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terça-feira, 19 de maio de 2026

Análise: Corto Maltese – O Dia Anterior

Corto Maltese - O Dia Anterior, de Martin Quenehen e Bastien Vivès - Arte de Autor

Corto Maltese - O Dia Anterior, de Martin Quenehen e Bastien Vivès - Arte de Autor
Corto Maltese - O Dia Anterior, de Martin Quenehen e Bastien Vivès

A editora Arte de Autor fez-nos chegar há algumas semanas o mais recente Corto Maltese, da autoria de Martin Quenehen e Bastien Vivès. Este já é o terceiro álbum que a dupla executa, o que me leva a crer que, apesar de algumas reservas dos leitores mais conservadores, a série até está a ser bem aceite no seu mercado original.

Nesta nova aventura, a história desenrola-se em 2022, na cidade de Sydney, Austrália, onde Corto tenta ajudar Marcus, um velho amigo pirata que se encontra preso num ciclo de dependência de drogas. A solução encontrada para salvar o seu amigo é fiel ao espírito aventureiro da personagem: partir numa nova missão. Esta surge através de uma advogada que representa um grupo de ativistas ambientais e que solicita a ajuda do nosso protagonista para resgatar com urgência uma jovem ativista detida nas ilhas Tuvalu, no Pacífico. 

Corto Maltese - O Dia Anterior, de Martin Quenehen e Bastien Vivès - Arte de Autor
De origem chinesa, esta mulher corre o risco de ser extraditada para o seu país, o que transforma a demanda numa verdadeira missão de resgate e numa autêntica corrida contra o tempo. É aliás essa corrida contra o tempo que imprime um sentido de urgência à narrativa que muito apreciei, pois mantive-se sempre agarrado ao livro até que terminasse a sua leitura. Assim, com Marcus aos comandos de um hidroavião envelhecido, os protagonistas lançam-se numa aventura que atravessa um dos territórios mais vulneráveis às alterações climáticas. 

A sensação que dá é que estamos perante um filme de ação/aventura a fazer lembrar vários clássicos do cinema. Quenehen constrói um argumento mais escorreito e amadurecido do que os anteriores, onde a ação e o contexto contemporâneo se equilibram de forma muito eficaz. O tema das alterações climáticas surge como pano de fundo, é certo mas fá-lo integrando-se naturalmente na narrativa, sem nunca se assumir como uma agenda explícita.

Nesse sentido, gostei da forma como o argumentista consegue abordar uma questão atual sem, no entanto, cair no panfletarismo ou no moralismo. O tema das alterações climáticas está presente, sim, tendo até relevância para a forma como o enredo se desenvolve, mas nunca é algo que pareça estar a ser imposto ao leitor como lição forçada. Pelo contrário, este tema é absorvido organicamente pelo universo da narrativa, o que resulta numa abordagem muito mais interessante e eficaz.

Corto Maltese - O Dia Anterior, de Martin Quenehen e Bastien Vivès - Arte de Autor
Ao nível do ritmo, a obra destaca-se, conforme já referido, por uma tensão narrativa constante. Isso já tinha acontecido nos anteriores álbuns desta dupla, Oceano Negro e A Rainha da Babilónia, mas neste O Dia Anterior até está mais presente. Mesmo nos momentos mais contemplativos, que, convém não esquecer, também são sempre bem-vindos num livro de Corto Maltese, existe sempre uma sensação de inquietação que impulsiona a leitura e que prende o leitor. 

É talvez por tudo isso junto que considero que, entre os três "Corto Maltese de Autor" da dupla, este terceiro título é o mais bem conseguido até agora. Nota-se claramente uma maior confiança da dupla de autores, especialmente do argumentista, tanto na construção da história como na forma como se lida com a herança da personagem. Tudo parece mais fluido, mais coeso e mais seguro.

Não obstante, é inegável que estamos perante um Corto Maltese diferente daquele que Hugo Pratt apresentou ao mundo. Há aqui uma contemporaneidade mais evidente, tanto nos temas como no tom geral da narrativa. Ainda assim, a essência da personagem permanece: continuamos a ter um aventureiro livre, com uma bússola moral própria e uma certa melancolia que o distingue de qualquer outra personagem.

Corto Maltese - O Dia Anterior, de Martin Quenehen e Bastien Vivès - Arte de Autor
Mesmo assim, há quem defenda que estas histórias poderiam ser protagonizadas por qualquer outra personagem e que o nome de Corto Maltese é utilizado sobretudo como forma de garantir vendas. Concordo parcialmente com essa afirmação. De facto, é verdade que o peso do nome atrai leitores e consequentes vendas; no entanto, não considero que essa escolha seja feita de forma gratuita ou unicamente oportunista. Pelo contrário, sinto que Quenehen e Vivès estão a construir histórias que, mesmo sendo modernas, dialogam com o espírito original da personagem, prestando homenagem ao enigma e ao charme original de Corto Maltese. E cada vez estou mais convencido disto.

