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quarta-feira, janeiro 01, 2025

começar o ano a ver comer gelados com a testa - a propósito da Geórgia

Chegado a casa, ligo para RTP2, está a falar João Oliveira, no programa "Eurodeputados". João Oliveira, recorde-se, em quem gratamente votei nas últimas Europeias, não sendo do PCP, longe disso -- sou sempre libérrimo para votar como e em quem me apetece. 

E que refrescante foi ouvi-lo, não só em resposta às perguntas inquinadas da simpática Fernanda Gabriel, mas nos comentários aos jovens colegas do PS e do PSD, estes munidos de toda a prosápia bebida nas escolas das juventudes partidárias, mas ignorantinhos (não têm idade para ignorantões), a debitar a sebenta com mais ou menos fluência, e a dizer asneiras, quer sobre a pretérita "invasão" russa -- que mais não foi que uma resposta à de facto invasão georgiana, decorria a cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim, lembro-me bem --, quer agora sobre as eleições no país, reconhecidas como válidas pela OSCE. 

Bom, nada disto é novidade, nem a inexistência neste debate de Catarina Martins, que quer ser muito anti-nato, mas quando é para retirar todas as consequências, dá uma no cravo e outra na ferradura, outra coisa não seria de esperar. Nisto como em muitas coisas o Bloco não serve para nada -- ou então serve para tirar fotografias de grupo com o Chega à ilharga no meio do Santos Silva, que deus tem.

Uma das coisas de que gosto em João Oliveira é que, sem perder nunca a compostura, chama os bois pelos nomes todos, cheio de determinação, o que obriga os contendores a enterrarem-se mais na asneira ou então a proferirem frases vazias de tão lindas, como as de Catarina Martins. 

Meu rico voto, tão bem empregue -- até limpa a alma, caralho!...

Vale a pena ver aqui.

sexta-feira, novembro 22, 2024

ucraniana CCLXX - Santos Silva, ¿por qué no te callas?

Cito de memória: "Se os Estados Unidos vierem a abandonar a Nato, a Europa não deixará de assumir as suas responsabilidades.» Excerto de uma entrevista na RTP3 que passou num bloco noticioso. Subentenda-se, entrar em guerra com a Rússia por causa da Ucrânia. E em sequência, penso que perguntado se tal era possível sem os EUA (é ir à box confirmar), Santos Silva retorquiu: bem, na I Guerra os EUA só entraram em 1917 e na II em 1942 e a Europa soube resistir -- ou coisa assim. 

Ora bem:

1) Os Estados Unidos são a Nato. Se viessem a "abandoná-la", o que não sucederá, evidentemente, a Nato acabava.

2) A alusão às duas guerras mundiais é de extremo mau gosto, embora toda a gente esteja a pensar nos riscos de poder desencadear-se uma terceira. 

3) Santos Silva, que não é destituído nem enlouqueceu, acha que as pessoas engolem a lengalenga. E a maioria engole, pois claro -- o que se espera dum país sem massa crítica? Mas esses de certeza não estão a assistir a uma entrevista de Santos Silva na RTP3, mas enfronhados lá nos dejectos televisivos que lhes servem.

4) Dissesse lá o Santos Silva por que razão a Europa iria entrar em guerra com a Rússia. Já faltou mais, claro, porque a Europa não passa de um peão dos Estados Unidos. Mas pensando no interesse nacional, por que diabo Portugal iria entrar em guerra com a Rússia? O que tem a Ucrânia que ver com o interesse nacional português? A não ser que se considere que o interesse nacional é ser-se capacho do nosso vizinho atlântico.

5) Mesmo que a historieta criada para os indigentes de que a Rússia atacou a Ucrânia sem motivo fosse verdadeira -- porém é falsa, como Santos Silva, não sendo destituído, sabe --, mesmo que fosse verdade, onde está aí um ataque a um país da aliança atlântica? Há, de facto, países da Nato a atacar a Rússia, mas isso não nos obriga a correr para o matadouro, atrás estratégia final dos Estados Unidos quando tudo falha, como tem falhado, miserável e indecorosamente. 

