste modo, ficam com a BD que considero ser a "crème de la crème" de cada editora.

Portanto, sem mais demoras, aqui estão elas, as 10 Melhores BDs da G. Floy Studio:

quinta-feira, 7 de setembro de 2023

Análise: Joker - Sorriso Mortal

Joker - Sorriso Mortal, de Jeff Lemire e Andrea Sorrentino - Levoir (DC Black Label)

Joker - Sorriso Mortal, de Jeff Lemire e Andrea Sorrentino - Levoir (DC Black Label)
Joker - Sorriso Mortal, de Jeff Lemire e Andrea Sorrentino

Embora a Levoir mantenha os direitos de publicação de material DC para Portugal, a verdade é que a editora tem andado arredada do lançamento de comics americanos por cá. A única exceção dos últimos três anos, foi mesmo este Joker – Sorriso Mortal, da autoria de Jeff Lemire e de Andrea Sorrentino.

É lamentável que a editora não esteja ativa nesta frente, mas posso dizer-vos que, pelo menos, está nos planos da mesma reverter esta situação, lançando mais material da DC Comics num futuro próximo. O que será o desejo de muita gente. Incluindo da minha pessoa.

Enquanto isso não acontece, focamo-nos neste Joker - Sorriso Mortal que, mesmo tendo uma história que pode parecer tudo menos original, consegue ser uma leitura consistente, que impacta o leitor, e que é especialmente recomendada para os adeptos do maquiavélico Joker (e respetivo universo Batman), bem como para todos os que apreciam um bom terror psicológico.

Joker - Sorriso Mortal, de Jeff Lemire e Andrea Sorrentino - Levoir (DC Black Label)
A história criada por Jeff Lemire, que foi originalmente lançada em três números que esta edição da Levoir reúne, assenta na personagem de Ben Arnell, um psiquiatra que está determinado a descortinar e a estudar aquilo que se passa na cabeça de Joker. O psiquiatra procura saber porque é que Joker tem as atitudes que tem e como funciona a sua cabeça. Todavia, e invariavelmente, será Joker a domar a mente de Ben Arnell, em vez do processo contrário. Onde é que já vimos isto? Bem, toda a história de Harley Quinn, que está bem explanada em Harleen, igualmente publicada pela Levoir, parece demasiado semelhante a este Joker – Sorriso Mortal. O que pode dar uma ideia de dejá vu àqueles que leiam este Sorriso Mortal e que já conheçam a história de Harley Quinn. Aliás, tendo em conta as opiniões que recolhi de pessoas próximas, o grande problema deste livro para muita gente parece ser exatamente esse: que é pouco original e que a história parece já ter sido lida anteriormente.

Se me vejo forçado a concordar com isto, também posso afirmar que Sorriso Mortal é um belo livro, que nos entretém e onde Jeff Lemire consegue captar bem a essência demoníaca, psicopata e maquiavélica da personagem de Joker. E, só por isso, já vale bem a leitura.

Joker - Sorriso Mortal, de Jeff Lemire e Andrea Sorrentino - Levoir (DC Black Label)
O psiquiatra Ben Arnell é avisado por várias pessoas próximas para que tenha cuidado com Joker, mas Ben está obstinado e considera que, estando Joker em instalações de alta segurança, não poderá fazer-lhe mal. Mas há muitas formas de fazer o mal, se alguém for criativo e manipulador como só Joker sabe ser…

Mais não digo, para não estragar nenhuma surpresa aos que forem ler a obra. Embora tenhamos que admitir que a história não seja propriamente surpreendente. Mesmo assim, e não o sendo, consegue entreter e relembrar-nos porque é que Joker é, possivelmente, o vilão mais maléfico e mais bem trabalhado de sempre. Pelo menos para os meus gostos, não há vilão algum que chegue sequer aos seus calcanhares. É sempre bom termos um livro que se concentra em Joker. Batman também marca presença, mas só o faz lá mais para o final do livro, pois não é na sua personagem que esta obra se concentra. Ou será?

Jeff Lemire brilha ao saber criar uma atmosfera intensamente psicológica, que explora as mentes das personagens de maneiras perturbadoras e sombrias. De formas que, por vezes, podem surpreender o leitor. O enfoque é, pois, nas complexidades da insanidade e da influência da personagem de Joker sobre aqueles que o estudam e/ou rodeiam.

Joker - Sorriso Mortal, de Jeff Lemire e Andrea Sorrentino - Levoir (DC Black Label)
Quanto às ilustrações, aqueles que já conhecem bem o trabalho de Andrea Sorrentino em Gideon Falls ou Primordial (obras publicadas por cá pela G. Floy Studio e igualmente escritas por Jeff Lemire), encontrarão certamente muitos pontos de contacto neste livro dedicado a Joker. O estilo de ilustração, com as personagens a apresentar uma fisionomia realista, que parece feita através do efeito de Photoshop threshold, está novamente presente nas ilustrações de Sorrentino e, portanto, bem em linha com o trabalho apresentado pelo autor nas obras que já mencionei. Admito que podem ser ilustrações um pouco estáticas, mas, no entanto, têm o dom de encaixar bem no tom sombrio e instável da história. De facto, a sua arte complementa perfeitamente a narrativa sombria, ajudando a criar uma atmosfera inquietante que envolve o leitor na história.