No campo gráfico, Bastien Vivès continua a apresentar um trabalho muito interessante. O seu traço é elegante, solto e expressivo, conseguindo transmitir uma sensualidade muito própria ao conjunto. Há vinhetas verdadeiramente lindas neste álbum. Essa beleza, especialmente das mulheres, nem é feita à custa de um desenho muito detalhado, mas sim através de uma leveza, simplicidade e de uma estética singulares. Também as personagens são desenhadas com economia de linhas, mas com grande capacidade expressiva. Talvez certos cenários pudessem ter um pouco mais de detalhe, reconheço, mas, mais uma vez, não me parece que esse vazio cénico seja fruto do acaso... acho que isso é mesmo explorado pela própria estética de Vivès. 

Corto Maltese - O Dia Anterior, de Martin Quenehen e Bastien Vivès - Arte de Autor
Os desenhos são a preto e branco, com escala de cinzentos, mas não deixo de pensar que uma versão a cores poderia elevar ainda mais o impacto visual da obra, como demonstram, aliás, as belíssimas capas coloridas das edições francesas. Mesmo assim, admito que os desenhos de Bastien Vivès, mesmo numa escala a cinzento, são belíssimos na sua leveza, simplicidade e singularidade.

A edição da Arte de Autor é em capa dura baça, com detalhes a verniz, e bom papel brilhante no miolo. A encadernação, impressão e acabamentos também são bons. No final, há um caderno de extras, com oito páginas, que inclui um texto de Martin Quenehen e um texto de Antonio Politano sobre o tema ambiental que serve como pano de fundo à história. Há ainda um belo conjunto de ilustrações a cores, onde fica patente a capacidade singular de Vivès para as aguarelas, lembrando, com as devidas distâncias, o trabalho original de Pratt.

Em suma, Corto Maltese - O Dia Anterior é uma obra muito sólida e, até agora, a mais bem conseguida desta nova fase da personagem (re)imaginada por Quenehen e Vivès. Mesmo sendo um Corto diferente, revela-se cada vez mais interessante e apelativo. É uma banda desenhada que consegue equilibrar aventura, ação e atualidade, nunca descurando o respeito pelo legado de Hugo Pratt e provando que ainda há muito caminho a explorar - seja em terra, céu ou mar - pelo célebre viajante maltês.


NOTA FINAL (1/10):
8.7



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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Corto Maltese - O Dia Anterior, de Martin Quenehen e Bastien Vivès - Arte de Autor

Ficha técnica
Corto Maltese - O Dia Anterior
Autores: Martin Quenehen e Bastien Vivès
Editora: Arte de Autor
Páginas: 176, a preto e branco (mais caderno final a cores)
Encadernação: Capa dura
Formato: 196 x 285 mm
Lançamento: Abril de 2026

quarta-feira, 15 de abril de 2026

Vem aí um novo livro de Corto Maltese!




A Arte de Autor prepara-se para editar o mais recente livro de Corto Maltese!

O livro chama-se O Dia Anterior e mantém a abordagem mais contemporânea dos autores Martin Quenehen e Bastien Vivès, que se afasta do teor original da série criada por Hugo Pratt - teor esse que tem vindo a ser seguido pelas criações paralelas para a série de Juan Díaz Canales e Rúben Pellejero.

Depois de Oceano Negro e A Rainha da Babilónia, este é o terceiro álbum extraído da criação de Martin Quenehen e Bastien Vivès. A abordagem destes dois autores não tem sido muito consensual em termos de aceitação por parte da crítica e do público, mas posso dizer-vos que, pelo menos para mim, têm sido bons livros, o que me deixa na expectativa para este O Dia Anterior.
Por agora, o livro já se encontra em pré-venda no site da editora e deve ser primeiramente vendido nos próximos eventos bedéfilos, Coimbra BD e Comic Con, antes de chegar às livrarias.

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.


Corto Maltese - O Dia Anterior, de Martin Quenehen e Bastien Vivès

Corto regressa ao Pacífico!

Em 2022, enquanto está em Sydney, Corto tenta ajudar Marcus, um amigo pirata que luta contra o vício das drogas. E que melhor forma de o tirar desta enrascada do que uma nova aventura?

Esta aventura é-lhes oferecida pela advogada de um grupo de activistas ambientais. 

Uma das integrantes do grupo foi presa nas Ilhas Tuvalu, no meio do Oceano Pacífico. De origem chinesa, corre o risco de ser entregue às autoridades do seu país e sugeriu o nome de Corto Maltese à sua advogada como a sua última hipótese de liberdade… 

Com Marcus aos controlos de um hidroavião velho, Corto e a sua cliente levantam voo em direcção a estas ilhas, as primeiras vítimas das alterações climáticas que provocam a subida do nível do mar.


