«A terra húmida cheira a maternidade / E um leite morno / Penetra suavemente / Nas artérias do que foi e já se muda.»
«Térmite», Poesia Intermitente (1987)
conservador-libertário, uns dias liberal, outros reaccionário. um blogue preguiçoso desde 25 de Março de 2005
«A terra húmida cheira a maternidade / E um leite morno / Penetra suavemente / Nas artérias do que foi e já se muda.»
«Térmite», Poesia Intermitente (1987)
«Canta e dança o povo / Erguem-se bem alto os recém-nascidos / Para que vejam o sol do país e suas águas / Brincam as crianças / Fazem amor os namorados / E corta-se em comum o pão sagrado / Porque são de todos a terra e o futuro.»
«Música para cordas, percussão e celesta», Poesia Intermitente (1987)
«Ao longe é um tropel de gazelas em fuga...»
«Música», Poesia Intermitente (1987)
«Porque o sentimento inventa / O vento / O sentimento / Mente.»
Poesia Intermitente (1987)
«E é sobre tudo o silêncio das coisas / O triste silêncio das coisas silenciosamente tristes» Poesia Intermitente (1987)
«E era o tempo da fraternidade / Porque cada homem se media pelos outros homens / E não pelas coisas que os envolviam.» Poesia Intermitente (1987)
«Era o tempo da rua despovoada / escorria das paredes o musgo do abandono» Poesia Intermitente (1987)
SARABANDA DE AMOR
Sarabanda de amor
Em tudo quanto é trigo e quanto é flor
Morte e vida repartida
Em cada migalha em cada suor
16/4/984
"Chama o saci: -- Si si si si!"
"Forma-se a onda e depois outra e outra"
"Lembra um daqueles briosos cães-pastores"
1. Manuel Bandeira, "Berimbau"
2. Antero Abreu, "Onda vai onda vem"
3. A. M. Pires Cabral, "A um comprimido hytacand"
CÍRCULO
Do sonho a mão
Da mão a pá
Da pá o cabo
Do cabo a força
Da força a seiva
Da seiva a flor
Da flor o chão
Do chão o espaço
Do espaço o ângulo
Do cabo
Da pá
Do sonho
1/4/981
Poemas Intermitentes (1987)
É TUDO QUESTÃO DE TEMPO
Rio abaixo
Na toada invisível dos seixos
Vai o dongo a palha a folha.
Poliedro chispante e duro
Refracta-se oblíquo o sol.
E num marulhar longínquo afável
Sente-se mais que se ouve
A praia a ambicionada praia
No doce e borbulhante
Abrir dos dedos das águas.
É tudo questão de tempo.
Poesia Intermitente (1987)
COCKTAIL
Uma parte de insatisfação
Para duas de esperança
Algumas gotas
De filosofia e história.
Bebe-se dum trago
E dá força pra carago.
30/3/979
Poesia Intermitente (1987)
«Forma-se a onda e depois outra e outra / E enquanto se desfazem outras vêm»
[...]
Antero Abreu, «Onda Vai Onda Vem», Poesia Intermitente (1987)
Segue-se a norma adoptada em Angola e Moçambique, que é a da ortografia decente.