Mostrar mensagens com a etiqueta Cuba. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Cuba. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, março 30, 2026

Trump, esta anedota

Não me lembro de quem, mas tenho pena: ontem um comentador numa estação fez notar que Trump -- tão bem enrolado pelo Netanyahú (e, quiçá, pelo próprio MBS) -- está a enviar toda aquela tropa para o Golfo Pérsico para forçar a abertura do Estreito de Ormuz, que estava aberto antes de começar este carnaval... Maior brilhantismo é impossível.

Antes, tínhamos um senil manipulado por falcões, Joe Biden; agora um tipo que não é estúpido, antes um mitómano doido varrido, rodeado de yes men. Num caso e noutro, ambos patifórios.

Escusado será dizer que quero muito que eles levem nas lonas. Veremos. Quem vai pagar as favas será Cuba, que passará do comuno-tropicalismo para os bons velhos tempos em que a ilha era um vasto casino e uma colorida casa de putas da máfia e demais elite n-americana.

sexta-feira, julho 16, 2021

Cuba, notas breves, impasses vários

 Ando há dois dias à volta deste texto, com medo de precipitar-me; até porque sou um conhecedor superficial da realidade cubana. Ou seja, sei o que toda a gente sabe, ou só um bocadinho mais do que a generalidade dos cidadãos. No entanto, quero escrever algo, tentando algum equilíbrio, porque a realidade nunca é maniqueísta.

1. Que faria se fosse cubano? Quereria uma sociedade livre e justa; e portanto, se fosse um rapaz novo, estaria na rua, suponho; até porque dificilmente teria a noção de que a CIA também por lá anda, o que não serve de desculpa para o resto. Cuba não é uma sociedade livre, como toda a gente bem formada sabe; Cuba não pode ser uma sociedade justa. Onde há apparatchiks -- e são quase todos, é da natureza dos sistema --, há privilégios de casta. Onde há privilégios de casta, não há comunismo nenhum, mas apenas uma aldrabice, mais ou menos sofisticada.

2. Cuba antes da revolução: um bordel da máfia, uma cloaca para os dejectos norte-americanos, como a generalidade dos países da América Central, os tais shitty countries do falecido Donald Trump, donde promanou a expressão "república das bananas", e dos quais milhões de miseráveis partem todos os dias até à fronteira do México com os Estados Unidos, fugindo ao destino que está marcado aos filhos dos pobres, tráfico, banditismo, se rapaz, a prostituição, sendo rapariga. Ora, há que dizê-lo, alto e bom som, que destas maravilhas do mundo livre, passou Cuba a estar privada desde a revolução, o que não é pouca coisa, por muito que Biden e os antecessores queiram resgatar aquele povo que tanto amam da opressão.

3. Fidel Castro. Por muito que não se goste do estatismo burocrático pseudocomunista -- e eu detesto-o, como se viu --, há algo que ninguém tira a Fidel Castro e aos restantes companheiros da revolução cubana: a dignidade de pegar em armas e derrubar um pequeno pulha. E, já agora, o de transformar um estado latrina (como o são os países centro-americanos, com excepção da Costa Rica) numa outra coisa, que naquele continente os dedos de uma só mão sobram para que se encontre semelhante. Claro que o Castro instalou-se no poder, e o poder corrompe, não apenas os fracos.

(Parênteses: Castro não era comunista; foi a brutalidade arrogante dos americanos, que se combina com estupidez e cupidez em dose cavalar -- e que está na origem de boa parte dos conflitos em que eles se meteram (ler sempre O Americano Tranquilo do Graham Greene, deveras instrutivo) -- que empurraram Fidel, educado pelos jesuítas, para os braços da União Soviética, o melhor que ele fez, de resto, para a manutenção no poder.)

4. Claro que isto não serve de desculpa para os impasses daquela sociedade -- mesmo com o bloqueio americano --, porque o comunismo estatista é uma aberração, como aliás desde sempre avisaram os anarquistas. Não há "partidos" revolucionários e muito menos governos (um "governo revolucionário" é uma contradição nos termos, escreveu Kropótkin). Quanto a haver "estados revolucionários", só por piada se pode dizê-lo; piada amarga, para muitos que o sofrem. A táctica leninista de assalto ao estado alcandora o Partido ao poder. Dali brotaram chefes sanguinários impiedosos e sanguinários, Lénin, Tróstky, sátrapas como Stálin e Mao, alucinados tais Enver Hoxa ou Ceausecu, e até ditadores suaves, como o húngaro Kadár ou o croata Tito. Olhar para Brejnev e ver a traição a qualquer ideal revolucionário e a ausência de um pingo de vergonha na cara. Quem diz Brejnev diz os outros todos, ou quase. Um dos poucos verdadeiros revolucionários do antigo Bloco Leste foi o eslovaco Dúbcek, cujo nome deveria fazer corar qualquer defensor do burocratismo soviético. 

