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sexta-feira, 24 de julho de 2026

Análise: Brigantus #2 - O Picto

Brigantus #2 - O Picto, de Hermann e Yves H. - Arte de Autor

Brigantus #2 - O Picto, de Hermann e Yves H. - Arte de Autor
Brigantus #2 - O Picto, de Hermann e Yves H.

Editado por cá no início de 2025, quando ainda não tínhamos perdido Hermann, um dos autores mais prolíficos da banda desenhada europeia, que viria a falecer já em 2026, este segundo capítulo de Brigantus, intitulado O Picto, encerra o último díptico da extensa carreira do autor.

Esta é uma história que nos leva à Britânia, ao coração da Escócia picta, numa altura em que o avanço das legiões romanas ameaça esmagar os últimos focos de resistência aí presentes. A narrativa continua a acompanhar Melo Brigantus, antigo soldado romano repudiado e expulso da legião, que havia encontrado refúgio entre os pictos, mas esse refúgio é apenas inicial, pois este homem parece ser persona non grata aonde quer que vá. 

Aliás, diria que esse é o cerne da questão: Brigantus é um homem dividido entre mundos opostos, alguém que não pertence verdadeiramente a lado nenhum. Um perfeito "outcast". Essa condição de excluído e de potencial traidor torna-se, pois, o principal motor dramático do álbum.

Brigantus #2 - O Picto, de Hermann e Yves H. - Arte de Autor
O argumento desenvolve-se de forma muito direta, sem grandes adornos ou desvios narrativos. No fundo, estamos perante uma história sobre um homem rejeitado por todos aqueles que o rodeiam e que procura uma forma de redenção. A história funciona, sim, mas é algo direta em demasia, sem que haja grande profundidade no tema ou nas personagens.

Confesso que o primeiro tomo desta série, Banido, me deixou com a promessa de estarmos diante de algo mais especial. Havia elementos interessantes na construção do contexto histórico e na situação ambígua do protagonista, que pareciam apontar para um desenvolvimento mais marcante. No entanto, este segundo volume acaba por confirmar que Brigantus dificilmente figura entre os melhores trabalhos de qualquer um dos seus autores.

O argumento de Yves H. cumpre os mínimos exigíveis, mas raramente surpreende. Os acontecimentos sucedem-se de forma algo previsível e faltam momentos verdadeiramente memoráveis capazes de elevar a obra acima da média. Não me interpretem mal: a trama funciona e este livro até se lê bem, mas pouca coisa entusiasma. É uma leitura fluida, mas também algo esquecível. 

Brigantus #2 - O Picto, de Hermann e Yves H. - Arte de Autor
Ainda assim, reitero que gostei da opção de abandonar os cenários do faroeste que tantas vezes marcaram as colaborações entre Hermann e Yves H., pai e filho, em detrimento de um ambiente inspirado nas guerras entre romanos e pictos, o que permitiu a exploração - ainda que superficial - de um cenário, de uma cultura e de um conflito diferentes. 

O que se calhar ainda posso referir é que senti uma clara carga emocional associada à leitura deste álbum, por este ser um livro que serve, de certa forma, para nos despedirmos de Hermann, um dos maiores mestres da banda desenhada europeia. É certo que este não foi o último álbum feito por Hermann antes do seu falecimento. A última obra a sair foi Cartagena, que acredito que a editora Arte de Autor venha a publicar junto de nós, se bem que ainda não há nenhuma confirmação oficial nesse sentido. Seja como for, e tendo eu lido este segundo tomo de Brigantus já depois do desaparecimento de Hermann, foi com um certo sentido de nostalgia e agradecimento que fiquei pelo conjunto da sua obra. A série Comanche, em especial, marcou-me bastante enquanto leitor de BD, quando ainda era criança. 

Brigantus #2 - O Picto, de Hermann e Yves H. - Arte de Autor
Em termos de desenho, e em linha com o que vinha a acontecer já há alguns anos, sente-se que o autor estava menos inspirado e capaz neste Brigantus, com as suas ilustrações a evidenciarem uma perda de precisão e de exatidão. Certas proporções nas faces e corpos das personagens parecem estranhas, algumas perspectivas são construídas de forma pouco convincente e existe uma irregularidade gráfica que por vezes distrai da narrativa.

E as figuras humanas são, talvez, o exemplo mais evidente dessas fragilidades. Cabeças e corpos surgem frequentemente deformados, com traços por vezes excessivamente feios ou desadequados. Em vários momentos, as personagens parecem mal resolvidas e distantes do nível de excelência que outrora associávamos ao desenhador belga.

Curiosamente, esse mesmo lado grotesco acaba por funcionar melhor nas sequências mais violentas e viscerais deste Brigantus. As cenas de guerra, em concreto, até beneficiam dessa crueza expressiva, transmitindo uma sensação de brutalidade que encaixa bem no ambiente da obra. Gostei particularmente de alguns desses momentos de combate e também da sequência passada em alto-mar, uma das passagens visualmente mais conseguidas do álbum. E, claro, em termos de cores, Hermann manteve-se um mestre até ao fim dos seus dias. 