A planificação típica de Sorrentino, onde há espaço para muitas colagens de vinhetas muito pequenas em dimensão, ou onde as palavras – neste caso, as gargalhadas enlouquecidas de Joker – se fundem numa bela simbiose com as vinhetas, conseguindo um aspeto gráfico deveras interessante, também está bem patente nesta obra. O autor é, aliás, muito forte nessa valência e neste livro parece especialmente inspirado, conseguindo surpreender o leitor com as ferramentas gráficas narrativas de que dispõe.

Joker - Sorriso Mortal, de Jeff Lemire e Andrea Sorrentino - Levoir (DC Black Label)
Visualmente, o facto de a obra contar com a história ilustrada do Sr. Sorrisos também permite que o livro tenha uma diversidade interessante, que acaba por contribuir para a boa experiência visual que é esta obra.

Nota ainda para a ilustração da capa, que está verdadeiramente espetacular e que revela bem o nível de insanidade, que chega a incomodar o leitor, da personagem de Joker.

Em termos de edição, o livro apresenta capa dura, com bom papel brilhante e um bom trabalho ao nível da encadernação e da impressão. Inclui também quatro capas que foram usadas nos três números que compõem a mini-série que é reunida neste volume integral. Infelizmente, a lombada do livro tem uma gralha no próprio título da obra. Em vez de se ler: “Joker – Sorriso Mortal”, lê-se “Joker – Sorriso Motal”. Para corrigir o erro, a edição vem acompanhada por uma sobrecapa com o título correto. São erros que acontecem e que são chatos. Neste caso concreto, acho que a Levoir esteve bem ao fazer uma sobrecapa de forma a colmatar o próprio erro.

Em resumo, Joker – Sorriso Mortal não é uma história de super-heróis, mas antes uma exploração profunda da natureza humana e da loucura, que levanta questões sobre o que leva alguém a tornar-se num vilão e como a mente humana pode – e consegue - ser quebrada. Não sendo, de todo, original, a obra consegue criar um ambiente pesado, perturbador e inquietante que nos acompanha da primeira à última página. Uma boa dose de terror psicológico é, pois, aquilo que Lemire e Sorrentino nos oferecem neste livro.


NOTA FINAL (1/10):
7.8



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020



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Joker - Sorriso Mortal, de Jeff Lemire e Andrea Sorrentino - Levoir (DC Black Label)

Ficha técnica
Joker - Sorriso Mortal
Autores: Jeff Lemire e Andrea Sorrentino
Editora: Levoir
Páginas: 156, a cores
Encadernação: Capa dura
Lançamento: Outubro de 2022

quarta-feira, 19 de abril de 2023

G. Floy Studio lança último volume de Ascender!



A editora G. Floy Studio prepara-se para lançar o último volume da série de Ascender, um spinoff da série Descender, dos autores Jeff Lemire e Dustin Nguyen.

O livro deverá chegar às livrarias e bancas no próximo dia 26 de Abril.

Mais abaixo, deixo-vos com a nota de imprensa da editora e com algumas imagens promocionais .

Ascender #4 - Semente Estelar, de Jeff Lemire e Dustin Nguyen

A épica saga de fantasia espacial dos criadores JEFF LEMIRE e DUSTIN NGUYEN que começou nas páginas de DESCENDER chega aqui à sua espectacular conclusão!

Enquanto a Mãe reúne as suas forças para dizimar a Resistência, os nossos heróis encontram um velho amigo que lhes revela os segredos mais obscuros do universo. Com o destino de tudo em jogo, quem permanecerá de pé quando as forças da magia e da tecnologia colidirem?

Reúne os números #15-18 da série ASCENDER.

ASCENDER é uma história de Jeff Lemire (GIDEON FALLS, Sweet Tooth) e Dustin Nguyen (Batman, Secret Hero Society), que nos levam numa inesquecível aventura de fantasia tão ambiciosa e emotiva quanto o seu clássico de ficção científica, DESCENDER.


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Ficha técnica
Ascender #4 - Semente Estelar
Autores: Jeff Lemire e Dustin Nguyen
Editora: G. Floy Studio Portugal
Páginas: 112, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 18 x 27,5 cm
PVP: 17,00€

quinta-feira, 20 de outubro de 2022

Análise: Senciente




Senciente, de Jeff Lemire e Gabriel H. Walta - G. Floy Studio Portugal
Senciente, de Jeff Lemire e Gabriel H. Walta

Se há coisas que o leitor mais atento do Vinheta 2020 já deve ter percebido é que eu sou bastante exigente – em termos de argumento e/ou narrativa – quando estou perante uma banda desenhada de ficção científica. De forma errada e redutora, muitas vezes até me dizem: “pois, tu não gostas muito de ficção científica, pois não?”. Bem, na verdade, eu até gosto bastante de ficção científica. 

