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quarta-feira, dezembro 31, 2025

3 versos de A. M. Pires Cabral

«Resta um pano da fachada, onde / entre as heras que comem do granito / a pedra-de-armas ainda sobrevive» 

Douro: Pizzicato e Chula (2004) - «Solar em ruínas»

terça-feira, novembro 18, 2025

2 versos de A. M. Pires Cabral

«Lastimável como um cão extraviado / do aconchego dos donos.» 

Douro: Pizzicato e Chula (2004) - «Solar em ruínas»

sexta-feira, novembro 14, 2025

3 versos de A. M. Pires Cabral

«Sigo no barco que sobe o rio. Porém / não sinto que subo o rio: sinto, em vez disso, / que o rio me sobe a mim»

Douro: Pizzicato e Chula (2004) - «Um barco sobe o rio»

sábado, setembro 27, 2025

5 versos de A. M. Pires Cabral

«Um rio refém / das memória de outra geração: / quando era um ímpeto de ira / como um punhal tirado da bainha / ou pedra arremessada contra o vidro.»

«Rio refém», Douro: Pizzicato e Chula, 2004

segunda-feira, maio 19, 2025

3 versos de A. M. Pires Cabral

«Contentes  no seu charco, carregando nos erres, / rãs aos milhares erguem louvores / ao criador das libelinhas que voam por perto» 

«As rãs e as libelinhas», Caderneta de Lembranças (2021)

quarta-feira, março 26, 2025

4 versos de A. M. Pires Cabral

«Tivesse eu umas pernas tão altas como as tuas / e travaria contigo o ardoroso combate / -- velha guerra amistosa e sem quartel --, / para meu e teu contentamento.» 

«Fala de um cão basset a uma cadela são-bernardo com cio», Caderneta de Lembranças (2022)

quarta-feira, janeiro 22, 2025

4 versos de A. M. Pires Cabral

«Alguma coisa se há-de fazer quando / não há nada que fazer e o tempo se desdobra / até um ponto em que deixa de haver ontem / ou amanhã, e muito menos hoje.» 

«Carreiro de formigas», Caderneta de Lembranças (2021)

terça-feira, novembro 26, 2024

2 versos de A. M. Pires Cabral

 «O Outono avança cauto, como se / não conhecesse bem o território que pisa.» 

«E uma cotovia», Caderneta de Lembranças (2021)

sexta-feira, outubro 18, 2024

3 versos de A. M. Pires Cabral

«Que voz interior as traz para o solo, / de asa retraída, renunciando ao voo, / negando-se, traindo a vocação original?» 

«Andorinhas no chão», Caderneta de Lembranças (2021)

quarta-feira, outubro 09, 2024

3 versos de A. M. Pires Cabral

«O lento, exasperante rolar do tempo é / a única moeda que circula / nessas brumosas paragens.» 

«Em torno duma litografia em papel couché», Caderneta de Lembranças  (2021)

segunda-feira, julho 15, 2024

2 versos de A. M. Pires Cabral

«Aceitará sem rancor o que o destino / quiser fazer dele.» 

Caderneta de Lembranças (2021) 

segunda-feira, julho 01, 2024

2 versos de A. M. Pires Cabral

«É assim o granito: perdurar / está-lhe na massa do sangue»

Caderneta de Lembranças (2021)

terça-feira, abril 30, 2024

curtas

«Compareceu de coração apertado, o chapéu a passar-lhe inquieto de mão para mão, defronte de um funcionário de ar severo e compenetrado, que lhe leu uma lenga-lenga qualquer de que ele não entendeu rato.» A. M. Pires Cabral, «O saco», O Diabo Veio ao Enterro (1984) «Em Fafe há sempre umas quadrilhas que dão febra e grandeza ao quadriculado do baixo Minho.» Ruben A., «Branca», Cores (1960) «O Luisinho chegou ao portão e o senhor Joaquim não o podia mandar afastar porque o tratava por menino Luisinho.» António Alçada Baptista, Uma Vida Melhor (1984)

sábado, abril 27, 2024

2 versos de A. M. Pires Cabral

 «Mas ainda é tão cedo. Ainda estou / a meio do banquete de viver.» Caderneta de Lembranças (2021)

sábado, abril 06, 2024

3 versos de A. M. Pires Cabral

«Há dias tão descidos ao fundo da furna, / que nem sequer com a minha própria / indulgência posso contar.» Caderneta de Lembranças (2021) 

