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quinta-feira, abril 16, 2026

ainda o debate: a "crueldade"

Não li, não vi nem vi comentários ao "debate" entre Pacheco Pereira e Ventura, a que assisti em directo. Custa-me dar palco a um aldrabãozeco de feira sem escrúpulos, um vigarista intelectual; pareceu-me aliás, inútil. Nem a manada que o segue se impressiona nem os antagonistas precisam dele. Foi pedagógico para quem pretendesse dar o benefício da dúvida ao espertalhão? Não sei quem, a esta altura do campeonato, poderá ter dúvidas acerca da natureza do indivíduo. 

Talvez tenha sido útil ficar demonstrado, à frente de todos, que a criatura não sabe debater, tem o estilo de uma peixeira da praça, de uma hortelã de feira franca (com o muito respeito que me merecem peixeiras -- devo contar com algumas, entre os meus antepassados de Veiros -- e todos os hortelãos).

"Aquela revolução foi uma vergonha!" -- a melhor frase do Ventura naquela noite, até porque lhe saiu sem ele estar à espera. Já sabíamos o que ele pensava sobre o 25 de Abril, mas vê-lo bolsar aleivosias é sempre profiláctico, e Pacheco Pereira apanhou-o na curva.

Mas a grande palavra foi a da crueldade que aqueles animais se permitem usar contra as pessoas. Lembrei-me disso hoje, quando saudei, como faço sempre, o varredor de rua hindustânico, que me responde com um sorriso, ou passando por uma turma em visita de estudo e vi quatro ou cinco jovens raparigas trajadas como foram educadas, com véu, claro, e fatos compridos, no meio dos colegas portugueses e outros ocidentais, que as ladeavam com toda a naturalidade. Senti por elas uma grande ternura, todas juntinhas, como se achassem mais seguras ou menos estranhas, talvez elas próprias processando ainda uma adaptação a uma realidade tão diferente dos seus costumes.

A crueldade destes tipos é insuportável; e ainda mais tratando-se de papa-missas, comedores de hóstias -- falsos cristãos, como bem disse Pacheco Pereira, e que no fundo, a não ser com extrema hipocrisia e falsidade, podem fingir reconhecer-se na mensagem cristã, tenha ela sido propalada por Leão XIV, Francisco ou Bento XVI. Ei-los  deploráveis. 

segunda-feira, abril 21, 2025

um líder excepcional

Baptizado, educado na Igreja Católica, numa família que se dividia entre o ateísmo anticlerical e uma prática religiosa abaixo dos mínimos, por tradição, hábito e superstição,  português e europeu, sou um ateu impregnado de cristianismo. Aliás, como qualquer um cujo coração está à Esquerda, a figura histórica de Jesus Cristo, a sua mensagem revolucionária, pregada ainda na Antiguidade, recorde-se, de que todos os homens são filhos de Deus e iguais na dignidade, só pode merecer a adesão de todos quantos atribuem a essa mesma dignidade um valor inegociável e sem cotação em bolsa.

O papa Francisco, Jorge Bergoglio, era desses. Por isso -- com as excepções do costume -- concitou não apenas o amor e a admiração dos seus fiéis, como de todos os homens de boa-vontade, qualquer que fosse a sua religião, ou não professassem credo algum, como é o meu caso.

Além disso, o seu humanismo e bom-senso, uma voz  que se elevava sobre os guinchos das hienas da indústria bélica e os seus criados, na União Europeia e alhures, e sobre a indiferença que estes mesmos servos da UE já demonstraram ter diante do genocídio -- creio que só agora assumo esta palavra, e já vou muito atrasado -- dos palestinos e a condescendência para com os criminosos de guerra do governo de Tel-Aviv. 

Como esquecer a ida a Lampedusa, no início do pontificado?; as palavras contundentes e cheias de indignação contra a "economia que mata"?; os latidos da Nato à porta da Rússia?; a vergonha excruciante de chefiar uma instituição religiosa com um histórico encobrimento de abusos sexuais generalizados que tornam uma parte da igreja num coio de crime e abjecção? A luta entre bem e mal trava-se também lá dentro. Francisco era do Bem, e só este é admissível.

