Bem pode o ministro do interior francês falar em minoria de bandidos que cometeram os desacatos sexta à noite, em Paris, após a vitória do PSG. O que mostram as imagens, mesmo que se trate de duas ou três ruas em cada cidade, é o mal-estar daquela sociedade, à beira de se desconjuntar. Quem tem andado por lá, pelas ruas, nos transportes, sente-o.
segunda-feira, junho 02, 2025
quarta-feira, fevereiro 26, 2025
os interesses permanentes de Portugal situam-se no Atlântico e na Ibéria, não na Europa Oriental, nomeadamente na Ucrânia -- ou seja:
Agora que parece avizinhar-se o fim da Guerra da Ucrânia, através da previsível entente entre os Estados Unidos e a Rússia, convém lembrar a políticos loquazes como Marcelo Rebelo de Sousa (e aos papagaios do comentário, se tivessem vergonha e competência) que os interesses permanentes de Portugal e o seu espaço geopolítico principal são o Atlântico e a Ibéria -- esquematicamente: Estados Unidos (mais do que a Inglaterra, por razões óbvias), a Espanha, estado multinacional, e os países da CPLP. A Ucrânia para Portugal, país que assinalará os seus 900 anos em 1128 (Batalha de S. Mamede -- e não em 1143, como pretendem para aí uns chungas) -- para Portugal, a Ucrânia representa aproximadamente zero. Bem sei que já não estamos no Século XIX, mas a História e a Geografia continuam -- e de que maneira.
É claro que não podemos ignorar que somos um país europeu e que pertencemos à União Europeia. Esta (ainda) é uma extraordinária construção política, e é também uma associação de estados independentes com interesses próprios, por vezes conflituantes. Não é uma confederação, e muito menos uma federação. E também já vi o seu fim mais longe.
Há, na União Europeia quem queira a guerra com a Rússia (coitados). Se os bálticos, os finlandeses, os escandinavos ou os polacos, por razões e medos históricos querem guerra, eles que a façam; se a França quer tirar desforço por estar a perder posições em África por causa da Rússia, ela que se enterre sozinha, que a nós não nos interessa nada. O perigo islamita radical, larvar mas real no Magrebe, tanto é combatido por franceses como por russos, estes talvez o façam até melhor, e pelo menos não têm contra si o pó dos antigos países colonizados
| bonecos |
segunda-feira, abril 11, 2022
estaria bem lixado se fosse francês
Vou ser superficial, pois não conheço a política francesa, não sou cidadão, não tenho de aturá-los todos os dias. Escolher entre um ceo como Macron e uma víbora como Le Pen, deve ser uma coisa terrível. De um lado, um político de plástico, um gestor bancário de convicções muito ténues; do outro, uma nacionalista, em cuja moderação não creio, a não ser que tenha feito o seu aggiornamento, e assim ser mais uma dentro do baralho. Se Le Pen ganhar vai ser o fim da UE? Há uns anos acreditava nisso, hoje nem tanto; será uma espécie de Orban num país mais poderoso. O que não deixará de causar grande perturbação. No entanto, a UE transformou-se numa espécie de sucursal da Nato e uma executora dos interesses americanos. E assim será nos próximos tempos. Talvez a UE precise de uma crise política séria. Macron poderá ser estadista? Eh... Estaria bem lixado se fosse francês.
terça-feira, setembro 21, 2021
tempos interessantes
Eu sei que os Estados Unidos foram necessários à nossa segurança colectiva, nomeadamente para travar o expansionismo soviético. E ainda bem, pois é sempre preferível o capitalismo, por mais selvagem. O americano, em particular, é brutal e predatório; há, porém e felizmente, em parte da sociedade civil americana, um dinamismo e com massa crítica, capaz de fazer frente aos poderes fáctícos, o maior poder.