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Ficha técnica
Corto Maltese - O Dia Anterior
Autores: Martin Quenehen e Bastien Vivès
Editora: Arte de Autor
Páginas: 176, a preto e branco (mais caderno final a cores)
Encadernação: Capa dura
Formato: 196 x 285 mm
PVP: 27,95€

segunda-feira, 13 de abril de 2026

Arte de Autor prepara-se para editar 4 novas BDs!


A editora Arte de Autor já fez saber que, durante os próximos dias, editará quatro novos livros de banda desenhada, dois deles em regime de co-autoria com A Seita.

Todos estes livros já se encontram em pré-venda no site da editora , devendo estar disponíveis nos próximos eventos de banda desenhada Coimbra BD e Comic Con.

Falarei deles, com mais detalhe, durante os próximos dias. Por agora, deixo-vos apenas com a nota sobre as novidades em questão, que são as seguintes:

quarta-feira, 10 de julho de 2024

Análise: Corto Maltese - A Rainha da Babilónia

Corto Maltese - A Rainha da Babilónia, de Bastien Vivès e Martin Quenehen - Arte de Autor


Corto Maltese - A Rainha da Babilónia, de Bastien Vivès e Martin Quenehen - Arte de Autor
Corto Maltese - A Rainha da Babilónia, de Bastien Vivès e Martin Quenehen

Se há coisas onde pareço ser uma voz dissonante, pelo menos em Portugal, é na opinião sobre a recente reinvenção de Corto Maltese que Vivès e Quenehen iniciaram em 2021 com o lançamento de Corto Maltese - Oceano Negro. E digo isto porque oiço e leio muita gente descontente com esta nova abordagem à emblemática personagem criada por Hugo Pratt. Todavia, a verdade é que - e pese embora o argumento não seja perfeito (mas também não os eram, quanto a mim, os de Pratt) - sou um admirador desta faceta moderna que os autores Vivès e Quenehen à personagem clássica de Corto Maltese.

A objeção que mais vejo surgir contra este novo Corto, é que as aventuras criadas por Quenehen, quer neste A Rainha da Babilónia, que hoje vos trago, quer em Oceano Negro, poderiam ter sido criadas para qualquer outra personagem. Que a única ligação do Corto de Quenehen ao Corto de Hugo Pratt é o nome da personagem. Não poderia discordar mais desta so called "objeção”. Ou, concordando, poderemos usá-lo conforme "dá jeito" para qualquer reimaginação de alguma personagem clássica: as histórias do Lucky Luke do Bonhomme também poderiam ser criadas para outra personagem que não Lucky Luke, as histórias do Spirou, desenvolvidas por Bravo, também poderiam ser criadas para outra personagem que não Spirou… enfim, estas objeções são frágeis como flocos de neve.

Corto Maltese - A Rainha da Babilónia, de Bastien Vivès e Martin Quenehen - Arte de Autor
E afirmar isso sobre este Corto Maltese é, quanto a mim, não perceber a real essência de Corto Maltese. Que não são as viagens que a personagem enceta ou a icónica indumentária que o marinheiro maltês enverga. É claro que isso também faz parte do folclore, chamemos-lhe assim, de Corto Maltese. Mas aquilo que mais define esta personagem e aquilo que a faz ser única, é o espírito de aventura, as reflexões profundas e a própria sensualidade da personagem e das suas peripécias. Queiramos nós admiti-lo ou não.

E espírito de aventura, reflexões profundas e sensualidade habitam - com toda a força! - neste A Rainha da Babilónia. Vou até mais longe e considero - especulando, é certo - que o próprio Hugo Pratt certamente apreciaria mais aquilo que Bastien Vivès e Martin Quenehen fazem por Corto Maltese, do que propriamente o trabalho que os autores Juan Díaz Canales e Rúben Pellejero têm feito por esta icónica personagem. E não o digo com desprimor para estes últimos. Também aprecio muito o seu trabalho, mas, lá está, arrisca menos, procura menos, almeja menos, consegue menos.

Neste A Rainha da Babilónia, estamos no ano 2002. O livro abre de uma forma maravilhosa. A sensualidade vivida entre Corto e Semira é qualquer coisa de espantosa. Para isso conta, claro, a forma elegante e bela como Vivès representa a interação entre as duas personagens, com a sua utilização de planos apertados e close ups que intensificam a experiência sensorial. Com efeito, só as primeiras páginas do livro já são de uma força grandiosa que ressoa no leitor. Só depois dessa ambientação, dessa introdução no mood pretendido, é que mergulhamos mesmo na história, que coloca Corto Maltese a unir-se a Ismet "Ćelo” Bajramović, uma personagem real que foi um reputado soldado bósnio que, no tempo do cerco a Sarajevo, teve um importante papel na luta pelo povo Bósnio. A ideia de Célo, Semira e o resto do gangue é intercetar um negócio entre os sérvios e os iraquianos, o que vai levar as personagens a um golpe na vidade de Veneza. 