Em resumo: vendo Santos Silva cheio de confiança, aqui na outra ponta da Europa, muito distante de onde as coisas aquecem e acontecem, o que me apetece é mandá-lo alistar-se. 

quarta-feira, julho 10, 2024

pertencer à NATO, na condição de bonifrate

Portugal está na área de influência de uma potência imperial a que não se pode eximir dada a situação geográfica. A Geografia condiciona tudo, a começar pela História, e ambas representam noventa por cento ou mais da política externa de um país com as nossas características. Daí que, dê por onde der, as relações atlânticas, e em especial com os Estados Unidos, devam ser sempre uma prioridade da nossa política externa.

Estar na área de influência de uma superpotência significa que quase toda a acção exterior deva atender a esse factor, sob pena de a mesma potência nos vir dizer o que devemos e o que podemos fazer. É assim que as coisas funcionam, como deveria saber qualquer aluno de História, Geografia, Direito, Filosofia e Ciência Política, Relações Internacionais e por aí abaixo.

Mas, como tenho dito, na minha qualidade de simples observador, um país como Portugal -- com uma população igual à da Hungria, mas com uma capacidade potencial de influência global incomparavelmente maior, deveria saber tirar partido das suas enormes capacidades, em benefício da Humanidade comum, especialmente neste momento de guerra, por enquanto indirecta, entre os Estados Unidos e a Rússia.

Portugal na NATO. Desde a intervenção na Sérvia, no início do século, de que resultou uma desgraçada ficção política chamada Kosovo, que a Aliança Atlântica deixou de ser, de facto, uma aliança defensiva. Com a guerra na Ucrânia passou a aliança ofensiva, por interposto actor, o governo fantoche ucraniano, não menos fantoche que o bielorrusso. É da natureza das coisas. 

Os fantoches e as fantochadas não se ficam pelo troupe de Zelensky, do nosso lado. Bonifrates dos americanos foram despudoradamente Luís Amado e José Sócrates na questão do Kosovo; títeres foram Augusto Santos Silva e António Costa naquela farsa do Guaidò, na Venezuela -- aliás deixando a comunidade portuguesa à mercê dos humores pouco recomendáveis de um palhacito como Maduro --; robertos de feira caduca, o mesmo Costa e Gomes Cravinho; marionetas são Rangel e Nuno Melo sob a tutela de Montenegro, agora. Deles nada se pode esperar (ficaria agradavelmente surpreendido se fosse diferente) e, portanto, riscarem alguma coisa como seria esperar como governantes deste país, que apesar de não parecer, não é um país qualquer, é algo que não podemos esperar -- ou seja: estamos nas mãos dos outros, aguardando pacientemente as ordens que nos forem dadas.  

 

domingo, fevereiro 26, 2023

Viriato Soromenho Marques e Miguel Sousa Tavares, um contraponto à indigência de Cravinho, e da inenarrável inconsciência de Marcelo e Costa (ucranianas CLXIX)

 «Palavras de Guerra», Viriato Soromenho Marques, no  Diário de Notícias

«Um ano de estupidez», Miguel Sousa Tavares, no Express 

«O combate por um Mundo mais decente», de João Gomes Cravinho -- o contraste: o responsável pela pasta dos Negócios Estrangeiros a fazer coro com o jornalismo televisivo mais analfabeto, assim à José Alberto Carvalho. O vazio é de tal forma profundo, que só pode ser propositado. Já tivemos pior, é verdade, o Santos Silva; mas depois deste empastelamento brutal de Costa e do número de Marcelo, a confiança de que as principais figuras do Estado estejam à altura das suas funções e proteger o país, se o conflito degenerar é nenhuma, o que é extraordinariamente preocupante.

sábado, fevereiro 25, 2023

a grande coligação: do populismo boçal do Chega ao trotsko-wokismo do Bloco (ucranianas CLXVIII)

 Sim, qualquer pessoa bem formada deplora a guerra, como qualquer candidata a miss universo. Não me posso pronunciar sobre o texto de Santos Silva, que não consegui ler ou ouvir, mas pelos destaques da imprensa, percebe-se o que lá está. Santos Silva, antigo paladino do "presidente Guaidò", nunca teve dimensão política como ministro dos Negócios Estrangeiros, como se viu, da crise da Venezuela (em que pôs em risco a vivência da comunidade portuguesa para satisfazer os interesses americanos) à guerra da Ucrânia. Portanto, neste particular, tudo o que dali sai partilha da irrelevância da obediência às supostas conveniências políticas.