Mesmo assim, tenho que ser sincero e dizer que este Brigantus não é propriamente um trabalho que possamos considerar como memorável. Quer em termos narrativos, quer em termos de ilustração.

A edição da Arte de Autor mantém-se em linha com o volume anterior, apresentando capa dura baça, bom papel brilhante no miolo e um bom trabalho ao nível de impressão e encadernação.

Em suma, Brigantus #2 - O Picto é uma leitura competente, mas dificilmente memorável. A história nunca ultrapassa verdadeiramente os limites de um drama histórico simples e o desenho revela as debilidades de um autor já no ocaso da vida. Ainda assim, há algo de admirável na perseverança de Hermann, que continuou a trabalhar até aos seus últimos dias. Mesmo longe do seu auge, o mestre belga merece o respeito e a gratidão de todos os leitores pela extraordinária contribuição que deixou à banda desenhada europeia.


NOTA FINAL (1/10):
6.0


Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020

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Brigantus #2 - O Picto, de Hermann e Yves H. - Arte de Autor

Ficha técnica
Brigantus #2 - O Picto (2 de 2)
Autores: Hermann & Yves H.
Editora: Arte de Autor
Páginas: 586, a cores
Encadernação: Capa dura
Lançamento: Fevereiro de 2025

segunda-feira, 23 de março de 2026

Faleceu Hermann, um ícone da BD franco-belga.


Não costumo dar nota de autores de banda desenhada que falecem aqui no Vinheta 2020. Opto sempre, como bem sabem, por ter uma rubrica In Memoriam na Gala dos VINHETAS D'OURO, em que tento não esquecer os vultos mais relevantes da BD que nos deixam anualmente. Parece-me uma forma mais marcante de homenagear os autores.

Mas hoje, com a morte de Hermann, abro uma exceção.

E abro-a não pela qualidade do trabalho do autor, que é indiscutível, mas pela importância que uma das suas bandas desenhadas, em concreto, teve na minha vida, muito contribuindo para a minha formação enquanto leitor de banda desenhada. Falo do livro Comanche - Os Guerreiros do Desespero

Permitam-me uma breve nota sobre esse livro. Não posso precisar muito bem qual era a minha idade na altura em que recebi esse livro, mas diria que foi algures entre os meus 6 e 7 anos. Era o meu aniversário e uma amiga da minha mãe levou-me a uma loja - a papelaria/loja Estudantina, em Queluz, para quem conhecer - e disse-me para escolher um brinquedo. Ora, eu sempre gostei muito de brinquedos, como carros, playmobil, legos, etc e a loja tinha uma boa oferta nesse âmbito.

Mas naquele dia, tendo a oportunidade de escolher o que eu quisesse, em vez de um brinquedo, eu escolhi dois livros: Blake e Mortimer - O Caso do Colar e Comanche - Os Guerreiros do Desespero. Foram os livros que me introduziram a qualquer uma destas séries e, ainda hoje, depois de ter lido todos os livros das mesmas, permanecem como os meus favoritos Blake e Mortimer e Comanche. O primeiro contacto é sempre inesquecível.

Lembro-me que o que eu achava fantástico com 6 ou 7 anos em Comanche era que tudo aquilo me parecia muito adulto, verossímil e bem próximo dos filmes de cowboys que, por vezes, apanhava o meu pai a ver na televisão. Parecia um "filme" em banda desenhada, portanto.

Ainda hoje, sempre que pego neste Comanche - Os Guerreiros do Desespero, de Greg e Hermann, sinto uma nostalgia especial de um tempo que não volta mais, mas que permanece intacto nas minhas memórias especiais.

Saber hoje que, durante o dia de ontem, perdemos Hermann, um autor tão relevante para mim, deixa-me triste. É verdade que o autor se encontrava doente há algum tempo e, tendo uma idade avançada, não era esperado que a sua vida fosse muito mais longa. Também é verdade que, de há uns anos a esta parte, a qualidade do seu trabalho tinha vindo, gradualmente, a descer. Mas isso não invalida que se lamente a sua perda. Ou que esqueçamos obras tão relevantes para a banda desenhada como ComancheBernard PrinceJeremiah, ou muitos outros livros one shot que, felizmente, foram bastante publicados em Portugal. Destaco os mais recentes trabalhos por cá editados como Duke, Brigantus ou, já em 2026, Old Pa Anderson | Redenção. Entretanto, o autor chegou mesmo a terminar o seu mais recente trabalho, intitulado Cartagena, que tem data marcada de saída para o próximo mês de abril em França e que eu espero que venha a ser publicado em Portugal.

Deixo a minha homenagem e agradecimento a Hermann.

Que descanse em paz.

segunda-feira, 2 de março de 2026

Análise: Old Pa Anderson | Redenção

Old Pa Anderson | Redenção, de Hermann e Yves H. - Arte de Autor

Old Pa Anderson | Redenção, de Hermann e Yves H. - Arte de Autor
Old Pa Anderson | Redenção, de Hermann e Yves H.

