Novos Solilóquios Espirituais
terça-feira, junho 30, 2009
caderninho
Figuras de estilo - Eça de Queirós
Ah! Vós dizeis que amais o progresso. Amais o progresso que vos inventa cadeiras mais cómodas; o progresso que vos monta operetas de Offenbach para acompanhar alegremente a digestão do jantar; o progresso que descobre melhores limas para cortardes os calos! Esse progresso decerto o amais! Mas o que não amais é o progresso político, porque esse traria uma ordem de coisas que extinguiria os vossos ordenados, levantaria as vossas décimas sonegadas, transtornaria as vossas posições -- isto é, este progresso tirar-vos-ia os meios de poderdes gozar o outro. E aí está o que vós não quereis, amáveis bandidos!
Uma Campanha Alegre
imagem daqui
segunda-feira, junho 29, 2009
domingo, junho 28, 2009
sábado, junho 27, 2009
Prémio Lemniscata
A Ana Paula, do Catharsis e o Carlos Santos de O Valor das Ideias, blogues que muito aprecio, deixaram-me orgulhoso com a atribuição do Prémio Lemniscata.
Respigo de um deles o texto do referido galardão:
“O selo deste prémio foi criado a pensar nos blogs que demonstram talento, seja nas artes, nas letras, nas ciências, na poesia ou em qualquer outra área e que, com isso, enriquecem a blogosfera e a vida dos seus leitores."
Sobre o significado de LEMNISCATA:LEMNISCATA: “curva geométrica com a forma semelhante à de um 8; lugar geométrico dos pontos tais que o produto das distâncias a dois pontos fixos é constante.”
Lemniscato: ornado de fitas Do grego Lemniskos, do latim, Lemniscu: fita que pendia das coroas de louro destinadas aos vencedores(In Dicionário da Língua Portuguesa, Porto Editora)Acrescento que o símbolo do infinito é um 8 deitado, em tudo semelhante a esta fita, que não tem interior nem exterior, tal como no anel de Möbius, que se percorre infinitamente.
Texto da editora de “Pérola da cultura”.
“O selo deste prémio foi criado a pensar nos blogs que demonstram talento, seja nas artes, nas letras, nas ciências, na poesia ou em qualquer outra área e que, com isso, enriquecem a blogosfera e a vida dos seus leitores."
Sobre o significado de LEMNISCATA:LEMNISCATA: “curva geométrica com a forma semelhante à de um 8; lugar geométrico dos pontos tais que o produto das distâncias a dois pontos fixos é constante.”
Lemniscato: ornado de fitas Do grego Lemniskos, do latim, Lemniscu: fita que pendia das coroas de louro destinadas aos vencedores(In Dicionário da Língua Portuguesa, Porto Editora)Acrescento que o símbolo do infinito é um 8 deitado, em tudo semelhante a esta fita, que não tem interior nem exterior, tal como no anel de Möbius, que se percorre infinitamente.
Texto da editora de “Pérola da cultura”.
E, como foram dois prémios, vou, por minha vez, atribuir o Lemniscata a se7e + se7e outros blogues: Aguarelas de Turner (um blogue culto e delicado), Atlântico Azul (Cascais, mar, grande música), Disperso Escrevedor (deveria escrever mais), Elemento Musical (toda a Música) Ferreira de Castro (apetece-me premiar a mim próprio, o blogue merece e preciso de encher a barra lateral) Grande Jóia (o olhar sagaz de Angelina Jolie), Museu de Arte Popular (gosto de contestar a discricionaridade do[s] Poder[es]), O Caderno de Saramago (a minha lata!, dar um prémio ao Saramago...), Old Paint (sinto-me bem a deambular por lá), Pimenta Negra (a nobreza das causas), Resistir (um blogue que se aproxima da perfeição), Rua da Judiaria (no centro da perfeição, fascinante) Tempo Contado, (um estilo impecável, a perfeição aproxima-se dele) e last but not least o Álbum Animador, do meu filho António, que muito enriquece a minha vida.
sexta-feira, junho 26, 2009
quinta-feira, junho 25, 2009
Neda Agha-Soltan
Eu vi as imagens da morte de Neda Agha-Soltan, a chispa de incredulidade nos seus olhos, o desespero dos impotentes que a circundavam.
Quis importar o filme do YouTube, mas, por inabilidade, não o consegui.
Neda Agha-Soltan -- que nome fantástico para uma mulher comum, transformada, sem o saber, em bandeira da liberdade.