Acontece é que, ao contrário de muitos, não “papo tudo o que me é colocado no prato”, por assim dizer. E, se há premissas inteligentes e pertinentes em tudo o que é filmes, romances, videojogos ou bandas desenhadas de ficção científica, a verdade é que acabo por encontrar muitas pontas soltas e imperfeições ao nível do argumento que me deixam insatisfeito muitas vezes. São inúmeros os casos onde isso acontece. Mas, inversamente, também os há em que fico muito satisfeito com a história futurista e de ficção que me é dada.

Senciente, de Jeff Lemire e Gabriel H. Walta - G. Floy Studio Portugal
Senciente
, de Jeff Lemire e Gabriel H. Walta é um desses exemplos! E, aliás, as primeiras linhas acima serviram-me para relembrar que, de facto, eu sou muito exigente com uma banda desenhada de ficção científica. Não me basta que a mesma seja bem desenhada – o que acontece muitas vezes -, nem me basta que a mesma tenha uma bela premissa – o que também acontece em vários casos. É necessário que, depois disso, haja um bom argumento e uma bela narrativa. Dir-me-ão: “então, mas isso é assim para qualquer livro de banda desenhada”. É verdade. Porém, quando o autor duma história me coloca num ambiente futurista, criando novas realidades que (ainda) não têm paralelo na existência dos nossos dias, acabo por ser um leitor que exige que toda essa realidade científica e futurista seja, pelo menos, credível e bem explanada. Caso contrário, se a credibilidade desaparece, as ideias do argumento acabam por ser aleatórias e, portanto, menos boas. 

Como já referi acima, Senciente deixou-me satisfeito e acabou por me encher as medidas em termos de, praticamente, tudo. Uma boa premissa, uma boa história, uma boa narrativa e uma boa arte visual. Bem, quanto a este último ponto, embora Walta tenha os seus méritos, não posso dizer que o seu trabalho nesta obra tenha sido isento de algumas fraquezas. Mas, quanto a isso, já lá irei.

Olhando para a premissa, argumento e narrativa, posso dizer que, pensando em algumas das obras de ficção científica de Jeff Lemire, como Descender, Gideon Falls ou o mais recente, e “fraquinho”, Primordial, Senciente está vários furos acima, oferecendo-nos uma das histórias mais escorreitas e bem conseguidas do autor nos últimos anos.

Senciente, de Jeff Lemire e Gabriel H. Walta - G. Floy Studio Portugal
A história é simples de contar: toda ela se passa a bordo de uma nave espacial. Um grupo de colonos do planeta Terra é transportado numa nave espacial em direção a uma nova colónia. Até aqui não há nada de muito original e os filmes 2001 Odisseia no Espaço ou Alien poderiam ser alguns, entre muitos outros, que vêm à memória. No entanto, rapidamente a premissa se desenvolve para algo mais intenso e que nos deixa a pensar. 

Após um ataque separatista, todos os adultos a bordo da nave são assassinados. Que vidas restam então naquela nave? As das crianças, as únicas sobreviventes, e a vida artificial. Ou seja, Valerie, uma espécie de computador de bordo ultra-evoluído, com inteligência artificial, que controla a nave e que assume o papel de protetora das crianças. Isto, por si só, já seria pano para mangas em termos de uma bela premissa narrativa para explorar. A relação máquina/pessoa e a tal ideia da máquina ter noção de si mesma, isto é, ser senciente. Maravilhoso e atual tema que Jeff Lemire nos traz, oferecendo-nos, também, um belo conjunto de personagens que nos cativam sem, no entanto, nos revelarem muito de si mesmas. Deixando-nos, por isso, expectantes.

Depois, e como se a situação não fosse já complexa de resolver, torna-se ainda mais complicada quando outras forças – com inteligência natural e artificial – querem assumir o controlo da nave espacial que transporta as crianças.

Senciente, de Jeff Lemire e Gabriel H. Walta - G. Floy Studio Portugal
Em termos de narrativa, gostei bastante da forma tensa, em modo thriller, com que a história nos vai sendo dada. Não vos vou negar: há muito que uma história não me deixava tanto em “pulgas” para a acabar de ler, assim que chegava ao final de cada um dos capítulos, terminados em forma de cliffhanger e deixando, portanto, todo o suspense no ar. O trabalho de Lemire neste cômputo é verdadeira exímio.

Se Lemire nos embala a um ritmo frenético e tenso em toda a obra, devo dizer que a história só peca mesmo, quanto a mim, pela resolução final que o autor lhe confere. Tenho que dizer que, à medida que ia lendo o livro, ia congeminando a possibilidade de um final melhor – e que levantasse mais questões e reflexões – do que aquele que, eventualmente, Jeff Lemire acabou por nos oferecer. E só por isso é que a história me deixou algo desiludido. Não vou revelar a minha ideia da resolução da história sob pena de, ao fazê-lo, estragar a piada da leitura aos que forem ler este livro posteriormente a lerem este texto. Mas, repito, Jeff Lemire passou ao lado de uma ideia genial que, infelizmente, acabou por não "agarrar". Embora, convenhamos, ande lá perto. Seja como for, e opções de finais de histórias aparte, este é um belo livro onde Jeff Lemire se mostra muito inspirado e coeso.