O primeiro livro de banda desenhada editado pela Arte de Autor em 2026 trouxe-nos mais um livro da dupla de autores formada por Hermann e Yves H. Desta feita, através de um volume duplo que inclui as histórias Old Pa Anderson e Redenção. A primeira decorre durante os anos 1950 - sendo, por isso, uma história mais contemporânea - enquanto que a segunda é um western mais clássico na abordagem.

A capa pode induzir-nos em erro e levar-nos a crer que estamos perante um duplo western, mas, como já disse, são duas narrativas passadas em períodos distintos. Mesmo assim, a junção dos dois livros num só volume não choca já que, além da autoria das obras, há aqui um denominador comum: a violência. Ambas as histórias nos transportam para ambientes duros, personagens moralmente ambíguas e uma violência extrema que, não obstante, também não é gratuita, mas antes consequência de contextos sociais e humanos muito específicos. 

Old Pa Anderson | Redenção, de Hermann e Yves H. - Arte de Autor
Pai e filho (Yves H. ou Yves Hermann é filho de Hermann, para quem não sabe) voltam a trabalhar em conjunto num livro que, mesmo com diferenças claras de qualidade entre as duas histórias, se revela uma leitura interessante e consistente no seu tom sombrio.

Em Old Pa Anderson, originalmente editado no ano 2016, somos transportados para o sul profundo dos Estados Unidos do início dos anos 50, para um Mississipi sufocado pela segregação racial, onde o racismo estrutural dita leis não escritas e onde o homem branco parece deter o direito à vida e à morte sobre a população negra. É um cenário historicamente envenenado e a narrativa também não procura suavizar arestas: pelo contrário, mergulha de frente na brutalidade desse período. E ainda bem que o faz, digo eu.

A premissa é simples: um velho afro-americano decide agir depois da morte da sua esposa e do assassinato impune da neta. Portanto, podemos dizer que a narrativa é tão linear quanto isso. Trata-se, pois, e sem rodeios, de uma história de vingança. Contudo, essa aparente simplicidade não impede que o impacto seja profundo. Pelo contrário, é precisamente essa frontalidade que torna o álbum tão eficaz. A injustiça racial é sentida em cada página, e o leitor é confrontado com uma revolta que se adensa vinheta após vinheta. .

Old Pa Anderson | Redenção, de Hermann e Yves H. - Arte de Autor
Em vários momentos, não consegui evitar a associação a filmes como Tempo de Matar, com Matthew McConaughey e Samuel L. Jackson, ou Mississipi em Chamas, com Gene Hackman e Willem Dafoe. Não porque a narrativa lhes seja semelhante em termos estruturais, mas porque partilha essa mesma sensação de indignação perante um sistema judicial cúmplice e uma sociedade profundamente racista e segregadora.

O enredo pode ser básico, sim, mas é muito bem conduzido. Yves H. demonstra maturidade ao não dispersar a narrativa em subtramas desnecessárias. O foco mantém-se no essencial: a dor, a humilhação, a perda e a inevitável resposta. Tão violenta quanto possível. Cada passo dado pelo protagonista da história é sentido como a consequência lógica de um mundo que lhe negou qualquer forma de justiça e lhe tirou o seu bem mais precioso.

Nem todos os livros da dupla Hermann/Yves H. têm sido particularmente felizes. Há álbuns que passaram quase despercebidos ou que não atingiram o impacto esperado. Contudo, Old Pa Anderson é, muito provavelmente, um dos melhores trabalhos que pai e filho produziram em conjunto. Pode não ser brilhante em todos os aspetos, mas é um bom livro, coeso, simples e emocionalmente forte, que prende o leitor da primeira à última prancha.

Há ainda um mérito adicional da obra, pois funciona como lembrete histórico da segregação racial nos Estados Unidos, não se tratando de uma lição académica, mas de um retrato humano que expõe feridas ainda longe de estarem completamente saradas. Ainda nos tempos presentes...

Old Pa Anderson | Redenção, de Hermann e Yves H. - Arte de Autor
Redenção, leva-nos para outro território... o do western clássico. Aqui, o foco desloca-se para uma história de cowboys, num faroeste duro - muito duro mesmo! - onde a violência atinge patamares igualmente elevados. A herança da culpa e o peso dos atos passados estruturam uma narrativa centrada numa relação pai/filho marcada pela ausência, pelo crime e por escolhas erradas.

Buck Carter, pai de um rapaz que não herdará propriamente virtudes, é um homem sem escrúpulos procurado por um xerife de métodos rápidos e expeditos. Buck abandonou a sua família mesmo no exato momento em que esta mais precisava de si. Ao fazê-lo, não só traiu aqueles que mais amava - ou que deveria amar - como despojou a sua vida de qualquer sentido profundo, transformando-se num fora-da-lei implacável e procurado. Não há aqui espaço para heróis tradicionais. Até porque o seu filho não se revela muito melhor. Na verdade, quase só encontramos vilões nesta história, o que até vai ao encontro do faroeste duro, sujo e violento que mais aprecio. 

