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terça-feira, julho 30, 2024

à espera de Celso Amorim

Sobre as eleições da Venezuela, importa-me saber o que dirá o embaixador Celso Amorim, enviado de Lula às eleições. E o que já disse: a divulgação dos resultados, como pediu a ONU e creio que também o Centro Carter, presente a convite do governo de Caracas. 

O que mais importa agora é o que dirá Celso, ou seja, Lula, ou seja o Brasil. 

segunda-feira, janeiro 09, 2023

dois tipos de bolsonaristas (serve também para o eleitorado do Chega), e uma nota à margem (Ibaneis?...)

 A massa, vimo-la ontem em toda a sua fealdade e grosseria, enrolada em bandeiras nacionais e vestindo a camisola da selecção nacional, enquanto destruía o património do país (peças partidas, telas rasgadas, tudo vandalizado, com gáudio). Depois há os outros, piores, mais facínoras, que dizem condenar a selvajaria, mas com reserva mental. Não lhes fica bem o cheiro a suor do povo, com a aparente sofisticação exterior. No entanto, descendentes de imigrantes, tantos deles miseráveis, nunca se conformaram, pobres diabos, que um operário liderasse o país. Um homem, aliás, de enorme inteligência, cuja vida é uma contínua aprendizagem, posta ao serviço da comunidade.

Não é a massa, ignorante e manobrável, que é desprezível, mas tão só digna de pena. A verdadeira escumalha está por exemplo nos bairros privilegiados do Rio de Janeiro, habitando em prédios que mantêm o elevador para os serviçais. Uma canalha bem vestida, perfumada, aparentemente articulada com horror à pobreza da qual tem beneficiado ao longo das gerações; abortos morais esquecidos das suas raízes, 99,9% oriundos de pobres diabos que fugiram à fome e à miséria, de Portugal, da Galiza, de Itália, da Suíça, da Polónia, da Rússia, de todo o velho mundo. Estes, os verdadeiros miseráveis.

Ainda ontem, uma insignificância bolsonarista na televisão portuguesa se referia a Lula e à história de chamar "genocida" ao tosco do Bolsonaro, mais ou menos desta forma: "Ele nem sabe o significado da palavra genocida." É preciso ser-se muito poucochinho para se referir assim a um homem como o Lula aliás -- vale o que vale, mas para estas cabecinhas simbolicamente vale muito --, Doutor Honoris Causa pela vetusta Universidade de Coimbra.

À margem:

Não, o agora suspenso governador de Brasília não tem antepassados lituanos. O homem chama-se Ibaneis Barros Rocha Júnior, apelidos portuguesíssimos, o que me leva a pensar que certos minhotos ou beirões, atravessado o Equador e instalados nos trópicos, ficam avariados. Mas isto é lá nome de gente? Eu ainda percebo que tenham querido fugir ao estigma das padarias e das mercearias do Manuel ou do João, mas Ibaneis?...


Brasil


O focinho da extrema-direita e do particularmente estúpido classismo brasileiro está aí para ser visto por toda a gente; a resposta de Lula é civilizada, mas a civilidade e a civilização têm de partir a espinha àqueles que organizaram a tentativa de golpe e arregimentaram a manada.

 

quinta-feira, outubro 06, 2022

"sintonia franciscana" - os Franciscanos sabem

 


Lula  recebe o apoio dos Franciscanos
(ou o catolicismo de rosto humano)


quinta-feira, janeiro 03, 2019

o problema índio e a insolência intelectual

Embora a política do Bolsonaro seja de temer (de Temer?...), estou na generalidade de acordo com o que escreve Luís Teixeira no Observador, no que respeita ao relativismo cultural, que a propósito de bons sentimentos (preservação cultural e étnica) acaba por ter uma atitude paternalista em relação aos povos indígenas.
Sou, aliás, particularmente sensível à indesejável subsunção do indivíduo a uma categoria grupal, seja étnica, política, religiosa, sexual.
Fui espreitar a página da FUNAI. O jargão usado é assustador, entre outras coisas, pelo irrealismo. Leia-se a pérola:
«A Funai entende que conhecer as regras de organização, de conduta, os pontos de vistas, valores, anseios e o tipo de relação que os povos indígenas querem estabelecer com a sociedade nacional é o primeiro passo para uma relação respeitosa e, consequentemente, para a elaboração de leis e para a implementação de políticas que atendam à construção de um Estado verdadeiramente pluriétnico.»

