segunda-feira, maio 18, 2026
sábado, julho 12, 2025
desisto de falar de 'jornalistas'
Há três anos e meio que ando a aguentar a sua incompetência, estupidez, ignorância, sabujice, insolência. Estou farto deles. O último caso, uma pobre caricatura que não se enxerga, tirou Carlos Branco do sério; já na véspera ia tentando o mesmo com Agostinho Costa, mas este, já escaldado com as aventesmas que lhe põem à frente, teve ainda a paciência para fintá-lo. Sexta à noite, noutro canal o coronel Mendes Dias -- já tinha saudades -- alternando com um pateta dum jornalista do Expresso, um dos muitos pobres de cristo evacuados das redacções para os estúdios, a propósito do maestro Valery Gergiev -- a grande dignidade com que respondeu, sem responder, ao palonço que tinha à frente.
Desisto de falar destes tipos, não valem a tinta que não se gasta aqui a escrever sobre eles.
P.S.
domingo, junho 22, 2025
quem tem poder, exerce-o
Mutatis mutandis foi o que se passou na Ucrânia e agora no Irão. A Rússia violou o Direito Internacional, reagindo à golpada de 2014 em Kiev, manobrada pelos Estados Unidos; estes atacaram ontem o Irão, livrando de piores lençóis aquilo que o saudoso Carlos Matos Gomes classificou como o 51.º estado norte-americano, ou seja, Israel.
Isto deixaria embaraçados uma boa parte de comentadores -- arregimentados uns; ignorantes ou outros -- e políticos imbecis, como boa parte cá do burgo, quando dizem que a Rússia não foi atacada (de facto não o foi, convencionalmente), como os Estados Unidos não o foram pelo Irão -- não contando, obviamente com o seu proxy (ou 51.º estado, se preferirem).
Nunca mais me esquecerei de um pateta de um doutorado da treta que, querendo rebater o major-general Agostinho Costa arengava: "Estava a Ucrânia posta em sossego, quando a Rússia atacou" -- etc. É preciso ser-se muito estúpido e totalmente vesgo relativamente às matérias em que se é "especialista". Vai ser divertido ouvir esta e outras luminárias a propósito do que se está a passar.
Quanto a isto -- independentemente de todos os desenvolvimentos cogitáveis do processo em curso --, parece-me que a Rússia passou a estar muito mais à vontade na Ucrânia para abocanhar o que falta das suas regiões históricas. Quanto à velha Formosa, província rebelde da China, esperemos que a sabedoria milenar daquela gente consiga resolver a questão de forma pacífica -- se os americanos deixarem...
como disse Agostinho Costa, os EUA atacaram o Irão em dois dias
Foi na quinta-feira à noite, diante de uma incompetente malcriada, que há três anos vem com conversa de meia-tigela sobre a guerra na Ucrânia, para não falar do burrico de turno que faz o papel de jornalista.
Priva, aliás, de que Israel estava (está?) à rasca, caso contrário não precisariam que os americanos viessem em seu socorro.
Vejamos o que se segue no jogo de sombras da diplomacia e na acção dos serviços secretos de todas as partes.
(Estava a ouvir em directo Carlos Branco na cnn-Portugal, e agora, na RTP3, dois jornalistas a sério: Miguel Szymansky e José Manuel Rosendo.)
segunda-feira, junho 02, 2025
debate sobre o controlo da comunicação e das mentes, a propósito da Guerra da Ucrânia -- é claro que vou!