Depois da brilhante cena inicial da história, verdadeiramente bem executada, quer no timing, na tensão, ou nos momentos de ação, a narrativa dá-nos um flashback onde recuamos no tempo de forma a conhecermos o que une Corto a Semira. Esta, que acaba por ser quem mais protagoniza este A Rainha da Babilónia - e o próprio título da obra o confirma - é uma mulher bósnia que Corto conhece alguns meses antes numa discoteca em Berlim. Semira tem traumas de guerra bem demarcados que tiveram origem na invasão da sua aldeia por parte dos soldados sérvios em 1992.

Corto Maltese - A Rainha da Babilónia, de Bastien Vivès e Martin Quenehen - Arte de Autor
Se Quenehen, enquanto argumentista, não me tinha deixado totalmente satisfeito em Oceano Negro, neste A Rainha da Babilónia conquistou-me com uma história mais bem urdida, em que o controlo narrativo do relato é mais bem executado e em que os diálogos fazem jus aos bons diálogos que sempre existiram nas aventuras de Corto Maltese. São inúmeras as citações que poderíamos tirar deste livro e inseri-las junto a um esboço de Hugo Pratt sem que alguém pudesse objetar que a citação não pertencia ao Corto de Pratt. O que me leva ao ponto inicial: Quenehen consegue aproximar-se do Corto Maltese naquilo que mais interessa: no espírito da personagem.

Lamento, ainda assim, que o enredo vá perdendo um certo fulgor ao longo da obra. Este é dos livros de Corto Maltese em que há mais ação. Depois de um golpe executado com sucesso, há um plot twist que muda a história e que leva Corto a refugiar-se junto de uma comunidade de ciganos, enquanto procura vingança perante a traição de que é vítima. Se até aqui o livro estava a deixar-me 100% satisfeito, a partir deste ponto tenho que admitir que a história se torna um pouco mais expectável, menos relevante e menos "Corto Maltesiana". Aqui, mergulhamos numa parte mais política e racional, em contraste com a parte mais sentimental e romântica de Corto da primeira parte da história. Acho que a coisa que causou o tal plot twist de que falei mais acima fez com que a história perdesse bastante da sua força, pois foi uma opção ousada e arriscada por parte do argumentista. E, depois de finda a leitura, reconhece-se que A Rainha da Babilónia começa em altas, mas acaba de forma algo murcha. Mesmo assim, com Corto Maltese a safar a sua pele um pouco à maneira de um Edmond Dantès em O Conde de Monte Cristo, de Alexandre Dumas, não posso dizer que a história não funcione bem. Funciona e supera facilmente Oceano Negro mas, por momentos, julguei estar perante uma obra prima. Não o será, mas é um belo livro e um ótimo presságio para aquilo que Quenehen e Vivès ainda poderão vir a dar a Corto Maltese em futuros álbuns.

Corto Maltese - A Rainha da Babilónia, de Bastien Vivès e Martin Quenehen - Arte de Autor
Quanto a Bastien Vivès, já tinha ficado convencido no álbum anterior e aqui ainda fico mais. A maneira como o autor desenha é simplesmente bela e consegue abrir o espectro pictórico, tão emblemático!, de Corto Maltese a novos patamares. O autor mantém-se fiel ao estilo utilizado em Oceano Negro, portanto, retiro algumas das palavras que, por altura do lançamento dessa obra, já tive ocasião de escrever: "Bastien Vivès é dono de um estilo com muita personalidade (...) e brinda-nos, muitas vezes (...) com bonitas e elegantes ilustrações, que dão a este Corto Maltese um caráter próprio e singular, diferente do estilo de ilustração de Hugo Pratt, é certo, mas fazendo-lhe as devidas homenagens. Até porque, convenhamos, aquela poesia única e contemplativa no Corto Maltese de Hugo Pratt, também aparece no Corto Maltese de Vivès. Saibamos nós encontrá-la. Em termos de ilustração, o resultado final é diferente? Sim, sem dúvida. Mas a sensação poética inerente ao visual de Corto, povoado por horizontes áridos, pela presença do mar como musa inspiradora, por linhas claras e simples, mas plenas de sedução, está toda presente neste livro." 

O trabalho de edição por parte da editora Arte de Autor está muito bem feito e em linha com o trabalho feito pela editora na edição de Oceano Negro. O livro apresenta capa dura baça com detalhes, no nome da série, a verniz. O papel é brilhante e de boa qualidade e, no final, há um dossier de 12 páginas com um texto do jornalista Jean Hatzfeld sobre a obra, que é acompanhado por lindíssimas aguarelas e estudos de personagem de Bastien Vivès.