Como qualquer pessoa minimamente arguta percebe, a quase unanimidade política que vai do populismo oportunista boçal do Chega ao trotsko-wokismo do BE, passando pelo centrão das negociatas, é falsa e cheira mal.

Eu gostaria de ser um pacifista à outrance, no que estou impedido pelo meu pessimismo antropológico; há por isso momentos da história em que a guerra aparece como a única saída. É triste e é verdade. Ao atacar a Ucrânia transformada em joguete do Pentágono, a Rússia defende-se, como digo desde o princípio: uma guerra preventiva.  O que quer Putin prevenir, para além do assentar da matilha à porta de casa, será tentativa para outro post.


sexta-feira, maio 20, 2022

António Costa na Ucrânia (ucranianas XCVI)

Até agora, Costa tem cumprido os serviços mínimos, porque ele, fino como é e com assessores militares que parece parece ter, está farto se ver o filme dos americanos. Mas a verdade é que temos de fazer os que os Estados Unidos mandam. pobres de nós; se até a França e a Alemanha andam a arrastar os pés... A Inglaterra não passa da ponta de lança dos americanos, com um reles que se presta a tudo -- os tories têm o seu Bliar. Quanto à Turquia, veremos, se como é dito pelos analistas, tudo não passa de barganha de bazar. 

Não me parece que a vontade de ir fazer o número com o Zelensky fosse grande, mas há coisas que nos ultrapassam. Eu gostaria que ele não fosse para lá dizer as tretas consabidas e fazer dos portugueses parvos, já nos basta o Santos Silva. Que fosse lá só fazer os serviços mínimos...

ucranianas

quinta-feira, abril 21, 2022

o péssimo discurso de Santos Silva (ucranianas LXXIII)

Não ouvi o final, por causa da box, e não tive paciência para ir à procura outra vez. Santos Silva, que começou bem o mandato, cortando a palavra ao badalhoco do Chega, esteve igualmente bem ao falar da integração harmoniosa dos imigrantes ucranianos na sociedade portuguesa e, já agora, naquele aceno erudito da Sonia Delaunay com o Amadeu de Sousa-Cardoso.

Não esteve nada bem no tom justificativo com que quis mostrar a Zelensky um país obediente aos interesses geopolíticos da Nato, nem na aldrabice de dizer que Portugal é um país respeitador do Direito Internacional. Tem dias... Quando o infractor são os Estados Unidos, lá estamos nós, acriticamente obedientes. Exemplos: o Iraque e o Kosovo, duas manchas, sem falar, com este então ministro, na farsa do autoproclamado "presidente Guaidò" na Venezuela -- não porque o Maduro mereça respeito, não merece nenhum --, mas porque pôs em dificuldade a grande comunidade portuguesa no país, hipotecando-se mais uma vez aos interesses dos Estados Unidos, sem qualquer vantagem para nós -- Estados Unidos, aliás, que se preparam para reabilitar Maduro, graças ao petróleo, deixando cair, como é seu costume o investido factotum na Venezuela.

Zelensky fez um discurso fraco, de ocasião. O PCP deveria ter estado presente, pois, repetindo, estava em sua casa.


(em tempo: e o dispensável ar fortalhaço com que se referiu à Rússia...)

ucranianas

quinta-feira, março 31, 2022

da falta de interesse (ucranianas LVII)

Como é possível sentir uma migalha de interesse ou paciência por porcariazinhas quando se desenrola uma guerra à porta entre os Estados Unidos e a Rússia, cujo desfecho ainda ninguém sabe qual é?

Eu bem sei que a maralha já começou a fartar-se, já tem a sua dosezinha de emoção piedosa em excesso, já anda a precisar de novas emoções fortes, que o estalo do outro gajo ao não sei quantos apenas deu para desopilar em riso alarve. 

