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sexta-feira, 25 de outubro de 2024

Levoir lança segundo e último volume de "Peregrinação"!



A Levoir acaba de lançar o segundo e último volume de Peregrinação, a adaptação para banda desenhada da obra homónima de Fernão Mendes Pinto, que está inserida na coleção Clássicos da Literatura Portuguesa em BD, que a editora tem vindo a publicar em parceria com a RTP.

Recordo que o primeiro volume desta adaptação assinada por João Miguel Lameiras e Miguel Jorge foi lançado em Maio. 

Mais abaixo, deixo-vos com a nota de imprensa da editora e com algumas imagens promocionais.


Peregrinação - Segunda Parte, de João Miguel Lameiras e Miguel Jorge

O segundo volume de Peregrinação foi editado no passado fim-de-semana na abertura do Festival Amadora BD.

Tal como no primeiro volume o argumento é da responsabilidade de João Miguel Lameiras a ilustração de Miguel Jorge, e o dossier de Paulo Silva Pereira.

Os autores estarão presentes no Festival Amadora BD para sessão de autógrafos no dia 27 de outubro às 14,20h e no dia 30 em Coimbra na Biblioteca Geral da Universidade.

Integrado na coleção Clássicos da Literatura Portuguesa que a Levoir e a RTP têm vindo a editar. É seguramente, um dos grandes clássicos da literatura de viagens. Editado pela primeira vez em 1614, tornou-se logo num sucesso editorial notável, sendo ainda hoje um dos livros portugueses mais traduzidos no mundo.

E o caso não é para menos: trata-se de um relato excecional não apenas pelo seu inegável merecimento literário, mas também por constituir um documento histórico de incalculável valor para se conhecer a vida e os costumes dos povos orientais no século XVI, bem como os meandros da presença portuguesa na Ásia, descrita sem condescendências por Fernão Mendes Pinto.

A obra trata da chegada e da estadia de Fernão Mendes Pinto no Oriente, apresentando o relato das expedições dos descobridores e conquistadores portugueses. A imagem dos navegadores portugueses que perpassa nesta obra é sobretudo picaresca, assumindo-se como um anti-herói, capaz das piores façanhas para lograr os seus objetivos, geralmente pilhar e roubar as populações nativas para enriquecer e regressar à pátria no alto da penha.
Fernão Mendes Pinto (1510?-1583) nasceu em Montemor-o-Velho e faleceu em Almada. Pouco se sabe da vida real deste autor. Pensa-se que era um comerciante que negociava no Índico, entre o Japão, a Índia e a China. Regressou a Portugal por volta de 1557 e casou com D. Maria Correia Brito, instalando-se numa quinta do Pragal.

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Ficha técnica
Peregrinação - Segunda Parte
Autores: João Miguel Lameiras e Miguel Jorge
Editora: Levoir
Páginas: 64, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 210 x 285 mm
PVP: 15,90€

sexta-feira, 31 de maio de 2024

Levoir e RTP publicam o clássico "Peregrinação" em BD!


A Levoir e a RTP acabam de publicar mais dois livros para a sua coleção Clássicos da Literatura Portuguesa em BD.

O primeiro de que vos falo é a primeira parte da adaptação de Peregrinação, de Fernão Mendes Pinto. Esta será uma das duas obras desta coleção que será editada em dois volumes - a outra será a adaptação de Os Lusíadas, de Luís de Camões.

Os autores que adaptam este Peregrinação são João Miguel Lameiras e Miguel Jorge, dois repetentes em adaptações de clássicos da literatura para banda desenhada publicadas pela Levoir. Relembro que foi esta a dupla responsável pela adaptação de Amor de Perdição, de Camilo Castelo Branco, tendo João Miguel Lameiras adaptado também, mas desta vez com Joana Afonso, a obra Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente.

Este livro já se encontra disponível para venda em livrarias.


Peregrinação #1, de João Miguel Lameiras e Miguel Jorge


A grande obra de Fernão Mendes Pinto, Peregrinação, volume 6 da coleção Clássicos da Literatura Portuguesa em Banda Desenha, editado pela Levoir em colaboração com a RTP, é publicado a 27 de maio.