Haverá uma jornalista a moderar, e ainda bem, pois jornalismo é coisa que raramente se viu até agora -- pelo contrário: impreparação, ignorância, desleixo, descaso, mediocridade crassa, enfim. No liceu, tive uma cadeira chamada 'Iniciação ao Jornalismo'. Aí aprendi que o jornalismo deve, por exemplo, reportar ambos os lados de um conflito. Alguém, com excepção de um free lancer, mandou uma equipa de jornalistas ao outro lado?, alguém ouviu os habitantes da Crimeia, do Donbass? A RTP, televisão do estado, é gritante: enviou para Kiev um lamentável pé de microfone da propaganda americana, chamado Cândida Pinto; correu com o rebarbativo Raul Cunha, demasiado inconveniente; convida Agostinho Costa quando o rei faz anos; foram preciso quase três anos de guerra para que uma das vozes mais cultas, críticas e lúcidas (o grande problema é mesmo ignorância e boçalidade cultural) do espaço público, como Viriato Soromenho-Marques, fosse dizer qualquer coisa à RTP, e primeiramente a propósito de outro assunto (as eleições americanas); Carlos matos Gomes, um militar que foi um intelectual esplêndido, além de romancista de alto coturno, nunca lá pôs os pés, que eu saiba (a não ser para falar sobre a Guerra Colonial); Pezarat Correia nunca aparece. Em geral, quem aparece são uns marrões que seguiram a carreira académica, atrasos de vida que lêem imensos papers, lixo igual ao que produzem, ou então não percebem nada do que lhes passa debaixo dos olhos. A generalidade das estações de notícias (a sic e a grotesca parelha Rogeiro-Milhazes, ou a falcoa Vaz Pinto), exceptuando a cnn-Portugal, valha-nos deus, apesar do humorista Botelho Moniz e da inefável Soller, entre tantas outras personagens da carnavalização do comentário geopolítico). Da imprensa escrita e radiofónica, nem se fala.
Por isso, vou fazer o sacrifício de pegar em mim e ir de Cascais a Lisboa -- talvez fique a perceber por que razão o que nos é vendido como jornalismo não passa da negação do próprio jornalismo.
sexta-feira, março 07, 2025
defesa europeia, ou começar a casa pelo telhado
Ao contrário do que escrevem para aí uns asnos todos os dias, a unanimidade de ontem quanto ao rearmamento europeu é muito mais aparente do que efectiva. É facílimo concordar com empoderamento (peço desculpa pela palavra horrível) europeu quando se embrulha a Ucrânia com a Gronelândia e o Árctico com o Sahel...
Quando for a doer é que se vai ver, já dizia o Shakespeare: quem comanda quem e o quê, e quem é comandado, contra quem, onde e como. Minudências...
Como até a minha boxer já percebeu, não é possível uma política externa e de defesa comum com esta União Europeia -- felizmente, acrescento, porque se é para isto, mais vale deixar como está.
Continuam sem perceber um boi, estas andorinhas do jornalismo. Mas não são as únicas (ainda ontem, ao ouvir o quase sempre lastimável debate com Agostinho Costa, malgré lui). Tenho aliás aprendido que há tetrápodes que riem e burricos que moderam.
terça-feira, fevereiro 25, 2025
atrasos de vida
Desde o início da guerra entre os EUA e a Rússia na Ucrânia que muito se tem falado em Munique '38 e o nefasto apaziguamento de Hitler, que se verificava já pelo menos desde 1936, com a reocupação do Ruhr. A equiparação é fácil de entender, Putin o novo Hitler, e, claro, associando-lhe características idiossincráticas e ideológicas do estafermo austríaco: insânia, espaço vital, superioridade rácica e todo o folclore, para sugestionar simplórios. Que pivôs feitos jornalistas à pressão ou uns quantos pobres de Cristo do direito ou das relações internacionais o digam, ao fim de três anos de estupidez começa a ser tradicional; que historiadores de meia-tigela venham com comparações fáceis mas erradas, é uma nódoa de que não poderão limpar-se.
(Lembram-me outros historiadores que no seu activismo se esqueceram de que o eram, contestando a palavra/expressão Descobrimentos para designar uma parte fundamental das navegações e expansão portuguesas. Que estúpidos...)
Mas... -- há sempre um mas. Se enquanto vigorar a Nato, um ataque, por exemplo, aos países do Báltico ou à Polónia seria suicidário (e para quê, o ataque?...), não se segue que, no momento, presente Estónia, Letónia e Lituânia, com uma forte minoria de nacionais russos entre a sua população (num dos países, quase chega aos 50%), não devam ter em atenção o tipo de política que a estes é dirigida, e não fazer como na Ucrânia, perseguição, proibição, massacre até -- sem dúvida o que levou as autoridades russas a falarem com merecido desprezo da necessidade de desnazificação. (Também há para lá nazis, embora os propagandistas de cá digam que não).