Futebóis? Eu nem sequer quis ver o jogo com a Macedónia, o que teria feito com gosto noutras circunstâncias, mesmo já nem podendo ouvir ou ver pela frente Fernando Santos mais a Nossa Senhora...

E estas merdices à volta do governo e de Costa na Europa?; e o medrar do Santos Silva?... Mas há paciência para isto?

Como não sou um Herculano, não posso ir para Vale de Lobos; mas francamente só me apetece música e leitura, e seguir a progressão da guerra, esperando que os patifes dos americanos não levem a melhor. 

Felizmente, a Rússia tem armas nucleares, senão, quantos iraques não seriam, com esta canalha, mais cães e papagaios...

ucranianas

quarta-feira, março 30, 2022

"a sombra do Z", ou Zorglub satisfeito, o Zorro, nem por isso e em defesa do Ziraldo (ucranianas LVI)

Das inúmeras parvoíces do momento a propósito da guerra entre a Rússia e os Estados Unidos na Ucrânia, a última curiosidade é a proibição do Z. Embora pareça que a letra é uma mera identificação dos veículos de um dos vários exércitos que a Rússia tem no seu território continental, é inegável que a pobre letra acabou por ganhar uma conotação de nacionalismo agressivo, sempre indesejável -- como dizia com razão o velhaco do Mitterand, "o nacionalismo é a guerra"; e ainda ontem, o investido Santos Silva usou a palavra "medra" para se lhe referir, ao ver os aliados do Chega na questão ucraniana com máscaras de nacionalismo com catarro. 

Eu, que sou um homem dos quadradinhos, tive de resignar-me ao triunfo de Zorglub, lamentar o Zorro. Mas, e se cancelam o grande Ziraldo (Alves Pinto)?





quinta-feira, março 03, 2022

Santos Silva andou os últimos oito anos a dormir na forma e só agora acordou para o Direito Internacional (ucranianas XXXII)

A censura do canal russo RT deve ter um efeito praticamente nulo, uma vez que por cá será ser visto por meia dúzia de gatos. Eu, que de vez em quando por lá passava, tentei evitá-lo nesta altura. Já me basta o banho de propaganda que levo diariamente destes anormais, embora a RT seja um canal noticioso muito bem feito, mesmo do ponto de vista jornalístico; mas era obviamente um canal do estado russo. No que respeita a propaganda, porém, a CNN internacional não lhe fica atrás. (Quem ache que a CNN original é algum modelo de jornalismo, não tem noção.)

Esta decisão de impedir o acesso ao canal só conspurca quem a tomou, a UE transformada em braço político da NATO e conivente com os americanos, esses sonsos.

Portantos é assim: martelar no desequilíbrio mental do Putin aos mísseis russos em parques infantis e o número de crianças mortas, a culminar nos crimes de guerra e da acção do tpi (boa piada), há muito por onde escolher para encarreirar a manada.

É deveras engraçado que durante a 2.ª Guerra do Iraque (estive na manifestação em Lisboa contra ela), nunca ouvi falar em mortes de crianças. Talvez por duas grandes razões: ou porque eram árabes, e o Ocidente se está nas tintas para essa escarumba, ou então pela razão óbvia de os mísseis americanos bombardearem mais branco.

Com a opinião pública internacional bem dirigida e condicionada, depois de a maior parte dos seus governos terem sido parte activa, cúmplices ou indiferentes relativamente à situação a que se chegou, poderiam ter feito o número da superioridade das sociedades liberais. O meu receio é que deixem de convidar os militares, que na maior parte são os que sabem analisar o que está a acontecer. Vejam no jornal da RTP3, edição das 9 (2 de Março), mais uma vez o major-general Raul Cunha, um entre vários que sabe do que fala, sem precisar de ser amigo do Putin.

E por falar em sonsos, de cada vez que o Santos Silva abre a boca, sai asneira.

as ucranianas

domingo, fevereiro 13, 2022

Teremos guerra esta semana?