Quanto ao trabalho de ilustração de Gabriel H. Walta, devo dizer que o autor tem o grande mérito de nos oferecer um conjunto de ilustrações com uma identidade muito própria, que consegue a proeza de tornar Senciente diferente em termos visuais de outras histórias de ficção científica. O seu estilo de desenho, meio rabiscado, as suas cores algo baças e mortiças e, até, a própria conceção visual dos cenários, parecem levar-nos para um estilo futurista algo retro – se é que isso faz algum sentido. 

Senciente, de Jeff Lemire e Gabriel H. Walta - G. Floy Studio Portugal
Com efeito, são desenhos que parecem ter sido pensados e desenhados não nos anos 2020, mas sim nos anos sessenta ou setenta, imaginando como seria o futuro daí a algum tempo. E, talvez por isso, possa parecer um estilo de ilustração demasiado vintage para uma história de ficção científica. Mas também é aí, pelo menos na minha opinião, que reside o charme visual das ilustrações de Walta.

Onde o autor, infelizmente, não brilha tanto é numa (considerável) quantidade de vinhetas onde salta à vista uma certa ausência de detalhes que acaba por empobrecer alguns cenários, expressões faciais ou até mesmo alguns acontecimentos da história, deixando no ar a ideia que estes parecem inacabados. A crueza dos seus desenhos também é sentida embora, neste caso, já me pareça mais uma opção estética do que uma fraqueza. Seja como for, e goste-se mais ou menos, a verdade é que o trabalho de Walta também presta um bom contributo à história congeminada por Jeff Lemire.

Quanto à edição da G. Floy Studio, desta vez não temos extras como ilustrações de outros autores, capas alternativas ou outro tipo de material. Não obstante, o livro apresenta uma boa edição ao nível físico, com capa dura, papel brilhante de boa qualidade e boa impressão e encadernação.

Em suma, Senciente é um belo livro! Jeff Lemire apresenta-se verdadeiramente inspirado e monta-nos uma bela trama, que ansiamos por resolver, através de uma leitura compulsiva. Gabriel H. Walta, por sua vez, dá-nos um conjunto de ilustrações carregadas de originalidade e de um estilo muito próprio. Não restam dúvidas de que este é um dos melhores lançamentos da G. Floy Studio este ano!


NOTA FINAL (1/10):
9.3



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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Senciente, de Jeff Lemire e Gabriel H. Walta - G. Floy Studio Portugal

Ficha técnica
Senciente
Autores: Jeff Lemire e Gabriel H. Walta
Editora: G. Floy Studio
Páginas: 168, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 18 x 27,5 cm
Lançamento: Junho de 2022

segunda-feira, 17 de outubro de 2022

G. Floy Studio publica mais um volume de Ascender!




O terceiro volume de Ascender, intitulado O Mago Digital, prepara-se para chegar às livrarias!

A saga de Jeff Lemire e Dustin Nguyen que continua, ou melhor, desenvolve os acontecimentos vividos em Descender, já vai no seu terceiro volume. 

A edição deste álbum que chegará às livrarias a partir do dia 19 de Outubro é, como não podia deixar de ser, da G. Floy Studio.

Mais abaixo, deixo-vos a nota de imprensa e algumas imagens promocionais.

Ascender #3 – O Mago Digital, de Jeff Lemire e Dustin Nguyen
A série de fantasia de sucesso da equipa criativa de JEFF LEMIRE e DUSTIN NGUYEN continua!

A capitã Telsa faz o que pode para se livrar da jovem Mila e de Bandit, mas as coisas tornam-se mais complicadas ainda quando outro elemento se tenta juntar ao grupo: Broca, o robô assassino! Com este e o seu fiel companheiro, o feiticeiro Mizerd, talvez o grupo consiga por fim fazer frente à Mãe e ao seu exército de vampis. Enquanto isso, Andy tenta ressuscitar o seu amor, Effie, do estado de não-morte em que se encontra.

Reúne os números #11-14 da série ASCENDER.

ASCENDER é uma história de Jeff Lemire (GIDEON FALLS, Sweet Tooth) e Dustin Nguyen (Batman, Secret Hero Society), que nos levam numa inesquecível aventura de fantasia tão ambiciosa e emotiva quanto o seu classico de ficção científica, DESCENDER.

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Ficha técnica
Ascender #3 – O Mago Digital
Autores: Jeff Lemire e Dustin Nguyen
Editora: G. Floy Studio Portugal
Páginas: 104, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 18 x 27,5 cm
PVP: 17,00€

segunda-feira, 3 de outubro de 2022

Análise: Primordial

Primordial, de Jeff Lemire e Andrea Sorrentino - G. Floy Studio Portugal

Primordial, de Jeff Lemire e Andrea Sorrentino - G. Floy Studio Portugal
Primordial, de Jeff Lemire e Andrea Sorrentino

Recentemente foi lançada pela G. Floy Studio a obra Primordial, uma mini-série de 6 capítulos, estilo livro one-shot, da autoria de Jeff Lemire e Andrea Sorrentino, dupla responsável por, entre outros, Gideon Falls.

