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quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Análise: Batman - Grant Morrison - Volumes 4, 5 e 6


Batman - Grant Morrison - Volumes 4, 5 e 6, de Grant Morrison, Tony Daniel, Lee Garbett, Frank Quitely, Philip Tan, Cameron Stewart, Scott Kolins, Andy Kubert, David Finch, Andy Clarke e Chris Sprouse 

A Devir tem continuado ativa na edição de livros dedicados a Batman e, em particular, à saga desenvolvida por Grant Morrison. Hoje falo-vos dos três volumes mais recentes desta famosa run do autor.

E estes números 4, 5 e 6 que hoje vos trago representam uma fase particularmente ambiciosa da longa saga que o autor construiu para o Cavaleiro das Trevas. Depois dos acontecimentos de Batman R.I.P. e da aparente morte de Bruce Wayne em Crise Final, que fecham o 4º volume da saga, Morrison afasta-se deliberadamente da abordagem tradicional ao mito de Batman para explorar questões de legado, identidade e continuidade. O resultado é uma obra que continua a distinguir-se pela enorme densidade conceptual e pela capacidade de transformar décadas de histórias dispersas numa narrativa surpreendentemente unificada. Quer dizer, mais ou menos unificada. Porque embora haja um esforço hercúleo do autor em atar muitas das pontas soltas da célebre franquia, isso também acaba por ser feito à custa de uma densidade narrativa que, por vezes, pode ser assoberbante e desconexa. Mas já lá irei.

Antes disso, reconheço que grande parte do fascínio desta obra de Morrison reside precisamente na forma como o argumentista parece encarar Batman não como um único homem, mas como uma ideia, um conceito capaz de sobreviver à ausência do seu criador. Um homem pode morrer sem que a sua ideia morra, certo? E a substituição temporária de Bruce Wayne por Dick Grayson dá força a este ponto, revelando-se uma opção corajosa. Em vez de procurar um mero imitador de Batman, Grant Morrison explora como diferentes personalidades podem encarnar o mesmo símbolo sem que este perca a sua força.

Esta nova dinâmica ganha particular relevância através da relação entre Dick Grayson e Damian Wayne. Morrison já havia introduzido Damian nos primeiros volumes, mas é aqui que, quanto a mim, a personagem encontra verdadeiramente o seu espaço. A inversão dos papéis clássicos da dupla Batman e Robin, com um Batman mais leve e acessível a contracenar com um Robin agressivo, arrogante e imprevisível, dá-nos alguns dos melhores momentos dos três volumes.

Ao mesmo tempo, Grant Morrison continua a demonstrar uma impressionante capacidade para expandir o universo da série. Talvez até em demasia, diria eu. Gotham deixa de ser apenas uma cidade dominada pelo crime e transforma-se num palco onde coexistem conspirações seculares, organizações internacionais, vilões extravagantes e até mesmo algumas reflexões metafísicas sobre o próprio conceito de heroísmo. É um guisado com muitos ingredientes. 

Por esse motivo, nestes três volumes volta a consolidar-se, por um lado, aquela que considero ser a grande virtude da escrita de Morrison em Batman: a criação de um universo rico em camadas. Quase todas as personagens parecem possuir múltiplas dimensões, motivações contraditórias e ligações inesperadas a acontecimentos anteriores. Não existem apenas heróis e vilões. É este grau de complexidade que torna a leitura especialmente estimulante para quem aprecia narrativas mais exigentes.

Por outro lado, essa mesma complexidade constitui também o principal obstáculo da obra. Morrison parece por vezes tão fascinado pelas possibilidades do seu próprio universo que acaba por sacrificar a clareza narrativa. Existem momentos em que as histórias avançam através de associações simbólicas e referências internas que nem sempre produzem uma recompensa emocional proporcional ao esforço exigido ao leitor. Sim, se aquele que me lê procura mergulhar pela primeira vez em Batman, talvez os livros de Grant Morrison não sejam a melhor porta de entrada. Pelo contrário, considero que esta saga se destina bem mais ao fã mais conhecedor de Batman.

Esta sensação torna-se particularmente evidente na enorme quantidade de subtramas que atravessam os três volumes. Conspirações internacionais, identidades secretas, mistérios ligados a várias personagens, o regresso de Bruce Wayne, os planos de organizações criminosas e os conflitos familiares sucedem-se a um ritmo quase vertiginoso. Embora seja admirável a forma como Grant Morrison tenta articular todas estas peças, nem sempre é bem-sucedido.

Na verdade, uma das conclusões a que cheguei durante a leitura destes três livros é que quantidade de subplots nem sempre é qualidade de subplots. Algumas ideias parecem existir porque contribuem para a arquitetura geral do projeto de Morrison, mas não porque sejam verdadeiramente cativantes enquanto histórias autónomas. 

Ainda assim, é impossível não admirar a capacidade do autor para planear histórias a longo prazo. Elementos introduzidos centenas de páginas antes regressam com novo significado, personagens secundárias ganham importância inesperada e referências aparentemente insignificantes revelam afinal uma função precisa dentro do conjunto. E isso é riqueza narrativa, claro.