O sovietismo também brutal, que se apoderou do estado, policial, totalitário e desavergonhado, desapareceu há muito, e hoje é a Rússia a ameaçada pela rapinagem americana, a que se opõem como querem e podem, desde logo pela manutenção de Putin no poder. Não sendo russo, quero que Putin fique por lá até 2036 -- e talvez se fosse russo o quisera na mesma. Nunca me cansarei de dizer que, até agora, nunca os russos foram tão livres e tão prósperos. E com Putin temos a certeza de que estes patifes não fazem farinha. A mais do que legítima recuperação da Crimeia, foi apenas uma demonstração aos bullies (um atavismo inglês que os americanos tornaram tara hereditária) que o respeitinho é muito bonito. (O aviso ao navio de guerra inglês armado em saliente a aproximar-se das águas territoriais russas na costa da Crimeia -- "Pela vossa saúde, invertam a rota..." -- foi hilariante.
E por falar em patifarias dos nossos queridos aliados americanos, elas têm sido incontáveis. Depois de deixarem todos os aliados de calças nas mãos no Afeganistão, para vergonha destes -- pelo menos os que a têm, como a ministra holandesa que se demitiu --, foi agora a partida pregada à França, com a anulação do contrato de aquisição de submarinos pela Austrália.
(Eu até acho bem, em teoria, um pacto militar daquela natureza; as potências nunca podem andar à solta, mesmo uma hipercivilizada como a China -- lembremos o Tibete, cuja ocupação tem sempre por cá quem a justifique (a melhor que ouvi, foi a de o Tibete ser um país libertado do seu regime feudal pelo exército popular da China -- nunca se chega longe demais no cinismo ou na estupidez e na desonestidade intelectual);
se o problema do governo de Macron estivesse no domínio dos princípios, a França estaria caladinha, que é a isso a que os vassalos se obrigam; mas o desplante foi o desvio de milhares de milhões de euros que os americanos induziram os australianos a fazer, em benefício próprio, claro está, fazendo a França estrebuchar com sonoridade. O espectáculo está em cena, e até agora tenho-me rido.
Ah, o Biden, ia-me esquecendo: pode estar a ser muito bom na política interna, eventualmente. Na política externa, um desastre bastante pior que Trump, como era expectável, mantendo tudo quanto este fez de mau. A hostilização idiota do Irão, que entretanto passou-se para os radicais nas últimas eleições, com a ajuda dos amigos americanos; a manutenção de barreiras na fronteira com o México. parece que estão a deportar muita gente. Enfim, tempos interessantes, como diria o outro.
sábado, dezembro 01, 2018
Paris será sempre Paris
domingo, maio 07, 2017
na vitória de Macron
quinta-feira, maio 04, 2017
o debate Macron-Le Pen, ou o deus-milhão e o campo de concentração
Acredito numa vitória de Macron, por poucos, no que será uma derrota para esta V República, que parece moribunda. Quanto a Le Pen, penso que terá uma grande votação, o que fará sempre dela uma vencedora, e, numa conjuntura semelhante, futura presidente.
Quanto aos democratas e pessoas de esquerda que dizem não votar em Macron, o único qualificativo que lhes assenta é o de tontinhos, pois se estamos em modo de caricatura, a escolha que se lhes apresenta é esta: o 'deus-milhão' ou o campo de concentração. Há dúvidas entre um e outro?...
sexta-feira, junho 24, 2016
em estado de choque
segunda-feira, novembro 23, 2015
Três razões para o terrorismo islâmico na Europa: 2 - A rejeição dupla
Não será por acaso que boa parte destes operacionais pertencem ao lumpen social, são jovens delinquentes, pequenos traficantes. Para além das desestruturações familiares que são um problema em todas as sociedades modernas, independentemente do desemprego que atinge os jovens, acresce a dificuldade suplementar de estes individuos que dão pelos nomes de Mohamed ou de Abdalah rejeitarem a sociedade que os rejeita. São indivíduos desesperados, pasto verde e fresco para o terrorismo.
quinta-feira, julho 02, 2015
E se ganhar o 'Não', a UE faz o quê?...