Ontem ouvi o major-general Agostinho Costa referir-se a este pormaior; e seria bom que estes mini-estados resistissem à tentação fácil. Se é a guerra que eles querem -- como se fartam de gritar -- começá-la será facílimo. Imitem a Ucrânia. Destas provocações, sim, é preciso ter medo.
sábado, fevereiro 15, 2025
ucraniana CCLXXX - o telefonema de 7 minutos de Trump a Zelensky e o 'jornalismo' doloso
Se o jornalismo era já uma actividade pouco prestigiada e prestigiante, não obstante a percentagem reduzida de grandes profissionais que sempre se verificou existir, é já uma banalidade referir o quão fétida e cadaverosa está uma actividade que deveria ser nobre, mas que se degrada e prostitui todos os dias, a todas as horas. Ainda hoje ouvi um rui qualquer do Expresso, que pouco mais deve saber do que contar até dez a evolucionar verbalmente sobre a Conferência de Munique...
No que respeita à guerra da Ucrânia os exemplos de incompetência e principalmente ignorância são diários -- e estou a referir-me apenas a jornalistas, dos pivôs, quase todos uma desgraça, aos patéticos enviados especiais.
Mas há subtilezas que mostram a má-fé e o propósito de confundir e esconder. Por exemplo: os já célebres telefonemas de Trump a Zelensky. Nessa madrugada ouvi num canal, que neste momento não posso jurar qual tenha sido (muito zapping tenho feito nos últimos dias), que amalgamava os dois telefonemas, referindo-se à duração de hora e meia. No fim, ficara com uma estranha sensação de que Trump falara longamente com ambos, achando estranho a coincidência da duração idêntica de ambos, a tal hora e meia, foi assim que a coisa ficou a pairar. Às vezes há coincidências... Foi preciso, no dia seguinte, ouvir Agostinho Costa, para ficar a saber que de facto, a conversa com Putin durara noventa minutos, enquanto Zelensky foi despachado em sete-minutos-sete.
É risível? Quase, mas não há aqui nenhuma novidade. Estes três anos de guerra não se caracterizam apenas pela manipulação da informação que as partes fazem, mas da activa participação nesse renegar do jornalismo sério em que tem participado uma extensa parte dos profissionais, todos os dias e a todas as horas.
domingo, dezembro 29, 2024
o que melhor e pior me impressionou em 2024: Putin e os asnos do Ocidente, e deste a miséria moral
Apesar de faltarem quase três dias para o fim do ano, e sabermos que a perfídia das indústrias da guerra é ilimitada, e aque té à tomada de posse de Trump seja de esperar qualquer tipo de golpada, arrisco já:
1. O que mais favoravelmente me impressionou.
1.1.Putin perante os asnos do Ocidente. Sem dúvida, a capacidade de resistência da Rússia pela forma como conseguiu contornar uma preparadíssima ofensiva bélica, não tanto pelas armas, mas nas várias tentativas de estrangulamento económico e político, todas tendo falhado, o que é hilariante no meio da tragédia. Militarmente, Putin optou primeiro pela pressão, no que falhou; depois pela contenção, com custos elevados em vidas e equipamento, porém não varrendo a Ucrânia do mapa, ao contrário do que os israelitas fazem na faixa de Gaza. Depois, a resistência à propaganda manhosa estipendiada pelo complexo militar-indusrial americano: hoje, até um lémure de Madagáscar percebe que a guerra da Ucrânia é um enfrentamento entre russos e americanos e que a Ucrânia é um território em que se combate, com líderes ucranianos que sacrificaram parte do seu (?) povo a interesses estrangeiros, v.g., os dos Estados Unidos e suas corporações.
1.2. A fibra (e os tomates) dos comentadores decentes (o que significa que há comentadores indecentes). Voltemos a referir-lhes os nomes, uma e outra vez: Agostinho Costa e Carlos Branco em primeiro lugar (dos que têm assento nas televisões). Informados, objectivos, não se deixando intimidar por jornalistas ignorantes e atrevidos nem pelo lixo académico que por aqueles estúdios é despejado. Acrescento ainda os nomes de Mendes Dias e Tiago André Lopes, este da Universidade, uma das poucas excepções para a miséria que a academia enviou para as televisões. Nos jornais, impecável, Viriato Soromenho Marques (ler aqui a crónica deste sábado no DN); e nas plataformas digitais (pois para as televisões não é convidado, evidentemente) Carlos Vale Ferraz (ler aqui) . Outros existem, felizmente, mas ou são silenciados (onde está o general Pezarat Correia, ainda muito lúcido, nos seus mais de noventa anos?) ou escrevem em media de menor difusão.
