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sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Análise: As Águias de Roma – Livro VIII

As Águias de Roma – Livro VIII, de Enrico Marini - ASA - LeYa

As Águias de Roma – Livro VIII, de Enrico Marini - ASA - LeYa
As Águias de Roma – Livro VIII, de Enrico Marini

Foi há poucos meses que a ASA editou o oitavo volume da série As Águias de Roma, de Enrico Marini. Esta série, relembro, esteve algo esquecida pela editora durante alguns anos, mas desde o sexto volume que tem vindo a ser publicada assiduamente, encontrando-se agora a par da edição original francesa, que conta com os mesmos oito tomos. Espera-se um novo volume, em França, já para o próximo mês de Outubro e espero que a ASA acompanhe esse lançamento internacional.

Sendo As Águias de Roma uma série da qual eu gosto muito, admito que os últimos tomos têm ficado um pouco aquém dos primeiros números da série. É que depois de um arranque absolutamente brilhante e de vários volumes que colocaram esta obra entre as mais marcantes séries históricas da banda desenhada europeia contemporânea - e esta é uma opinião partilhada por muitos -, a sensação que se vai instalando progressivamente é a de que Marini procura prolongar uma história que, embora continue interessante, já não possui o fulgor narrativo dos primeiros tomos. 

Ainda assim, seria injusto afirmar que este oitavo volume representa uma queda abrupta de qualidade. O que encontramos é antes uma continuação de uma tendência que já se fazia sentir nos volumes VI e VII: uma narrativa mais lenta, mais fragmentada e menos impactante do que outrora. Existe qualidade suficiente para manter o interesse do leitor, mas não necessariamente para provocar aquele entusiasmo imediato que outrora fazia cada novo volume parecer indispensável.

As Águias de Roma – Livro VIII, de Enrico Marini - ASA - LeYa
O enredo prossegue o complexo conflito entre Roma e as tribos germânicas, mantendo como eixo central a relação entre Marco e Armínio. Os dois irmãos de criação continuam presos a lealdades opostas e a visões irreconciliáveis do mundo. O confronto militar e político aproxima-se cada vez mais, ao mesmo tempo que o autor continua a explorar as consequências pessoais e emocionais das escolhas feitas por ambos ao longo dos anos.

A lealdade, a traição, a ambição política, o peso do destino e o choque entre civilizações continuam a dominar as páginas deste Livro VIII. Marini sempre foi particularmente eficaz a trabalhar estes conflitos morais e culturais, e continua a demonstrar uma enorme facilidade em retratar personagens que vivem permanentemente divididas entre os seus afetos e as suas obrigações.

Contudo, também se torna cada vez mais evidente que a narrativa perdeu alguma da urgência que caracterizava os primeiros tomos. Há momentos em que o leitor sente que a história avança apenas alguns passos, apesar do número significativo de páginas. Bem sei que muitas cenas funcionam como uma preparação para acontecimentos futuros, mas também é verdade que essa sensação de expectativa já se arrasta há vários (demasiados?) volumes. 

Não se trata necessariamente de um problema grave. Existem séries que sabem transformar esta acumulação de tensão numa poderosa recompensa final. Talvez isso possa vir acontecer em As Águias de Roma. No entanto, neste momento da obra, já não consigo evitar a sensação de que Marini está a esticar deliberadamente determinadas situações, retardando desenvolvimentos que talvez devessem ocorrer de forma mais célere.

As Águias de Roma – Livro VIII, de Enrico Marini - ASA - LeYa
Ainda assim, o autor continua a revelar uma invejável capacidade para construir ambientes e relações humanas. A ambiguidade moral mantém-se como uma das maiores virtudes da série. Aqui não há verdadeiros heróis nem verdadeiros vilões. As personagens movem-se numa "zona cinzenta" onde as motivações pessoais, os interesses políticos e as convicções ideológicas se misturam de forma extremamente convincente. E essa complexidade continua a ser um dos grandes fatores de atração da série. Tão depressa compreendemos as razões de Armínio como acabamos por nos encontrar do lado de Marco. Marini evita constantemente julgamentos simplistas, apresentando indivíduos profundamente humanos, cheios de contradições e fragilidades.