Vai fazer imensa falta, e espero, que o próximo possa estar à altura do grande Francisco. Afinal, um papa continua a ser um líder político mundial e uma das consciências da humanidade.

sexta-feira, fevereiro 24, 2023

tenham vergonha e calem-se (ucranianas CLXVI)

Os russos -- ou, se quiserem, o poder russo até agora sufragado pela maioria dos cidadãos -- não querem os americanos a ladrar-lhes à porta (uso a sábia expressão do papa Francisco), russos que já lá têm uma quinta coluna, cuja face visível é um tipo da extrema-direita, provavelmente pago pela CIA, convertido em herói dos "nossos valores", chamado Navalny, 

Uma criatura destas é um herói da úrsulas, dos borréis, ou dum reles patife como o Boris Johnson.

Os valores das pessoas decentes não estão aqui, estão nos verdadeiros heróis (uma bisca para Marcelo): o curdo Abdullah Ocallan, há longos anos na cadeia; o palestino Marwan Barghouti, idem, o tibetano Tenzin Gyatso (o Dalai Lama), no exílio, sem esquecer o martirizado Julian Assange, ou o refugiado Edward Snowden.

Portanto, tenham vergonha e calem-se.

sábado, janeiro 18, 2020

JornaL, de a a z

Bernardino Soares. Casa nobre quinhentista, na Póvoa de Santa Iria, conhecida como Palácio Valflores, há muito em ruínas, está a ser recuperada por uma equipa de arqueólogos, arquitectos e engenheiros. Casa de recreio mandada construir em 1550 por Jorge de Barros, feitor de D. João III na Flandres. Não vai ser um hotel, diz a Câmara de Loures, dona do imóvel.

Escumalha. Frederico Varandas, presidente do Sporting, chama escumalha à escumalha. Para sempre a minha consideração.

Joacine. A gritaria não lhe fica bem, por razão que tenha, e sei que tem alguma. Joacine vende, por isso a imprensa trata de alimentar uma telenovela com notícias enganosas. Uma moção assinada por cinco pessoas em dezanove moções, que considera essa possibilidade não significa que "Livre quer expulsar Joacine", como li e vi esta semana.

Rio vai em frente tens aqui a tua gente. Não era bem isto que queria dizer, mas serve.

Racismo. Lamento desapontar, mas onde vivo não há racismo. E onde vivo eu, perguntais? No Cobre, uma velha aldeia saloia a pouco mais dum quilómetro do centro de Cascais, que de aldeia só tem vestígios, engolida pela cidade que prefere ser vila. Vejo casais mistos; uma das pastelarias que frequento é propriedade de uma senhora negra, com os seus empregados branquíssimos da fonseca e mestiços também. Aliás poderia acrescentar que onde trabalho, na vila de Sintra, também não há racismo. Testemunho-o todos os dias no restaurante onde vou almoçar, com empregados de todas asa cores. Há outra coisa naquela linha: medo de gangues (com as questões sociais conexas que sabemos). Sempre tive a noção de que o nosso racismo é classista; o resto é fantasia e aggionamento parolo. Claro que só estou a referir-me aos africanos, não aos ciganos, história outra.

Vaticano. Olhar para o Vaticano é regressar aos tempos dos Bórgias. Notável. Apetece-me ser provocador e dizer algo do género: "quem não está com o papa Francisco é pedófilo!" Uma simpreza, mas quero lá saber...


segunda-feira, maio 30, 2016

O que pensará o papa Francisco da Igreja em Portugal?

Se o papa for mesmo o tipo decente que parece ser, não deverá ter apreciado a posição mal disfarçada da Igreja portuguesa (o amarelo-vaticano dos lencinhos, das t-shirts, etc.) em conluio com os partidos da Direita (passei pelo Geringonça e deparei com esta pérola da Cristas.), com as empresas particulares de ensino, e com as muitas vigarices, casos de polícia, detectadas entre escolas privadas e serviços Ministério da Educação.
O comunicado dos bispos, criticando a política mais do que justa do Governo, mostra de que lado eles estão. Se o papa for o que eu penso que é, um homem decente, estará desapontado com tão enviesados pastores.

P.S. Como ainda tenho uma filha num colégio, aliás religioso, fico à espera que a diocese de Lisboa, ou a paróquia de Cascais, me ofereça as propinas. Nem sabem o jeitaço que me daria.