No plano gráfico, estes três volumes mantêm um nível qualitativo muito elevado. A alternância de artistas continua a conferir diversidade visual à série, mas sem comprometer muito a identidade global do projeto. Há um equilíbrio interessante entre espetacularidade, ação, atmosfera e caracterização das personagens. Sendo talvez injusto sublinhar o trabalho de alguns desenhadores - tendo em conta que todos eles são bons - tenho que referir que apreciei especialmente os contributos de Frank Quitely, pela conhecida originalidade do traço, e de Philip Tan, pela grandiosidade do seu desenho.

Em termos de edição, o trabalho da Devir está bastante bom em todos os livros. As capas são duras, com detalhes a verniz; o papel é brilhante e de bela qualidade; e a edição, impressão e acabamentos também são muito bons. No final do volume 4, há cinco capas alternativas e um texto que procura fazer um ponto de situação da história de Grant Morrison até esse ponto. Já nos volumes 5 e 6, o conteúdo extra ainda se torna mais interessante, com 10 páginas dedicadas a explicar-nos, por texto, o trabalho de prospeção e execução das capas, dos visuais das personagens, do desenho do batmobile, incluindo vários esboços e estudos. Belas edições.

Em suma, os volumes 4, 5 e 6 reforçam aquilo que já me parecia evidente nos livros anteriores: Grant Morrison criou uma das interpretações mais complexas, ambiciosas e intelectualmente estimulantes de Batman alguma vez publicadas. Contudo, também permanece a sensação de que, por vezes, o autor se deixa seduzir em demasia pela complexidade da sua própria construção. Nem todas as subtramas justificam o espaço que ocupam e nem todos os mistérios possuem um desfecho à altura das expectativas criadas. Ainda assim, mesmo quando tropeça nos seus próprios excessos, Morrison continua a oferecer uma visão singular e fascinante de Batman que vale a pena conhecer.


NOTA FINAL (1/10):
8.2


Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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Fichas técnicas
Batman - Grant Morrison - Volume 4
Autores: Grant Morrison, Tony Daniel e Lee Garbett
Editora: Devir
Páginas: 176, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 18 x 27 cms
Lançamento: Outubro de 2025


Batman - Grant Morrison - Volume 5
Autores: Grant Morrison, Frank Quitely, Philip Tan e Cameron Stewart,
Editora: Devir
Editora: Devir
Páginas: 152, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 18 x 27 cms
Lançamento: Fevereiro de 2026


Batman - Grant Morrison - Volume 6
Autores: Grant Morrison, Cameron Stewart, Tony Daniel, Frank Quitely, Scott Kolins, Andy Kubert, David Finch, Andy Clarke e Chris Sprouse 
Editora: Devir
Páginas: 188, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 18 x 27 cms
Lançamento: Abril de 2026

sexta-feira, 10 de outubro de 2025

Análise: Batman - Grant Morrison - Volumes 2 e 3

Batman - Grant Morrison - Volumes 2 e 3, de Grant Morrison, Andy Kubert, J.H. Williams III e Tony Daniel - Devir

Batman - Grant Morrison - Volumes 2 e 3, de Grant Morrison, Andy Kubert, J.H. Williams III e Tony Daniel - Devir
Batman - Grant Morrison - Volumes 2 e 3
, de Grant Morrison, Andy Kubert, J.H. Williams III e Tony Daniel

Hoje falo-vos dos mais recentes volumes de Batman lançados pela Devir, editora que, convém relembrar, tem estado com um impressionante ritmo de lançamentos nas suas mais variadas séries. Algo que merece os meus aplausos, pois é forma de manter os leitores fiéis e satisfeitos.

Em termos de super-heróis da DC Comics, a Devir tem estado investida no lançamento de Batman de Grant Morrison, em que os leitores são convidados a mergulhar num dos períodos mais complexos e fascinantes da carreira do Cavaleiro das Trevas. 

Vamos por partes.

No Volume Dois, as histórias aí presentes levam Bruce Wayne a confrontar-se com um conjunto de desafios psicológicos e físicos que testam o seu limite e o conceito que tem de si próprio enquanto herói. Morrison introduz figuras que representam diferentes facetas do medo e da loucura, refletindo a ideia de que o próprio Batman é uma sombra multifacetada da cidade que protege. 

Morrison desenvolve também a ideia de que existem histórias esquecidas, memórias reprimidas e experiências quase míticas no passado de Batman, brincando com a noção de continuidade e com a própria história editorial da personagem, resgatando elementos dos anos 50 e 60 e recontextualizando-os dentro de um universo moderno e psicológico. Esta abordagem dá ao leitor a sensação de que tudo o que aconteceu com Batman, em qualquer época, pode ser real dentro da sua mente fragmentada.