Se o argumento revela algum desgaste, o trabalho gráfico continua a ser um dos grandes trunfos da série. Marini permanece um desenhador extraordinário. Poucos autores conseguem representar a Roma Antiga com tamanho sentido de monumentalidade e elegância visual. Os cenários continuam ricos, os enquadramentos cinematográficos e a composição de página exemplar.

As personagens mantêm uma presença impressionante. Os rostos, os gestos e as expressões comunicam emoções com enorme eficácia. As cenas de intimidade continuam a surgir desenhadas com a sensualidade característica do autor, enquanto os momentos de violência são retratados com uma intensidade física muito convincente.

As Águias de Roma – Livro VIII, de Enrico Marini - ASA - LeYa
No entanto, também aqui começam a surgir algumas limitações que já eram visíveis nos volumes VI e VII. Existem vinhetas que parecem menos trabalhadas do que aquelas que encontrávamos nos primeiros tomos da série. O traço continua bonito, reconhecível e extremamente agradável de observar, mas por vezes transmite a sensação de ter sido executado de forma mais apressada. E isso nota-se particularmente nos cenários e nas personagens mais secundárias - ou que aparecem em segundo plano. 

Por outro lado, a cor permanece um dos elementos mais fortes da obra. As tonalidades quentes dos ambientes mediterrânicos, os contrastes entre os espaços urbanos romanos e os cenários mais agrestes da Germânia e o cuidado atmosférico de cada sequência continuam a conferir uma enorme riqueza visual ao conjunto. E esta questão das cores é especialmente importante, pois mesmo quando algumas ilustrações parecem menos refinadas, a coloração ajuda a preservar a beleza global da obra.

Em termos de edição, o livro apresenta as mesmas características dos anteriores volumes: capa dura brilhante, bom papel brilhante, boa encadernação e boa impressão. A edição francesa da obra tinha duas opções de capa: uma com Armínio e outra com Marco, deixando os leitores escolherem a sua capa preferida - ou desafiando alguns indecisos ou colecionadores a comprarem as duas. No caso português, a ASA optou por editar a obra apenas com a capa em que aparece Armínio.

Em jeito de conclusão, As Águias de Roma - Livro VIII confirma uma impressão que se vem consolidando nos últimos anos: a série continua muito boa, mas já não tão extraordinária como foi. O encanto permanece, as personagens continuam envolventes e o grafismo mantém-se claramente acima da média. Contudo, o ritmo narrativo perdeu alguma força e o desenho, embora ainda magnífico, parece por vezes menos aprimorado do que outrora. É um álbum que continua a proporcionar uma leitura bastante satisfatória, mas que reforça a ideia de que a série atravessa uma fase ligeiramente descendente. Felizmente, mesmo um Marini abaixo da sua melhor forma continua a ser melhor do que a esmagadora maioria da produção contemporânea de banda desenhada histórica.


NOTA FINAL (1/10):
8.6



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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As Águias de Roma – Livro VIII, de Enrico Marini - ASA - LeYa

Ficha técnica
As Águias de Roma - Livro VIII
Autor: Enrico Marini
Editora: ASA
Páginas: 64, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 31,6 x 23,8 cms
Lançamento: Abril de 2026

terça-feira, 14 de abril de 2026

Vem aí o novo volume de "As Águias de Roma"!



A editora ASA prepara-se para editar, a partir do próximo dia 5 de Maio, o mais recente volume da série As Águias de Roma, de Enrico Marini.

Com a publicação deste volume, Portugal deixa de estar em atraso face à publicação original da série, o que é sempre uma boa notícia.

Por agora, o livro já pode ser encontrado em pré-venda no site da editora.

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais da edição francesa.

As Águias de Roma - Livro VIII, de Enrico Marini

A rivalidade entre Marcos e Arminio está mais acirrada do que nunca. 