Ainda que não seja um livro que se lê mal - e, na verdade, ambos os livros até se leem bastante depressa - comparativamente falando, Redenção, originalmente editado em 2015, não está ao mesmo nível de Old Pa Anderson. A história, apesar de competente, revela-se mais previsível e oca e, no final, algo esquecível. Falta-lhe, quanto a mim, o peso emocional e a relevância temática da primeira narrativa. 

Old Pa Anderson | Redenção, de Hermann e Yves H. - Arte de Autor
Quanto à questão visual da obra, temos um Hermann inspirado. É verdade que, nos últimos anos, o autor nos tem oferecido obras onde fica aquém daquilo que produziu nos seus anos dourados. No entanto, aqui entrega-nos um trabalho bastante belo, com desenhos expressivos e, claro, uma aguarela muito própria, que continua a ser uma das suas imagens de marca. Quer em Old Pa Anderson, com veículos clássicos num ambiente mais citadino e urbano, quer em Redenção, com cavalos e pradarias de perder de vista no Wyoming, o autor revela-se inspirado.

Claro que nem tudo é irrepreensível. Encontramos, por vezes, pranchas algo desequilibradas, onde uma vinheta verdadeiramente impressionante convive com outra em que determinada personagem surge numa pose menos credível. Esse ligeiro desnível gráfico tem sido mais comum no Hermann das últimas duas décadas. Ainda assim, este livro mantém uma qualidade gráfica muito agradável.

A edição da Arte de Autor está bastante bonita. O livro tem uma capa própria, retirada de uma vinheta do livro Redenção, que nos é dada em capa dura, com um bonito acabamento aveludado. No interior, o papel é brilhante e de boa qualidade e o trabalho efetuado ao nível da encadernação e da impressão também é bom. Parece-me que a editora optou bem por colocar a melhor história em primeiro lugar no livro, mas talvez pudesse ter - também por isso - escolhido uma imagem de Old Pa Anderson para a capa do livro.

Em suma, este álbum duplo que nos traz um Hermann ainda bastante em forma, funciona especialmente bem, graças à primeira das duas histórias que nos oferece um dos melhores trabalhos conjuntos da dupla. No seu todo, é uma leitura dura e violenta, recomendável especialmente para quem aprecia um Hermann capaz de revisitar o seu melhor registo humanista e implacável.


NOTA FINAL (1/10):
8.7


Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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Old Pa Anderson | Redenção, de Hermann e Yves H. - Arte de Autor

Ficha técnica

Old Pa Anderson | Redenção
Autores: Hermann & Yves H.
Editora: Arte de Autor
Páginas: 112, a cores
Encadernação: Capa dura
Lançamento: Fevereiro de 2026


segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Arte de Autor abre o ano editorial com um álbum duplo!



A Arte de Autor prepara-se para editar a sua primeira banda desenhada do ano!

E trata-se de um lançamento duplo, já que a editora portuguesa opta por editar num só volume os dois livros Old Pa Anderson e Redenção, dos autores Hermann e Yves H. Embora cada uma destas histórias tenha sido originalmente lançada, respetivamente, em 2016 e em 2015, só agora nos chega uma edição portuguesa das mesmas.

O livro deverá chegar às livrarias na última semana do mês de janeiro.

Por agora, deixo-vos com algumas imagens promocionais e com a sinopse da obra.

Old Pa Anderson | Redenção, de Hermann e Yves H.

Duas obras marcantes de Hermann, reunindo num único volume duas histórias intensas e visualmente arrebatadoras. 

Com um olhar cru e humanista sobre os Estados Unidos do passado, o primeiro título aborda o racismo e a injustiça no Mississipi dos anos 60, seguindo um velho afro-americano que decide agir após a morte da esposa e o assassinato impune da neta.

O segundo título, passado no universo do western, explora a herança da violência e da culpa, acompanhando um pai e o seu filho separados pelo tempo, pelo crime e pelo desejo de redenção.

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Ficha técnica
Old Pa Anderson | Redenção
Autores: Hermann & Yves H.
Editora: Arte de Autor
Páginas: 112, a cores
Encadernação: Capa dura
PVP: 27,50€

segunda-feira, 5 de maio de 2025

Análise: Duke #7 - Este Mundo Não É O Meu

Duke #7 - Este Mundo não é o Meu, de Hermann e de Yves H - Arte de Autor

Duke #7 - Este Mundo não é o Meu, de Hermann e de Yves H - Arte de Autor
Duke #7 - Este Mundo não é o Meu, de Hermann e de Yves H

O volume final da série Duke, intitulado Este Mundo não é o Meu, da autoria de Hermann e de Yves H., assinala o encerramento de uma saga western marcada por altos e baixos. É justo afirmar que este sétimo volume, mesmo sem se revestir de um final apoteótico, consegue cumprir o papel que lhe compete: fechar a história do anti-herói Duke com alguma coerência narrativa, mesmo que sem grande fulgor ou emoção.