Batman - Grant Morrison - Volumes 2 e 3, de Grant Morrison, Andy Kubert, J.H. Williams III e Tony Daniel - Devir
Morrison expõe o herói à solidão e ao desespero, mas sem nunca o afastar da sua determinação quase sobrenatural. O arco da Ressurreição de Ra’s Al Ghul envolve outras personagens do universo Batman, e mostra-nos um herói dividido entre o dever e a mortalidade, entre o legado e o sacrifício, preparando o terreno para a fase mais épica e simbólica do autor, ao conduzir o Cavaleiro das Trevas por um caminho espiritual e existencial, onde o confronto com o lendário vilão não é apenas físico, mas também uma luta entre a vida e a morte, entre o corpo e a alma. O retorno de Ra’s é, pois, tratado como um mito renascido e a relação entre mestre e inimigo atinge um pico de tensão. A ideia de herança e de continuidade - tão presente em toda a mitologia de Batman - ganha aqui um novo peso, mostrando que Morrison escreve a personagem de Batman mais como símbolo do que como simples homem. 

No entanto, é no Volume 3 que, a meu ver, o enredo pensado por Grant Morrison se começa a solidificar de forma mais coesa e envolvente. As histórias deste volume mergulham na mente de Bruce Wayne e revisitam o trauma da perda dos pais, mas agora de uma perspetiva quase metafísica. Morrison faz Batman confrontar o próprio criador do seu trauma e, ao fazê-lo, liberta o herói - e, lá está, o leitor - de uma narrativa repetida ao longo de décadas. A história torna-se, pois, mais intensa e surreal, com o autor a explorar as fronteiras entre sanidade e insanidade, realidade e ilusão. O mistério, as personagens secundárias bem desenvolvidas e o vilão carismático tornam este arco particularmente memorável.

Faço ainda um destaque para as histórias reunidas sob o arco Batman R.I.P., em que o autor atinge o clímax da sua visão, com a desintegração mental de Bruce Wayne a ser retratada de modo quase poético. Morrison cria um ambiente de paranoia e desconstrução, em que cada símbolo e cada frase escondem camadas de sentido. O vilão Doutor Hurt surge como uma das criações mais intrigantes do autor, representando não apenas um inimigo físico, mas a própria corrupção espiritual que ameaça consumir o herói. Gostei bastante.

À medida que estes volumes avançam, o universo criado pelo argumentista parece ganhar mais credibilidade e força. E o que, à partida, poderia parecer uma coleção de histórias independentes revela-se, na verdade, uma teia cuidadosamente entrelaçada. Cada arco dialoga com o anterior e prepara o seguinte, formando um verdadeiro épico sobre a identidade e a mitologia de Batman

Batman - Grant Morrison - Volumes 2 e 3, de Grant Morrison, Andy Kubert, J.H. Williams III e Tony Daniel - Devir
É verdade que nem sempre as histórias imaginadas por Morrison são lineares. A sua escrita densa, repleta de simbolismo e referências à história editorial de Batman, pode confundir o leitor menos familiarizado com a personagem. Por vezes, especialmente nas histórias desenhadas por J.H. Williams III contidas no segundo volume, a experimentação narrativa e visual torna-se, quanto a mim, excessiva, e certas sequências parecem mais preocupadas em desafiar o leitor do que em contar uma história clara. Ainda assim, essa ousadia faz parte da identidade do autor e do projeto maior que ele constrói.

E há que reconhecer que Morrison mostra que compreende Batman como poucos: não apenas o vigilante, mas o homem que sobrevive à própria morte, que transcende a loucura e o trauma para se tornar um símbolo de resiliência. 

Em termos visuais, o destaque vai claramente para o trabalho de Andy Kubert, cujo traço dinâmico, detalhado e expressivo confere às histórias uma energia cinematográfica, que adoro. Kubert domina tanto a ação frenética como os momentos de introspeção, tornando cada página visualmente impactante. No entanto, também merecem menção ilustradores como Tony Daniel e J.H. Williams III que contribuem com estilos distintos, acrescentando diversidade visual ao universo de Morrison.

A edição da Devir mantém-se muito apelativa e bonita. Cada livro apresenta capa dura baça, com belos detalhes a verniz. No miolo, o papel utilizado é brilhante e de boa qualidade, sendo que a encadernação e impressão também são excelentes. O terceiro volume inclui ainda quatro capas alternativas.

Em síntese, Batman - Grant Morrison - Volumes 2 e 3 parecem caminhar no sentido de tornar a visão que Grant Morrison tem para Batman mais clara e coesa, revelando um autor que domina o caos para transformá-lo em narrativa e mito. Ainda assim, é inegável que, por vezes, essa complexidade pode ser um pouco densa e desafiante para alguns fãs mais “soft” de Batman. Mesmo assim, trata-se de uma excelente aposta da Devir, que continua a trazer ao público português algumas das histórias mais ambiciosas e intelectualmente estimulantes já escritas sobre o herói de Gotham.