Marcos quer encontrar o seu filho e levá-lo de volta para Roma, na esperança de salvar o irmão de Cabar. Mas é tarde demais: Morfea já matou o seu refém com as próprias mãos. 

Marcos, ainda encarregado da missão que Germânico lhe confiou há muito tempo, parte para recuperar as águias perdidas, uma das quais estaria nas mãos dos brúcteros. Por seu lado, Arminio, perturbado com a captura de Thusnelda, está mais determinado do que nunca em aniquilar os romanos. A sua agressividade e sede de vingança não param de crescer.

Nas sombras, Morfea e Sejanus conspiram para assassinar Thusnelda, que está prestes a dar à luz o seu filho. Marcos, por sua vez, continua determinado a matar Arminio. 

Enquanto as tensões atingem o seu auge, o destino de cada um parece mais incerto do que nunca...

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Ficha técnica
As Águias de Roma - Livro VIII
Autor: Enrico Marini
Editora: ASA
Páginas: 64, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 31,6 x 23,8 cms
PVP: 17,90€

terça-feira, 8 de julho de 2025

Análise: As Águias de Roma - Livro VII

As Águias de Roma - Livro VII, de Enrico Marini - ASA - LeYa

As Águias de Roma - Livro VII, de Enrico Marini - ASA - LeYa
As Águias de Roma - Livro VII, de Enrico Marini

Depois da edição portuguesa da série As Águias de Roma ter ficado demasiado tempo em banho-maria, entre o quinto e o sexto volume da série, é de louvar que a editora ASA não tenha perdido muito tempo até ao lançamento deste Livro VII, assegurando, deste modo, que os leitores portugueses estão alinhados com a edição original da série que conta com os mesmos sete volumes.

Afinal de contas, As Águias de Roma é uma das mais impactantes séries da banda desenhada histórica europeia. 

Este Livro VII retoma a narrativa num ponto de grande tensão política e emocional, centrando-se na escalada do conflito entre Roma e as tribos germânicas. O pano de fundo mantém-se com a crescente hostilidade entre os antigos amigos e  irmãos, Marco e Armínio, cujas lealdades colidem de forma irreversível. Nesta fase do enredo, Armínio mantém em seu poder Hraban, o filho de Marco, enquanto Marco, por sua vez - e tentando alcançar algum poder de negociação - passa a ter em sua posse a mulher grávida de Armínio. Enquanto isso, o conflito militar entre a população germânica e os romanos adensa-se.  

As Águias de Roma - Livro VII, de Enrico Marini - ASA - LeYa
Neste volume, Marini aprofunda ainda mais o conflito central da saga: o embate entre dois mundos, duas culturas, duas formas de viver e governar. Armínio, dividido entre a honra romana que o criou e a liberdade do seu povo germânico, está cada vez mais decidido a cortar os laços com o Império. Já Marco, por seu turno, continua a representar o ideal romano, embora comece a revelar algumas fissuras emocionais e ideológicas. 

O enredo revela uma melhoria face ao álbum anterior, que, embora visualmente belo, parecia hesitante em termos de ritmo narrativo. Neste novo volume há uma sensação mais clara de direção, com as peças do tabuleiro a moverem-se em preparação para um confronto inevitável que, acredito, surgirá no próximo volume. No entanto, também tenho que admitir que ainda se nota uma certa tendência de Marini em retardar propositadamente(?) o desenvolvimento da história., pois embora o crescimento das tensões seja bem conduzido, sente-se que poderia haver mais acontecimentos concretos a avançar o enredo. 

Há uma sensação de que Marini está a preparar o terreno com meticulosidade, talvez até em demasia, o que pode ser interpretado como um desejo de alongar a narrativa em detrimento da ação imediata. Mesmo assim, repito, este volume melhora bastante em relação ao anterior, possivelmente o menos bom da série.

As Águias de Roma - Livro VII, de Enrico Marini - ASA - LeYa
Este Livro VII revela-se, pois, positivo e satisfatório, especialmente pela forma como o conflito entre as duas fações é intensificado. A relação entre Marco e Armínio, ganha novas camadas emocionais e políticas com este rapto da mulher de Armínio, já por mim referido. 