O cidadão grego que se pronunciará no referendo de Domingo e queira tomar uma decisão racional, procurando retirar o país do impasse sem capitular diante das pressões (ou chantagem) dos credores / UE, terá como alternativa:
2) Votar 'não' e esperar que a UE acorde e, em face do golpe profundo no adulterado projecto europeu que ela representa, os dirigentes se consciencializem que tudo tem de ser repensado. O que, com eleitorados envenenados contra a Europa do Sul, como o alemão o holandês ou o finlandês, será mais difícil a cada dia que passa. Não há, porém, outra alternativa à sobrevivência da UE como projecto. Até porque, ao contrário do que dizerm para aí uns tontinhos, a ideia da Grécia como vacina só servirá para criar mais desconfiança no conjunto dos cidadãos europeus.
Não será bonito, de Bruxelas, olhar para o sudeste da União ('união', repare-se), e vê-lo a arder.
segunda-feira, janeiro 19, 2015
"Desequilibrados, degoladores, calões. Islamistas fora de França"
domingo, janeiro 11, 2015
A manifestação de Paris: um triunfo da Civilização
terça-feira, dezembro 16, 2014
JornaL
domingo, maio 25, 2014
as eleições
segunda-feira, março 24, 2014
Do ouro sobre azul das estrelas da UE ao Bleu Marine: um horizonte vermelho de sangue
segunda-feira, julho 22, 2013
os poltrões
terça-feira, abril 16, 2013
a propósito do Prós e Contras de ontem
segunda-feira, abril 08, 2013
mostrar músculo à Alemanha (para benefício da própria Alemanha)
quarta-feira, fevereiro 08, 2006
Escrever na areia - Retoma
Não estou muito interessado em saber se a decisão de publicar as caricaturas de Maomé pelo jornal dinamarquês teve por base uma atitude sensacionalista e oportunista. (Nesta altura do campeonato já me são irrelevantes os eventuais propósitos racistas e xenófobos do tal Correio da Jutlândia, por mais odiosos.) O que me importa é a firmeza que a Europa deve demonstrar contra o fanatismo a minar-lhe a casa.
Um bom exemplo dessa firmeza é a controversa «lei do véu» francesa, tão mal vista pelos arautos do politicamente correcto, prontos, em nome não se sabe bem de quê, a subvalorizar a situação das mulheres islâmicas na França dos subúrbios, fortemente coagidas a cobrirem-se, intoleravelmente condicionadas na sua vivência quotidiana, por muito que os activistas islâmicos o queiram negar.
A Europa é uma realidade complexa que se construiu na base do seu autoquestionamento. Dizer Europa é, apesar de tudo, dizer laicidade, pensamento livre. Dentro das suas fronteiras -- nas da União Europeia, pelo menos --, deve opor-se, com todo o vigor, à censura, à chantagem e ao medo. E se em nome da liberdade permite aos muçulmanos que vivem no seu seio o maior respeito pelas suas tradições, não pode mais ser tolerante para com as práticas que colidam com a liberdade de todos os cidadãos, cristãos, muçulmanos, ateus ou animistas. Quem assim não compreender, sendo estrangeiro, não tem lugar entre nós, e terá de ser deportado, naturalmente; se for nacional e se servir das crenças para atentar contra a liberdade dos seus concidadãos, tem de ser criminalizado.
Nas últimas décadas, as nações livres opuseram-se e derrotaram o nazismo, serpente gerada no seu seio; derrotaram uma abstracção para-religiosa denominada comunismo soviético que, pretendendo criar um paraíso na terra para o «homem novo» por si gerado, redundou na monumental mentira dos gulags e da burocracia. O combate terá de ser feito de novo cá dentro, higienicamente, sem guerras de religião nem tiro ao mouro, com toda a firmeza, porém, sem complexos colonialistas, que para esse peditório já muitos países europeus deram! A agitação das massas em fúria provém, é verdade, da manipulação política feita por aqueles a quem aproveita um «Ocidente» mantido em sentido. Os governos dos países com uma larga minoria islâmica terão naturalmente de lidar com sabedoria e prudência em face da turba excitada; mas os instigadores terão de ser reprimidos. É para nós uma questão de sobrevivência.