sexta-feira, abril 05, 2024

curtas

«A notícia correu célere, deu três pancadas nas portas (era assim que corriam as notícias), as putas vieram ver o turista, os chulos quedaram-se, inquietos, a trinta metros, o Franciú pintou os lábios, as gaivotas suspenderam momentaneamente o voo, cristalizadas no ar, e o Pintor aproveitou para fixar na tela o que nunca mais voltaria a acontecer: o homem de preto tirou a harpa do ombro e dedilhou nela sons prateados que deslizaram ao longo da pedra do cais e se espalharam no dorso das ondas, tornando-as mais oleosas.» Dinis Machado, Discurso de Alfredo Marceneiro a Gabriel García Márquez (1984) «Não foi à escola; ao invés, ainda não teria os doze anos, ganhava o pão que comia como paquete da casa Miranda, a mais fidalga da aldeia, com casa apalaçada e vastos domínios em vinha, horta, olival, mata e lameiro.» A. M. Pires Cabral, «O saco», O Diabo Veio ao Enterro (1984) «Nenhum dos parentes ou amigos que emigrassem, se esquecia de lhes descrever os locais onde cada um trabalhava: granjas com estábulos para centenas de vacas, e mencionar as comodidades e gozos que desfrutavam: casas tão confortáveis que não havia uma sem cortinas nas janelas, e restaurantes e dancings onde uma pessoa se divertia até se esquecer de quem era.» Assis Esperança, «O dinheiro», O Dilúvio (1932)

quinta-feira, março 21, 2024

curtas

«A tarde estava quase no fim, uma tarde espessa e abafada.» Fernando Namora, «História de um parto», Retalhos da Vida de um Médico (1949) «Lágrimas, gritos, lenços brancos, e ódio, ódio contra si próprios por haverem ficado, sabiam lá até quando, apegados àquela terra misérrima e àquela vida que criara odiosas raízes:» Assis Esperança, «O dinheiro», O Dilúvio (1932) / «Nasceu quase com o século, filho, como já vimos, de pai incógnito e de uma dessas heróicas mães solteiras, resignada à sua sorte e senhora do brio bastante para criar o filho de cara levantada.» A. M. Pires Cabral, »O saco», O Diabo Veio ao Enterro (1984)

segunda-feira, fevereiro 26, 2024

curtas

 «Acontecimento único a abalada, para terras longínquas, da meia dúzia de homens que anualmente emigrava, era também ali, comoção única, o momento da largada do navio.» Assis Esperança, «O dinheiro», O Dilúvio (1932) «Mas sobretudo os olhos, aquelas duas contas reluzentes, coisa mínima e tão alerta sempre, maliciosos ou compungidos, consoante o que conta é digno de riso ou de lamento.» A. M. Pires Cabral, «O saco», O Diabo Veio ao Enterro (1984) «No fim ficava tudo identificado: o rapaz, a gaja, o pai da gaja, o cínico, o amigo do rapaz e o bandido.» António Alçada Baptista, Uma Vida Melhor (1984)

terça-feira, fevereiro 20, 2024

curtas

«A boca nua de dentes, salvo o tal canino e os restos do outro, chupada para dentro, sarcástica o mais das vezes, comovida outras, com uma língua que vem frequentemente humedecer os beiços, numa passagem rápida, como a que certos batráquios disparam para capturar insectos.» A. M. Pires Cabral, «O saco», O Diabo Veio ao Enterro (1984) «O Norberto nunca se chateava, desenrolar espaço era o seu passatempo favorito (o seu olhar levíssimo partia amiúde nas asas das gaivotas oblíquas), afiava mastros por conta dos donos das embarcações que iam ao cais falar com ele e cuspir para as ondas, agitando o braço direito (o esquerdo, conforme rezam as crónicas da época, era paralítico de nascença).» Dinis Machado, Discurso de Alfredo Marceneiro a Gabriel García Márquez (1984) «Os colos eram todos gordos menos o da tia Augusta que tinha dois ossos -- um em cada perna, mas também não era mau.» António Alçada Baptista, Uma Vida Melhor (1984)

segunda-feira, fevereiro 19, 2024

colagens

"Chama o saci: -- Si si si si!"

"Forma-se a onda e depois outra e outra" 

"Lembra um daqueles briosos cães-pastores"


1. Manuel Bandeira, "Berimbau"

2. Antero Abreu, "Onda vai onda vem"

3. A. M. Pires Cabral, "A um comprimido hytacand"