NOTA FINAL (1/10):
8.4



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Batman - Grant Morrison - Volumes 2 e 3, de Grant Morrison, Andy Kubert, J.H. Williams III e Tony Daniel - Devir

Fichas técnicas
Batman - Grant Morrison - Volume 2
Autores: Grant Morrison, Andy Kubert, J.H. Williams III
Editora: Devir
Páginas: 176, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 18 x 27 cms
Lançamento: Julho de 2025

Batman - Grant Morrison - Volumes 2 e 3, de Grant Morrison, Andy Kubert, J.H. Williams III e Tony Daniel - Devir

Batman - Grant Morrison - Volume 3
Autores: Grant Morrison, Tony Daniel
Editora: Devir
Páginas: 182, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 18 x 27 cms
Lançamento: Setembro de 2025

quinta-feira, 17 de julho de 2025

Análise: Batman - Volume 1

Batman - Volume 1, de Grant Morrison, Greg Rucka, Mark Waid, Andy Kubert, Tony S. Daniel, J.H. Williams III e John Van Fleet - Devir

Batman - Volume 1, de Grant Morrison, Greg Rucka, Mark Waid, Andy Kubert, Tony S. Daniel, J.H. Williams III e John Van Fleet - Devir
Batman - Volume 1, de Grant Morrison, Greg Rucka, Mark Waid, Andy Kubert, Tony S. Daniel, J.H. Williams III e John Van Fleet

O ano de 2025 tem sido um ano simpático para os admiradores portugueses de Batman. Depois da Devir ter assegurado os direitos da DC Comics para a publicação de Batman, a editora portuguesa já publicou o muito cativante Batman - Três Jokers e publicou mais recentemente este Batman de Grant Morrison. Além disso, está previsto, ainda para este ano, a publicação do segundo volume desta empreitada e, não esqueçamos, a própria editora A Seita chegou a publicar recentemente Dylan Dog – Batman: A Sombra do Morcego. É, portanto, um bom ano para Batman em Portugal, especialmente se tivermos em conta que durante alguns anos nenhum livro do Homem-Morcego por cá foi editado.

Batman - Volume 1, de Grant Morrison, Greg Rucka, Mark Waid, Andy Kubert, Tony S. Daniel, J.H. Williams III e John Van Fleet - Devir
Este Batman de Grant Morrison – Volume Um que hoje vos trago, marca o início da ambiciosa e influente fase do argumentista escocês Grant Morrison no universo do Cavaleiro das Trevas. Este volume compila as primeiras histórias de Batman sob o comando do autor, que se propôs a integrar décadas de mitologia da personagem numa narrativa coesa, densa e inovadora. Esta abordagem tentou, de algum modo, consolidar alguns eventos - muitas vezes contraditórios - no passado do super-herói, equilibrando alguns elementos mais absurdos(?) da "Era de Prata" com a seriedade moderna da "Era das Trevas".

E, claro, um dos aspetos mais marcantes deste volume é a introdução de Damian Wayne, o filho de Bruce Wayne com Talia al Ghul. Damian é arrogante, violento e treinado pela Liga dos Assassinos, o que me leva a poder afirmar que Damian é uma subversão radical da figura do Robin tradicional. Uma autêntica "peste" que coloca a paciência de Batman à prova. E mais do que ser uma nova personagem, denota-se que a sua grande adição à série é o próprio desafio direto à moralidade e ao método de Batman que traz consigo, o que causa um conflito interno que será um dos motores centrais da narrativa.

Batman - Volume 1, de Grant Morrison, Greg Rucka, Mark Waid, Andy Kubert, Tony S. Daniel, J.H. Williams III e John Van Fleet - Devir
Os elementos de espionagem, drama familiar e alguma ficção científica parecem levar-nos para as aventuras dos anos 50 e 60, o que faz com que as histórias se afigurem clássicas na forma e conteúdo mas, claro, sendo reinterpretadas à luz de uma narrativa mais contemporânea. Em vez de rejeitar os elementos considerados mais "ridículos" ou inverosímeis da história da personagem, Morrison tem o mérito de os abraçar e de os contextualizar de uma forma tão criativa quanto possível. Aprecio e respeito essa vertente conciliadora do autor.

E outra coisa que me parece digna de nota é a capacidade de Grant Morrison na construção de narrativas a longo prazo. Desde cedo o autor consegue inserir sementes na história que depois vai colher mais tarde, em capítulos futuros. Ou seja, deixa propositadamente pontas soltas para depois, a jusante, as amarrar, dando credibilidade a toda a sua criação. Acaba por ser uma leitura que, mais tarde, é compensadora.

Contudo, e ainda que o trabalho de Grant Morrison na série tenha sido - e continue a ser - bastante celebrado por fãs e crítica, considero ter alguns sentimentos mistos face às histórias que compõem este primeiro volume. É que, se por um lado concedo que a maneira como Morrison reimaginou certos eventos na vida de Batman, dando com isso profundidade à personagem e ao seu universo, é mais que meritória, também considero que, enquanto histórias propriamente ditas, são contos que apenas cumprem. Leem-se bem, mas estão longe de poderem ser considerados como as mais inesquecíveis histórias do super-herói.