Uma coisa que aprecio bastante na série é que a mesma nos oferece uma certa ambiguidade moral que, aliás, sempre esteve presente na série, e que mostra que não há heróis ou vilões puros, apenas homens presos entre o dever, o amor e a ideologia. Tão depressa parecem ser Armínio e os germânicos os vilões, como parecem ser Marco e os romanos os "maus da fita". E o mesmo se sente em relação a quem parece ser herói.

No campo visual, Marini volta a provar por que razão é considerado um dos grandes mestres da banda desenhada europeia. O seu trabalho gráfico é simplesmente deslumbrante. As composições de página são dinâmicas, a paleta de cores é rica e atmosférica e o detalhe dos cenários e figurinos transporta-nos de imediato para o universo romano. Falando da questão dos detalhes, aqui e ali podemos encontrar algumas vinhetas que não são tão aprimoradas como eram nos primeiros álbuns da série. O traço e finalização dos desenhos no tempo atual da série, parecem feitos de um modo um pouco mais rápido. Mas, mesmo que isto aconteça, a beleza dos desenhos é tão grandiosa que a obra continua a ser majestosa e a permitir que para além de ser lida, também mereça ser contemplada com prazer demorado.

As Águias de Roma - Livro VII, de Enrico Marini - ASA - LeYa
As personagens continuam extremamente expressivas, com rostos e posturas que comunicam emoções complexas mesmo sem palavras. Os momentos de sensualidade - sempre presentes na obra de Marini - são desenhados com elegância e erotismo, sem nunca resvalarem para o vulgar. Da mesma forma, as cenas de batalha ou de tensão militar são intensas, cinematográficas e visualmente arrebatadoras. Também as cores são verdadeiramente bonitas, encaixando que nem uma luva nos desenhos que nos são oferecidos.

Há uma maturidade artística clara no traço de Marini, que alia a precisão histórica a um estilo pessoal muito característico. O resultado é uma obra que mantém a beleza gráfica como um dos seus trunfos mais fortes. É um daqueles livros que nos obriga a voltar páginas atrás, só para rever um enquadramento ou uma expressão desenhada com mestria.

Em termos de edição, o livro está em harmonia com os restantes álbuns da série, envergando capa dura brilhante e bom papel brilhante no interior. O trabalho de impressão e encadernação também é bom, fazendo jus à obra.

As Águias de Roma - Livro VII não é o volume mais explosivo da série, mas é uma peça importante no crescendo narrativo que Marini parece ter vindo a construir desde o início. É uma obra de transição, sim, mas também de refinamento - tanto emocional como gráfico - que prepara o palco para o desfecho inevitável do confronto entre irmãos e que confirma Marini como um dos grandes nomes da BD contemporânea. Se é que essa confirmação ainda é necessária.


NOTA FINAL (1/10):
8.9



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020


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As Águias de Roma - Livro VII, de Enrico Marini - ASA - LeYa

Ficha técnica
As Águias de Roma - Livro VII
Autor: Enrico Marini
Editora: ASA
Páginas: 64, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 317 x 239 mm
Lançamento: Abril de 2025

segunda-feira, 31 de março de 2025

ASA vai lançar novo volume de "As Águias de Roma", de Marini!



Ainda não passou muito tempo desde que a ASA lançou o sexto tomo da série As Águias de Roma, de Enrico Marini, mas a editora portuguesa já fez saber que, durante o próximo mês de Maio, lançará aquele que é o sétimo volume da série ambientada na Roma Antiga.

Com o lançamento deste álbum, a ASA igualará o número de volumes da edição original, o que é uma boa notícia para os leitores portugueses.

O livro já se encontra em pré-venda no site da editora e deverá chegar às livrarias no próximo dia 6 de Maio.

Por agora, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens da versão francesa.

As Águias de Roma - Livro VII, de Enrico Marini

Após retomar o controlo das legiões rebeldes do norte, Germânico organiza uma campanha militar contra a população germânica. 

