capa: José Pádua
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quinta-feira, janeiro 17, 2019
quinta-feira, fevereiro 10, 2011
Antologia Improvável #463 - José Craveirinha (5)
PRIMAVERA DE BALAS
Agarro
Na minha última humilhação
E sem ir embora da minha terra
Emigro para o Norte de moçambique
Com uma primavera de balas ao ombro.
E lá
No Norte almoço raízes
Bebo restos de chuva onde bebem os bichos
No descanso em vez da minha primavera de balas
Pego no cabo da minha primavera de milhos
e faço machamba ou se for preciso
Rastejar sobre os cotovelos
E os joelhos
Rastejo.
Depois
Escondido em posição no meio do mato
Com a minha primavera de balas apontada
Faço desabrochar no dólman do sr. Capitão
As mais vermelhas flores florindo
O duro preço da nossa bela
Liberdade reconquistada
Aos tiros!
in No Reino de Caliban III
(edição de Manuel Ferreira)
Etiquetas:
José Craveirinha,
Manuel Ferreira
domingo, janeiro 30, 2011
quinta-feira, março 23, 2006
Antologia Improvável #115 - José Craveirinha (2)
1.ª ODE AO INVERNO
Ainda é manhã cedo
e nas ruas ninguém.
Só o homem do lixo embrulhado
em mortalha de ganga e cacimba
despejando latas ao ladrar dos cães.
Nas casas
ainda
todas as portas cerradas.
Mas na manhã cedo
ao raivoso rosnar dos cães
só o homem do lixo...
o homem do lixo...
... do lixo
e mais ninguém.
Manhã-cedo nas terras ardentes do sul
e nas cidades homens e crianças
coitados ainda ainda dormindo.
Karingana ua Karingana / Obra Poética -I
Ainda é manhã cedo
e nas ruas ninguém.
Só o homem do lixo embrulhado
em mortalha de ganga e cacimba
despejando latas ao ladrar dos cães.
Nas casas
ainda
todas as portas cerradas.
Mas na manhã cedo
ao raivoso rosnar dos cães
só o homem do lixo...
o homem do lixo...
... do lixo
e mais ninguém.
Manhã-cedo nas terras ardentes do sul
e nas cidades homens e crianças
coitados ainda ainda dormindo.
Karingana ua Karingana / Obra Poética -I
sexta-feira, dezembro 16, 2005
Antologia Improvável #85 - José Craveirinha
CAFÉ FRIO
Com ninguém reparto meus sentimentos.
Nas cacimbentas manhãs de Inverno
egocêntrico vou ingerindo
meu melancólico
café frio.
Maria
Com ninguém reparto meus sentimentos.
Nas cacimbentas manhãs de Inverno
egocêntrico vou ingerindo
meu melancólico
café frio.
Maria
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