Em suma, se no primeiro livro eu tinha ficado, por um lado satisfeito, por outro lado de “pé atrás”, perante esta incursão dos autores Quenehen e Vivès no universo de Corto Maltese, com este A Rainha da Babilónia as minhas dúvidas saem dissipadas e estou bem mais satisfeito com estas novas aventuras que têm o condão de serem modernas, com vida própria, mas sem que isso belisque de alguma forma o espírito e vibe de uma das mais icónicas personagens da banda desenhada mundial. 


NOTA FINAL (1/10):
8.6



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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Corto Maltese - A Rainha da Babilónia, de Bastien Vivès e Martin Quenehen - Arte de Autor

Ficha técnica
Corto Maltese - A Rainha da Babilónia
Autores: Martin Quenehen e Basiten Vivès
Editora: Arte de Autor
Páginas: 192, a preto e branco (mais caderno final a cores)
Encadernação: Capa dura
Formato: 196 x 285 mm
Lançamento: Abril de 2024

sexta-feira, 12 de abril de 2024

Está a chegar o novo Corto Maltese!!!



A Arte de Autor prepara-se para lançar, no próximo Coimbra BD, o novo Corto Maltese!

Falo de A Rainha da Babilónia, dos autores que já nos deram Oceano Negro. Relembro que não estamos perante a continuação mais canónica, por assim dizer, da série original de Hugo Pratt - essa tarefa tem sido levada a cabo pela dupla formada por Canales e Pellejero -, mas sim face a um "Corto Maltese de autor". Uma adaptação livre que tem, ainda assim, a personagem de Corto Maltese como protagonista.

Tenho sentido um certo preconceito e uma certa fricção de muita gente face a esta variante de Corto Maltese, mas que são, quanto a mim, injustos. Gostei bastante de Oceano Negro onde Vivès demonstrou a beleza dos seus desenhos. O argumento poderia, quiçá, ter sido mais bem trabalhado, mas foi um belo livro.

Portanto, estou bastante empolgado com esta nova aventura denominada A Rainha da Babilónia.

Por agora, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais.


Corto Maltese - A Rainha da Babilónia, de Martin Quenehen e Basiten Vivès

Entre a vida e a morte, uma das aventuras mais memoráveis de Corto.

Outono de 2002. 
Enquanto uma nova guerra se desenrola no Iraque, os contrabandistas de Veneza estão a festejar. Mas quando o amor, a honra e a fortuna se cruzam, o infortúnio não pode faltar... 

Do Adriático ao Golfo Pérsico, dos Balcãs à Babilónia, entre cães e lobos, Corto terá de voltar a traçar a sua rota, amar, lutar e descobrir que a aventura é uma maldição que o impede de regressar ao porto...

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Ficha técnica
Corto Maltese - A Rainha da Babilónia
Autores: Martin Quenehen e Basiten Vivès
Editora: Arte de Autor
Páginas: 192, a preto e branco (mais caderno final a cores)
Encadernação: Capa dura
Formato: 196 x 285 mm
PVP: 27,95€

quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

Análise: Corto Maltese - Oceano Negro

Corto Maltese - Oceano Negro, de Martin Quenehen e de Bastien Vivès - Arte de Autor

Corto Maltese - Oceano Negro, de Martin Quenehen e de Bastien Vivès - Arte de Autor
Corto Maltese - Oceano Negro, de Martin Quenehen e de Bastien Vivès

Há muito tempo que eu não via tanta divisão entre leitores de banda desenhada como vi a propósito deste novo Corto Maltese – Oceano Negro, que assinala o regresso do mítico marinheiro criado originalmente por Hugo Pratt. Ao contrário da dupla de criadores formada por Juan Diaz Canales e Ruben Pellejero que, desde que pegaram na franquia, procuram dar continuidade, em termos de argumento e de desenho, àquilo que Pratt nos tinha oferecido, Martin Quenehen e de Bastien Vivès apresentam-nos uma nova abordagem a Corto Maltese.

Corto Maltese é mais jovem neste Oceano Negro do que nas aventuras criadas por Pratt e, para além disso, a ação desenrola-se num tempo mais contemporâneo. Mais concretamente, na altura dos eventos do 11 de Setembro de 2001. Além disso, o desenho de Vivès, ao contrário do que acontece com Ruben Pellejero - em que as ilustrações tentam emular o desenho original de Pratt – tem personalidade própria, bem à imagem de Vivès, afastando-se do estilo de desenho de Hugo Pratt.