1. Em minha opinião, Biden apressa-se a dizer aos americanos para saírem da Ucrânia, pois já têm a data marcada para a provocação que os seus títeres neonazis do Batalhão de Azov, na linha da frente, como tem referido o tenente-general Carlos Branco, irão perpetrar. Veja-se aqui a bicharada com os seus símbolos a fazer lembrar as SS. Serão varridos pelos russos, impiedosamente o que será muito bem feito; e espero que estes usem de humanidade para com os civis e a tropa feijão-verde ucraniana, que serão usados pelos que verdadeiramente mandam na administração americana -- o complexo militar-industrial --, de que Biden é pelo menos lacaio -- como carne para canhão. Fizeram-no há pouco com os curdos contra o Daesh, abandonando-os à sua sorte. Neste século, a invasão do Iraque: as inexistentes armas de destruição maciça, que todos sabíamos que não existiam (excepto Durão Barroso). Milhares de mortos inocentes, famílias e vidas destruídas. Puros criminosos de delito comum.

2. A última esperança: a visita amanhã e depois do chanceler alemão Olaf Scholz a Putin e a Zelensky, que até me parece um tipo decente, mas sem qualquer força para se opôr ao sacrifício dos concidadãos pelo belicismo americano. Tal como Sholz não terá força para parar os Estados Unidos, nem para convencer Putin a perder a face. Oxalá me engane. 

3. Perante isto, a última coisa que me apetece ouvir são as parvoíces do MNE Santos Silva, a fazer de Durão Barroso. Bem sei que somos aliados -- a geografia pesa muito --, mas tal não implica a subserviência de avalizar as vigarices dos americanos. Haja alguma vergonha. 

sábado, janeiro 29, 2022

a crise da Ucrânia lida por quem sabe


Não são só os telejornais que são uma miséria, uma caixa de ressonância da propaganda mais indigente feita para o cidadão desinformado, que papa tudo o que lhe dão; isto envergonha também os responsáveis políticos que, muitas vezes com meias palavras, são instrumentos conscientes dessa mesma propaganda e agentes de mentira. Merecem algum respeito? Nenhum.

Ainda estou para perceber o papel dos dirigentes europeus, como a presidente da comissão, Ursula von der Leyen ou do Parlamento Europeu. Se são ineptos, espessamente ignorantes ou se trabalham para os americanos, e também contra os interesses europeus. E Augusto Santos Silva a fazer-se de choninhas após as reuniões da Nato?

Não vai haver guerra nenhuma, acredito -- até porque os americanos da última vez que ouvi o Blinken, que é o coach do Santos Silva, do Stoltenberg e doutros, começaram a baixar a bola, dizendo que os EUA acolhiam as "preocupações" russas. Pois, o Putin não brinca; a Ucrânia aqui é um mero território onde os outros se disputam.

domingo, janeiro 16, 2022

Ucrânia, o despudor

 Não tenho tido tempo para falar da Ucrânia. Como disse antes, era só os democratas voltarem ao poder nos EUA que o complexo militar-industrial começava a carburar. 

Se alguém, que não seja muito estúpido, puder explicar qual o interesse da Rússia numa guerra na Ucrânia, avance.

Entretanto, o despudor dos americanos e dos fantoches sem vergonha na cara, como essa marioneta da Nato chamada Stoltenberg, balbucia e bolsa. No Báltico, não sei se aterrorizados pela traumática experiência soviética, de duas uma: ou têm tanto medo que promovem uma escalada bélica, ou estão também ao serviço da administração americana. 

Ouvi um "especialista" em assuntos internacionais, por acidente, pois acho que o tipo é uma fraude,  Uma das coisas que disse foi haver um padrão na actuação russa, e mencionou o caso da Geórgia invadida, quando se sabe que foi a Geórgia, cujo presidente de então trabalhava para os americanos, que invadiu a Ossétia do Norte, estando Putin a assistir à abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim, e que de imediato regressou a Moscovo. Um dos muitos prostitutos que andam aí no comentário internacional. 

