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terça-feira, agosto 27, 2024

um mundo à parte

Jeff Smith (The Rocks, Pensilvânia, 1960) integrou cedo a família de autores que criam o que gostariam de fruir, talvez farto da oferta corrente (mutantes e outras criaturas de várias cores em remultiplicação infinita). As influências são as dos velhos comics, de Walt Kelly (Pogo) a Carl Barks (Tio Patinhas), mas também Moebius. Will Eisner, entusiasmado, falou de Herriman (Krazy Kat); outros referiram-se a Schulz (Peanuts) – tudo gente de alto coturno, a que se juntam referências literárias (Mark Twain, Tolkien), para não falar do cinema (Star Wars). Daqui e do mais extraiu esta criação original que dá pelo nome de Bone, publicada entre 1991 e 2004.

Mundo à parte, em que o maravilhoso e o fantástico se conjugam, os Bones são criaturas alvas como um osso de BD. Três primos estão na base da série: Fone Bone, sensato e sensível, Phoney Bone, autoritário e ganancioso, Smiley Bone, um simplório. Execrado e expulso de Bonneville, Phoney leva consigo os dois parentes. Perdidos no meio dum deserto não assinalado nos mapas, são assaltados por uma nuvem de gafanhotos e dispersam-se. Fone Bone, a personagem principal, dá por si numa superfície escalavrada, avistando ao longe uma floresta – típico tópico de interdição e perigo – , com um vale no centro. Aí vive uma pré-adolescente por quem Fone se apaixona, chamada Thorne (‘Espinho’), com uma avó muito peculiar, e também afáveis criaturas do bosque, além de horrendas ratazanas do tipo pós-nuclear. Por todo o lado, um original dragão da guarda faz aparições inesperadas; e à medida que o enredo se intrinca, mais queremos entrar nesse estranho universo.


Fora de Boneville

texto e desenhos: Jeff Smith

edição: Via Lettera, São Paulo, 2002

(Novembro 2019)





domingo, abril 23, 2023

a miúda que veio para ficar

As crianças estão na BD desde o princípio, e com momentos altos – lembremos os Peanuts, de Charles M. Schulz. Para o franco-sírio Riad Sattouf (Paris, 1978), criador do auto-referencial O Árabe do Futuro (2014) e também realizador, nomeadamente da excelente comédia Les Beaux Gosses (2009), o mundo da infância e da juventude é um tema persistente.

Cheia de carisma e adorável criancice, Esther, nascida nas páginas do semanário L’Obs, em 2015, não é só mais uma criança nos quadradinhos; antes da personagem de papel, está Esther A., a menina de carne e osso, informante e filha de amigos do autor. Todo o espanto, toda a fantasia, todos os sonhos improváveis e todos os ‘amores’ impossíveis são maravilhosamente recriados por Sattouf: Esther tem como grandes aspirações ser loura, famosa e possuir um ipad, artefacto que o pai, um professor de ginástica com espírito crítico, lhe nega, por evidente despropósito para quem ainda nem completou os dez anos. Infelizmente para Esther, a maioria dos outros progenitores não têm a mesma opinião. Um pequeno apartamento, em que partilha o quarto com o irritante António, o irmão de 14 anos, é o seu lar. A família, remediada, completa-se com a mãe, empregada bancária e doméstica em regime pós-laboral, por isso muitas vezes cansada, e a avó, cuja casa na Bretanha é local de férias. Outro palco privilegiado é a escola, em especial o recreio. Esther tem duas amigas dilectas: Eugénia, criança rica e por vezes pretensiosa, e Cassandra, menina negra cujo pai certo dia partiu para não mais voltar.

As circunstâncias da série são as expectáveis: a recriação recorrente dos maneirismos dos adultos, a relutância pelas grosserias dos rapazes, cuja missão parece ser a de maçá-las com o seu gozo e a sua má-criação – se bem que por vezes haja qualquer coisa que as desperta. Introduzido com leveza e sempre a propósito pelo autor, a incompreensão do vasto mundo adulto da política, as manifestações incipientes de discriminação social e racial, que ainda não assimilam inteiramente, e as questões de género são alguns tópicos obrigatórios. Esther, contudo, não é a Mafalda do Quino, contestatária no seio de uma família conformista, que muitas vezes parece uma mulher pequena; Esther é sempre criança (o gag sobre o atentado ao Charlie Hebdo é um bom exemplo). A série acompanhará o crescimento da miúda, pelo que teremos oportunidade de assistir à evolução desta família.

Organizado graficamente sob a forma de gag (história humorística de uma prancha), dividido em duas páginas, o livro tem o formato de uma edição de tiras de BD. O texto, além de reproduzir as falas das personagens em filacteras (os ‘balões’), é acrescentado por geniais comentários de Esther em cursivo, que acentuam o tom humorístico.


O Diário de Esther – Histórias dos Meus 10 Anos, vol. 1

texto e desenhos: Riad Sattouf

edição: Gradiva, Lisboa, 2019

(Setembro de 2019)







quinta-feira, maio 04, 2017

criador & criatura


Charles M. Schulz e Charlie Brown



domingo, outubro 23, 2016

só uma música

Música pra os Peanuts, só tem um nome: o de Vince Guaraldi. Here's To You, Cahrlie Brown: 50 Grat Years! (2000), de David Benoit é uma homenagem a Charles Schulz e às suas criaturas, e também a Guaraldi, que toca piano na primeira faixa. Escolho «Blue Charlie Brown», tema da autoria daquele, porque vislumbro os altos e baixo da (grande) personagem, e gosto particularmente da guitarra de Russell Malone e do diálogo estabelecido entre os vários instrumentos.

sábado, fevereiro 20, 2016

Umberto Eco


Que dizer, quando morre um tipo destes? Um dos maîtres à penser do mundo ocidental, da Europa culta e cosmopolita, que dissertava sobre a patrística medieval ou uma prancha de Milton Caniff. Aliás, era um bedéfilo requintado: Milton Caniff? É muito bom... E Schulz e o seu Charlie Brown, idem.. Já era um grande nome da Semiótica quando entrou, com estrondo, no romance -- O Nome da Rosa, tenho-o autografado por si, numa sessão na Bertrand do Chiado --, livro com homenagens a Borges e a Connan Doyle, e a Guilherme d'Ockham. Na última fase do Diário de Lisboa, dirigido por Mário Mesquita e Diana Andringa, aí por 1990, acompanhava com gula as crónicas semanais de que o jornal tinha o exclusivo para o nosso país; tenho até alguns recortes.
Não me apetece nada ser apocalíptico, e escrever que Eco morre num tempo crepuscular. Rle não merece.
 O último livro que lhe li foi este

terça-feira, agosto 02, 2005

Charlie Brown

Posted by Picasa Desde sempre,
um dos meus
heróis.