Antologia Improvável #385 - Arménio Vieira
QUIPROQUÓ
Há uma torneira sempre a dar horas
há um relógio a pingar nos lavabos
há um candelabro que morde na isca
há um descalabro de peixe no tecto
Há um boticário pronto para a guerra
há um soldado vendendo remédios
há um veneno (tão mau) que não mata
há um antídoto para o suicídio de um poeta
Senhor, Senhor, que digo eu?
Que ando vestido pelo avesso
E furto chapéu e roubo sapatos
E sigo descalço e vou descoberto

in JL, n.º 1010, 17 de Maio de 2009
foto daqui
Há uma torneira sempre a dar horas
há um relógio a pingar nos lavabos
há um candelabro que morde na isca
há um descalabro de peixe no tecto
Há um boticário pronto para a guerra
há um soldado vendendo remédios
há um veneno (tão mau) que não mata
há um antídoto para o suicídio de um poeta
Senhor, Senhor, que digo eu?
Que ando vestido pelo avesso
E furto chapéu e roubo sapatos
E sigo descalço e vou descoberto
in JL, n.º 1010, 17 de Maio de 2009
foto daqui
quarta-feira, junho 24, 2009
terça-feira, junho 23, 2009
caderninho
Pensamentos (tradução de Américo de Carvalho)
segunda-feira, junho 22, 2009
Figuras de estilo - Arnaldo Gama
Havia já mais de dez minutos que o Sol mergulhara no ocaso. A noite começava a entenebrecer sobre o vale. As folhas amarelecidas, que o Outono arrancava das árvores e com que a brisa doidejava, arrastando-as sobre a relva verdejante dos campos, já com esta se confundiam numa só massa pardacenta. O castelo do baliado principiava a assombrar-se e a denegrir-se. O chiar dos carros e as vozes dos lavradores tinham cessado. Os cães da aldeia começavam a latir de espaço a espaço e as casas e arribanas, que rodeavam aqui e ali a fortaleza, emantilhavam-se no espesso fumo resinoso que lhes saía pelas fendas dos tectos palhiços e que a calma da atmosfera deixava estacionar sobre eles.
O Balio de Leça
domingo, junho 21, 2009
sábado, junho 20, 2009
Resposta a GJ - As minhas séries (3)
Eu era novíssimo e adorava ver Os Waltons ao sábado à tarde. Recordo-me da enorme família, da carripana (o meu avô paterno, nascido em 1909, teve uma coisa daquelas -- e também uma grande família), das jardineira e dos suspensórios. Drama e conflito , se os houve, não me recordo. Era a faceta feliz da Grande Depressão.
Antologia Improvável #384 - Fernando Pessoa (2)
CANÇÃO
Sol nulo dos dias vãos,
Cheios de lida e de calma,
Aquece ao menos as mãos
A quem não entras na alma!
Que ao menos a mão, roçando
A mão que por ela passe,
Com externo calor brando
O frio da alma disfarce!
Senhor, já que a dor é nossa
E a fraqueza que ela tem,
Dá-nos ao menos a força
De a não mostrar a ninguém!

Ficções do Interlúdio
(edição de Fernando Cabral Martins)
Sol nulo dos dias vãos,
Cheios de lida e de calma,
Aquece ao menos as mãos
A quem não entras na alma!
Que ao menos a mão, roçando
A mão que por ela passe,
Com externo calor brando
O frio da alma disfarce!
Senhor, já que a dor é nossa
E a fraqueza que ela tem,
Dá-nos ao menos a força
De a não mostrar a ninguém!
Ficções do Interlúdio
(edição de Fernando Cabral Martins)
sexta-feira, junho 19, 2009
caderninho
quinta-feira, junho 18, 2009
Figuras de estilo - Carlos Ceia
quarta-feira, junho 17, 2009
terça-feira, junho 16, 2009
A rebelião é uma coisa bela.
É fantástico ver aquela corajosa multidão insubmissa em Teerão. Homens e mulheres de todas as idades, com a raiva de quem se sente defraudado estampada no rosto. Apesar das ameaças e das perseguições e dos crimes dos pides lá do sítio. Formidável.
segunda-feira, junho 15, 2009
Antologia Improvável #383 - Homero Homem
SÔBRE CACILDA. PRETA. POR FOME.
Cacilda. Preta. Por fome
(essa fome brasileira,
mais nortista que sulista,
sergipe de tão comum),
Cacilda, preta, por fome
de comida se dá tôda.