5. Revolucionários transformados em funcionários, um vício de base. A funcionalização da política: o carreirismo, o amiguismo, a incompetência, a mediocridade e quantas vezes a impunidade. É assim o funcionalismo, nem pode ser doutro modo. A natureza humana. O sovietismo aí está, longo cortejo de horror, arbitrariedade, não vale a pena virem com a costumeira língua de pau. Até já estou a ouvir: "e então os crimes do capitalismo?...", como se esses outros actos nefandos, feitos em nome de nada que não a cupidez e mentiras mal amanhadas (veja-se a criminosa invasão do Iraque), isentassem, desculpassem, suavizassem os crimes do outro lado. Pois para mim é precisamente o contrário: é mais grave a mentira do lado que proclama a emancipação humana e a trai; o capitalismo (os subprime, os bes, todo esse lixo) é aquilo mesmo, rapina, e como tal deve ser tratado, sem ilusões de bondade.

6. Economia de guerra e índices de desenvolvimento na saúde e na educação sem par naquelas bandas já não comovem uma geração que quer respirar, e que obviamente assiste ao nepotismo e impunidade de um regime de funcionários, que é nisso que se tornam os revolucionários quando se sentam nas cadeiras do poder, retrato expressionista da fraqueza humana ou caricatura de si próprios. Por essa razão, um revolucionário autêntico como o Che Guevara, pese os seus erros, se afastou para fazer a Revolução alhures. Alguém imagina o tédio (quando não o nojo) do Che no meio de funcionários, discutindo informes, tendo de gramar ora o sabujo, o puxa-saco (na maravilhosa expressão brasileira) ora o oportunista, carreiristas todos, ou quase? Cristo!... 

7. Não sou especialista em Estratégia para arriscar uma prospectiva, no entanto a situação do actual poder cubano parece desesperada. Os Estados Unidos vão fazer ali o que lhes apetecer (Biden não é Obama) e sem nenhum respeito, a partir do momento em que a Rússia deixou claro que a soberania dos vizinhos é limitada. Putin bem avisou, mas não o quiseram ouvir. Se tal vier acontecer, resta esperar que o alto índice de instrução da população cubana, uma das conquistas da sua revolução, e os exemplos de máxima degradação da vizinhança possam impeli-los a construir uma sociedade não apenas livre para todos os indivíduos, mas justa.

sábado, novembro 26, 2016

os dois Fidéis

O Fidel Castro da revolução, o guerrilheiro da Sierra Maestra, o que se levantou contra os plutocratas que governavam o país, o que tinha vergonha na cara por Havana ser a casa de putas da máfia e dos magnatas americanos; o que teve políticas sociais incomparáveis que fazia com que, por exemplo, desde há décadas Cuba tivesse uma taxa de mortalidade infantil ao nível da da Suécia, enquanto que os salvadores, as honduras, as guatemalas, os haitis (!) eram (e são) esgotos a céu aberto por onde correm as dejecções de todos os somozas que os governam -- eis o Fidel interessante e que aprecio.
O Fidel demolhado pelo poder, paternalista, moralista, monarquista, ditatorial e sem habanos, esse não me interessa. 
A História irá absolvê-lo? O purgatório está-lhe certamente reservado; mas em comparação com muitos dos seus homólogos, ela, a História, talvez não deixe de pesar tudo isso a seu favor.
P.S. Fidel, no início, não era comunista; foi a crónica burrice dos americanos em mat´ria de política externa que o empurrou para os braços da União Soviética.

quinta-feira, dezembro 18, 2014

JornaL

Obama. No segundo mandato, fez o que devia e o que podia em relação a Cuba, ao arrepio da diplomacia bronca dominante dos Estados Unidos (Fidel Castro foi por ela empurrado para o colo da então URSS). A abertura à ilha será muito mais eficaz na mudança do regime do que o isolamento imposto até agora.

«Guerra do petróleo».  Esplêndido artigo de Jorge Almeida Fernandes no Público, explica a estratégia saudita da baixa de preços do crude (concorrência de petróleo de xisto norte-americano, de extracção mais cara, e estrangulamento da economia do Irão, arqui-rival na região), bem como os efeitos imprevisíveis desta queda de preços na política russa, assunto muito sério.

Vítor Crespo. Mais um dos grandes e dos bons miltares de Abril que nos deixa.

Submarinos. Na Alemanha, condenou-se quem corrompeu em Portugal e na Grécia; na Grécia, prende-se ex-governante; por cá, arquiva-se o processo. Não será, por isso, constituído arguido Jacinto Leite Capelo Rego, militante ou simpatizante (em todo o caso, contribuidor líquido) do CDS.

Pena de morte. Primeira medida do governo paquistanês contra os talibãs suicidas.

Frase do dia. "Por muito conservador que se seja, nunca se está preparado para os ultrajes do capitalismo." (Miguel Esteves Cardoso, Público).