Batman - Volume 1, de Grant Morrison, Greg Rucka, Mark Waid, Andy Kubert, Tony S. Daniel, J.H. Williams III e John Van Fleet - Devir
Participam na escrita do argumento autores de bastante relevância, como Greg Rucka, Geoff Johns ou Mark Waid. Já quanto ao desenho, também são inúmeros os ilustradores que colaboram nas histórias deste volume, sendo que é Andy Kubert o autor que mais se destaca neste livro, quer em qualidade, quer em quantidade, revelando um desenho dinâmico e exímio na caracterização das personagens, da cidade e dos eventos de ação. O seu desenho consegue equilibrar um tom sombrio e realista com momentos mais surreais e estilizados, que se tornam cada vez mais presentes ao longo da saga. Kubert também é hábil ao retratar expressões e movimentações, o que contribui para a carga emocional e para a fluidez da ação. 

Se Andy Kubert é a "estrela da ilustração" neste livro, o trabalho de John Van Fleet chega a ser - e digo-o naturalmente com todo o respeito que tenho pelo autor - risível. É possível que estas ilustrações, feitas em 3D digital, pudessem parecer apelativas no ano em que foram criadas (2007) - e, mesmo assim, tenho as minhas dúvidas quanto a isso - mas, hoje em dia, em 2025, parecem extremamente mal feitas e mal renderizadas. Estão a ver quando jogam um videojogo de 2001 que na altura até parecia ter bons gráficos, mas que hoje em dia parece cómico e obsoleto? É essa a sensação que a história O Palhaço à Meia-Noite nos dá. A própria história que aqui encontramos não é uma banda desenhada, mas um texto em prosa ilustrado - pesado e poético, mas bom, embora talvez denso em demasia - e que depois é parcamente ilustrado pelas ilustrações de John Van Fleet. Não consegue ser aceitável, desculpem.

Batman - Volume 1, de Grant Morrison, Greg Rucka, Mark Waid, Andy Kubert, Tony S. Daniel, J.H. Williams III e John Van Fleet - Devir
A edição da Devir é especialmente cuidada, com o objeto-livro a ser muito apetecível. Apresenta capa dura baça, com elegantes detalhes a verniz. A encadernação e impressão são de excelente qualidade, tal como é o papel brilhante utilizado no miolo do livro. Há ainda um prefácio da autoria de Mike Marts que funciona como uma boa introdução à obra. A editora portuguesa também merece uma nota de louvor pela aposta em trazer para Portugal uma "subsérie" dentro da própria série de Batman - se é que assim lhe podemos chamar - que é aclamada por fãs e crítica e que é indiscutivelmente uma mais-valia para quem aprecia o Cavaleiro das Trevas.

Em suma, Batman de Grant Morrison - Volume Um é uma leitura instigante, ambiciosa e muitas vezes brilhante, que inaugura uma das fases mais criativas e reverenciadas do Cavaleiro das Trevas. Morrison respeita o legado de Batman, mas também desafia as suas convenções, oferecendo ao leitor uma nova forma de ver Bruce Wayne: como uma figura mítica que atravessa o tempo, a lógica e a realidade. Este primeiro volume, embora desiquilibrado em vários momentos, é apenas o começo de uma jornada complexa e provocativa que redefine o que significa ser o Batman.


NOTA FINAL (1/10):
7.0




Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020



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Batman - Volume 1, de Grant Morrison, Greg Rucka, Mark Waid, Andy Kubert, Tony S. Daniel, J.H. Williams III e John Van Fleet - Devir

Ficha técnica
Batman - Volume 1
Autor: Grant Morrison, Greg Rucka, Mark Waid, Andy Kubert, Tony S. Daniel, J.H. Williams III e John Van Fleet
Editora: Devir
Páginas: 172, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 18 x 27,5 cm
Lançamento: Maio de 2025

sexta-feira, 16 de maio de 2025

Devir vai lançar "Batman" de Grant Morrison!




É já a partir do próximo dia 27 de Maio que deverá chegar às livrarias Batman - Volume 1, que reúne um conjunto de histórias da autoria de Grant Morrison, um dos escritores contemporâneos que mais impactou o universo dos super-heróis e de Batman, em particular, tendo (re)imaginado certos eventos na vida de Bruce Wayne.

Para além de Grant Morrison, também os autores Greg Rucka e Mark Waid colaboram neste livro que inclui ilustrações de Andy Kubert, Tony S. Daniel, J.H. Williams III e John Van Fleet.

Por agora, o livro já se encontra em pré-venda no site da editora Devir.

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.

Batman - Volume 1, de Grant Morrison, Greg Rucka, Mark Waid, Andy Kubert, Tony S. Daniel, J.H. Williams III e John Van Fleet

Grant Morrison, um dos grandes contadores de histórias da sua geração, mudou para sempre o universo do Batman, criando narrativas inesquecíveis com o cavaleiro da trevas. 

Histórias de Batman com o seu filho Damian Wayne, que levam o Cavaleiro das Trevas desde a beira da morte até ao limite da loucura. Este volume inclui os já clássicos Batman & Son e Batman in Bethlehem, que desconstroem a banda-desenhada de super-heróis com uma abordagem desafiadora do Cruzado da Capa. 