2. O lixo
2.1. A miséria moral do Ocidente diante da matança indiscriminada de palestinos em Gaza.
2.2 A cobardia depravada, ignorância, inconsciência, incompetência e oportunismo até à traição da clique que lidera os países europeus mais poderosos (Inglaterra, França. Alemanha e Itália), o seu servilismo canino e as entorses à democracia. Sim, com esta guerra as liberdades regrediram na Rússia -- ela que nunca fora tão livre e próspera como o foi com Putin -- mas regrediram também, e de forma nunca vista desde a derrota do nazismo e do fascismo na Europa Ocidental: manipulação às escâncaras, censura (aos media russos e às vozes discordantes ou independentes), intervenção nas eleições de países europeus, dentro e fora da UE (Roménia, Geórgia).
O que sairá disto tudo? Não sei. Alemanha e França politicamente nas lonas. A seguir, a própria UE? Ou até à lavagem dos cestos, no final de Janeiro, será vindima? Com criaturas destas é sempre de esperar o pior.
Em tempo: esqueci-me de referir Miguel Sousa Tavares, que, desde o início, honra a profissão do jornalista que foi e tem sido sempre uma das vozes lúcidas do comentário. (visto aqui).
quarta-feira, dezembro 18, 2024
ucraniana CCLXXIII - armas químicas... 'esqueceram-se' de mostrar os ataques e as respectivas vítimas das armas químicas russas, ou de como o perigo das provocações continua à espreita
O general que ontem foi morto num atentado em Moscovo, segundo os me(r)dia, era o responsável pelo arsenal de armas químicas e outras proibidíssimas -- embora hoje, na TSF, já fosse apresentado como o primeiro responsável pelo dispositivo nuclear...
Pode ser que a minha memória esteja a falhar, mas não me lembro, para além dos ataques com fósforo branco, usado por ambas as parte e cuja utilização é proibida sobre áreas civis -- não me lembro sequer de acções de propaganda encenada a este respeito. O que significa que não terá mesmo acontecido. O que teria sido, na chamada guerra comunicacional, se soldados ou civis ucranianos tivessem sofrido um ataque dessa natureza?...
Até à tomada de posse da nova administração -- que não sabemos bem o que será, pesem todas as declarações -- Zelensky e outros agentes do complexo militar-industrial norte-americano tudo farão para nos envolver numa guerra. Para isso contam com
1) alguns militares e comentadores dispostos a fazerem o serviço;
2) a pulhice mentirosa e medíocre dos dirigentes da UE e da maior parte dos governos europeus;
3) o atavismo histórico aterrorizado de polacos e bálticos.
Eu só espero que os russos mantenham nervos de aço e resistam às provocações; que a opinião pública ocidental esteja atenta e perceba como é manobrada por canalhas e cobardes; e que continue a não ligar nenhuma ao pseudojornalismo de meia-tigela. Já aqui gabei os pobres generais Agostinho Costa e Carlos Branco, cuja infinitamente paciência é sistematicamente posta à prova por burrinhas e burrinhos (ainda este Domingo, ao fim da noite...) Neste aspecto, o coronel Mendes Dias, que sabe muito mas compromete-se menos, desarma-os com eficácia, principalmente quando começa a falar de Napoleão para trás...; mas há outros, como, por exemplo, o major-general Vítor Viana, em canais diferentes. Estes últimos sempre se apresentaram alinhados com a posição ocidental, aliás como o general Pinto Ramalho, mas com algum ou muito sentido crítico. É a diferença entre a seriedade e a falcoaria, o charlatanismo académico e o "jornalismo" para iletrados.
