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quarta-feira, dezembro 13, 2023

"Assassinos da Lua das Flores"





1. Leonardo Di Caprio, retumbante, ofusca De Niro, se tal é possível.
2. Foi preciso chegar quase aos sessenta pata ouvir falar nos osage.
3. A América é sangue e rapina, entre outras coisas também menos más. Scorsese mostra-o com melancolia.
4. A cena do incêndio, não esquecerei, por muito que ainda possa viver.
5. Quantas vezes já aqui escrevi que o Martin é o meu realizador preferido?
6. Mesmo assim, o filme parece ter meia hora amais. Quando o vir de novo, confirmarei.

segunda-feira, março 02, 2020

Polanski, grande Polanski

O «Caso Dreyfus» mexeu com a opinião pública francesa e ocidental na última década do século XIX.  Do lado do oficial do exército francês, vítima da maquinação de um canalha, da pestilência anti-semita e do espírito de corpo sem alma ou um patriotismo enviesado, estiveram as pessoas de bem (um conceito que faz rir), ultrajadas com a perfídia; do outro lado do  escândalo, os racistas e a extrema-direita católica ultramontana, refocilavam gozosos e nada interessados pela sorte de um inocente que fora desonrado e condenado: era um judeu, não se perderia grande coisa, mesmo se injustiçado. Com ele e a sua família, que nunca desistiu de o salvar e ilibar, em sua defesa, as pessoas decentes, como foi o caso de Eça de Queirós e, obviamente do grande Zola, que com a carta ao presidente da República desmascara toda a ignominiosa fraude.
O J'Accuse…!, de Zola seria sempre algo que enobreceria o seu autor. O romancista de Germinal era rico e respeitadíssimo -- uma força da natureza. Ao comprar uma guerra com a tropa, o governo, a Igreja e a opinião pública fanatizada, tirou-se de cuidados e obedeceu ao ímpeto ético de homem livre. Esta carga de obus disparada para o centro da conspiração foi decisiva para acabar com uma degradante injustiça, como todos os dissabores que causou ao escritor, a morte inclusive (segundo alguns autores, Zola, encontrado com a mulher morto no quarto, intoxicados durante a noite, foi assassinado em consequência do Caso Dreyfus, já que as saídas de fumo da chaminé estavam tapadas).
Já agora, existe uma edição na Guimarães, com um bom estudo prévio de Jaime Brasil, também seu biógrafo, com várias edições.
O filme teve para mim o mérito de lembrar o coronel Georges Picquart, numa memorável interpretação de Jean Dujardin, um desses homens íntegros para quem o bem e o mal não existe conforme as conveniências. Sem ele, e o seu sacrifício, não teria havido o panfleto de Zola.
Polanski, grande Polanski, um dos meus realizadores, que como Woody Allen e Martin Scorsese, não sabe fazer filmes maus. É um prazer ver-lhe a câmara apaixonada pela mulher, Emmanuelle Seigner.
Produção apoiada financeiramente por judeus, não há nada de reprovável em tal. O que me repugna é que se utilize o drama dos judeus na Europa para que se iniba de condenar a política criminosa do estado de Israel em relação aos palestinos, veja-se o que aconteceu com o cartoon de António…
Uma palavra paras as peruas do #metoo à francesa, ou lá o que é: ver aquelas insignificâncias a ladralhar quando o 'César' foi atribuído ao filme é absolutamente degradante -- aliás o Polanski nem sequer apareceu para não ser linchado, por elas e pela voragem merdiática. Isto tem tudo e não tem nada a ver com o filme; é um sinal dos tempos.



domingo, janeiro 22, 2017

"The price of your glory is their suffering"



Silêncio, o último de Scorsese -- desde sempre o meu realizador preferido --, é um filme muito inteligente na forma como aborda o choque cultural decorrente do proselitismo religioso, neste caso católico e cristão. Não li o  livro de Shusako Endo, daí que não saiba em que medida esse mérito será mais ou menos repartido por romancista e cineasta. 
Filme cheio de piedade pelos crentes na nova fé, perseguidos pelo Estado, mostra bem como o espalhar da fé  nas terras de missão podendo ter um ímpeto individual de altruísmo, rapidamente degenerara em lutas com o poder, e pelo poder. Daí que a frase-chave do filme, para mim seja a que o inquisidor lança ao jesuíta Rodrigues: «O preço da vossa [dos missionários] glória é o seu [dos cristãos japoneses] sofrimento.» E o diálogo tenso entre o padre que apostatou e aquele que quisera ir ao Japão para o salvar, física e/ou espiritualmente, é o grande momento do filme.
Claro que, mesmo numa perspectiva histórica, não podemos esquecer que nessa mesma altura, deste lado do globo, os cristãos infligiam tormentos semelhantes aos cristãos-novos, sempre suspeitos de judaizarem secretamente. 

quinta-feira, janeiro 23, 2014

do obsceno

E o curioso é que, num filme em que tanto se fode, em que em cada duas palavras proferidas pelos actores, três estão no grupo vocabular das caralhadas, e em que as mulheres, em geral, são carne (literalmente) para canhão, no mesmo patamar do Ferrari ou do Lamborghini -- o curioso é que a obscenidade não está aí, mas, naturalmente, na ganância que a personagem real interpretada por Di Caprio protagoniza, conseguindo ainda a proeza de não ser um tipo completamente repelente (este senhor até tem família, pai (Rob Reiner) que se preocupa, e mãezinha que chora quando o seu menino é caçado...).
Obscenidade, portanto, que seria simplista radicar num determinado elemento desprovido de carácter; o que Scorsese, grande mestre, mostra (e, apesar de tudo, O Lobo de Wall Street nem é um dos seus finest moments), o que se exibe em todo o horror de indigência ética é o sistema financeiro, como é consabido.

segunda-feira, novembro 18, 2013

O meu LEFFest #8 -- «We Own The Night»


We Own The Night [Nós Controlamos a Noite], James Gray (EUA, 2007). «Homenagem -- James Gray».
Grande cinema. O melhor Coppola e o melhor Scorsese estão aqui. Uma história comum de lealdade e homenagem filiais, exercidas pelo lado mais difícil. Tudo neste filme é bom e intenso, milimetricamente planeado para que fiquemos numa espécie de letargia na cadeira da sala de cinema, profundamente embebidos do que, no grande ecrã, se desenrola diante dos nossos olhos.

terça-feira, outubro 24, 2006

Dylan rock & folk




















Dylan electrificado deu a polémica que se conhece, há pouco revisitada por Martin Scorsese no excelente «No direction home». Muito contestado pelos militantes do folclore, o músico pretendeu, nessa altura, agradar a gregos & troianos nos seus espectáculos: uma primeira parte mais folk e acústica, a outra mais rock e eléctrica. É o que se vê neste «George Jackson», tema nunca editado em álbum de originais: só que aqui -- imposições do mercado... --, a «Big band version» vinha no lado A e o Bob Dylan dos puristas, no outro.