O argumento é da autoria de João Miguel Lameiras e a Ilustração de Miguel Jorge.

Peregrinação é indiscutivelmente uma das obras mais notáveis das literaturas de língua portuguesa e até mesmo da literatura mundial, nunca perdendo a capacidade de suscitar novas e desafiantes leituras.

É muito vasto e desigual o elenco de textos que abordam a presença portuguesa no Oriente ou que dizem respeito à Expansão (crónicas, tratados, relatos de viagens, cartas...), mas esta obra soube aproveitar bem o efeito de novidade das «muitas e muito estranhas cousas que viu e ouviu» o autor. E o seu êxito foi significativo até no contexto internacional, pois em poucos anos já contava com traduções para castelhano (1620), francês (1628), neerlandês (1652), inglês (1653) e alemão (1671), para além de numerosas reimpressões.

Considerada por alguns como romance de aventuras, com elementos ficcionais que estimulam a imaginação dos leitores, e por outros como narrativa autobiográfica, fiel à verdade dos factos, Peregrinação é, acima de tudo, um texto que agrega traços típicos de modelos tão diferentes quanto a crónica, a relação, o roteiro, a narrativa de naufrágios, a escrita epistolar, o romance de cavalaria, a sátira ou a novela picaresca.

O relato de tudo quanto o narrador viu e viveu, nomeadamente a estranheza de gentes, territórios, hábitos e costumes, modelos de organização social e política, formas de representação do sagrado, suscitou incredulidade e polémica logo após a sua publicação. 
Esta obra vai ser editada em 2 volumes.

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Ficha técnica
Peregrinação
Autores: João Miguel Lameiras e Miguel Jorge
Adaptação da obra original de: Fernão Mendes Pinto
Editora: Levoir
Páginas: 64, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 210 x 285 mm
PVP: 15,90€

quinta-feira, 1 de junho de 2023

Análise: Manual de Instruções


Manual de Instruções, de Nuno Markl e Miguel Jorge

Manual de Instruções assinala o regresso à banda desenhada de Nuno Markl, o proeminente humorista e figura pública da rádio e televisão portuguesa. E isto numa altura em que este novo livro caminha a par com o relançamento de O Corvo III – Laços de Família, pela Ala dos Livros, que o autor lançou originalmente, no ano de 2007, com Luís Louro.

Desta vez, em Manual de Instruções, não é Luís Louro que acompanha Markl, mas sim, Miguel Jorge. Autor, entre outras obras, da adaptação para banda desenhada de Amor de Perdição, de Camilo Castelo Branco, que a editora Levoir lançou no ano passado.

Esta é uma história que tem a particularidade de ter sido inicialmente pensada para um guião de filme por parte de Nuno Markl. O projeto acabou por ficar na gaveta e foi Miguel Jorge que teve a iniciativa de transformar este guião em banda desenhada. E em boa hora o fez.

Dito isto, e tal como Nuno Markl nos informa na nota introdutória com que o livro abre, Miguel Jorge acabou por ter total liberdade para desenvolver a banda desenhada com base no guião original escrito por Markl.

Manual de Instruções
funciona como uma comédia romântica, leve e ligeira, à superfície, mas que, nas entrelinhas, tem alguma seriedade e o ímpeto para nos fazer pensar nas relações amorosas da contemporaneidade.

O protagonista é Alberto Simões, que é escritor. Não de livros, mas de manuais de instruções de eletrodomésticos. E embora ele ame a sua mulher, Lara, e os seus filhos, parece tão embrenhado na sua profissão de sonho, que acaba por negligenciar a sua família. Mas toda a gente tem um limite e Lara, após mais um conjunto de falhas do seu marido, decide que é tempo de terminar a relação e sai de casa com as crianças. É este o gatilho para que Alberto perscrute o seu interior, de forma a perceber como é que falhou e como é que pode remediar as coisas. Se é que isso é possível. É que, lá está, as pessoas têm muitas paixões na vida que gostam de alimentar, mas, muitas vezes, esquecem-se que aqueles que as rodeiam, a sua família, não são dados adquiridos e há que regar e alimentar esses relacionamentos.