Foi com grande expetativa que parti para esta obra, já que considero Jeff Lemire um fantástico argumentista, bem como Andre Sorrentino tem uma personalidade muito própria nas ilustrações, que aprecio.

Contudo, tenho que dizer que Primordial foi uma desilusão a vários níveis. Se há coisas, no argumento e nas ilustrações, que me parecem interessantes, a verdade é que o resultado, desta vez, ficou bastante aquém, com uma história algo desconexa - e que não consegue aproveitar bem as boas ideias que levanta - e uma arte ilustrativa que não sendo - de todo! – má, acaba por contribuir para o conjunto com mais entropia.

Mas vamos por partes.

Primordial, de Jeff Lemire e Andrea Sorrentino - G. Floy Studio Portugal
Este é um livro de ficção científica que nos leva numa viagem temporal, que ora tem acontecimentos nos anos 50, ora nos leva até ao futuro. Tudo começa quando, em 1957, a URSS lança a conhecida cadela Laika para a órbita da Terra. Mas o que nem tanta gente sabe é que, passados dois anos, dessa iniciativa soviética, os Estados Unidos da América decidem lançar dois macacos, Able e Baker, para a órbita da Terra. 

Num clima de Guerra Fria, foi natural que os Americanos e os Russos estivessem sempre em constante competição ao nível dos avanços tecnológicos e militares. Mas esses dois macacos enviados pelos americanos nunca regressaram à terra. Todavia, e contrariamente ao que todos poderiam pensar, os macacos não morreram na órbita, mas antes foram levados para algum lugar e por alguma coisa. E, eventualmente, estão de regresso a casa. E há um cientista americano que, vasculhando por algumas destas informações que se encontravam escondidas, acaba por trazer o perigo para junto de si.

Este é o ponto de partida para Jeff Lemire nos fazer mergulhar num thriller da Guerra Fria, onde o mistério e a tensão são uma constante. E se o tema parece interessante, a verdade é que a narrativa em si, bem como o enredo, torna a história em algo pouco claro. E quando digo “pouco claro” não é por considerar que é difícil compreender o que aqui se passa devido à inteligência e complexidade do tema. Digo-o porque me parece que o próprio autor não soube bem para onde quis navegar com a sua história. Acabou por ser algo vago e insuficientemente desenvolvido.

Primordial, de Jeff Lemire e Andrea Sorrentino - G. Floy Studio Portugal
E, às tantas, temos diálogo entre animais, um piscar de olho à vida alienígena, vários momentos históricos a serem repescados para a ambiência da obra e até um certo piscar de olho geopolítico ao futuro que nos espera. Boas ideias, mas algo aleatórias e que não encaixam particularmente bem entre si. As personagens são algo vazias, sem que percebamos quais as suas motivações e isso fica ainda mais incrementando pelo facto de os diálogos serem em pequeno número. Por vezes, parece que passamos várias páginas sem que aconteça verdadeiramente nada.

E mesmo no final, onde há uma tentativa - um pouco desesperada - de tornar a história emocional, pareceu-me um ato demonstrativo de poucas ideias por parte do autor. Que já mostrou ser tão criativo noutras obras.

Quem dá show – embora me pareça que, mesmo assim, não consiga salvar a obra – é Andrea Sorrentino que tem nesta obra algumas das suas melhores ilustrações de sempre em que, utilizando uma planificação muito diferente do que consideramos "habitual" em banda desenhada, consegue construir painéis em duas pranchas verdadeiramente deslumbrantes. Tendo em conta a temática meio isotérica do tema, acho que funcionam muito bem este tipo de ilustrações estilizadas embora, também reconheço que, por vezes, se tornem de difícil compreensão. E, relembrando que a história de Lemire dá bastantes tropeções, esta complexidade gráfica de Andrea Sorrentino também não ajuda a tornar a história mais acessível. Mas lá que é vistosa e bela, lá isso é.

Primordial, de Jeff Lemire e Andrea Sorrentino - G. Floy Studio Portugal
Gostei, também, da forma como o autor desenha as cenas com os animais, revelando um traço mais claro e limpo, que dá alguma leveza em relação às restantes páginas, que são muito carregadas e densas em termos visuais. Na parte do desenho das personagens é que não fiquei tão agradado. O estilo de ilustração, que facilmente remete para o efeito Photoshop threshold revela uma ilustração que, mesmo podendo ser bem enquadrada com o ambiente de Guerra Fria, já que é, de facto, bastante fria naquilo que nos passa, aparece algo desajustada das restantes ilustrações: quer daquelas dos animais, quer das dos momentos mais cósmicos, de odisseia visual. Como se, no geral, e apesar de alguns momentos espetaculares, este Primordial seja, do ponto de vista ilustrativo, um guisado com um ou dois ingredientes a mais.