Coleta BATMAN #655-666 e histórias de DC UNIVERSE #0, 52 #30 e #47, com a participação dos artistas Greg Rucka e Mark Waid. 

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Ficha técnica
Batman - Volume 1
Autor: Grant Morrison, Greg Rucka, Mark Waid, Andy Kubert, Tony S. Daniel, J.H. Williams III e John Van Fleet
Editora: Devir
Páginas: 172, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 18 x 27,5 cm
PVP: 20,00€

sexta-feira, 6 de novembro de 2020

Lançamento: Novos X-Men Vol. 3 - Ómega




Já está nas bancas o novo álbum da saga Novos X-Men, de Grant Morrison e que é acompanhado por nomes de peso da ilustração.

Abaixo fiquem com a nota de imprensa e com as imagens promocionais.

Novos X-Men Vol. 3 - Ómega, de Grant Morrison, Frank Quitely, Keron Grant, Phil Jimenez e Chris Bachalo

Uma das melhores séries de sempre dos X-Men está de volta, neste terceiro volume cheio de acção e revelações que te irão surpreender. Vindos da imaginação de Grant Morrison, este tomo tem na arte nomes não menos fabulosos como Frank Quitely, Keron Grant, Phil Jimenez e Chris Bachalo.

O Instituto do Professor Xavier é um santuário, um lar para jovens mutantes oprimidos por um mundo que não os compreende. Mas o inimaginável acontece quando um dos alunos assume o nome de Kid Ómega, e decide conquistar a escola. Entretanto, a relação entre Emma e Ciclope ameaça causar mais uma fenda profunda entre mutantes, que irá ameaçar os X-Men. Mutante contra mutante numa explosão de violência... poderá a escola sobreviver? 

Na segunda parte desta saga, Wolverine, Ciclope e o enigmático mutante conhecido como Fantomex viajam para o outro lado do mundo à procura da chave para o seu passado, e da revelação dos segredos mutantes. Mas o que irão encontrar no interior do misterioso e letal programa Arma X será bem mais assustador do que os seus piores pesadelos.

Por vezes, os maiores inimigos dos mutantes são... outros mutantes!

Este é o terceiro volume que colecta toda a fase escrita por Grant Morrison, em quatro edições de luxo de capa dura e formato prestige.

Os Novos X-Men, foi uma das sequências mais inovadoras na história dos X-Men de uma forma que nunca mais foi replicada. A série renovou quase tudo sobre a equipa dos super-heróis mutantes mais famosos da Marvel, desde os seus uniformes até seu status público, e introduziu uma série de novas ideias que a franquia explorou a partir de então. 

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Ficha técnica
Novos X-Men Vol. 3 - Ómega
Autores: Grant Morrison, Frank Quitely, Keron Grant, Phil Jimenez e Chris Bachalo
Editora: G. Floy
Páginas: 304, a cores
Encadernação: Capa dura
PVP: €30

quarta-feira, 22 de julho de 2020

Lançamento: Novos X-Men Vol. 2 - Império



Já há alguns dias que se encontra nas bancas o segundo volume de NOVOS X-MEN, a grande saga de Grant Morrison, uma das mais importantes histórias dos mutantes da Marvel de sempre que é editada em Portugal pela G. Floy. 

A editora esclarece que o livro estará em bancas até ao dia 23 de Agosto.

Abaixo, fiquem com a nota de imprensa e imagens promocionais.


Novos X-Men Vol. 2 - Império, de Grant Morrison e Frank Quitely

O MUNDO ESTÁ A MUDAR... E VAI PRECISAR DOS X-MEN!

Cada vez surgem mais mutantes em todo o mundo, nas cidades, nos desertos, nas selvas. E vão precisar de professores, de mentores, de pessoas que consigam ajudá-los a ultrapassar o seu medo e a sua cólera, e mostrar-lhes como usar os seus estranhos talentos de maneira responsável. Mas o maior mentor dos mutantes, o Professor X, está em coma, a morrer, preso no corpo arruinado da sua irmã gémea maléfica... Cassandra Nova possuiu o corpo de Xavier e fugiu em direcção às estrelas, depois da sua confrontação inicial com os X-Men. E agora, uma das mais poderosas mentes mutantes telepatas de sempre vai regressar à Terra - com o poder inteiro do império Shi’ar a apoiá-la!

Conseguirão os X-Men deter o seu assalto, quando nem um império interestelar o conseguiu?

O segundo volume de Novos X-Men resolve dois grandes arcos de história da saga de Grant Morrison, por um lado o conflito com Cassandra Nova, a irmã gémea do Professor Xavier, com um final surpreendente e que terá importantes consequências para o resto da história dos X-Men, e por outro, inicia uma nova sequência narrativa focada na Corporação X e nas suas actividades pelo mundo em prol dos mutantes, com a introdução de uma das personagens mais inovadoras (e populares) da série, o mutante renegado Fantomex. É, portanto, um volume chave da saga, mas queremos também chamar a atenção para um capítulo intermédio, que serve de transição entre os dois arcos de história, e que é talvez um dos mais belos capítulos soltos dos X-Men de sempre: a história Sobre Viver e Sobre Morrer (correspondente a New X-Men #127). 