Escrevendo assim, parece que Manual de Instruções é um livro muito sério. Tem seriedade, sim, mas que é encoberta por um conjunto de situações inusitadas e um humor leve, que não se leva muito a sério, que vai marcando a forma como a história se desenrola.

Começa logo pelo facto de um assaltante se tornar confidente e amigo de Alberto, aconselhando-o sobre a sua vida. Eventualmente, Alberto também passa a solicitar a companhia de uma prostituta. Não para o tipo de serviços que poderíamos esperar, mas sim para diálogo e para ajudar o protagonista a conhecer melhor aquilo que vai na cabeça da sua mulher, Lara. Algumas situações pareceram-me um pouco rebuscadas em demasia, mas também é verdade que vão havendo bons momentos de humor à medida que vamos avançando no livro.

Mais perto do fim, apreciei especialmente como Alberto começa a encenar uma cena para tentar convencer a sua mulher que esta necessita dele. Como esperado, o plano sai ao contrário, trazendo-nos uma comédia de situação, em catadupa, que nos deixa divertidos. Considerei este o ponto alto da história, em ralação ao ritmo e à própria parte humorística.

Há, no entanto, em vários dos diálogos alguma imaturidade na personagem de Alberto que, por vezes, tira alguma da verosimilhança ao todo. É que, se Manual de Instruções aparenta ser uma história para adultos se rirem e refletirem, por vezes as personagens têm uma postura algo imberbe para o que seria expetável.

Também é verdade que, como a história incide em aspetos reais da vida contemporânea, o livro acaba por se tornar relevante e atual.

Em termos visuais, devo dizer que fiquei bastante agradado com o trabalho de Miguel Jorge. Embora me tenha sabido a pouco. Mas já lá irei.

Ao contrário daquilo que o autor nos mostrou noutros lançamentos, em que o seu traço procura ter uma aura mais realista, neste Manual de Instruções o seu registo de desenho muda completamente, oferecendo-nos um traço bem mais caricatural, que encaixa muito bem na história que nos é dada. Devo confessar que aprecio particularmente quando um autor consegue mudar tanto de registo, de um livro para outro. E, portanto, este estilo caricatural de Miguel Jorge deixou-me bastante agradado. Até porque, a maneira como o autor ilustra as expressões das personagens, é bastante bem conseguida. Todas elas são carismáticas e criam facilmente empatia com o leitor.

Não obstante, a sensação final foi de que os desenhos do autor me souberam a pouco por duas razões. 

Primeiramente, porque, em termos de cenários, o desenho fica um pouco aquém das expetativas. Os cenários apresentam-se rígidos no desenho, parecendo que o autor pegou em fotografias e limitou-se a aplicar-lhes o efeito “threshold” para aproximar as fotografias do estilo de desenho pretendido. Não há nada de mal nesta técnica, mas, infelizmente, faz com que não haja uma simbiose tão boa como desejável entre as belas personagens “cartoonescas” e cheias de vida e os cenários mais realistas e mais frios.

A segunda coisa menos positiva é o abuso na utilização dos mesmos desenhos. Bem sei que, numa vez ou outra, tipo o diálogo que acontece entre Alberto e Lara quando estes se encontram deitados, até funciona bem. Admito até que a repetição de vinhetas, mudando apenas os balões de texto, é uma técnica que, sendo usada de forma muito amiúde, pode criar uma prancha interessante. Mas diria que se isso acontece mais do que uma ou duas vezes por livro, torna-se por demais óbvio que o autor está a espremer em demasia os mesmos desenhos. E fica-se com a ideia de que ou o autor foi preguiçoso para desenhar mais, ou o autor teve demasiado pouco tempo para acabar o livro, vendo-se forçado a despachar em demasia o trabalho.

É uma pena pois, em termos visuais, esta parece-me ser a maior lacuna do livro. Porque, repito, gostei muito deste estilo mais caricatural do autor e acho que tinha potencial para tornar o livro melhor. Mesmo assim, tenho que dar mérito à planificação de Miguel Jorge que, por ser dinâmica e apresentar algumas soluções bem conseguidas, consegue camuflar um pouco esta fraqueza do álbum.

