«Também eu queria conhecer essa rapariga / estendida ao sol no relvado de um colégio inglês»
Insolúvel Flautim (2023) - «Ruy Belo: a rapariga de Cambridge»
conservador-libertário, uns dias liberal, outros reaccionário. um blogue preguiçoso desde 25 de Março de 2005
«Também eu queria conhecer essa rapariga / estendida ao sol no relvado de um colégio inglês»
Insolúvel Flautim (2023) - «Ruy Belo: a rapariga de Cambridge»
«Ramo verde florido, / florido de bela flor, / do meu amor tão querido, / onde está o meu amor? // [...]»
A procura do amor aos dezanove anos. O poema mais antigo de Sena publicado (creio) num dos primeiros livros póstumos, fiel e amorosamente editado (no sentido anglo-saxónico) por Mécia -- Variações sobre Cantares de D. Dinis.
Parafraseando Ruy Belo: D. Dinis e Jorge de Sena, dois poetas contemporâneos. Conheceria já os conceitos de modernidade e tradição do Eliot? Ver.
«esses americanos gente do dinheiro e do veneno / de um veneno talvez chamado dinheiro»
«Requiem por Salvador Allende», Toda a Terra (1976)
As terras têm o seu património, natural, etnográfico, arquitectónico. O legado literário em geral dá-lhes, porém, mais densidade. Amarante, com Pascoais, Vila do Conde tem Régio e o irmão Júlio/Saul Dias, Rio Maior e Ruy Belo, a Vila Franca de Xira de Alves Redol. Oliveira de Azeméis tem Ferreira de Castro, e a autarquia editou, no ano seguinte ao centenário do seu nascimento, uma BD para as crianças, da autoria do conterrâneo Manuel Matos Barbosa (1935), um nome do cinema de animação e do documentalismo.
Castro tem excesso de biografia: aos 12 anos emigrou sozinho para o Brasil, sendo enviado para um seringal na Amazónia. Dessas experiências extrairá matéria para dois extraordinários livros, que irão renovar o romance português, abrindo portas ao neo-realismo: Emigrantes (1928) e A Selva (1930). Porém, verdadeiro escritor, não se ficaria por aqui: Eternidade (1933) encerra um fundo existencialista numa narrativa de cunho social; A Lã e a Neve (1947), friso romanesco que é talvez o seu romance mais perfeito; ou A Missão (1954), uma novela que é uma jóia de problematização psicológica.
Como se fosse pouco, este autodidacta, foi durante décadas o escritor português mais traduzido, duas vezes proposto para o Nobel da Literatura, entre muitos outros factos que aqui não cabem. Mas o cerne dessa vocação está na primeira infância, na aldeia natal de Ossela, e Matos Barbosa, com um traço límpido e tons suaves, foi feliz em mostrá-lo.
O José Vai à Escola
texto e desenhos: Matos Barbosa
edição: Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis, 1999
(Novembro, 2019)
1. Abuso de crianças dentro da igreja. Bem sei que a questão é mais complexa, mas estou convencido de que uma aberração como o celibato obrigatório dos padres e freiras contribuiu para deformar algumas mentes.
2. Lei dos Metadados. Não percebo como é possível a Assembleia da República parir leis inconstitucionais. Não há para lá assessores aos pontapés? Para que servem?
3. "Pégasus". Muitíssimo conveniente as alegadas escutas dos serviços secretos espanhóis a Pedro Sánchez e alguns ministros, depois de serem apanhados a espiar os líderes catalães. devem pensar que somos parvos, carne para canhão comunicacional, à maneira do método emprenhamento artificial usado com a guerra da Ucrânia.
4. Atrasos de vida. Os talibãs voltam a impor o véu completo e recomendam a burca. Primitivos e maus.
5. Les beaux esprits... João Botelho a filmar a poesia de Alexandre O'Neill, dará um bom filme? É bem provável.
6. Livro que me apetece. Devagar, a Poesia, de Rosa Maria Martelo (Documenta).
7. Uma frase. «[...] O'Neill tem na relação com Portugal um tema cuja intensidade e profundidade apenas encontra paralelo em pessoa.» Fernando Cabral Martins, JL. Será? O primeiro nome que me vem à cabeça é o de Ruy Belo, mas há outros.
Segue-se a norma adoptada em Angola e Moçambique, que é a da ortografia decente.