Por amor só dá a um.
Mau comércio de Cacilda.
Cacilda dorme com todos
mas acorda sem nenhum.
Vigarice de Cacilda
pelas ruas do Sol-Pôsto
cavando seu desjejum:
Se espoja em cama-de-vento
apaga a vela a Ogum.
O corpo vira cem pratas.
Com vinte de safadeza,
mais dez de sem-vergonhice,
Cacilda compra pimenta.
Meia-noite janta atum.
Ah profissão de Cacilda
que deita por feijão-prêto
e nana por jerimum.
Deita, Cacilda. Deitada,
a fome quebra o jejum.
Cacilda, preta expedita
polvilha pele e axila.
Com talco leite de rosa
desodoriza o bodum.
Cacilda, preta expedita.
Sempre fatura algum.
Cacilda, negrinha à-toa,
mulher de Cosme e Doum.
Com fome se dá a todos.
Jantada, só dá a um.

O Livro de Zaíra Kemper & Poesia Reunida
Cacilda. Preta. Por fome
(essa fome brasileira,
mais nortista que sulista,
sergipe de tão comum),
Cacilda, preta, por fome
de comida se dá tôda.
Por amor só dá a um.
Mau comércio de Cacilda.
Cacilda dorme com todos
mas acorda sem nenhum.
Vigarice de Cacilda
pelas ruas do Sol-Pôsto
cavando seu desjejum:
Se espoja em cama-de-vento
apaga a vela a Ogum.
O corpo vira cem pratas.
Com vinte de safadeza,
mais dez de sem-vergonhice,
Cacilda compra pimenta.
Meia-noite janta atum.
Ah profissão de Cacilda
que deita por feijão-prêto
e nana por jerimum.
Deita, Cacilda. Deitada,
a fome quebra o jejum.
Cacilda, preta expedita
polvilha pele e axila.
Com talco leite de rosa
desodoriza o bodum.
Cacilda, preta expedita.
Sempre fatura algum.
Cacilda, negrinha à-toa,
mulher de Cosme e Doum.
Com fome se dá a todos.
Jantada, só dá a um.
O Livro de Zaíra Kemper & Poesia Reunida
domingo, junho 14, 2009
sábado, junho 13, 2009
caderninho
sexta-feira, junho 12, 2009
caracteres móveis - Miguel de Unamuno
quinta-feira, junho 11, 2009
quarta-feira, junho 10, 2009
Antologia Improvável #382 - Duarte de Viveiros (2)
NA HORA DO VÍCIO
Ao Jorge Pereira
A tarde cai sobre a cidade velha...
No céu -- listas violetas -- em desmaio...
É nestas tardes místicas de Maio
Que eu sinto, a arder, a tentação vermelha!
É nestas tardes de opressão, de sustos,
Que a minh'alma potente e vagabunda,
Procura, entre as florestas e os arbustos,
Esses frutos que a dor beija e fecunda!
É nestas tardes sôfregas de amor
Que, olhando em volta, eu vejo que me falta,
P'ra conquistar a situação mais alta,
Alguém que me enterneça, com fervor!
Penumbras de oiro, abraçam na distância,
Os longes desta capital sem pão...
Quem pudesse correr, o arco na mão,
De bibe azul, os bulevares da infância!
A tarde cai nas cúpulas, no rio...
Fecho os meus olhos, abro o coração...
Evoco a graça das mulheres e não
Mitigo as minhas tentações do Cio!
Ao relento de 1911.
Lisboa.
Obra Poética
(edição de Ruy Galvão de Carvalho)
Ao Jorge Pereira
A tarde cai sobre a cidade velha...
No céu -- listas violetas -- em desmaio...
É nestas tardes místicas de Maio
Que eu sinto, a arder, a tentação vermelha!
É nestas tardes de opressão, de sustos,
Que a minh'alma potente e vagabunda,
Procura, entre as florestas e os arbustos,
Esses frutos que a dor beija e fecunda!
É nestas tardes sôfregas de amor
Que, olhando em volta, eu vejo que me falta,
P'ra conquistar a situação mais alta,
Alguém que me enterneça, com fervor!
Penumbras de oiro, abraçam na distância,
Os longes desta capital sem pão...
Quem pudesse correr, o arco na mão,
De bibe azul, os bulevares da infância!
A tarde cai nas cúpulas, no rio...
Fecho os meus olhos, abro o coração...
Evoco a graça das mulheres e não
Mitigo as minhas tentações do Cio!