Quanto à edição, fiquei bastante agradado com o trabalho da Iguana (pertencente ao grupo editorial Penguin Random House) que tem neste Manual de Instruções a sua primeira banda desenhada de origem nacional. O livro apresenta capa dura baça, bom papel baço e um trabalho competente ao nível da impressão e da encadernação.

Uma das páginas aparece repetida. É sempre uma situação lamentável e que estraga um bocado a experiência de leitura, mas é justo admitir que a editora soube contornar a situação de forma airosa, dotando a edição de um marcador de livro que brinca com o tema e que até disponibiliza um QR Code para os leitores identificarem o erro. Menos mal.

Há que dizer que, em termos de grafismo, o livro está muito bem conseguido. Muitas vezes falo na importância de uma boa capa para ajudar na venda de um livro. E se há capas bem conseguidas, a de Manual de Instruções é uma delas. E não digo isto devido a Nuno Markl ser um dos autores – o que já renderá, também, muitas vendas do livro, estou certo. Refiro-me às cores, à ilustração, ao tratamento de título e a todo o grafismo da capa. É uma capa muito bem-feita.

Em suma, Manual de Instruções é uma obra que traz alguma frescura ao panorama nacional de banda desenhada. É pena que, quer em argumento, quer em ilustração, a obra não tenha sido amadurecida e aprimorada pelos autores, de forma a ser mais inolvidável. Ainda assim, é uma leitura leve, divertida e que tem o condão de, por debaixo de certas situações caricatas que nos deixam sorridentes, fazer-nos refletir sobre as relações amorosas e de como é importante colocarmo-nos no lado do outro para, com isso, sermos melhores namorados(as) e/ou esposos(as).


NOTA FINAL (1/10):
6.0


EDIT: Soube já depois de feita a análise a este livro que, de facto, falta uma página à edição. E isso, quanto a mim, é manifestamente mais grave do que a mera repetição de uma página. É como se o livro ficasse automaticamente incompleto. Imaginem um filme de 2h00 em que 4 minutos são sem som e apenas com fundo preto. Tudo isto faz-me reduzir a nota de 7.0 para 6.0.


Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020



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Ficha técnica
Manual de Instruções
Autores: Nuno Markl e Miguel Jorge
Editora: Iguana (Penguin Random House)
Páginas: 128, a preto e branco
Encadernação: Capa dura
Formato: 17 x 24 cm
Lançamento: Maio de 2023

terça-feira, 4 de abril de 2023

Iguana prepara-se para lançar a nova BD de Nuno Markl e Miguel Jorge!



E o Vinheta 2020 apresenta, em primeira mão, a bela capa deste livro.

aqui tinha falado desta obra, que me está a deixar com muita curiosidade e que marca o regresso de Nuno Markl à banda desenhada. Bem como nos traz mais um trabalho de Miguel Jorge!

O livro deverá chegar às livrarias no próximo dia 1 de Maio e entra em pré-venda a partir do dia de amanhã.

Mais abaixo, deixo-vos com sinopse da obra e com as imagens promocionais.


Manual de Instruções, de Nuno Markl e Miguel Jorge

Alberto Simões é escritor. 

No entanto, não escreve livros, mas manuais de instruções de eletrodomésticos. 

Alberto ama o seu trabalho. Tanto, que se esquece de tudo o resto: a mulher, os filhos… 

Até ao dia em que ela se farta e ele se vê obrigado a escrever um manual de instruções da mulher, aconselhado por um ladrão com quem faz amizade, para que nunca mais se esqueça do que tem de fazer para deixá-la feliz.