A edição da G. Floy Studio, expetavelmente, não desilude. Com capa dura, bom papel brilhante e um bom trabalho ao nível da impressão e da encadernação, importa destacar o generoso caderno de extras em que, em 18 páginas, nos são dadas várias galerias de ilustrações alusivas ao tema, da autoria de vários autores consagrados, e uma galeria a preto e branco com algumas das ilustrações mais impactantes de Andrea Sorrentino. Aquelas que nos deixam com o queixo caído.

Em suma, devo dizer que estava à espera que Primordial fosse mais bem concebido, devido a ser uma obra de dois autores com tantas cartas dadas. Tendo boas ideias, acho que acaba por não as saber agarrar e nem a arte de Sorrentino consegue levar ser o salvador do dia. Pode chamar-se Primordial, mas não é, nem de perto, nem de longe, uma obra primordial de Jeff Lemire ou de Andrea Sorrentino.


NOTA FINAL (1/10):
6.0


Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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Primordial, de Jeff Lemire e Andrea Sorrentino - G. Floy Studio Portugal

Ficha técnica
Primordial
Autores: Jeff Lemire e Andrea Sorrentino
Editora: G. Floy Studio
Páginas: 176, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 18 x 27,5
Lançamento: Julho de 2022

terça-feira, 27 de setembro de 2022

Pára tudo! A Levoir está de volta com o lançamento de um novo Joker!!!



Eis a notícia por que muitos ansiavam!!!

A Levoir vai mesmo regressar aos lançamentos de banda desenhada - fora da sua coleção Clássicos da Literatura em BD, entenda-se - e é já no próximo dia 11 de Outubro que a editora nos vai trazer Joker - Sorriso Mortal.

A obra é assinada por Jeff Lemire e Andrea Sorrentino - autores da série Gideon Falls e de Primordial. Sai no próximo dia 11 de Outubro!

Depois de uma longa travessia do deserto em que nada se editou do universo DC, eis que surge a primeira proposta da Levoir nesse sentido. Espero que seja o reinício de uma vigorada aposta da editora em banda desenhada.

Ainda não é conhecido o preço deste livro mas estou certo que brevemente essa informação será tornada pública.

Mais abaixo, deixo-vos algumas imagens promocionais da versão inglesa da obra e com a sinopse da mesma. 


Joker - Sorriso Mortal, de Jeff Lemire e Andrea Sorrentino

A dupla criativa nomeada para os Eisners, composta pelo escritor Jeff Lemire e pelo artista Andrea Sorrentino, reúne-se para uma história de terror psicológico que mergulha na insanidade sem fundo de Joker.

Todos sabem que o Joker não tem a história mais promissora com psicoterapeutas. Na verdade, ninguém foi capaz de o diagnosticar. 
Mas isso não interessa ao Dr. Ben Arnell; ele está determinado a ser o único a desvendar a sua mente desconhecida. 

E não haverá forma alguma de Joker alguma vez conseguir atravessar as paredes terapêuticas que Ben construiu à sua volta. Não é verdade? Não haverá forma alguma de Joker ter entrado em sua casa à noite...certo? Não haverá forma alguma do Joker ter ficado sobre a cama do seu filho e ter colocado aquele livro nas suas mãos, aquele com o, o, o...

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Ficha técnica
Joker - Sorriso Mortal
Autores: Jeff Lemire e Andrea Sorrentino
Editora: Levoir
Páginas: 156, a cores
Encadernação: Capa dura

quarta-feira, 31 de agosto de 2022

G. Floy Studio lança "Senciente" de Jeff Lemire!



Entre as várias propostas que a G. Floy Studio fez chegar às livrarias neste mês de Agosto, está este Senciente, de Jeff Lemire, que neste caso é acompanhado por Gabriel H. Walta nas ilustrações.

Não conheço a obra mas devo dizer que a premissa me parece muito interessante. Brevemente fará parte das minhas leituras.

Por agora, deixo-vos a nota de imprensa da editora e algumas imagens promocionais.


Senciente, de Jeff Lemire e Gabriel H. Walta

BEM-VINDOS À U.S.S. MONTGOMERY! 

Quando um ataque separatista mata todos os adultos a bordo de uma nave em viagem pelo espaço, cabe a Valarie, uma inteligência artificial, ajudar as crianças da nave a sobreviver. 

Porém, com forças perigosas no seu encalço, poderá Valarie tornar-se mais do que aquilo que foi programada para ser... uma salvação para estas crianças?

JEFF LEMIRE é um autor best-seller do New York Times, com uma carreira como escritor e artista de romances gráficos de sucesso. Venceu em 2008 e 2013 o Shuster Award for Best Canadian Cartoonist, e venceu por duas vezes o prémio Eisner para Melhor Nova Série, em 2017 com Black Hammer, e em 2019 com este Gideon Falls. Uma das suas mais recentes obras foi o romance gráfico Roughneck, já editado pela G. Floy no nosso país e que a Publishers Weekly descreveu como um livro “poderoso”.

GABRIEL HERNANDEZ WALTA é um artista vencedor do prémio Eisner, responsável por títulos como The Vision, Occupy Avengers, Astonishing X-Men e Doctor Strange. Começou a sua carreira na ilustração infantil e na pintura. Actualmente vive e trabalha em Granada, Espanha.