Ao relento de 1911.
Lisboa.
Obra Poética
(edição de Ruy Galvão de Carvalho)
terça-feira, junho 09, 2009
segunda-feira, junho 08, 2009
caderninho
Pensamentos para Mim Próprio (tradução de José Botelho)
é a vida... (um post reticente...)
Derrota devastadora para o PS (que estampanço na recta final!...); vitória insignificante para o PSD (31%...); subida previsível para PCP e BE (duvido que este se aguente nas legislativas...); notável a resistência do CDS. O que sairá daqui? A surpresa será completa, como vaticina a personagem de Hergé, em baixo?...
domingo, junho 07, 2009
sábado, junho 06, 2009
Resposta à Grande Jóia - As minhas séries (2) - Kung Fu -- O Sinal do Dragão
Eu era miúdo, e ficava agarrado aos velhos televisores de teclas das minhas avós, às sextas ou sábados à noite, já não me lembro bem, fascinado por aquele sortilégio oriental por onde saltitava o Gafanhoto. E depois havia aquela mistura irresistível de western e kung fu. Foi uma das primeiras que me veio à memória quando a GJ me desafiou para este exercício de memória. Por coincidência infeliz, poucos dias depois tinha a notícia da morte de David Carradine.
voto
Vital começou muito bem e, mal aconselhado, acabou a imitar Rangel na politiquice barata, amplificada pelo jornalismo cretino.
Falo apenas nos dois porque são os únicos que se assumem como federalistas, que é o que me importa.
Eu quero lá saber da porcaria do BPN e da caca da SLN do Oliveira e Costa e do Loureiro, e do BPP do Rendeiro! Quero saber, mas não aqui. Aqui quero que discutam o imposto europeu, a europa social, alargamentos, política externa europeia, e por aí fora.
Que pode fazer um federalista como eu senão esquecer a mixórdia de campanha que acabou e ir votar?
E vou votar: no PS, apesar de tudo, em Vital Moreira, com quem nem simpatizo; e também em Ana Gomes, que mostrou que não é preciso ser-se yeswoman, dando com isso mais dignidade ao exercício da política, e ainda em Elisa Ferreira (se eu fosse portuense, queria-a para presidente da Câmara).
sexta-feira, junho 05, 2009
Caracteres móveis - Philip Roth
O sexo é todo o encantamento necessário. Os homens acham as mulheres assim tão encantadoras uma vez excluído o sexo? Alguém acha alguém de qualquer sexo assim tão encantador, a não ser que se tenha comércio sexual com essa pessoa? Por quem mais nos sentimos assim encantados? Por ninguém.
O Animal Moribundo
(tradução de Fernanda Pinto Rodrigues)
quinta-feira, junho 04, 2009
quarta-feira, junho 03, 2009
terça-feira, junho 02, 2009
Antologia Improvável #381 - Martins Fontes (5)
QUIS O IRMÃO FOGO DEVORAR-ME A TÚNICA, E EU, POR MERO DESCUIDO, A RETIREI...
Não apagueis jamais uma candeia,
Nada que fulja, onde rebrilhe o fogo,
Onde corusque o Espírito, no jogo
Das mil cores em que ele se abraseia!
Atendendo aos conselhos do meu rogo,
Quando a flama oscilar, erguei-a, erguei-a,
Atiçai-a, tornando-a viva e cheia,
Deixando-a arder, em pleno desafogo!
Há no incêndio o esplendor da liberdade,
O calor de arrebato, a claridade
Que a fé somente exprime ou bem traduz.
Quem, soprando-o, extinguindo-o, não pondera
Que um hálito humanal, nessa cratera,
Pode, talvez, contaminar a luz?
I Fioretti
Não apagueis jamais uma candeia,
Nada que fulja, onde rebrilhe o fogo,
Onde corusque o Espírito, no jogo
Das mil cores em que ele se abraseia!
Atendendo aos conselhos do meu rogo,
Quando a flama oscilar, erguei-a, erguei-a,
Atiçai-a, tornando-a viva e cheia,
Deixando-a arder, em pleno desafogo!
Há no incêndio o esplendor da liberdade,
O calor de arrebato, a claridade
Que a fé somente exprime ou bem traduz.
Quem, soprando-o, extinguindo-o, não pondera
Que um hálito humanal, nessa cratera,
Pode, talvez, contaminar a luz?
I Fioretti
segunda-feira, junho 01, 2009
caderninho
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