Corto Maltese - Oceano Negro, de Martin Quenehen e de Bastien Vivès - Arte de Autor
Ora, desde que estas informações foram tornadas públicas, as reações e a polémica, não só em Portugal como, também, lá fora, têm gerado uma forte e total polarização de opiniões. Uns odeiam e acham o maior atentado à obra de Hugo Pratt. Outros adoram e acham a coisa mais refrescante que aconteceu a Corto Maltese. Ora bem, sem tentar destoar, só porque sim, com todas as opiniões eloquentes e polarizadas que já li sobre este novo Corto Maltese, eu devo dizer que não o acho nem tão mau como uns o pintam, nem tão bom como outros o pintam.

Vamos lá por partes.

Em primeiro lugar, penso que importa que, acima de tudo, saibamos decidir por nós próprios se gostamos ou não de ver as personagens clássicas da bd a serem reinterpretadas noutro estilo, por outro autor. Julgo que o preconceito de muitos residirá aí. Esta é uma opção feita com várias séries do universo franco-belga (Spirou, Lucky Luke, Blake e Mortimer, entre outros exemplos) e, sinceramente, até se têm feito, quanto a mim, coisas muito interessantes nesse cômputo. Haver, portanto, a possibilidade de se fazer algo semelhante com Corto Maltese, parece-me, a priori, uma boa ideia. Sei que muita gente discorda desta minha opinião – e está no seu direito – mas pegar numa personagem clássica da bd e adaptá-la ao nosso tempo, seja ao nível do argumento, seja ao nível gráfico-visual, parece-me uma boa ideia para dar nova vida a essa personagem e, possivelmente, granjear-lhe novos fãs, junto das camadas mais jovens de leitores.

Ou melhor, parece-me que pode ser uma boa ideia. Também não o tem que ser só porque sim. Apenas quero aqui realçar que esse preconceito de achar que é bom ou mau só porque é diferente, me parece muito, muito, muito redutor. Claro que é uma aposta que também pode correr mal, não fazer sentido, não fazer jus à obra original. Mas isso, meus amigos, é uma coisa diferente. Só sabemos depois de finda a leitura. Não dá para opinar – de forma legítima, pelo menos – sem se conhecer algo, certo? Faz-me lembrar quando digo às minhas filhas: “como sabes se não gostas dessa comida se nunca a comeste?”. Só depois de provada a comida, ou de feita a leitura, é que há legitimidade para dizer: “de facto, não gostei” ou “olha, afinal até é bom”. Por outras palavras, o que estou aqui a defender é que o princípio em si de pegar em Corto Maltese e dar-lhe um visual diferente e um tipo de argumento diferente não é, necessária e taxativamente, “assassinar o legado de Hugo Pratt”, como aliás já tive oportunidade de ler na opinião de outrem.

Corto Maltese - Oceano Negro, de Martin Quenehen e de Bastien Vivès - Arte de Autor
Portanto, dito isto, este Corto Maltese – Oceano Negro até mais brilha, a meu ver, e contrariamente ao que muitos têm escrito, na parte do desenho. Bastien Vivès é dono de um estilo com muita personalidade – daqueles que muitos amam e muitos odeiam - e brinda-nos, muitas vezes – mas não sempre – com bonitas e elegantes ilustrações, que dão a este Corto Maltese um caráter próprio e singular, diferente do estilo de ilustração de Hugo Pratt, é certo, mas fazendo-lhe as devidas homenagens. Até porque, convenhamos, aquela poesia única e contemplativa no Corto Maltese de Hugo Pratt, também aparece no Corto Maltese de Vivès. Saibamos nós encontrá-la.

Em termos de ilustração, o resultado final é diferente? Sim, sem dúvida. Mas a sensação poética inerente ao visual de Corto, povoado por horizontes áridos, pela presença do mar como musa inspiradora, por linhas claras e simples, mas plenas de sedução, está toda presente neste livro. Portanto, a meu ver, e bem sei o quão subjetivo, isto é, onde Oceano Negro mais brilha é, especificamente, na componente visual.

Se posso implicar um pouco com o trabalho de Vivès neste livro é no facto de não ter gostado que em certas vinhetas existisse uma sensação de trabalho por finalizar. Ou, se preferirem, por expressões, por efeitos ou por detalhes, demasiado simplistas, que aparentavam estar inacabados. Numas vezes funciona bem, mas noutras vezes, fica a ideia: “terá o autor feito este desenho à pressa?”. Não me agrada muito isso. E, especialmente, porque é algo intermitente. Se a ilustração fosse sempre simplista e vazia, eu até aceitaria melhor. Como só o é em algumas vezes, fico menos satisfeito e com a sensação de detetar alguma preguiça ou desinspiração no autor.

Corto Maltese - Oceano Negro, de Martin Quenehen e de Bastien Vivès - Arte de Autor
Tirando isso, resta-me ainda dizer que gostei da representação visual da personagem de Corto, embora ache que, em algumas vinhetas, apresente mais parecenças com a personagem Valerian do que com Corto Maltese. A planificação das pranchas é, expetavelmente, clássica, remetendo-nos, quase sempre, para páginas divididas por 5 ou 6 vinhetas. O uso dos tons de cinza para dar profundidade aos cenários e às personagens, também é algo onde Vivès brilha.

