«Quando, em finais dos anos noventa, voltei costas ao Bairro Amélia, com os seus estendais de gente mórbida, a banda sonora incessante das suas misérias, nunca pensei que a vida me devolveria ao ponto de partida. Naquele dia final, enquanto olhava pela janela do carro, senti uma onda de orgulho a alastrar pelo meu peito, uma sensação de triunfo. Dava um belo travelling.» Bruno Vieira Amaral, As Primeiras Coisas (2013)
«Fazendeiros ricos de volta da Europa, onde correram igrejas e museus. Diplomatas a dar a ideia de manequins de uma casa de modas masculinas... Políticos imbecis e gordos, suas magras e imbecis filhas e seus imbecis filhos doutores.» Jorge Amado, O País do Carnaval (1931)
«A quem imputar, todavia, as reais responsabilidades de tais actos: ao inocente ou às abomináveis gravuras de um pequeno livrinho de catecismo, estendal de horror, medo e violência, pesadelo da minha meninice? / Essa mórbida tradição religiosa, impregnada de brutalidade ancestral, iniciou-se há cerca de dois mil anos, quando um romano venal e astuto, de nome Pilatos, lavou as suas mãos de uma atitude de transigência ante os clamores da canalha assassina e despejou a água da bacia sobre a cabeça de quem calhou.» António Victorino de Almeida, Coca-Cola Killer (1981)