"A FUNAI entende"... A FUNAI é um mero organismo estatal, e não tem que entender nada. É a Constituição do estado de direito democrático que entende, e, em obediência à lei fundamental, o governo democraticamente empossado. O resto é paternalismo puro -- para não dizer racismo --  e inútil. Ter a veleidade de achar que os povos indígenas podem ser «preservados», não só é duma insolência intelectual abominável, como totalmente inexequível no mundo contemporâneo.

A pergunta é (deveria ser) esta: quem sou eu (quem és tu), para determinar que uma comunidade tem de estar afastada de outra para não ser contaminada? O quê ou quem te investiu nessa prerrogativa? Por que razão devo considerar-te outra coisa (uma cobaia), que não um ser humano por inteiro, e se pertenceres a uma comunidade com determinadas práticas a ética e o bom senso considerem nocivas, se o teu povo pratica a excisão genital, a decapitação dos inimigos, a menorização da mulher a todos os níveis ou a predação do planeta em nome de um alegado crescimento económico insustentável -- quem sou eu, quem és tu, para dizer que, como integras um povo com uma mundividência própria, estás autorizado a que as tuas meninas sejam sujeitas à ablação do clitóris, que os teus inimigos sejam torturados, mortos e desfigurados, que as mulheres do teu povo tenham de estar em sociedade parcial ou totalmente veladas, que podes continuar a delapidar o planeta em nome do crescimento económico, do bem-estar de curto prazo, do contentamento dos mercados, pois a tua índole é a da livre iniciativa

Podíamos prosseguir a análise do parágrafo, até acabar com os votos pios de «um Estado verdadeiramente pluriétnico», o que com os pressupostos anteriores qualquer um vê que tal é irrealizável. A não ser que pretendamos acabar com o Estado (não parece ser o caso da FUNAI), e aí já seria outra a conversa.

Um bocado menos de ideologia de conserva e emprenhada pelos ouvidos e um pouco mais de bom senso e inteligência indicaria que a melhor forma de as sociedades preservarem as suas identidades é estarem munidas de todos os instrumentos que têm ao seu dispor para se defenderem -- pois que correm perigos evidentes, decorrentes da cupidez capitalista --, como certo líder activista índio que vi há tempos, com o seu telefone satélite.  O resto é para atirar ao caixote do lixo da História.

quarta-feira, janeiro 02, 2019

o mistério Bolsonaro

Como todos os portugueses, e talvez muitos brasileiros, só ouvi falar no Bolsonaro quando o homem produziu aquela lamentável declaração de voto nesse mau carnaval que foi o golpe de destituição da Dilma Rousseff, aliás uma mácula que o acompanhará sempre, pelo menos enquanto não se retratar. Algo, já agora, pelo qual a sua mui cristã mulher, Michelle Bolsonaro -- com uma certa piada, devo dizê-lo com frontalidade -- deveria velar, pois duvido que o Senhor Jesus tenha achado graça à tirada. A alma em risco.
O grande mistério Bolsonaro, para mim, que vejo de fora, não é a sua eleição -- quem já viu Trump, viu tudo --, mas a sobrevivência política durante quase trinta anos dum gajo que, pelos vistos, não fazia nada no parlamento, inscrito num partidículo cujo nome ainda não consegui fixar.
(Saltar daqui para a incompetência das esquerdas, que parece ter sido vasta, é outro assunto.)

sexta-feira, novembro 02, 2018

ainda vai a presidente do Brasil,

o coiso que mandou prender o Lula, com as provas que toda a gente viu. Palhaço.