Desenhado por John Paul Leon (com arte-final de Bill Sienkiewicz), este interlúdio foca-se em Xorn, o novo mutante introduzido anteriormente, e é uma reflexão profunda sobre os mutantes e a ideia da “alteridade” no meio da vida normal, e uma reflexão “metatextual” sobre este género de super-heróis, na medida em que mergulha fundo e de maneira realística nas desvantagens dos poderes mutantes, sobretudo daqueles poderes sem grande utilidade prática: poderes meio inúteis, ou nojentos, ou simplesmente inexplicáveis... Como é que as pessoas lidam com a existência dessas “diferenças” incompreensíveis no meio da sua sociedade, como evitam “desumanizar” esses mutantes ainda mais? Morrison está aqui no auge da sua escrita, numa pequena história ao mesmo tempo poética e filosófica, que inova conceptualmente em muito do que é a ideia do mutante no universo Marvel. E mais, chamamos a atenção dos leitores para os diálogos entre Xorn e o Prof. Xavier, já que estão cheios de um potencial terrível quanto ao futuro da saga, como veremos mais tarde! Mas por enquanto, realçamos esta história deste volume, um momento de transição com um desenho excelente e distinto do resto, uma pausa de inteligência e imaginação ainda maiores do que aquelas a que Morrison nos habituou na sua escrita.

Reúne os títulos New X-Men #122-133.

Ficha técnica
Novos X-Men Vol. 2 - Império
Autores: Grant Morrison e Frank Quitely
Editora: G. Floy
Páginas: 304, a cores
Encadernação: Capa dura
PVP: 30€

quinta-feira, 4 de junho de 2020

Lançamento: Batman - Asilo Arkham



No passado sábado, a Levoir (re)editou Batman - Asilo Arkham, que já havia saído em Portugal, na Coleção 75 anos do Batman. Esta nova edição apresenta 33 páginas de extras.

Fiquem com a nota de imprensa e imagens promocionais:

Batman - Asilo Arkham, de Grant Morrison e Dave McKean
Em 1989, Grant Morrison e Dave McKean criaram uma das obras mais importantes da história da banda desenhada, Asilo Arkham. Com o selo DC Black Label, esta edição de coleccionador, capa dura e 33 páginas de extras, sai em banca a 30 de Maio pela mão da editora Levoir.

Tudo começa quando Batman é chamado para conter um tumulto no local, liderado por Joker que sequestrou diversos médicos que trabalham na instituição, como a terapeuta Dra. Ruth Adams – que fazia tratamentos pouco ortodoxos lá dentro – e o administrador Dr. Charles Cavendish.

Joker começa por fazer um grande jogo com o Cavaleiro das Trevas, que se vê obrigado a enfrentar vilões como Duas-Caras, Chapeleiro Louco, Crocodilo, Cara de Barro, Espantalho e muitos outros. Por fim, o Detetive descobre que o Dr. Cavendish está por trás de tudo, mas também como ele está influenciado pelo diário deixado pelo fundador da instituição, Amadeus Arkham. Assim, ficamos a conhecer os traumas da vida de Amadeus que, de alguma forma na visão do médico, estão ligados ao Batman.

Os revoltosos têm apenas uma condição para libertar o pessoal médico: uma troca, todos os reféns, pelo Batman, a única maneira de libertar as vítimas do motim e garantir que ninguém morra é o Batman juntar-se aos seus inimigos mais loucos dentro do Asilo.

A forma como Grant Morrison escreveu esta história, a narrou e apresentou ao leitor no "estilo" de horror e suspense, passando-lhe a tensão a cada página virada, e como a pintura de Dave McKean, um ilustrador que conseguiu mostrar a loucura do Joker tão graficamente, que só o rosto aterroriza. McKean introduz o leitor no clima de terror e insanidade do conto. Sem sombra de dúvida que é uma obra prima da banda desenhada, e de alto valor pois apresenta um tema que é pouco abordado na sociedade actual e contemporânea: a insanidade.

Este impactante conto de horror psicológico protagonizado por Batman (embora este apareça sempre como uma figura negra e misteriosa que o leitor nunca chega a ver bem, porque na verdade McKean não gosta  de desenhar o Batman) e praticamente todos os reclusos do Asilo Arkham é uma leitura obrigatória para qualquer fã da nona arte!

Ficha Técnica
Batman - Asilo Arkham
Autores: Grant Morrison e Dave McKean
Editora: Levoir
Páginas: 160, a cores
Encadernação: Capa dura
PVP: 22,90€

quarta-feira, 6 de maio de 2020

Lançamento: Batman - Asilo Arkham



A Editora Levoir anunciou recentemente que irá (re)lançar Batman - Asilo Arkham, de Grant Morrioson e Dave McKean.