A história traz-nos o capítulo final para as personagens Duke e Swift que se deslocam ao rancho de King para um último confronto. Duke procura libertar a prostituta Peg, a sua amada, que se mantém nas garras de King, o seu raptor que exige os 100 000 dólares que Duke e Swift mantêm em sua posse. Naturalmente, a transação não ocorre de forma tão diplomática assim, e o confronto entre Duke e o seu inimigo torna-se irremediável e sangrento.

Duke #7 - Este Mundo não é o Meu, de Hermann e de Yves H - Arte de Autor
A história de Este Mundo não é o Meu traz-nos, ao mesmo tempo, o confronto final de Duke com o seu próprio passado, com a sua moral vacilante e com as forças corruptas que o rodeiam. Vemos um homem desgastado, tanto física quanto psicologicamente, a enfrentar os últimos fantasmas da sua existência. O enredo, apesar de previsível em certos pontos, consegue manter o interesse, sobretudo porque, lá mais para o final, aposta mais na introspeção do protagonista do que numa escalada de ação desenfreada, como em volumes anteriores. Mesmo assim, há um tiroteio emblemático, claro.

O argumento de Yves H. continua a ser funcional, mas nunca especialmente inspirado. As falas são secas, o que por vezes funciona no registo western, mas falta-lhes alguma profundidade emocional. Em várias passagens, nota-se um certo esforço para parecer filosófico ou trágico, sem que isso se concretize de maneira convincente. 

No entanto, também é justo reconhecer que o final fecha a série com dignidade. Não há uma apoteose grandiosa no fim, mas há um final que também não é óbvio e que até tem o condão de, para além de  fechar o enredo, deixar uma porta aberta para um possível regresso à série, no futuro, caso os autores assim o entendam. 

Duke #7 - Este Mundo não é o Meu, de Hermann e de Yves H - Arte de Autor
É importante sublinhar que este volume não é, de forma alguma, espetacular. Nem o é a série como um todo. Duke sempre viveu na sombra de outras obras maiores do género e, particularmente, na sombra de Comanche, outro western onde Hermann, acompanhado então por Greg, demonstrou um domínio narrativo e artístico superior, que acabou mesmo por fazer história para a banda desenhada europeia. Comparando ambas as séries, Duke surge como uma tentativa mais desinspirada e menos envolvente de revisitar as histórias ambientadas no faroeste americano.

Ainda assim, também há mérito na forma como Hermann se manteve fiel à sua estética ao longo da série Duke. O seu trabalho em aguarelas continua a ser digno de elogios, e mesmo num volume mais sombrio como este, há momentos em que a sua paleta de cores e os seus cenários áridos respiram vida e personalidade. As paisagens, em especial, evocam uma solidão melancólica que casa bem com o espírito do protagonista.

Duke #7 - Este Mundo não é o Meu, de Hermann e de Yves H - Arte de Autor
Infelizmente, o mesmo já não se pode dizer das expressões faciais das personagens. Há uma estranheza persistente nos rostos, sobretudo no das mulheres, cujas expressões por vezes caem no grotesco ou no caricatural, de uma forma que chega a parecer quase deliberadamente jocosa. 

Mas, enfim, o traço de Hermann, mesmo que envelhecido, ainda possui um peso próprio. Mesmo com as limitações já referidas, o domínio da composição visual, da sombra e da luz, e a forma como as cenas são enquadradas, mostra um autor que, embora já longe do seu auge, ainda é um mestre em alguns aspetos da arte sequencial.

A edição da Arte de Autor é em capa dura baça, com bom papel baço no interior, bom papel e boa encadernação. Uma boa edição, portanto.

Em resumo, Este Mundo Não é O Meu encerra a série Duke com um suspiro mais do que com um estrondo. Não é um grande final, mas é um final apropriado. Quem acompanhou a série até aqui encontrará uma conclusão razoável, ainda que sem grande emoção. Com o nome de Hermann envolvido, a expectativa é sempre alta, especialmente para quem conheceu o autor nas décadas de 70 e 80. Duke não está à altura das suas obras maiores, mas consegue, ao menos, não envergonhar esse legado. Há um eco distante de grandeza, que por vezes emerge — ainda que fugazmente — nas páginas deste último volume.


NOTA FINAL (1/10):
7.0




Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020



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Duke #7 - Este Mundo não é o Meu, de Hermann e de Yves H - Arte de Autor

Ficha técnica
Duke #7 - Este Mundo não é o Meu
Autores: Hermann e de Yves H
Editora: Arte de Autor
Páginas: 56, a cores
Encadernação: Capa dura
Lançamento: Fevereiro de 2023

quinta-feira, 10 de abril de 2025

Arte de Autor fecha o díptico "Brigantus"!