PS - Nem de propósito, uma bela caracterização destes criaturos: "há toda uma dança mediática realizada por mentirosos profissionais, ironicamente chamados de “jornalistas”, cuja principal tarefa é lubrificar as mentiras mais espinhosas para que ainda sejam engolidas." (Aqui)
domingo, novembro 17, 2024
ucraniana CCLXVIII - por que cilindra os seus oponentes o major-general Agostinho Costa, aliás um homem cordato?
Tem sido uma debandada, entre o grotesco e o hilariante. Não há uma única razão para que tal esteja a acontecer, mas a principal, para este volumoso número de baixas em combate, será a da exposição pública da ignorância espessa e mediocridade crassa de uns quanto académicos & outros comentadores. Tão insuportável que os leva a fugir.
Ora, uma das razões, talvez a principal, para estes comentadores terem ficado knock-out, é a falta de noção de que nas relações entre estados a Geografia e a História ultrapassa em muito os protagonistas de turno. Nem a Rússia ficaria quieta se fosse outro a liderá-la que não Putin, nem Trump, mesmo com a atenção virada a Oriente, deixará a Nato. Isto é o bê-a-bá que qualquer historiador percebe, se não estiver condicionado por preconceitos (sucede a todos, e a mim também).
Estes medíocres que alegadamente lêem muito mas não percebem nada -- imagino a quantidade de irrelevâncias e lixo académico que não passará debaixo daqueles olhos --, submetem as suas impressões (partindo do princípio que dali saia qualquer pensamento original e sólido) -- a uma ideia peregrina que dá às lideranças um protagonismo determinante. Acontece que sendo importantes, as lideranças nunca dependem apenas da vontade. Nas suas pobres "análises" (vamos classificá-las assim por caridade cristã) é como se se tratasse de peças num xadrez que se movem sem tabuleiro (a Geografia), e que quem as faz mover não estivesse grandemente condicionado pela História, real ou mítica, para o caso tanto faz. E quem não percebe isto -- mesmo que saiba o nome da sogra do governador da Pensilvânia --, não percebe nada. Como se tem visto, com a retirada desordenada dum batalhão de especialistas que no fundo pouco têm de especial.
sexta-feira, outubro 11, 2024
o Prémio Nobel da Paz, é um recado para quem pôs a Europa em pé de guerra -- e quem foram eles, quem foram?... Não, pá, não foram os russos...
Histórias da carochinha para adormecer meninos, patranhas para tapados, em especial "especialistas" em Relações Internacionais e Direito Internacional, pobrezinhos que tão boa conta de si têm dado. Ainda ontem, em "debate" (boa piada) com o major-general Agostinho Costa.
(Por falar nisso: nunca mais vi o embaixador Seixas da Costa, desde que num dos momentos mais hilariantes destes debates, a propósito do míssil hipersónico disparado do Iémen, Agostinho Costa disse qualquer coisa como isto: "Se o senhor embaixador acha que foram os hutis* a disparar um míssil hipersónico, eu tenho uma ponte para lhe vender..." Não foi brilhante?)
Ah, o Nobel da Paz parece ter sido muitíssimo bem atribuído.
O corrector corrige mal: houti, como ele quer é à francesa; portanto, hutis.
segunda-feira, agosto 19, 2024
ucraniana CCLIX - o milagre das pontes de Kursk
A forma como esta manobra de diversão dos ataques das forças de Zelensky é tratada pelos mérdia do costume seria para gargalhar, não fora um assunto que implica a morte de pessoas, algumas esturricadas dentro de blindados... Sobre o que efectivamente se passa, basta ouvir os militares de confiança (Branco, Costa e Dias). A mim, o que nauseia ou diverte, consoante o estado de espírito, é o despudor com que jornalistas de caracacá se prestam a fazer figuras de urso. Hoje na cnn-Portugal e no Público.
A última que me fez rir, pelo tratamento "noticioso" que lhe é dado, foi a das pontes de Kursk, rebentadas pela tropa do general Syrkyi (por acaso, um russo a trabalhar para Zelensky -- que é como quem diz, para os americanos): no sábado, três pontes haviam sido destruídas, segundo a cnn-Portugal, mostrando as imagens de uma estrutura a ser bombardeada; pois no domingo, na mesma estação, a notícia era a de que uma segunda ponte fora destruída, sendo mostradas as imagens do dia precedente. Quem sabe amanhã, o mesmo filme ilustre a notícia de que uma ponte foi bombardeada e destruída em Kursk; e, seguindo a lógica, na terça-feira, nenhuma ponte terá sido destruída, mesmo que apareçam de novo as imagens dos dias precedentes...