Recorde-se que esta obra havia sido lançada na Coleção "Batman 75 anos", pela mesma Editora, no início de 2015.

Fiquem com a nova capa e a pequena nota que a Levoir partilhou com os seus seguidores:

Batman - Asilo Arkham, de Grant Morrioson e Dave McKean

Uma das mais arrojadas histórias do Batman, agora numa nova edição de luxo.
Novo lançamento do selo DC BLACK LABEL, Asilo Arkham de Grant Morrison e Dave McKean em edição de coleccionador com 33 páginas de extras. Será editado na segunda quinzena de Maio.

Edição de coleccionador, em capa dura, 160 páginas.

quinta-feira, 9 de abril de 2020

Lançamento: Novos X-Men Vol. 1: E de Extinção



Tal como Criminal: Livro Dois, este X-Men Vol. 1: E de Extinção já esteve disponível em banca mas recebe agora, por parte da Editora G. Floy, como que um relançamento, através do envio das notas de imprensa e de imagens promocionais. A editora informa também que, nestes períodos conturbados e de confinamento social, tem boas campanhas promocionais para venda direta dos seus livros ao público. É de aproveitar, naturalmente.

Fiquem com a nota de imprensa e imagens:


Novos X-Men Vol. 1: E de Extinção, de Grant Morrison e Frank Quitely, Ethan Van Sciver, Igor Kordly e Leinil Francis Yu

Dezasseis milhões de mutantes mortos... e isso foi só o princípio!

O escritor Grant Morrison, uma das lendas dos comics modernos, mudou de maneira definitiva e arrojada a saga imensa dos X-Men com esta série que marcou para sempre a nossa visão dos mutantes da Marvel: Novos X-Men! Começando numa terrível conspiração e na destruição da ilha de Genosha, lar do homo superior, introduzindo mudanças como a substituição dos antigos fatos de licra por elegantes blusões de cabedal, e toda uma nova geração de mutantes muito diferentes, mas bem ancorados num grupo central forte, Novos X-Men é uma das mais imaginativas e épicas sagas de sempre de Grant Morrison.

É difícil exagerar o impacto que esta saga teve nos leitores da altura, e particularmente num período que se seguiu aos eventos traumáticos do 11 de Setembro, e como ela funcionou de maneira “evolutiva” para Morrison, levando-o a criticar os vários projectos utópicos que historicamente marcaram o seu pensamento e a reafirmar a sua convicção de que a solução para uma vida melhor reside nos indivíduos e na maneira como eles se conseguem relacionar de maneira positiva.


Alguns críticos viram em Novos X-Men uma continuação das reflexões que o autor tinha iniciado em The Invisibles, algo que o próprio reconhece. No seu Manifesto (publicado neste volume), Morrison afirma: “Esta história não é bem sobre super-heróis mas sobre um conflito evolucionário que existe entre o que é novo/bom e velho/mau. Os X-Men representam todos os rebeldes adolescentes que querem mudar o mundo e torná-lo melhor. E a humanidade são os adultos que se agarram ao passado e tentam destruir o futuro, apesar de colocarem nele todas as suas esperanças”. Os jovens são idealistas, românticos e rebeldes, desejosos de romper com tudo o que está errado no mundo, e a Revolução, quando chega, é uma ruptura terrível no tecido da história. Essa ruptura é reflectida no capítulo inicial de Novos-Men, que coloca em cena essa raça minoritária dotada de poderes tremendos, e que por causa desses mesmos poderes é temida e odiada pela maioria da população normal do mundo. Até o adjectivo Novos colocado á frente de X-Men implica que tudo o que veio antes é “velho”, e num só momento eles são “transformados de heróis que respondem de maneira passiva ao que os confronta, em agentes de uma revolução social e política, os arquitectos de uma utopia futura” (como diz Darragh Green em Here Comes Tomorrow: The Ethics of Utopianism in Grant Morrison's New X-Men).


São os nove capítulos iniciais desta imensa e popular saga dos mutantes da Marvel que durou 40 números - e que a G. Floy editará em 4 volumes - que os leitores podem agora redescobrir numa edição nova. Originalmente editada pela Devir de maneira incompleta, esta série junta-se a mais duas que editámos e que consideramos como marcos imperdíveis da história dos X-Men (Astonishing X-Men e Uncanny X- Force). Abram portanto o livro, e contemplem a cena inicial... trinta mil anos no passado, um grupo de homo sapiens massacra um grupo de neandertais, sob o olhar da misteriosa Cassandra Nova, uma nova personagem que irá colocar em movimento um enredo terrível...

Reúne os títulos New X-Men #114-121, o Annual 2000 e o célebre Manifesto de Grant Morrison para os X-Men.


Ficha técnica:
Novos X-Men Vol. 1: E de Extinção
Autores: Grant Morrison e Frank Quitely, Ethan Van Sciver, Igor Kordly e Leinil Francis Yu
Editora: G. Floy
Páginas: 248, a cores
Encadernação: Capa dura
PVP: 25,00€