Duas ou três descobertas, em outros tantos arquivos. Uma persistência que pareceu ter dado alguns frutos. Mas, teu e original?, para além dumas intuições certeiras e ligações bem feitas? Meros fragmentos, quase confidenciais, que nada acrescentam.
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segunda-feira, julho 25, 2016
sábado, setembro 14, 2013
RE: ilhas desertas
Ainda não estou em idade só de re-ler, re-ver, re-ouvir, felizmente. Mas não prescindo do conforto de re-visitar todos os livros, discos, filmes que me marcam e me dão um supremo gozo estético e intelectual. Dão, porque em arte detesto a nostalgia. Decidi, então, celebrar-me (!) os 50 anos -- que só se completam a 12 de Junho de 2014 -- a escrever sobre 50 livros, bd's e discos (os filmes e os quadros virão mais tarde, se vierem). Não são OS 50, mas os primeiros 50 de muitos outros que poderiam aqui figurar e que levaria para a sempre desejada ilha deserta. Só impus uma restrição nos livros: a de serem narrativas em português -- talvez porque, de todas as artes que por aqui passam, a escrita foi única que me deu uma ilusão de acolhimento. E criei um blogue, o 50, só para guardar os textos que me possam suscitar cada página, cada faixa, cada prancha.
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sexta-feira, setembro 09, 2011
a glimpse of happiness
alterno raul brandão e ruy belo
transporte no tempo com el-rei junot
a melhor poesia em grande prosa
grande poesia que toda a prosa deveria ter
morte e mais morte entre
tanta vertigem de fim é
possível um frémito de
felicidade em tanta morte
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Ruy Belo
terça-feira, março 29, 2011
Para que conste, estou no Facebook. Não porque tivesse muita vontade, mas por razões de índole profissional. Não percebo nada daquilo, a bem dizer, senão que é um fórum de tagarelice. Mas há coisas giras: reencontros com familiares e amigos de outros tempos, ou insurgências no mundo árabe. Enfim, sendo um blogger, faço daquilo uma extensão deste e doutros blogues que vou mantendo. E exercito-me na legendagem de algumas imagens ou músicas que aqui postei. Não me parece que dê para muito mais. Mas que sei eu?...
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domingo, fevereiro 06, 2011
prezo-me de alguma sagacidade, espero
Escreveu La Bruyère*: «Um espírito medíocre julga que sabe escrever divinamente; um espírito sagaz julga que só escreve razoàvelmente.» -- ou do espírito crítico (algo que, como o bom senso, foi pessimamente distribuído por deus nosso senhor pelas suas criaturas).
*Os Caracteres, tradução, selecção e prefácio de João de Barros, Lisboa, Livraria Sá da Costa, 1941, p. 73.
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segunda-feira, outubro 30, 2006
Relatório
Houve tempo em que julguei não ter tempo para ler.
E a minha máxima ambição foi então a de dispor de tempo para ler.
Uma página por dia.
Uma página de boa prosa.
Uma pauta de sinfonia aquiliniana, um fresco dum vasto painel de Paço d'Arcos (Joaquim).
Ler, ler, ler -- era só o que eu queria.
Na paragem da Carris, podia ser.
Foi nessa altura que ganhei o hábito de fugir ao almoço.
Para ler, ler, ler.
Voltado para a parede, para não aturar chatos e ler a sós com o meu livro.
Depois, deixei de saber falar.
Cada encontro um contratempo, uma irritação, um aborrecimento.
Ler, ler, leer!
Mas pouco para dizer, e nada para escrever.
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Joaquim Paço d'Arcos
quinta-feira, setembro 21, 2006
terça-feira, agosto 22, 2006
sábado, agosto 19, 2006
Assalto à mão armada
Nunca pensei acabar assim. Dirigindo-me na Mala Posta até Coimbra, neste ano do reinado de D. Maria, nossa Senhora, que Deus guarde, fomos assaltados, perto do Luso, por um grupo de bandoleiros, armados de fuzis de pederneira e gritando vivas a D. Miguel. Depois de nos haverem extorquido todos os bens, forçaram-nos a assistir ao estupro das mulheres que connosco seguiam viagem. Confundindo-me com um célebre publicista que em Lisboa escreve nas folhas em defesa da restauração da Carta, deixaram-me vivo, porém enterrado até ao pescoço, com a minha pena, papel e tinteiro ao lado, para -- disseram-me entre risos alvares -- escrever com a boca louvores «ao malhado do D. Pedro» (Sua Sereníssima Majestade Imperial) e missivas de socorro aos meus amigos do Ministério.
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quinta-feira, abril 13, 2006
segunda-feira, janeiro 23, 2006
Obrigado e grato
Nada tenho contra os críticos. A meia dúzia que escreveu sobre os meus livros, elogiou-os.
terça-feira, janeiro 17, 2006
sábado, janeiro 14, 2006
A palavra inesperada
do estômago sobe-me a palavra inesperada
entre a língua destravada e o palato força-me
a boca desabusada desesperada
rasteira-me a mão e cai
sobre o papel
estatelada
entre a língua destravada e o palato força-me
a boca desabusada desesperada
rasteira-me a mão e cai
sobre o papel
estatelada
13-VI-2003/
/19-XII-2005
domingo, janeiro 01, 2006
Miudezas
Foi-me, por vezes, mais gratificante publicar um magro estudo sobre qualquer escritor obscuro, que um trabalho de maior fôlego consagrado a um consagrado. Houve uma compensação interior de estar a fazer alguma justiça a quem penara tanto como muitos autores canónicos para construir uma obra. E a esperança íntima de no futuro alguém espreitar, de tudo não ter sido em vão.
quarta-feira, dezembro 28, 2005
[Tentame]
As palavras são como as mulheres: há que saber pegar nelas da melhor maneira. O que nem sempre sucede.
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das mulheres
sábado, dezembro 10, 2005
Imitamo-nos uns aos outros. Alguns têm o talento de tornar a cópia pessoal, quase tudo parecendo arrancado das entranhas. Há quem assuma a paráfrase reverencialmente, com bibliografia vasta e notas de rodapé; e também há os que produzem meras contrafacções. Aos mais afortunados reconhece-se-lhes um veio intertextual.
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quarta-feira, novembro 23, 2005
Resignação
Estudos, ensaios de leitura crítica, antologias e recolhas epistolográficas -- tudo isso damos à estampa. Falta-nos, porém, o talento do criador.
segunda-feira, novembro 07, 2005
Veleidades
Estudar um autor consagrado. Publicar um estudo penetrante, iluminador dos aspectos mais recônditos da sua vida e obra. Trazer a público os resultados do nosso trabalho, cientes de que se trata de material indispensável a. Sermos, ou termos sido durante anos, quase solitários a fazê-lo. Inversamente, com autor pasto para académicos & outros curiosos, ousarmos de tal maneira a inovação, a fuga ao lugar-comum, que a nossa investigação se torne obrigatória em qualquer bibliografia acerca de -- como que impressa a bold.
Ser como o criador de gado que marca o novilho a ferro com o seu monograma.
terça-feira, outubro 18, 2005
Adubo
O talento dos autores a que nos dedicamos é uma espécie de adubo que nos faz medrar. A nossa pequena notoriedade ganha-se à sua custa.
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