É o milagre da informação, a escorregar pelas goelas dos incautos.
domingo, agosto 11, 2024
JornaL: Catalunha, Inglaterra, Israel/Palestina, Ucrânia, Venezuela
De férias, e sem telejornais, compro o jornal todos os dias, ouço o noticiário na rádio, quando calha, raramente vou ao online ler/ouvir notícias, a não ser os três militares cujas análises não perco (Agostinho Costa, Carlos Branco e Mendes Dias) e Tiago André Lopes, um dos poucos civis digno de ser escutado.
Catalunha. Puigdemont apareceu e não quis fazer o favor ao juiz franquista que não se conforma com a amnistia. Uma nota para os palermas dos jornalistas que relutam escrever a palavra exílio, no que respeita ao líder catalão, comprazendo-se e babando-se a falar em fuga. Aquilo é mesmo a base da cadeia alimentar do poder.
Inglaterra. Não sei se é suficiente, mas apreciei a rapidez com que têm arrebanhado o gado à solta nos motins, e a repetida advertência de Keir Starmer que a escumalha das ruas vai sentir sobre si toda a força da Lei. Espero que sim.
Israel / Palestina. Se Netanyhau é um comprovado criminoso de guerra, contumaz e relapso, a troupe do Biden e seus aliados não passam de bácoros porcos suínos. Dezanove mortos num ataque a uma escola. Podem limpar o cu com os vosso valores.
Ucrânia. No mesmo dia o jornalismo analfabeto (Antena 1, Jornal de Notícias): a Rússia atacou um supermercado com um míssil. Já faz mesmo rir como estes incapazes seguem a propaganda do poltrão do Zelensky.
Venezuela. Maduro, um zé-ninguém que foi escolhido por Chávez, vá-se lá saber porquê, não divulga as actas porque nem sequer assumir a chapelada. Entretanto vai prendendo. Só se percebe o silêncio do trio Brasil-Colômbia-México num contexto de negociações em que o palhaço e a sua clique se safe airosamente. Entretanto, os do costume já foram descobrir pecados mortais cometidos pelo ex-embaixador no tempo do socialismo corrupto que governava a Venezuela. Como se uma nódoa saísse com sujidade... Não suporto esta mentalidade sectária de escravos.
segunda-feira, julho 22, 2024
"foi desistido"
Biden não desistiu, "foi desistido", como disse com grande frescura o general Agostinho Costa, quebrando o nauseante consenso de elogio fúnebre no painel onde estava, como de costume; não sem ante corrigir o coisinho que moderava -- que não resistiu a ser saliente, antes de interromper o debate para publicidade*, retomando-se a emissão com outras coisas, ao contrário do que, nós telespectadores, esperávamos. Levantei-me e fui-me embora.
* Publicidade insuportavelmente morosa, mas ter o general Agostinho a comentar, é no que dá. As pessoas querem ouvi-lo, não especialmente para vê-lo a dar baile a muitos dos colegas de painel, mas porque se sabe que ele sabe do que está a falar -- e não apenas de questões estritamente militares.
quinta-feira, julho 11, 2024
ucraniana CCLV - ainda a "NATO"
| Biden coloca a coleira a Stoltenberg, e leva-o a passear |
"Já todos percebemos que a Rússia depende da China para manter a guerra. A China torna-se inimigo indireto do Ocidente", diz Soller; "A China tem servido de interposto para fornecer componentes de fabrico na Rússia" - e a prova disso foi o ataque ao hospital pediátrico em Kiev", sustenta Isidro. Não vi, nem ouvi, bastou-me ler as gordas. A questão não está em saber do grau de envolvimento da China; qualquer um com dois dedos de testa chega lá. Estarem ali eles ou os pivôs da Praça da Alegria ou da Roda da Sorte, acaba por não fazer diferença.