segunda-feira, outubro 29, 2018

o que a democracia não aguenta

64 mil homicídios por ano, mais seis mil perpetrados pela polícia
imprensa hegemónica ao serviço das oligarquias
30 partidos com representação parlamentar, o que equivale a ingovernabilidade permanente
poder judicial a fazer política, abrindo caminho a todos os tiriricos
a esquerda que quando se porta como os outros, caindo nas malhas e tecendo as teias da corrupção, é pior que os outros

com isto tudo, o partido mais votado acabou por ser... o PT, veremos se terá a inteligência política e o sangue frio para os próximos anos

Haddad deu um bom sinal

sábado, outubro 27, 2018

o povo brasileiro a gostar de si próprio


surpresas e confirmações portuguesas nas eleições brasileiras

De acordo com o Público, Jaime Nogueira Pinto votaria em Bolsonaro, e eu estranharia que assim não fosse. Não retira um átimo ao interesse com que o ouço e leio. A grande surpresa -- ou talvez não -- é a de o ultra-católico João César das Neves votar em Haddad . Quanto à tão discutida posição de Assunção Cristas de não votar nem num nem noutro, não há surpresa nenhuma, apenas a confirmação da reserva mental duma parte da direita que nunca se deu bem com a liquidação do Estado Novo, coisa que já se sabe, mas que tentam sempre disfarçar.

sábado, outubro 20, 2018

quinta-feira, outubro 11, 2018

Bolsonaro, o frouxo

Debater com o Haddad? Não pode stressar-se, dizem os médicos. Pudera, aquela criatura a tentar balbuciar palavras, com bolhinhas de saliva e tudo, diante do Haddad, que gasta mais latim quando ressona  uma noite do que o Bolçonaro empregou em trinta anos (!) de parlamentar, seria o suficiente para, em novo coma, torná-lo ainda mais vegetal.

sábado, outubro 06, 2018

é votar no 13, pá!...


Fernando Haddad e Manuel d'Ávila

quarta-feira, setembro 05, 2018

sábado, maio 05, 2018

Carta da escritora Luciana Hidalgo a Lula

Do blogue de Leonardo Boff

Explico como: logo de início o senhor abriu crédito para ajudar pobres a comprar eletrodomésticos básicos; subsidiou a compra de tintas e materiais para que construíssem suas casas; criou o Banco Popular, ligado ao Banco do Brasil, permitindo que pobres tivessem conta em banco; levou iluminação elétrica aos recantos rurais mais atrasados pela escuridão (Luz para Todos); criou o Bolsa Família, tirando 36 milhões de brasileiros da miséria e obrigando seus filhos a voltar à escola; levou água para milhões de brasileiros que sofriam com a seca no interior semiárido (programa Cisternas, premiado pela ONU); inventou Minha Casa Minha Vida, distribuindo moradias Brasil afora; criou Farmácias Populares que vendiam medicamentos com descontos para a população de baixa renda; implementou cotas raciais e sociais em universidades, contribuindo para que jovens negros e/ou vindos de escolas públicas pudessem estudar e no futuro talvez escapar de serem assassinados nas ruas do Brasil; implantou o Prouni (Universidade Para Todos), oferecendo bolsas para alunos de baixa renda estudarem em faculdades particulares; aumentou o salário-mínimo acima da inflação; etc.
Não me beneficiei pessoalmente de nenhum dos seus programas sociais, querido presidente. Sou brasileira privilegiada, nascida numa classe média da zona sul carioca. Fui jornalista nas maiores redações do Rio (Jornal do Brasil, O Globo, O Dia), depois virei escritora (premiada com dois Jabuti), fiz um doutorado e dois pós-doutorados em Literatura, na Uerj e na Sorbonne. E é justamente por isso, por tudo o que li, vi e aprendi, sobretudo na França onde morei durante anos, que posso dizer: países europeus só se desenvolveram porque aplicaram e aplicam projetos como os seus. Na França, por exemplo, o salário-mínimo é de uns R$ 4 mil (graças a décadas de greves e manifestações de trabalhadores “vândalos” por melhores salários); o seguro-desemprego dura de dois a três anos para que o desempregado não caia na miséria; há “locações sociais” que garantem moradia aos menos privilegiados; todos os remédios receitados nos hospitais públicos são dados ou subsidiados pelo governo etc.
Sabe, querido presidente, quando a perseguição ao senhor começou na mídia, me lembrei do Betinho. Quase ninguém mais se lembra dele, o sociólogo Herbert de Souza, que criou associações de combate à fome e de pesquisa sobre a Aids nos anos 1990, quando os programas sociais do Estado eram insignificantes. Pois bem, esse cara, que devia ser coroado por seu esforço descomunal pelos pobres, um dia acordou sendo linchado da forma mais violenta pela imprensa por ter recebido doações de bicheiros. Os “puros” do país o atacaram de todos os lados, logo ele, “o irmão do Henfil” ex-exilado, hemofílico e soropositivo, tão magrinho, fiapo de gente, um dos poucos a combater a fome no Brasil. Mas não, para os “puros”, nada do que ele fazia pelos pobres compensava esse grande “erro”. Como se no Brasil houvesse dinheiro realmente “limpo”.