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Ficha técnica
Manual de Instruções
Autores: Nuno Markl e Miguel Jorge
Editora: Iguana (Penguin Random House)
Páginas: 128, a preto e branco
Encadernação: Capa dura
Formato: 17 x 24 cm
PVP: 18,85€

terça-feira, 23 de novembro de 2021

Análise: Amor de Perdição

Amor de Perdição, de João Miguel Lameiras e Miguel Jorge - Levoir e RTP

Amor de Perdição, de João Miguel Lameiras e Miguel Jorge - Levoir e RTP
Amor de Perdição, de João Miguel Lameiras e Miguel Jorge

No mês passado a Levoir e a RTP encerraram a sua coleção de Clássicos da Literatura em BD, com o lançamento do 14º e último volume da série. O último volume traz consigo uma adaptação de um autor clássico da literatura portuguesa, Camilo Castelo Branco, e que, além disso, ainda junta dois autores portugueses da banda desenhada: João Miguel Lameiras, que adapta para bd o argumento original, e Miguel Jorge, que ilustra este livro.

Já antes desta obra, havia saído nesta coleção a adaptação de outro autor clássico português – Eça de Queiroz – através da adaptação de Os Maias por outro autor português, José Hartvig de Freitas, que contou com a colaboração do autor espanhol Canizales.

Amor de Perdição, de João Miguel Lameiras e Miguel Jorge - Levoir e RTP
Assim, e de uma assentada, acho que se pode dizer que este Amor de Perdição fecha de forma condigna esta coleção que, como já muito aqui escrevi - e mesmo tendo em conta que é direcionada para um público algo diferente em relação àquele a que a maioria dos livros aqui analisados se destinam -  apresentou uma qualidade entre o mediano e o fraco. Não obstante, há (alguns) bons livros nesta coleção. E, mesmo apresentando algumas fraquezas, Amor de Perdição é um dos melhores livros da coleção.

Confesso que já não lia esta obra desde os meus tempos de escola secundária, em que fazia parte da disciplina de português ler a obra. E lembro-me que, na altura, e ao contrário de muitos amigos, até gostei bastante da obra. Talvez por eu ser um grande romântico. Aliás, até diria que esta talvez seja a obra de literatura portuguesa que nos oferece um amor mais eloquente, trágico e dramático.

A história é baseada num episódio real da vida de um tio do próprio Camilo Castelo Branco. O seu nome é Simão Botelho e é protagonista de uma autêntica história de amor, ao jeito de Romeu e Julieta, de Shakespeare, que envolve duas famílias rivais e um amor proibido por ambas as famílias.

Amor de Perdição, de João Miguel Lameiras e Miguel Jorge - Levoir e RTP
Simão e Teresa são, pois, filhos de duas famílias inimigas de Viseu, os Botelhos e os Albuquerques. Apesar disso, apaixonam-se loucamente. Mas nenhuma das famílias aceitará que tal relação se possa consumar e, a conselho de Baltasar Coutinho, um primo – que também é prometido da jovem e que desespera pelos ciúmes que tem em relação a Simão - o pai de Teresa, Tadeu de Albuquerque, decide encerrar a filha no convento de Monchique, no Porto. Como resultado disso, Simão acaba por assassinar o primo de Teresa, sendo depois encarcerado na cadeia da Relação do Porto, enquanto Teresa sofre a sua ausência, estando igualmente presa no convento. Hoje em dia isto pode parecer uma boa telenovela mexicana, mas a verdade é que, goste-se ou não, a história destas duas personagens é um grande hino à literatura romântica.

E João Miguel Lameiras, que teve a função de sintetizar esta obra numa banda desenhada de 48 páginas, faz um bom trabalho, conseguindo separar o "trigo do joio" e conseguindo dar ao leitor um resumo dos momentos mais relevantes da obra original. Mesmo admitindo que já não me lembro com exactidão da obra que li há uns bons 20 anos, tenho que dizer que a leitura desta adaptação reacendeu as memórias mais presentes que eu tinha do texto original. O que é uma boa coisa porque, naturalmente, são sempre os momentos mais marcantes de uma obra que nos ficam marcados na memória. E Lameiras parece saber disso.