A história da Ucrânia é mais que sabida, assim como da Crimeia. Sabida por meia dúzia, claro. E por isso intoxica-se a opinião pública, fala-se de guerra, como se tal fosse possível. A não ser que os americanos e os seus agentes estejam a pensar que há europeus em número suficiente para morrer pelos interesses americanos. Não sei o que vale o novo chanceler alemão. Macron, muito a prazo e periclitante, topa-os bem. A Inglaterra está sempre pronta para o trabalho sujo dos americanos, ainda mais com este aldrabão inimputável que está no n,º 10. Por cá, sabendo-se que temos sempre de mostrar boa cara aos nossos vizinhos atlânticos, podíamos ser um pouco menos coninhas e subservientes, como temos sido. Ouvir o ministro dos Negócios Estrangeiros Santos Silva é confrangedor. 

O Cazaquistão é outra história semicontada, ou seja: o evidente descontentamento popular com o governo local foi muito bem aproveitado. Até fazia lembrar a Ucrânia.

Por falar em coninhas, lembro-me quando outro ministro foi obrigado, em nome do governo português, a reconhecer o Kosovo. Recentemente, a farsa de Guaidó na Venezuela, em que a existência de uma larga comunidade portuguesa exigiria a (pelo menos aparente) estrita neutralidade. Emfim, não há vergonha.

quinta-feira, julho 22, 2021

os valores europeus , 60 dias de greve de fome

Ao fim de sessenta dias de greve de fome e pouco interesse da imprensa em geral, cerca de meio milhar de trabalhadores indocumentados na Bélgica suspenderam a luta em face de um sinal de cedência do governo, a caminho de se ver nos braços com novos Bobby Sands (afinal o que reclama(ra)m uns e outros a não ser o direito à dignidade de ser humano?) 

Um marroquino em lágrimas, na casa dos quarenta, dizia estar há dezassete anos na Bélgica sem quaisquer direitos ou segurança, para fazer o trabalho que os belgas não querem fazer, mas que os magrebinos como ele, ou os portugueses e os romenos executam. Estes têm a vantagem da estar dentro da UE, ao abrigo dos "valores europeus".

Ao contrário do cagarim provocado pela lei húngara, que põe as crianças ao abrigo da inculcação lgbt nas escolas, o que pode representar um atentado à autodeterminação sexual das crianças -- que têm mesmo de estar ao abrigo destes maluquinhos --, não vi a senhora Ursula von der Leyen e restante pessoal político a manifestar-se com tamanha indignação. 

A questão polaca: estou pouco informado, mas haver povoações que se autodesignam como "zonas livres de pessoas lgbt", já me parece demasiado acintoso e grave, fazendo quase lembrar os tempos dos pogroms. Quanto a isso, não deve haver qualquer contemporização. Mas nada de amálgamas,  uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa, como diria o gil vicente.

Quando uma acção política -- mais ou menos acertada ou errática -- pretende salvaguardar crianças e jovens de abordagens que podem ser prejudiciais ao seu desenvolvimento integral e livre é apresentada com histeria como uma questão de direitos humanos, só apetece mandá-los à fava. Mas o governo húngaro persegue alguém por ser homossexual? Não podem estes organizar-se como bem entendem? 

Por falar em amálgama: ontem, no Telejornal, a propósito do referendo  que Orbán vai convocar, o pivot, tendenciosamente -- ou então não faz um cu do que anda para ali a dizer, como tantas vezes sucede com todos eles --, falou em "lei anti-lgbt". Nem vale a pena gastar latim com isto.

O ministro dos Negócio Estrangeiros do Luxemburgo contratacou a notícia do referendo húngaro propondo um referendo europeu para saber se a Hungria deve continuar na UE, algo que presumo nem esteja previsto nos tratados. O descabelamento e a patranha.  E depois dizem que não há lóbi gay... O que não há é lóbi suficientemente influente para os indocumentados que têm de viver uma vida clandestina, ao sabor da sorte.