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Ficha técnica
Senciente
Autores: Jeff Lemire e Gabriel H. Walta
Editora: G. Floy Studio
Páginas: 168, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 18 x 27,5 cm
PVP: 24,00€

terça-feira, 30 de agosto de 2022

Primordial, de Jeff Lemire, é lançado em Portugal!



Primordial
, de Jeff Lemire e Andrea Sorrentino - a dupla criativa que já nos deu Gideon Falls -, já pode ser encontrado nas livrarias portuguesas. A obra é lançada por cá pela editora G. Floy Studio

Mais abaixo, deixo-vos algumas imagens promocionais e a sinopse da obra.


Primordial, de Jeff Lemire e Andrea Sorrentino

Ficção científica alucinante e um thriller da Guerra Fria colidem nesta série de seis capítulos da equipa criativa do best-seller e vencedor do prémio Eisner, GIDEON FALLS!
Em 1957, a URSS fez história ao lançar uma cadela chamada Laika para a órbita da Terra. Dois anos mais tarde, os EUA responderam com dois macacos, Able e Baker. Estes animais nunca regressaram. Mas o que ninguém sabia era que eles não morreram em órbita... foram levados. E, agora, estão a regressar a casa.

“Em suma, um comic indispensável para fãs de ficção científica, fãs de Lemire, fãs de Sorrentino e fãs da Image”. - Black Nerd Problems

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Ficha técnica
Primordial
Autores: Jeff Lemire e Andrea Sorrentino
Editora: G. Floy Studio
Páginas: 176, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 18 x 27,5
PVP: 25,00€

quinta-feira, 10 de março de 2022

G. Floy Studio publica o segundo livro da série Ascender!




Ascender
, a série que serve como continuação da obra Descender, de Jeff Lemire e Dustin Nguyen, está de volta!

Este livro, da G. Floy Studio, deverá chegar às livrarias especializadas e generalistas já a partir de 18 de Março e, às bancas, a partir de 23 de Março. 

Abaixo, fiquem com a nota de imprensa e imagens promocionais.

Ascender #2 – O Mar dos Mortos, de Jeff Lemire e Dustin Nguyen

Passou-se uma década desde os eventos da série DESCENDER. Tudo mudou desde então. A magia destronou as máquinas, e as regras são agora bem diferentes.

A série de fantasia de sucesso da equipa criativa de luxo de Jeff Lemire e Dustin Nguyen continua! Após uma tentativa de fuga falhada do planeta Sampson, Andy encontra-se nas garras da Milícia, o que significa que a terrível Mãe não tarda. Entretanto, Mila encontra-se a bordo de um barco pilotado pela irascível capitã Telsa, e os vampiros que dominam esta estranha nova galáxia vêem-se alvo da atenção de Kanto, o mais implacável caçador devampiros do universo!

Em Ascender, os criadores best-seller do New York Times Jeff Lemire (Gideon Falls, Sweet Tooth) e Dustin Nguyen (Batman, Secret Hero Society) levam os leitores numa inesquecível aventura de fantasia com o mesmo vasto fôlego e alma do seu clássico de ficção científica Descender.

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Ficha técnica
Ascender #2 – O Mar dos Mortos
Autores: Jeff Lemire e Dustin Nguyen
Editora: G. Floy Studio
Páginas: 128, a cores
Encadernação: Capa dura
PVP: 17,00€

quarta-feira, 9 de março de 2022

Análise: Family Tree

Family Tree, de Jeff Lemire, Phil Hester, Eric Gaspur, e Ryan Cody - G. Floy Studio Portugal

Family Tree, de Jeff Lemire, Phil Hester, Eric Gaspur, e Ryan Cody - G. Floy Studio Portugal
Family Tree, de Jeff Lemire, Phil Hester, Eric Gaspur, e Ryan Cody

Já no final de 2021, a G. Floy Studio lançou, num só volume integral, com quase 300 páginas, que reúnem os 12 números da série, a obra Family Tree, de Jeff Lemire, com ilustração a cargo de Phil Hester, Eric Gaspur, e Ryan Cody.

Sou um confesso admirador de Jeff Lemire pela sua capacidade narrativa e de pensar em histórias com boas premissas. E a premissa deste Family Tree assume-se como original: a mãe natureza parece querer reclamar o domínio dos desígnios do mundo e começa a emergir nos próprios corpos humanos, ou seja, as pessoas começam a transformar-se em árvores. É uma outra forma de imaginar o Apocalipse e o fim da humanidade. Dito assim, até pode soar um pouco caricato, mas, lendo o livro, percebemos a seriedade da questão.

Family Tree, de Jeff Lemire, Phil Hester, Eric Gaspur, e Ryan Cody - G. Floy Studio Portugal
Acompanhamos uma família comum americana. O pai desapareceu há muito e uma mãe solteira, Loretta, faz o que pode para dar uma boa educação aos dois filhos: Meg e Josh. Mas, quando Meg começa a transformar-se, literalmente, numa árvore, sem qualquer razão que o possa justificar, isso desencadeia toda uma espiral de eventos tresloucados que levam a família – à qual se junta o rijo avô, Judd – numa desenfreada viagem de carro por boa parte da América, com o intuito de tentar proteger e salvar Meg, cuja mutação de humana para árvore não pára de acontecer a uma velocidade estonteante.