No dia 12 deste mês chega às livrarias o segundo (e último) volume da obra Brigantus, da autoria de Hermann & Yves H!

Depois de um primeiro volume com boas ideias e que trouxe alguma frescura face a um certo arrastamento verificado na série Duke, ambientada no faroeste e igualmente publicada pela Arte de Autor, a editora portuguesa fecha esta obra em dois volumes. O livro já se encontra em pré-venda no site da editora.

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.


Brigantus #2 - O Picto (2 de 2), de Hermann & Yves H.

No coração da Escócia antiga, Melo Brigantus, soldado repudiado e expulso da legião romana, é recolhido pelos habitantes de uma pequena aldeia picta.

Inicialmente desconfiados, os autóctones acabam por adoptar este intruso que parece plenamente unido à causa deles. 

Quando as tropas romanas chefiadas pelo general Agrícola se aproximam, Brigantus vai ter de fazer escolhas certas.

Acabará ele, um dia, por entrever a luz?


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Ficha técnica
Brigantus #2 - O Picto (2 de 2)
Autores: Hermann & Yves H.
Editora: Arte de Autor
Páginas: 586, a cores
Encadernação: Capa dura
PVP: 18,50€

quinta-feira, 16 de maio de 2024

Análise: Brigantus #1 - Banido

Brigantus #1 - Banido, de Hermann e Yves H. - Arte de Autor

Brigantus #1 - Banido, de Hermann e Yves H. - Arte de Autor
Brigantus #1 - Banido, de Hermann e Yves H.

Que bom é ver que Hermann, um dos autores mais incontornáveis da banda desenhada franco-belga, continua, já perto dos 90 anos, tão ativo e tão fiel à 9ª Arte e a esse gosto por oferecer novas histórias aos seus inúmeros seguidores! 

Quando, em 2017, Hermann começou mais um longo périplo artístico com o lançamento de Duke, uma série que chegou aos sete tomos, nada fazia prever (ou, concedo, os menos incautos poderiam disso suspeitar) que, passados alguns meses, o autor já estava a deitar mãos à obra para nos oferecer mais outra série.

E não se trata de “virar o disco e tocar o mesmo”. Brigantus, que a Arte de Autor publicou há poucas semanas – e que está pensado para ser um díptico - remete-nos para o tempo dos romanos e dos exércitos de legionários. Portanto, escusado será dizer que, face ao anterior Duke, mudam as indumentárias, mudam os cenários, muda o tipo de ação e o tipo de confrontos físicos entre as personagens.

Estamos perante algo novo e diferente de um Duke ou de um Comanche.

Brigantus #1 - Banido, de Hermann e Yves H. - Arte de Autor
Quem volta a assinar o argumento é, tal como em Duke e em vários outros álbuns, Yves H., o filho de Hermann. Nem sempre Yves H. nos consegue agarrar às tramas por si criadas, mas, pelo menos neste caso, devo dizer que a personagem de Melonius Brigantus me intrigou o suficiente para ter ficado com muita vontade de poder mergulhar no segundo e último tomo desta história que, certamente, oferecerá muitas respostas às perguntas que neste primeiro tomo, Banido, ficaram por responder.

Não sabemos muito, mas sabemos alguma coisa. Acompanhamos a ação da legião romana que se encontra nas brumas do norte da Escócia. O nevoeiro é denso e a ameaça por exércitos antagónicos de soldados Pictos, é uma constante. Brigantus é um dos soldados do exército romano.

Ele é um verdadeiro monstro em termos físicos, sendo gigante e tendo músculos enormes. Mas isso não faz com que seja popular dentro da sua centúria. Pelo contrário, Brigantus é constantemente vítima de provocações e ostracização por parte dos seus pares. Mas há algo mais que parece maior do que estas provocações quotidianas e que aparenta agrilhoar Brigantus a uma condição de profunda depressão pessoal. Por isso, a personagem refere várias vezes que “sonha um dia poder ver a luz ao fundo do túnel”. Esta questão só é tocada ao de leve, deixando, por isso, a imaginação do leitor fazer as suas próprias especulações de enredo. É claro que o leitor pode antever e calcular cenários sobre que tipo de “luz” será esta que Brigantus espera ver ao fundo do túnel, mas, pelo menos neste primeiro tomo, Yves H. abre pouco o jogo. E talvez também seja por isso que este álbum funciona bem.

Brigantus #1 - Banido, de Hermann e Yves H. - Arte de Autor
Este é, portanto, um primeiro álbum que se preocupa mais em estabelecer um mood, apresentando a personagem e incrementando um ambiente de tensão latente, do que em grandes desenvolvimentos narrativos.