Em tempo: e por falar em maluquinhos, à solta no seio do governo e no PS, vale a pena ler tudo aqui

"Estudos Culturais" ministrados por analfabetos, deixando os alunos ainda mais analfabetos do que quando entram nas universidades. E depois, o vezo censório. Bem podem argumentar que não há guerras culturais (elas já estavam no meio de nós antes de darmos por elas). Tal como o choque de civilizações, que o politicamente correcto negava. Temos visto.

Em tempo 2: não fora Igreja e as associações de apoio aos imigrantes, e eles bem podiam estar à espera das indignações de Ursula, no MNE luxemburguês e até de Santos Silva...

Em tempo 3: é uma pena que o tema da liberdade esteja a ser deixado à Direita, usado de forma oportunista pelo populismo. Mas a culpa é só da esquerda. Hei-de voltar ao tema.  

 

sexta-feira, junho 25, 2021

a histeria com a Hungria

 Os valores europeus. Ouvindo Ursula von der Leyen, pensava que esta se referia aos exilados catalães, mas não. É sobre a proibição de fazer endoutrinação lgbt às criancinhas húngaras. Uma questão de direitos humanos, como toda a gente sabe. Não a Catalunha, não os palestinianos ou os rohingya, por exemplo.

Santos Silva, o ministro. Rasgou as vestes e arrancou cabelos a propósito da lei húngara, que qualificou como "indigna". Vieram-me as lágrimas aos olhos.

Orbán. A personagem diz que lutou pelos direitos dos homossexuais no tempo do comunismo. Se ele o diz... Mas lá que eles eram perseguidos, eram. E por cá também. Excepto os que pertenciam à elite das elites, porque a esses tudo se permitia, até o Salazar fechava os olhos reprovadores. O povo, a pequena burguesia que dele emergia, tinha que calar, não bufar, ir à missa e só comer peixe às sextas.

O Expresso "contra o preconceito".  A cristinaferreirização da imnprensa. E que tal as cores da Palestina ou da Catalunha? Mas a manada nem pensa nisso. Quem lhes tira o 5 prà meia noite tira-lhes tudo.

Histeria. Faço o link para uma notícia que simpatiza com a causa. É brasileiro, podia ser português: é tão pobre que é estúpido. Em contrapartida, talvez isto.

(continuação daqui)

sexta-feira, setembro 06, 2019

isto é que importa mesmo



A condenação a dez anos de cadeia de uma dirigente política da oposição turca, Canan Kaftancıoğlu , psiquiatra, feminista e obviamente laica.
É pena a política externa da UE estar desacreditada, com Ucrânias, Venezuelas, Kosovos e outros fretes aos americanos, de qualquer administração (então no 'caso Guaidó', o Santos silva até metia dó).

sábado, outubro 28, 2017

o enxovalho

Se Portugal defende o direito à auto-determinação dos povos, princípio basilar do direito democrático e da carta das Nações Unidas, não podia nem devia assobiar para o lado quando esse princípio está posto em causa, e há mil e uma maneira de fazê-lo diplomaticamente. Pelo contrário, a forma como os líderes políticos se têm referido ao assunto, para agradar a Madrid, é indecente e indigna. Indecente, porque dão a imagem de um país de rabo alçado; indigna, porque se fossem políticos com princípios, tinham obrigação de nutrir alguma empatia pela vontade de autodeterminação dos catalães, sabendo-se pôr no seu lugar. Porque, se 1640 tivesse corrido mal, como correu aos catalães, poderíamos estar em situação semelhante: depois de séculos de domínio e repressão, prisão e morte dos líderes independentistas, proibição da língua, teríamos hoje de ouvir um primeiro-ministro a dirigir-se-nos em castelhano, a partir de Madrid, a insultar-nos e ameaçar-nos, e toda uma classe política, dum franquista prático como o líder do Ciudadanos a uma nulidade como o secretário-geral do PSOE, a perorar sobre a nossa aspiração à liberdade. Pior: poderíamos estar agora, na eventualidade de a Catalunha, bem sucedida então na guerra de independência, aparecer com líderes simétricos aos nossos, com comentários acintosos, como os vergonhosos proferidos pelo ministro Santos Silva, pessoa que até agora me merecia respeito intelectual.
Neste momento, já nem é vergonha o que sinto pela atitude do governo  e do PR; sinto-me enxovalhado por, em nome de Portugal -- também em meu nome, portanto -- se apressarem a dar a Madrid uma solidariedade de que ela não é credora.
Se a situação vier a evoluir no sentido correcto, o da autodeterminação, graças à coragem e perseverança dos catalães, com eles estará a razão da ética e da História (aliás, estará sempre, mesmo em caso de derrota); e quanto a nós ficará a nódoa, que poderá ser remediada ou esquecida, mas nunca apagada.