Em 14 D.C., o possível sucessor de imperador Tibério atravessa o reno, liderando oito legiões, para se vingar da derrota de varo e para recuperar as três águias perdidas. 

Apesar da sua gloriosa vitória sobre os romanos, Armínio tem, uma vez mais, dificuldade com os diferentes clãs da Germânia, para resistir a esta nova invasão romana, mas sabe que o inimigo regressou em força e que está mais determinado do que nunca.

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Ficha técnica
As Águias de Roma - Livro VII
Autor: Enrico Marini
Editora: ASA
Páginas: 64, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 317 x 239 mm
PVP: 16,50€

terça-feira, 25 de junho de 2024

Análise: As Águias de Roma - Livro VI

As Águias de Roma - Livro VI, de Enrico Marini - ASA - LeYa

As Águias de Roma - Livro VI, de Enrico Marini - ASA - LeYa
As Águias de Roma - Livro VI, de Enrico Marini

Depois de um longo interregno, o suíço Marini decidiu voltar finalmente à série As Águias de Roma. Pessoalmente, é uma das minhas séries preferidas do autor - se não for mesmo a minha favorita - e, por isso, estava muito curioso com este regresso, depois de sete anos de interrupção no lançamento de novos tomos por parte do autor.

Este sexto volume volta a levar-nos para a Roma Antiga, onde Marco e Armínio são as figuras de proa. Esta é a época em que a morte do Imperador Augusto leva Tibério ao poder, fazendo-o reinar sobre Roma. Para tal, conta com o apoio de Seianus. Mas, nos bastidores, começa a formar-se uma conspiração levada a cabo por um grupo que se autointitula Liberatores. Seianus é um desses liberatores e procurará atingir os seus objetivos com o apoio da sensual - embora perigosa - Morphea. Enquanto isso, Armínio continua a encetar trabalhos para estabelecer em Roma os interesses do povo germânico, do qual descende, e o seu irmão, Marco, mantém-se de costas voltadas para Armínio, por esta aparente traição do mesmo ao Império Romano. Estes são os dados para que a trama central avance, mas, parecendo mais um álbum transitório do que outra coisa qualquer, a história deste sexto volume da série não nos dá muito mais do que isto.

As Águias de Roma - Livro VI, de Enrico Marini - ASA - LeYa
Os temas que aqui são explorados mantêm-se os mesmos: o poder e a ambição, a lealdade e a traição, e, especialmente, o choque entre culturas.

Em termos de argumento, este último volume pareceu ficar um pouco aquém dos melhores tomos de As Águias de Roma, porque, a meu ver, não consegue dar ao leitor um caminho narrativo, propriamente dito, mas antes um conjunto de situações que, não obstante, poderão vir a dar bons frutos em termos de argumento no(s) tomo(s) seguinte(s). É um daqueles álbuns que deixa bastante em aberto e isso pode, se tudo correr pela positiva, ser bem resolvido no tomo seguinte ou, em sentido oposto, pode revelar lacunas narrativas futuramente. Por agora, digamos que as coisas estão em aberto e este Livro VI merece o benefício da dúvida.

Nesse sentido, e diga-se em abono da sinceridade, também é justo afirmar que o argumento, podendo ser parco, é eficiente para propiciar as cenas que, normalmente, Marini gosta de desenhar e que, claro, nós, os leitores, gostamos de admirar. Há cenas de erotismo entre várias personagens e há uma boa dose de violência ao nível dos combates físicos. Enfim, tudo aquilo em que as ilustrações do autor mais se têm destacado.

As Águias de Roma - Livro VI, de Enrico Marini - ASA - LeYa
E, por falar em ilustrações, mais uma vez Marini não desilude. O seu traço é muito virtuoso, dando-nos ambientes típicos da Roma antiga, como o célebre coliseu, onde decorrem sangrentas lutas, ou belíssimas vistas isométricas da urbe romana. Se os desenhos são belos, as cores com que os mesmos são coloridos, também têm uma grande responsabilidade pela experiência visual ser tão gratificante.