Amor de Perdição, de João Miguel Lameiras e Miguel Jorge - Levoir e RTP
Este tipo de livros costuma ter uma certa propensão para a introdução de texto a mais, mas também não me parece que o autor tenha tropeçado nesse problema, já que a quantidade de texto, legendas e balões, está na quantidade desejável e aceitável para uma bd de adaptação de obra literária. A única coisa que, por vezes, me causou algum problema foi a introdução de certos diálogos que, acredito, sejam transcrições da obra original, mas que me pareceram um pouco forçados e menos verossímeis. E isso sente-se mais porque outros diálogos há que me pareceram menos datados. Ou seja, senti uma certa incongruência neste ponto. Ou bem que os diálogos apresentavam todos um discurso português mais clássico, ou bem que apresentavam todos um discurso mais contemporâneo. Nada de muito grave, ainda assim.

Em termos de arte visual, Miguel Jorge faz um trabalho bastante interessante e que apresenta algumas soluções narrativas mais arrojadas, que me agradaram. Pese embora me pareça que haja um bom conjunto de ilustrações que mereciam mais cuidado e detalhe. Ou, dito de outra forma, sente-se, em vários momentos, que estes desenhos foram feitos com um calendário apertado e que isso não permitiu ao autor, o tratamento e o aprumo especial que, estou certo, proporcionariam que o álbum pudesse ascender a outro patamar de qualidade. 

Amor de Perdição, de João Miguel Lameiras e Miguel Jorge - Levoir e RTP
Por exemplo, em termos de cenários, se houvesse mais detalhe, em vez daquelas tramas, em forma de sombra, que procuram preencher o espaço, teríamos um álbum ainda melhor. Também senti alguma rigidez nos movimentos das personagens e as cores poderiam ter recebido um cuidado maior para terem mais camadas de profundidade. Seja como for, e apesar de tudo o que acabo de referir, também não deixa de ser verdade que Miguel Jorge revela boa capacidade para contar uma história em banda desenhada, através de bons recursos gráfico-narrativos e com um bom punhado de algumas ilustrações muito bonitas, nomeadamente na caracterização de algumas personagens, e numa boa escolha de planos diversos, para tornar a leitura bastante fluída.

Falando em fluidez, devo dizer que gostei bastante de certas soluções narrativas com que o autor nos brinda, tais como a árvore genealógica e alguns desenhos que ocupam uma ou duas páginas inteiras. Nas páginas 26 e 27, os autores tentaram algo bastante ambicioso na conversa entre Teresa e as freiras do convento. Aprecio o esforço e a audácia, mas acredito que aqui a fluidez da leitura não foi tão bem conseguida.

Amor de Perdição, de João Miguel Lameiras e Miguel Jorge - Levoir e RTP
Há, depois, algumas referências interessantes que dotam este livro de alguma contemporaneidade e que, quanto a mim, fazem aumentar o seu valor intrínseco. Uma delas é a presença de Corto Maltese (sim, leram bem!) já nas páginas finais do livro, que assume um papel secundário. E, na página 45, que coloco aqui ao lado, na primeira vinheta da prancha, faz-se uma alusão direta ao álbum de culto Closer, de 1980, da banda Joy Division. Confesso que não cheguei sozinho a esta última referência. Foi o próprio João Miguel Lameiras que já me havia mostrado essa ilustração há uns meses. Seja como for, eu sou daqueles que adora este tipo de easter eggs. Quão mais profundos e interessantes ficam os significados de qualquer que seja a obra artística, quando a mesma está repleta de segredos, alusões e referências. Bem jogado, João Miguel e Miguel Jorge!

Quanto à edição, mantêm-se os mesmos parâmetros de qualidade registados nos outros livros da coleção. A cada é dura, o papel é brilhante e de boa qualidade. A encadernação e a impressão também é bastante aceitável. O livro é depois complementado com um dossier de 6 páginas com extras, que cobrem desde a vida do autor, a própria obra e o contexto histórico em que a mesma foi lançada. Muito bem construídos estes extras. Nem demasiado grandes, nem demasiado pequenos. A medida exata. E tudo isto por um preço muito competitivo de 9,90€!

Em conclusão, pode-se dizer que, mesmo não sendo uma banda desenhada fabulosa, é um trabalho bastante competente, que tem o acréscimo de ser levado a cabo por uma dupla de autores portugueses e que acaba por estar entre os melhores livros desta coleção dos clássicos da literatura em bd, da Levoir.