sexta-feira, abril 06, 2018

Lula: toda a resistência é legítima, toda a acção directa está justificada

A prisão de Lula, ditada pela plutocracia brasileira é, entre outras coisas grotescas e criminosas, um ataque ao povo do Brasil. Por isso, toda a resistência é legítima e toda a acção directa está justificada contra a máfia que controla o país: do "vampiro de Brasília (E. Nepomuceno dixit, com graça), ao chefe do Estado Maior, passando pela indignidade dos juízes do Supremo, e sem falar dos inefáveis "parlamentares", ao pé da maioria dos quais o Tiririca brilha.

sábado, março 10, 2018

os verdadeiros crimes de Lula

Aquilo que todos sabemos, mas que deve ser repetido à saciedade. Excelente texto do economista e professor Luiz Gonzaga Belluzzo, aqui.

quarta-feira, agosto 31, 2016

Brasil: o cómico da situação


Nunca vira turistas brasileiros antes dos governos de Lula e Dilma. Antes disso, via-se brasileiros que eram portugueses que viviam desafogadamente, o que lhes permitia visitarem a família, ou então lusodescendentes. Havia sim, e (há), imigrantes, gente que fazia o caminho para cá, vindos de todo o Brasil, do nordeste ao sul, gente humilde, fugida à pobreza, a violência. Turistas brasileiros, aos magotes, em excursão,só há poucos anos.
Quando Lula foi eleito pela primeira vez, disse que o seu mandato valeria a pena se conseguisse que todos os brasileiros (todos), pudessem usufruir de pelo menos uma refeição por dia. Assim era,e ainda é, o Brasil, um dos países mais ricos do mundo e também dos mais miseráveis, porque é iníquo: um país que tem uma pequena elite plutocrática quando uma porção enorme do povo é extremamente pobre. Os responsáveis por essa iniquidade tiveram hoje uma vitória, regressam ao poder, fazendo tábua rasa do voto do povo. E quem deita fora os votos dos eleitores? Os seus representantes, que, à direita, são um conglomerado de caciques, pastores evangélicos, vigaristas de várias procedências. Portanto, golpistas; portanto, traidores, E, além disso, o cómico da situação, muitos deles, ao contrário da Dilma, delinquentes de ficha suja, como as criaturas acima retratadas. (Com que cara vai o Temer apresentar-se ao Obama, aos líderes europeus, nas Nações Unidas. Com a cara de pau que tem, Esperemos que alguém lha cubra, com creme. Aí o espectáculo ficaria completo.)




sábado, agosto 13, 2016

VIVA O POVO BRASILEIRO!

Os Jogos Olímpicos estão a ser um grande sucesso, sob todos os pontos de vista. Uma vitória para os brasileiros, os seus gestores, operários, engenheiros, desportistas e para o público, que tem vibrado com as provas. O Brasil e todos os seus amigos bem precisavam disso, após a sua classe política, ainda há pouco, ter arrastado o nome e a imagem do país pela lama, com a tentativa de destituição da legítima Presidente da República, farsa que vai prosseguir, depois dos Jogos. Jogos, cuja única nódoa foi a de terem sido inaugurados por um golpista. Viva, pois, o povo brasileiro, merecedor de muito melhor do que a camarilha corrupta que, ao longo dos tempos o tem governado.