quarta-feira, dezembro 28, 2016

JornaL

Gado. Santos Silva, um homem do Norte, mandou uma piadola regional a Veira da Silva pelo seu sucesso na concertação social. O divertido Carlos Abreu Amorim logo veio berrar para as 'redes sociais' pela demissão do governante. Eles estão por tudo, qualquer caca serve. Continuem, que o país agradece.
Monumentos. É triste e é uma vergonha o estado reconhecer a sua incapacidade e incompetência na preservação do património cultural. Castelos, palácios, fortes, conventos, igrejas vão ser concessionados a privados para impedir que caiam. Prefiro assim, mas não deixa de ser vergonhoso e uma tristeza. Por isso também me meteu um bocado de nojo as estúpidas indignações a propósito da Cornucópia. Qualquer dia escrevo algo sobre a questão dos subsídios às artes.
Ferrovia. Em 2009, um governante idiota mandou ou permitiu o encerramento do troço Covilhã-Guarda. Quem assim procedeu tem uma puta duma noção de país que não interessa a ninguém. O governo mandou reactivar. Vivó Governo.
Catalunha. Um autarca catalão foi preso por dizer que não acatava a decisão do tribunal e defender a independência do país. Esta direita castelhana, talvez mais indigente do que a portuguesa, não aprende nada. O que se seguirá? Mais posições de força? Palhaços...
Islamofobia. O presidente romeno, da minoria étnica alemã, recusou dar posse à líder do paartido mais votado, muçulmana.. E pode? Ou é já o neo-fascismo miasmático da Europa Central a infectar os ares?
Pearl Harbour. A visita de Abe marca mais uma importante acção diplomática de Obama, que já visitara Hiroxima, a juntar ao acordo com o Irão e ao retomar das relações diplomáticas com Cuba. Obama falhou, contudo, e em toda a linha, onde mais importava: o conflito israelo-palestino.
Princesa Lea. Conheci-a na sala de cinema do Casino Estoril, em 1977, tinha eu treze anos. Demasiado nova para renunciar.
P&R. «É o nome da sua primeira viola? Ainda a tem? Tenho e essa não vendo nem por nada! Está guardadinha. Ainda faz algumas canções, porque estou sempre a meter-lhe cordas novas, a tocar. Tem graça, porque quando pego nessa viola saem sempre coisas boas -- não sei se é pela relação que tenho com ela. Até tenho violas muito caras, com a marca xpto, mas aquela Janine não tem comparação. Antes de ter filhos, eu dizia que se tivesse uma filha ia chamá-la de Janine por causa da minha viola. Tenho três rapazes e não tenho meninas. Então a Janine é a filha que não tive.» Entrevista de Matias Damásio, músico angolano, a Bruno Martins, no i de hoje. 

quarta-feira, outubro 05, 2016

Guterres!, Guterres! (Gondòmar.... Gondòmar...)

António Guterres, Alto-Comissário da ONU para os Reefugiados
caricatura de Acácio Simões
Extraordinária vitória pessoal de António Guterres (o mérito é essencialmente seu), da diplomacia portuguesa, liderada por Santos Silva e também de Marcelo.
Desejo que não tenha sido escolhido também pelas más razões, a de alguém pantanosamente dialogante, que não levanta grandes ondas. O Mundo não está para isso. No entanto, confio na sua inteligência e culura. Por outro lado, ele foi uma das caras em defesa dos refugiados. A sua eleição é, também por isso, interessante.
Quanto a Kristalina Georgieva, esperam-na trinta dias de férias. Que as goze bem, e mande bilhetes-postais a Junker e a Merkel.