NOTA FINAL (1/10):
7.9


Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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Amor de Perdição, de João Miguel Lameiras e Miguel Jorge - Levoir e RTP

Ficha técnica
Amor de Perdição
Autores: João Miguel Lameiras e Miguel Jorge
Adaptado a partir da obra original de: Camilo Castelo Branco
Editora: Levoir
Páginas: 64, a cores
Encadernação: Capa dura
Lançamento: Outubro de 2021

sexta-feira, 29 de outubro de 2021

Chega ao fim a série, da Levoir, Clássicos da Literatura em BD!




Passado pouco mais de um ano desde o lançamento do primeiro livro, a Levoir e a RTP terminam a série Clássicos da Literatura em BD, com a publicação do 14º volume da coleção!

Desta feita, a obra em questão é Amor de Perdição, do autor português Camilo Castelo Branco. Assinale-se a particularidade de também a adaptação para banda desenhada ser, toda ela, uma adaptação made in Portugal, já que temos João Miguel Lameiras no argumento e adaptação do texto, e Miguel Jorge nas ilustrações.

Ainda não li o livro mas em Beja tive a oportunidade de conhecer algumas das pranchas desta obra e fiquei bastante agradado.

Abaixo, fiquem com a nota de imprensa da editora e algumas imagens promocionais.

Amor de Perdição, de João Miguel Lameiras e Miguel Jorge

Para fechar a coleção Clássicos da Literatura em BD, a 2 de novembro, a Levoir e a RTP escolheram a obra máxima de Camilo Castelo Branco, Amor de Perdição, que se junta a Os Maias de Eça de Queirós.

A coleção é composta por 14 volumes, dois dos títulos são de autores portugueses. O argumento tem adaptação de João Miguel Lameiras, que considera ter sido um belo desafio. As ilustrações são da autoria de Miguel Jorge. Este volume é completamente português. O dossier tem a participação do Professor João Paulo Braga, nele encontra informação sobre o escritor, o romance e o contexto histórico em que foi escrito e para as imagens contámos com a colaboração da Casa de Camilo.

Camilo Castelo Branco foi um dos maiores escritores portugueses do século XIX e o primeiro escritor profissional em Portugal. Os seus romances passionais fazem do escritor o representante típico do Romantismo em Portugal. A sua vida atribulada foi tema de inspiração para os seus romances. A sua produção literária é extensa, contando com mais de uma centena de obras. Escreveu poesia, teatro, historiografia, contos, romances e novelas históricas, de aventuras e passionais.

Amor de Perdição, é uma novela composta em 1861, durante o tempo em que o autor esteve preso por adultério na cadeia da Relação do Porto.

Baseada num episódio real da vida de um tio seu, Simão Botelho, que lhe teria sido contado por uma tia, e cujo registo o autor teria encontrado nos livros de assentamentos da cadeia.

No entanto, a manipulação e a ficção, por parte de Camilo, são de tal forma livres, que o converteu na novela sentimental mais famosa do Romantismo português.

É uma narrativa passional e trágica, onde o amor, o ódio e a vingança, nos seus múltiplos cambiantes surgem extremados.

Simão e Teresa, são filhos de duas famílias inimigas de Viseu, os Botelhos e os Albuquerques, que se apaixonam. A conselho de Baltasar Coutinho, primo e prometido da jovem, despeitado pelo ciúme, Tadeu de Albuquerque decide encerrar a filha no convento de Monchique, no Porto. Simão espera-os à saída de Viseu, trava-se de razões com Baltasar e mata-o a tiro, entregando-se logo à justiça. Preso na cadeia da Relação do Porto, é condenado ao degredo.

Miguel de Unamuno, filósofo e escritor espanhol, diz sobre Amor de Perdição: “a novela de paixão amorosa mais intensa e profunda que alguma vez se escreveu na península ibérica.”

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Ficha técnica
Amor de Perdição
Autores: João Miguel Lameiras e Miguel Jorge
Adaptado a partir da obra original de: Camilo Castelo Branco
Editora: Levoir
Páginas: 64, a cores
Encadernação: Capa dura
PVP: 10,90€