Pondo de lado a arte ilustrativa, devo dizer que onde me espanta que as críticas negativas que tenho lido não arrasem a obra não é, pois, nos desenhos, mas antes no argumento. Aí sim, considero que o legado de Pratt não é igualado de forma alguma. A história que Martin Quenehen nos oferece é para lá do básico e revela-se bastante desinspirada.

A ação começa por se desenrolar no mar da china, passando pelas movimentadas ruas carregas de néon de Tóquio, e pelos picos da Cordilheira dos Andes, no Peru, até terminar em Espanha. Tudo começa quando Corto Maltese, numa boa cena de entrada na história, decide salvar a vida a um homem que lhe fala de um tesouro mítico perdido. Corto decide então procurá-lo.

Corto Maltese - Oceano Negro, de Martin Quenehen e de Bastien Vivès - Arte de Autor
O resto da ação desenrola-se depois de um modo muito periclitante, em que os vários episódios da trama parecem, por vezes, inseridos de forma atabalhoada. Há certas partes que são aquilo a que os ingleses chamam de filler. Ou seja, estão lá por estar. Se as retirarmos da história, não se acrescenta nem se perde nada à mesma. Até o próprio aparecimento de Rasputine me pareceu um pouco out of the blue, sem grande consistência ou importância para a história. Como que uma hommage mas algo gratuita. Só porque sim.

A edição da editora Arte de Autor está muito bem conseguida. Para além de uma bela capa dura, de um bom papel baço de um tom ligeiramente amarelado e de uma boa qualidade de impressão e de encadernação, o livro ainda é generoso o suficiente ao ponto de incluir 14 páginas de extras a cores, em que são mostrados alguns estudos de personagem e esboços preparatórios de Vivès com a personagem de Corto Maltese, bem como dois textos que nos introduzem à obra.

Em conclusão, se há alguém que não compreendeu bem a essência do Corto Maltese de Hugo Pratt, ou que, se a compreendeu não a conseguiu meter em prática, esse alguém não é Vivès, mas Quenehen. O ilustrador, tendo o bom senso de não tentar imitar o desenho original, faz aqui um trabalho deveras interessante, segundo o seu próprio universo visual. Já Quenehen, por seu lado, dá-nos uma história demasiado mundana e esquecível. Sabem o que é que eu gostaria mesmo de ver no futuro? Um novo Corto Maltese desenhado por Vivès, mas escrito por Juan Diaz Canales, por exemplo. Portanto concluo como comecei: não acho nem tão mau como uns dizem – este é um bom livro, apesar de tudo – nem o acho tão bom como outros dizem – podia ser bem melhor se tivesse um melhor argumento.


NOTA FINAL (1/10):
7.9



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020



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Corto Maltese - Oceano Negro, de Martin Quenehen e de Bastien Vivès - Arte de Autor

Ficha técnica
Corto Maltese - Oceano Negro
Autores: Martin Quenehen e Bastien Vivès
Editora: Arte de Autor
Páginas: 180, a preto e branco (+ caderno final de 14 páginas a cores)
Encadernação: Capa dura
Lançamento: Novembro de 2021

quinta-feira, 25 de novembro de 2021

O novo Corto Maltese chega daqui a uma semana!



Pois é! Este livro muito aguardado, e que promete criar alguma polémica, já que é demarcadamente diferente, do ponto de vista gráfico, dos Corto Maltese clássicos está prestes a chegar às livrarias portuguesas.

Será já na próxima semana que Corto Maltese - Oceano Negro, da autoria de Martin Quenehen e de Bastien Vivès, deverá chegar às livrarias, pelas mãos da editora Arte de Autor.

Confesso que estou muito curioso em ver esta nova abordagem. Destaque para o facto da edição portuguesa ser composta por um caderno de extras com 14 páginas.

Por agora, a editora informa que o livro já está disponível em pré-venda no seu site.
Corto Maltese - Oceano Negro, de Martin Quenehen e de Bastien Vivès

A aventura tem um rosto: Corto Maltese!

Nas águas do Mar da China, o perfil de um conhecido pirata assoma à sombra de uma cabine ... Corto Maltese está de volta, embarcado num iate de luxo.

Das movimentadas ruas de Tóquio aos picos da Cordilheira dos Andes, o cavalheiro da fortuna persegue um tesouro mítico, disputado por uma sociedade secreta nacionalista e narcotraficantes inescrupulosos...

