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sexta-feira, fevereiro 13, 2026

2 versos de Manuel Matos Nunes

«Também eu queria conhecer essa rapariga / estendida ao sol no relvado de um colégio inglês» 

Insolúvel Flautim (2023) - «Ruy Belo: a rapariga de Cambridge»

sexta-feira, outubro 24, 2025

40 ANOS DE SERVIDÃO - da tradição como fonte

«Ramo verde florido, / florido de bela flor, / do meu amor tão querido, / onde está o meu amor? // [...]»

A procura do amor aos dezanove anos. O poema mais antigo de Sena publicado (creio) num dos primeiros livros póstumos, fiel e amorosamente editado (no sentido anglo-saxónico) por Mécia -- Variações sobre Cantares de D. Dinis.

Parafraseando Ruy Belo: D. Dinis e Jorge de Sena, dois poetas contemporâneos. Conheceria já os conceitos de modernidade e tradição do Eliot? Ver. 

quinta-feira, setembro 25, 2025

2 versos de Ruy Belo

«esses americanos gente do dinheiro e do veneno / de um veneno talvez chamado dinheiro» 

«Requiem por Salvador Allende», Toda a Terra (1976)

segunda-feira, setembro 09, 2024

o menino Ferreira de Castro

As terras têm o seu património, natural, etnográfico, arquitectónico. O legado literário em geral dá-lhes, porém, mais densidade. Amarante, com Pascoais, Vila do Conde tem Régio e o irmão Júlio/Saul Dias, Rio Maior e Ruy Belo, a Vila Franca de Xira de Alves Redol. Oliveira de Azeméis tem Ferreira de Castro, e a autarquia editou, no ano seguinte ao centenário do seu nascimento, uma BD para as crianças, da autoria do conterrâneo Manuel Matos Barbosa (1935), um nome do cinema de animação e do documentalismo.

Castro tem excesso de biografia: aos 12 anos emigrou sozinho para o Brasil, sendo enviado para um seringal na Amazónia. Dessas experiências extrairá matéria para dois extraordinários livros, que irão renovar o romance português, abrindo portas ao neo-realismo: Emigrantes (1928) e A Selva (1930). Porém, verdadeiro escritor, não se ficaria por aqui: Eternidade (1933) encerra um fundo existencialista numa narrativa de cunho social; A Lã e a Neve (1947), friso romanesco que é talvez o seu romance mais perfeito; ou A Missão (1954), uma novela que é uma jóia de problematização psicológica.

Como se fosse pouco, este autodidacta, foi durante décadas o escritor português mais traduzido, duas vezes proposto para o Nobel da Literatura, entre muitos outros factos que aqui não cabem. Mas o cerne dessa vocação está na primeira infância, na aldeia natal de Ossela, e Matos Barbosa, com um traço límpido e tons suaves, foi feliz em mostrá-lo.

O José Vai à Escola

texto e desenhos: Matos Barbosa

edição: Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis, 1999

(Novembro, 2019)




quarta-feira, maio 11, 2022

JornaL

1. Abuso de crianças dentro da igreja.  Bem sei que a questão é mais complexa, mas estou convencido de que uma aberração como o celibato obrigatório dos padres e freiras contribuiu para deformar algumas mentes.

2. Lei dos Metadados. Não percebo como é possível a Assembleia da República parir leis inconstitucionais. Não há para lá assessores aos pontapés? Para que servem?

3. "Pégasus". Muitíssimo conveniente as alegadas escutas dos serviços secretos espanhóis a Pedro Sánchez e alguns ministros, depois de serem apanhados a espiar os líderes catalães. devem pensar que somos parvos, carne para canhão comunicacional, à maneira do método emprenhamento artificial usado com a guerra da Ucrânia.

4. Atrasos de vida. Os talibãs voltam a impor o véu completo e recomendam a burca. Primitivos e maus.

5. Les beaux esprits...  João Botelho a filmar a poesia de Alexandre O'Neill, dará um bom filme? É bem provável.

6. Livro que me apetece. Devagar, a Poesia, de Rosa Maria Martelo (Documenta).

7. Uma frase. «[...] O'Neill tem na relação com Portugal um tema cuja intensidade e profundidade apenas encontra paralelo em pessoa.» Fernando Cabral Martins, JL. Será? O primeiro nome que me vem à cabeça é o de Ruy Belo, mas há outros.

segunda-feira, novembro 04, 2019

"Dou palavras um pouco como as árvores dão frutos"

«Ao escrever, e independentemente do valor do que escrevo, tenho às vezes a vaga consciência de que contribuo, embora modestamente, para o aperfeiçoamento desta terra onde um dia nasci para nela morrer um dia para sempre. Dou palavras um pouco como as árvores dão frutos, embora de uma forma pouco natural e até antinatural,porquanto, sendo como o é a poesia uma forma de cultura, representa uma alteração, um desvio e até uma violência exercidos sobre a natureza. Mas, ao escrever, dou à terra, que para mim é tudo, um pouco do que é da terra. Nesse sentido, escrever é para mim morrer um pouco, antecipar um regresso definitivo à terra.» Ruy BeloTransporte no Tempo (1973), «Breve programa para uma iniciação ao canto».

domingo, setembro 29, 2019

vozes da biblioteca

«Aquele que na hora da ganância / Perdeu o apetite.» Sophia de Mello Breyner Andresen, «Salgueiro Maia», Musa (1994)

«Morre-me a boca por beijar a tua.»  Camilo Pessanha, «Soneto», in Eugénio de Andrade, Eros de Passagem - Poesia Erótica Contemporânea (1968)