Gostei da personagem Brigantus, carregada de ódios e tristeza interior, que me remeteu para outras personagens com algumas semelhanças como o monstro de Monstros (de Barry Windsor-Smith) ou mesmo a personagem de Hulk. Às vezes, por detrás de uma grande força física, está uma enorme fragilidade emocional…

Quanto aos desenhos de Hermann, posso dizer que está bem presente a sua imagem de marca, com belas cores em aguarela que funcionam bem para criar os tons de neblina constante que circundam as personagens. O efeito é, pois, deveras sedutor com as pinceladas do autor a mostrarem-se hábeis e virtuosas, mesmo nesta sua idade tão avançada. O desenho, porém, em termos de agilidade no traço, não se apresenta tão belo como em tempos, muito embora me pareça que este desenho menos polido, com as personagens a apresentar expressões carregas de erosão, até encaixa bem na violência gutural de um período como o dos legionários romanos. Acaba por funcionar bem.

A única coisa que não funciona tão bem é que seja (demasiadamente) frequente que o leitor se perca em “quem é quem” devido às personagens serem mais semelhantes entre si do que aquilo que seria mais adequado. E isto afeta negativamente a fluidez da leitura, o que é uma pena.

Quanto à edição da Arte de Autor, estamos perante mais um bom trabalho, com capa dura baça, bom papel brilhante, boa encadernação e boa impressão. Não há nada de negativo a referir.

Em suma, depois do western demasiadamente longo que foi Duke, é bom ver o octogenário autor Hermann a arriscar-se para “fora de pé”, oferecendo-nos uma história com legionários romanos que, por isso, acaba por ser muito mais refrescante do que, por ventura, “mais um western”. Que venha o segundo e último tomo de Brigantus.


NOTA FINAL (1/10):
8.4



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020



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Brigantus #1 - Banido, de Hermann e Yves H. - Arte de Autor

Ficha técnica
Brigantus - Banido #1 (de 2)
Autores: Hermann & Yves H.
Editora: Arte de Autor
Páginas: 56, a cores
Encadernação: Capa dura
Lançamento: Fevereiro de 2024

quinta-feira, 14 de março de 2024

Arte de Autor lança novo livro de Hermann!



Nada parece parar Hermann das suas criações! Prestes a fazer 86 anos de vida, o autor ainda demonstra ter um força e talento para continuar a produzir álbuns de banda desenhada!

Depois de ter finalizado, no ano passado, a série western Duke, o autor regressa agora ao lançamento do primeiro volume de Brigantus que, em Portugal, a editora Arte de Autor lançará na próxima semana.

Hermann volta a unir esforços criativos com o seu filho, Yves H. que assina o argumento deste díptico, tal como já o havia feito em Duke e noutros livros da dupla de criadores.

Saliento que, desta vez, a história não é com cowboys e passa-se no tempo dos legionários da Roma Antiga. 

O segundo e último tomo está previsto para o próximo ano.

Por agora, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.


Brigantus - Banido #1 (de 2), de Hermann & Yves H

Toda a gente na legião conhece Melonius Brigantus. Um monstro, uma máquina de guerra. A imagem viva da barbárie que as legiões romanas vieram combater na Escócia. 

E agora, a sobrevivência dos poucos sobreviventes de uma batalha particularmente sangrenta depende da boa vontade do homem que eles sempre mantiveram à distância. 

E só Júpiter sabe o que se passa na mente de Brigantus...

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Ficha técnica
Brigantus - Banido #1 (de 2)
Autores: Hermann & Yves H.
Editora: Arte de Autor
Páginas: 56, a cores
Encadernação: Capa dura
PVP: 18,50€


terça-feira, 28 de fevereiro de 2023

Duke chega ao fim!



A Arte de Autor prepara-se para lançar o sétimo e último volume da série western, Duke, da autoria de Hermann e de Yves H!

Trata-se de mais uma série que a editora portuguesa termina, o que merece, por esse motivo, os meus parabéns! Já é a décima série integralmente publicada pela Arte de Autor.

O livro deverá chegar às livrarias a partir da próxima quinta-feira, dia 2 de Março.

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.
Duke #7 - Este Mundo não é o Meu, de Hermann e de Yves H

Duque e Swift dirigem-se ao rancho de King com os 100 000 dólares para um último confronto, impiedoso e sangrento. 

Diante deles perfila-se a brutal dupla constituída por Terry e Buddy, os terríveis "irmãos siameses", guarda-costas de King, Manolito, o seu anjo da guarda transformado em anjo da morte, Ogden... e o próprio King.

No final do caminho, o sonho que ele acalenta há tantos anos estende-lhe finalmente os braços: mas apesar do sonho estar agora ao seu alcance, Duque sabe que o caminho que lhe falta percorrer é ainda longo e perigoso...
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Ficha técnica  
Duke #7 - Este Mundo não é o Meu
Autores: Hermann e de Yves H
Editora: Arte de Autor
Páginas: 56, a cores
Encadernação: Capa dura
PVP: 18,00€

quarta-feira, 18 de maio de 2022

Análise: Duke #6 - Para Lá da Pista

Duke #6 - Para Lá da Pista, de Hermann e Yves H. - Arte de Autor

Duke #6 - Para Lá da Pista, de Hermann e Yves H. - Arte de Autor
Duke #6 - Para Lá da Pista, de Hermann e Yves H.