Continua a ser um deleite admirar os desenhos deste autor que, mesmo com a passagem dos anos, continua a figurar no meu restrito lote de autores favoritos, mesmo admitindo que, neste Livro VI, senti, em várias vezes, que os desenhos careciam de algum detalhe e aprimoramento visual. Além disso, também é certo e justo afirmar que as personagens que Marini desenha acabam por ser algo idênticas entre si - não só dentro da mesma série, como entre séries diferentes. Não obstante, também é igualmente verdade que a fórmula continua magnífica. Como se diz no futebol: “em equipa que ganha, não se mexe”. Marini parece levar isso à letra neste sexto volume de As Águias de Roma.

As Águias de Roma - Livro VI, de Enrico Marini - ASA - LeYa

Quanto à edição da ASA, a editora oferece-nos um livro em linha com os anteriores álbuns da série, com o objeto a apresentar capa dura brilhante, bom papel brilhante no interior e um bom trabalho no cômputo da impressão e da encadernação. 

No final do livro, há uma página com um glossário para que o leitor possa compreender melhor o significado de algumas expressões que são utilizadas no decorrer da história.

Em suma, os livros de Marini são como aquelas mulheres lindas que, mesmo que não tenham nada de muito relevante para dizer, nos deixam embasbacados, e de sorriso na face, a olhar para elas. E este As Águias de Roma - Livro VI é um pouco isso: não tem nada de muito relevante para nos contar e talvez seja o mais fraco em argumento da série até agora. No entanto, mantém a beleza visual que todos esperamos de uma obra de Marini.


NOTA FINAL (1/10):
8.0



Convite: Passem na página de instagram do Vinheta 2020 para verem mais imagens do álbum. www.instagram.com/vinheta_2020



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As Águias de Roma - Livro VI, de Enrico Marini - ASA - LeYa

Ficha técnica
As Águias de Roma - Livro VI
Autor: Enrico Marini
Editora: ASA
Páginas: 88, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 317 x 239 mm
Lançamento: Maio de 2024

quarta-feira, 15 de maio de 2024

Águias de Roma, de Marini, está de volta!


Eis uma bela notícia para os muitos fãs de Enrico Marini em Portugal, nos quais me incluo: a série As Águias de Roma está de volta!

Depois do quinto álbum desta belíssima série - possivelmente a melhor de Marini - ter sido lançada em 2016, eis que a ASA regressa à publicação da mesma, através do mais recente livro. Este sexto tomo foi originalmente publicado em 2023 e chega-nos agora, alguns meses mais tarde, na sua versão portuguesa. O livro já pode ser encontrado nas livrarias.

De resto, é conhecido que o sétimo tomo da série deverá ser lançado no mercado europeu no final deste ano, pelo que seria excelente se a ASA conseguisse publicá-lo ao mesmo tempo para o nosso mercado nacional.

Mais abaixo, deixo-vos com a sinopse da obra e com algumas imagens promocionais da edição francesa.

As Águias de Roma - Livro VI, de Enrico Marini

O Imperador Augusto morreu. É agora a vez de Tibério reinar sobre Roma. Presente ao seu lado, Seianus deverá ajudá-lo a estabelecer o seu domínio sobre a Cidade Eterna. 

Mas a grandeza de Roma é frágil. Nas sombras, uma trama se vai adensando. Os conspiradores, em número de sete, autodenominados Liberatores - os Libertadores. Seianus é um deles e conta com a bela Morphea para atingir seus objetivos. 

Arminius, por sua vez, sonha em submeter a orgulhosa cidade à autoridade do seu povo de alemães, os Bructeros. Marco, seu irmão de sangue e amigo de infância, rompeu com Armínio porque o culpa por ter traído Roma. Ele tem apenas uma obsessão: encontrar o seu filho...

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Ficha técnica
As Águias de Roma - Livro VI
Autor: Enrico Marini
Editora: ASA
Páginas: 88, a cores
Encadernação: Capa dura
Formato: 317 x 239 mm
PVP: 16,50€