«Nascer morrer só pelas folhas ser ficar / e ser sempre por dentro o que se for por fora» Ruy Belo, «Guide Bleu», Boca Bilingue (1966)

quinta-feira, setembro 19, 2019

vozes da biblioteca

«A lua / tropeça nos juncos» Eugénio de Andrade, «In memoriam», Primeiros Poemas (1977)

«A morte é a verdade e a verdade é a morte.» «Quasi flos», Ruy Belo, O Problema da Habitação -- Alguns Aspectos (1962)

«Mas explicai-vos ou primeiro ouvi-me, / Que a um tempo assim braceando, assim gritando, / Assim chorando não nos entendemos.» Alberto de Oliveira, «Floresta convulsa», Poesia - 3.ª série (1913) / Evatisto Pontes dos Santos, Antologia Portuguesa e Brasileira (1974)

domingo, setembro 08, 2019

silva

«As cidades perdiam os nomes / que o funcionário com um pássaro no ombro / ia guardando num livro de versos.» Carlos Drummond de Andrade, «Registro Civil», Brejo das Almas (1934)

«É terrível ter o destino / da onda morta na praia» Ruy Belo, «Para a dedicação de um homem», Aquele Grande Rio Eufrates (1961)

«Encostei meu ombro naquele céu curvo e terno» Francisco Alvim, «Hora», in Heloisa Buarque de Hollanda, 26 Poetas Hoje (1976)

segunda-feira, agosto 05, 2019

vozes da biblioteca

«Experimento um prazer em saborear este sol e este cheiro infantil, a carteira, o giz, o quadro.» Antoine de Saint-Exupéry, Piloto de Guerra (1942) (trad. Ruy Belo)

«Ora, se há coisas que as mulheres de sociedade desejam ver, e encontravam-se ali mulheres de sociedade, é o interior dessas mulheres cujas carruagens salpicam de lama as suas, diariamente, que têm, como elas e ao lado delas, um camarote na Ópera e nos Italianos, e que exibem, em Paris, a insolente opulência da sua beleza, das suas jóias e dos seus escândalos.» Alexandre Dumas, Filho, A Dama das Camélias (1848) (trad. Sampaio Marinho)

«Teriam ambos quarenta anos, mas as linhas angulosas das suas feições denotavam energia, mais acentuada ainda pela barba espessa e hirsuta.» Emilio Salgari, O Corsário Negro (1898) (trad. A. Duarte de Almeida)

sábado, fevereiro 03, 2018

[...] tão discreta no recorte dos seus gestos / na forma de vestir no corte de cabelo / que tenta mas em vão dissimular que é bela
Ruy Belo

quinta-feira, maio 11, 2017

Sou donde estou e só sou português / por ter em portugal olhado a luz pela primeira vez
Ruy Belo

segunda-feira, maio 02, 2016

Sei hoje que ninguém antes de ti / morreu profundamente para mim
Ruy Belo

segunda-feira, março 30, 2015

A posteridade de H. H.

Não me refiro à posteridade literária, como é óbvio, à perenidade da obra, ao lugar que ela ocupa na poesia. Se tivesse de fazer o difícil exercício de congeminar uma lista com meia dúzia de nomes dos, para mim, maiores poetas da segunda metade do século XX, Herberto Helder faria parte dela, com Alberto de Lacerda, Alexandre O'Neill, António Ramos Rosa, Rui Knopfli e Ruy Belo -- e teria de deixar de fora muitos que me assombram..
A posteridade a que me refiro é outra, a patrimonial e identitária. Percebo perfeitamente o apelo do seu filho, Daniel Oliveira, para que não desatem os poderes públicos ou particulares a homenagear o poeta, com nomes de rua, estátuas e bustos, etc. Guardado porém o decoro temporal necessário para não violentar quer a memória de Helberto Helder, quer a legítima vontade dos seus descendentes, não creio que ele tenha possibilidade de ser acatado.
Os grande autores não se pertencem, é uma banalidade escrevê-lo. E se cada cada vez menos se pertencem em vida (é ver a poesia de HH espalhada por blogues e pelas "redes sociais"), muito menos depois de ela findar. E ainda bem que assim é. Não há como não preservar e assinalar, por exemplo, a casa onde o poeta nasceu e aquela em que morreu (a Rua do Mercado, nº 7, em Cascais). E quem diz estes vestígios palpáveis da memória dele (e, de há muito, nossa), diz outras manifestações inevitáveis que a comunidade imperiosamente não pode deixar de promover.
Como pedir à Madeira que deixe o seu maior poeta entregue apenas aos seus livros? É, entre outras, uma questão de sobrevivência da própria comunidade.

quinta-feira, março 05, 2015

bastou-me ver teu rosto e mais que ver olhar
Ruy Belo

sexta-feira, abril 19, 2013

Loucura é colocar em outra vida / a esperança que perdida mesmo nesta / só nesta e não noutra pôde pôr-se 
Ruy Belo

sexta-feira, setembro 09, 2011

a glimpse of happiness

alterno raul brandão e ruy belo
transporte no tempo com el-rei junot
a melhor poesia em grande prosa 
grande poesia que toda a prosa deveria ter

morte e mais morte entre 
tanta vertigem de fim é
possível um frémito de 
felicidade em tanta morte 

quarta-feira, junho 21, 2006

Caracteres móveis #79 - Antoine de Saint-Exupéry

A infância, esse grande território donde todos saímos! Pois donde sou eu? Sou da minha infância como se é de um país...
Piloto de Guerra
(tradução de Ruy Belo)

domingo, dezembro 11, 2005

Antologia Improvável #83 - Ruy Belo (2)

A MISSÃO DAS FOLHAS

Naquela tarde quebrada
contra o meu ouvido atento
eu soube que a missão das folhas
é definir o vento

Aquele Grande Rio Eufrates / Obra Poética I

Ruy Belo