Loretta tudo faz para que essa transformação não ocorra na sua filha pois sabe que pode perdê-la. E esta será, por ventura, a maior reflexão que Lemire nos tenta passar em Family Tree: tudo aquilo que somos capazes de fazer pelas pessoas que amamos e, em particular, pelos nossos filhos. Se o tema não é novo, e Lemire o trate com alguma superficialidade, será, sem dúvida, a componente mais adulta e profunda deste Family Tree. Porque todo o resto é bastante superficial, concentrando-se o livro em ser (apenas) uma história de ação com laivos de fantasia e uma mensagem subliminar ecológica. Mas, quer-me parecer, não se leva demasiadamente a sério.

Family Tree, de Jeff Lemire, Phil Hester, Eric Gaspur, e Ryan Cody - G. Floy Studio Portugal
Enquanto a família procura desenfreadamente salvar a pequena Meg, juntam-se no seu encalço seitas e mercenários que procuram usar Meg para os seus intentos malignos. Esta perseguição é o garante de ação da narrativa, já que irá opor todos estes lunáticos agressivos à família de Meg que, compreensivelmente, a quer defender a todo o custo. Pelo meio, vamos ficando a conhecer do paradeiro do pai e do porquê de ele ter deixado a sua família, passando a história para uma realidade mais metafísica. E rebuscada, quanto a mim.

Em termos de narração, não há dúvida que Jeff Lemire nos dá um excelente trabalho. A história volta para trás e para a frente na linha cronológica e é composta por vários momentos impactantes, que fazem com que seja uma leitura em sobressalto, que nos faz querer virar a página para continuar a ler o livro. Considero que Family Tree pode ser visto quase como uma masterclass de “como tornar um argumento fraquinho em algo divertido e interessante para ler, recorrendo a uma boa narração”. Lemire sabe narrar, sabe contar uma história. Mesmo que ela não seja nada de especial. E Family Tree é a prova viva disso.

Family Tree, de Jeff Lemire, Phil Hester, Eric Gaspur, e Ryan Cody - G. Floy Studio Portugal
Quanto às ilustrações deste livro, parece-me que os autores envolvidos fazem um bom trabalho, oferecendo-nos um desenho moderno, dinâmico, cru, eficaz nas emoções que passa, embora demasiado simplista, por vezes. As personagens apresentam formas angulosas, com as sombras bastante demarcadas e as expressões pouco delineadas – embora, completamente perceptíveis.

É um estilo de ilustração, coerente em si mesmo, do princípio ao fim do livro, que me remeteu, com as devidas distâncias, para o desenho de Justin Greenwood em Stumptown, de Rob Guillory, em Tony Chu ou mesmo, de Jason Latour em Southern Bastards.

As cenas de violência são muito bem retratadas em termos de desenho e o ritmo visual, imposto pela planificação dinâmica, imprimem ao livro todo o sentido de urgência e rapidez necessárias a transformar a obra em algo tão acelerado como procura ser.

E a questão de ser uma história rápida e acelerada, podendo ter essa mesma vantagem, também faz com que Family Tree navegue apenas à superfície. Lemire já nos demonstrou noutras séries que é exímio na construção da personagem e do seu background, mas, neste livro de ritmo acelerado, a verdade é que não há tempo para criarmos um grande laço com as personagens. Ou, sequer, para as conhecermos bem. Apenas nos é dada a possibilidade de entrar num "carro em andamento" e irmos por ali até ao fim.

Fica a ideia de que a premissa é interessante, mas que poderia ter sido mais bem explorada por Lemire. Ou, até mesmo, ter dado origem a outras interpretações.

A edição da G. Floy Studio é fantástica. Capa dura, papel brilhante de boa qualidade num livro com mais de 300 páginas, que também tem um grafismo exemplar. Como extras, temos 4 páginas que nos mostram o processo de trabalho na execução das capas, por parte de Phil Hester.

Em suma, este Family Tree traz-nos um Jeff Lemire menos inspirado do que noutras séries ou títulos one shot que a G. Floy Studio já nos deu a conhecer. Não obstante, continua a ter uma premissa original – embora rocambolesca – e uma boa narrativa. Se olharmos para este livro enquanto história de ação que procura apenas entreter, é justo dizer que funciona bem. Mas também não vai muito além disso.


NOTA FINAL (1/10):
7.2


Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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Family Tree, de Jeff Lemire, Phil Hester, Eric Gaspur, e Ryan Cody - G. Floy Studio Portugal

Ficha técnica
Family Tree
Autores: Jeff Lemire, Phil Hester, Eric Gaspur, e Ryan Cody
Editora: G. Floy Studio Portugal
Páginas: 292, a cores
Encadernação: Capa dura
Lançamento: Outubro de 2021