Mas, mais do que nunca, são os sentimentos que levarão o famoso marinheiro a mostrar a sua faceta romântica.
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Ficha técnica
Corto Maltese - Oceano Negro
Autores: Martin Quenehen e Bastien Vivès
Editora: Arte de Autor
Páginas: 180, a preto e branco (+ caderno final de 14 páginas a cores)
Encadernação: Capa dura
PVP: 24,00€

terça-feira, 19 de outubro de 2021

Corto Maltese está quase a chegar!




Está quase a chegar um dos livros que promete fazer correr muita tinta! Corto Maltese, uma das personagens mais adoradas e queridas da banda desenhada mundial, ganhará nova vida no livro Oceano Negro, da autoria de Martin Quenehen e Bastien Vivès, que chegará às livrarias portuguesas no próximo mês de Dezembro, pelas mãos da editora Arte de Autor.

Mas, ao contrário da dupla formada por Rubén Pellejero e Juan Diaz Canales, que procurou nos seus três livros (Sob o sol da meia noite, Equatória e Dia de Tarowean) dar-nos histórias que, quer nos argumentos, quer nos desenhos, nos remetiam para as aventuras criadas por Hugo Pratt, desta vez a proposta parece ser diferente.
E tudo porque o ilustrador Bastien Vivès reinterpreta o célebre marinheiro mas sem, aparentemente, procurar uma aproximação visual aos desenhos de Pratt. Ao invés disso, o estilo de ilustração remete-nos para o próprio estilo pessoal de Vivès que, em Portugal, já tivemos a oportunidade de apreciar nas obras editas pela Levoir, Polina e Uma Irmã.

Para já, deixo-vos com as imagens promocionais da obra e com a sinopse da obra.


Corto Maltese - Oceano Negro, de Martin Quenehen e Bastien Vivès
Bastien Vivès mostra-nos Corto Maltese como nunca o tínhamos visto. 

Ano 2001: Corto Maltese é um pirata com a missão de conduzir alguns pistoleiros a um barco de recreio localizado em alto mar. O que parecia um roubo vulgar complica-se e transforma-se numa aventura extraordinária, que levará Corto a percorrer vários continentes em busca de um tesouro que só pode existir na sua imaginação. 

Oceano Negro apresenta uma recriação incomum, mas respeitosa do famoso marinheiro criado por Hugo Pratt. O argumentista Martin Quenehen e o extraordinário ilustrador Bastien Vivès são os arquitetos de uma odisseia que leva introduz Corto no século XXI.

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Ficha técnica
Corto Maltese - Oceano Negro
Autores: Martin Quenehen e Bastien Vivès
Editora: Arte de Autor
Páginas: 180, a preto e branco (+ caderno final com 14 páginas a cores)
Encadernação: Capa dura
PVP: 24,00€



quarta-feira, 28 de julho de 2021

Corto Maltese está de volta, numa nova aventura, que será editada em Portugal!




São boas notícias para os muitos fãs daquele que será o marinheiro mais famoso do mundo!

Corto Maltese vai mesmo regressar numa nova aventura! A notícia já tinha sido dada há umas semanas, com o anúncio de que esta nova aventura ficaria a cargo dos autores Bastien Vivès e Martin Quenehen.

Mas agora, a boa nova para os leitores portugueses é que o livro acaba de ser anunciado pela editora Arte de Autor, ficando desta forma assegurada a sua edição em português.

Não se sabe ainda muito sobre a obra, além de que se chamará "Ocean Noir" ("Oceano Negro", em português) e já é conhecia uma primeira imagem, que partilho neste artigo. A obra será lançada em França no dia 1 de Setembro, pela editora francesa Casterman. Em Portugal, a obra deverá chegar no Outono.

Relembre-se que a famosa série Corto Maltese, imortalizada por Hugo Pratt, já recebeu  nos últimos anos 3 novas aventuras pela dupla de autores Rubén Pellejero e Juan Diaz Canales, nomeadamente, Sob o sol da meia noite, Equatória e Dia de Tarowean. Todas eles publicadas em Portugal também pela Arte de Autor.

Essas aventuras de Pellejero e Canales têm a particularidade de oferecerem uma abordagem muito fidedigna à série original - quer em termos de argumento, quer em termos de ilustração. 

Quanto a este Oceano Negro, é previsível que, pelo menos em termos de desenho, seja um pouco diferente daquilo a que Hugo Pratt nos habitou. Bastien Vivès tem um estilo muito próprio de desenho e prevejo que não o modifique muito nesta próxima obra. O que pode ser algo disruptivo e arriscado pois poderá agradar a muitos e a outros, nem tanto.

Da minha parte, posso dizer que estou bastante curioso. Duas das suas obras já foram publicadas em Portugal, pela Levoir, e deixaram muito boas impressões em mim. Não tendo ficado propriamente fã de Polina, posso dizer que adorei Uma Irmã e que até considerei essa como a segunda melhor obra publicada nas primeiras 5 coleções de Novelas Gráficas da Levoir, conforme pode ser lido aqui.