domingo, março 24, 2024
ucraniana CCXXXVI - o que Nuland sabe, já Putin se esqueceu
Confesso que tive as maiores reservas quando ouvi o comentário do major-general Agostinho Costa, feito em cima do acontecimento, atribuindo à Ucrânia a acção terrorista em Moscovo; este sábado, porém, ouvindo o major-general Carlos Branco, que embora não taxativo, não se eximindo a levantar questões complicadas, começo a ver a coisa com outros olhos. Menos pela circunstância de um dos tadjiques perpetradores do atentado ser um mercenário a combater junto dos ucranianaos, e nem tanto pela informação altamente reveladora de os operacionais terem sido previa e parcialmente pagos para executarem aquela missão (trocando por vil metal as virgens prometidas no Paraíso), mas o facto de Carlos Branco ter recordado -- e eu bem me lembro disso -- que antes de ser despedida, Victoria Nuland, essa conhecida doença venérea americana contraída pela Ucrânia, ter deixado no ar a ameaça de alguma surpresas estarem a ser preparadas para Putin.
Clic! O caso, para mim, mudou de figura, e percebo agora porque razão Putin nem se deu ao trabalho de mencionar as ratazanas do Estado Islâmico. É que o que Nuland aprendeu, já Putin se esqueceu.
quinta-feira, janeiro 18, 2024
comentário a um comentário
(Posso fazê-lo, pois ao contrário de Agostinho Costa, Carlos Branco, Mendes Dias, Marcos Farias Ferreira, Tiago André Lopes e mais alguns que merecem ser ouvidos com atenção, não sou analista de nada, apenas um europeu com medo que o céu lhe esteja prestes a cair sobre a cabeça).
Já se sabia que Daniel Oliveira não gostava do Putin, paladino profano que é da cruzada lgbt, cruzada à qual o lóbi -- para amalgamar, e com isso se tornar a importante causa mais palatável -- arrebanha as mulheres e as pessoas "racializadas" (palavra horrível), como se toda a calça desse para cada cu. Obviamente detestam o Putin porque, entre outras coisas, certamente menores, ele teve a desfaçatez de impedir que as questões momentosas da identidade/disforia de género fossem ministradas às criancinhas de todas as idades. O mesmo se passou com o Orbán na Hungria, o que levou o Expresso a envergar um lutuoso fumo das cores arco-íris (pobres duendes dos potes de ouro...). Só isso explica que Oliveira equipare Netanyahu a Putin, como [dois] "dos maiores perigos para a segurança internacional"... Netanyahu e Putin, parecidíssimos, como se sabe; e vindo dali eu esperaria (não sei bem porquê, se não leio o Expresso e raramente passo pela sic) alguma assertividade em relação ao papel dos Estados Unidos na situação internacional. Mas vejo que não está para aí virado -- aliás, a última frase é deveras significativa. Eis aí alguém na boa companhia dos germanos, isidros e outras dianas. Ainda hei-de ouvi-lo falar na luta das democracias liberais contra as autocracias (não estás perdoado, Lula!) e na defesa dos nossos valores, em parelha com úrsulas e sub-borréis.
quarta-feira, outubro 04, 2023
é sempre reconfortante ler Carlos Matos Gomes (ucranianas CCXVI)
Mão amiga fez-me chegar este post de Carlos Vale Ferraz -- que é também o escritor Carlos Matos Gomes --, autor de Nó Cego, um dos grandes romances portugueses do século passado.
Falece-me já a paciência de estar constantemente a denunciar a enxurrada de vigarice mediática e académica a propósito da guerra; prefiro assinalar quem é competente, isento, lúcido e honesto. Há uma meia dúzia no espaço público: entre os militares, repito-me, Agostinho Costa, Carlos Branco, Mendes Dias e pouco mais; entre os académicos, retenho dois nomes (entre pouquíssimos) Marcos Farias Ferreira e Tiago André Lopes; dentre os publicistas portugueses que têm escapado à indigência, contam-se, de forma destacadíssima, Viriato Soromenho Marques, Miguel Sousa Tavares e Carlos Matos Gomes. Não são os únicos, felizmente. Vale a pena lê-los e ouvi-los, sem perdermos tempo com bonecos.