Para lá da Pista é o nome do sexto volume da série Duke, de Hermann e de Yves H., que a Arte de Autor tem vindo a publicar. Lançado no início deste ano, a história deste sexto tomo da série, que se aproxima do fim - tendo em conta que é expetável que a mesma venha a terminar no próximo tomo - volta a mostrar-nos mais um pouco do background das personagens que continuam num jogo do gato e do rato, seguindo a famigerada "pista".

Diria até que essa será a coisa que de maior realce há neste Para Lá da Pista. É que, ao dar-nos mais informações sobre o passado das personagens, o argumentista Yves H., filho de Hermann, permite-nos o estreitamento da nossa relação com as referidas personagens, com especial destaque - mas não só - com Duke, o protagonista. Coisa que, a meu ver, é bem-vinda. No entanto, a sensação global quando se acaba de ler o livro é que, na realidade, não aconteceu rigorosamente nada neste sexto tomo. Pelo menos, relativamente à ação presente. 

Duke #6 - Para Lá da Pista, de Hermann e Yves H. - Arte de Autor
É claro que até nos são dados alguns momentos marcantes no passado de Duke e do seu irmão, mas, como a história do tempo presente é bastante monótona pois, apesar dos perigos e perseguições à distância que afetam as várias personagens na sua viagem, chegamos ao fim deste livro sem que nada de muito relevante aconteça. Uma mão cheia de nada. É óbvio que se fica igualmente com a ideia - e promessa - que a história se está a preparar para um encontro e embate mais marcantes entre todos os envolvidos. Mas essas emoções acabam por fica guardadas para um tomo posterior, lá está.

Relativamente à história que nos é dada neste sexto volume, Duke mantém a sua viagem com o intuito de entregar os 100 000 dólares ao consórcio Soakes & Sears, fazendo-se acompanhar por Swift. Por oposição, o sargento Blair e o seu comparsa, o cabo Copeland, que se puseram em fuga, tendo conseguido recuperar alguns homens para a sua causa, conseguem agora intercetar Duke e Swift, ficando com o dinheiro que o protagonista transporta consigo. Até que surge uma intervenção inesperada. Mais não conto, sob pena de vos contar tudo o que aqui se passa.

Duke #6 - Para Lá da Pista, de Hermann e Yves H. - Arte de Autor
Tal como já referi na análise que fiz aos primeiros quatro volumes da série, recomendo que Duke seja lido de uma só vez. A leitura da soma do todo é muito mais marcante do que se os livros forem lidos de forma isolada. Isto porque cada tomo funciona como um capítulo para contar a história total. Isolados, estes livros não têm, quanto a mim, pelo menos, muita força, mas, lidos de forma seguida, contam uma história maior entre si, que nos oferece uma personagem, tão dura e tão marcada por um passado inóspito, como Duke.

Os desenhos de Hermann mantêm aquilo que o autor nos tem vindo a dar nesta série. Coisas muito boas e outras mais medíocres. Há vinhetas verdadeiramente belas que poderiam (deveriam?) ser impressas e comercializadas enquanto quadro! E para isso também contam as belas cores, a aguarela, com que o autor tão bem dá cor aos seus desenhos. O menos bom serão os rostos das personagens, principalmente as femininas, onde me parece haver até um certo desleixo do autor. Tendo em conta a idade avançada do mesmo, talvez a questão dos rostos retratados com tão pouco detalhe e aprumo se compreenda melhor. Não obstante, a verdade é que esta característica mancha um pouco a experiência de leitura.

Em oposição a isso, e conforme escrevi anteriormente, “onde Hermann brilha muito, convém realçar, é na caracterização das paisagens, nas imagens mais contemplativas (que, talvez por isso, abundam em Duke) e, claro, aqui e ali na boa caracterização das personagens. E o trabalho de cores é, todo ele, muito artístico e único no estilo.

Em termos de edição, a Arte de Autor dá-nos mais do mesmo: capa dura, bom papel (com algum brilho) e uma boa encadernação e acabamento. Tudo bem feito, portanto, sem nada de negativo a apontar.

Em suma, o sexto volume de Duke dá-nos uma certa sensação de “enchimento de chouriços” no que à trama principal diz respeito, mas, por outro lado, também é verdade que permite um maior conhecimento e compreensão do passado das personagens. Por tudo isto, funciona, diria eu, como uma pausa para respirar antes do próximo tomo (expetavelmente agitado) que há-de resolver, finalmente, o destino sombrio destas personagens.


NOTA FINAL (1/10):
7.8



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020



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Duke #6 - Para Lá da Pista, de Hermann e Yves H. - Arte de Autor

Ficha técnica
Duke #6 - Para Lá da Pista
Autores: Hermann e Yves H.
Editora: Arte de Autor
Páginas: 56, a cores
Encadernação: Capa dura
Lançamento: Fevereiro de 2022





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Mais abaixo, deixo o convite para a leitura das análises aos álbuns anteriores da série: