«A pomba que abraça / No ar o seu par, / E a nuvem que passa, / Não tem essa graça / Que tu tens a andar!»
Campo de Flores (1893) - «Amor»
conservador-libertário, uns dias liberal, outros reaccionário. um blogue preguiçoso desde 25 de Março de 2005
«A pomba que abraça / No ar o seu par, / E a nuvem que passa, / Não tem essa graça / Que tu tens a andar!»
Campo de Flores (1893) - «Amor»
21. Camilo Castelo Branco (1825-1890). Ao cabo de quase novecentos anos, a língua é o maior património dos portugueses; ainda mais do que a sua História, real e mitificada, pois o país pode acabar (nada é eterno), mas a literatura, forjada a partir dessa mesma língua, ficará, mesmo depois de a língua morrer também. Por isso são tão (ou mais, quanto a mim) importantes os grandes escritores (em sentido lato) do que os guerreiros e navegadores que construíram Portugal e a ideia dele. E assim sendo, Camilo, porventura o maior do século XIX (junte-se-lhe Garrett, Herculano, João de Deus, Júlio Dinis, Antero, Oliveira Martins, Eça, Cesário, Fialho e Nobre), é uma presença evidente, por muito exígua que esta lista ainda mais fosse.
22. D. Dinis (1261-1325). Poeta, guerreiro, governante, sexto rei de Portugal, e um dos mais amados.
23. D. Fernando (1345-1383). Nono rei de Portugal, um grande monarca com uma política externa desastrosa. A sua consorte, Leonor Teles (de Meneses), é a mulher mais odiada da nossa história.
24. Garcia de Orta (c. 1501 - 1568). Produto dos Descobrimentos e da expansão imperial, cristão-novo, médico, botânico e farmacêutico. Um dos homens do seu tempo, à escala global.
25. Infante D. Henrique (1394-1460). O mítico Navegador, mas homem bastante prático
I- Um ursinho em Ossela (1898-1911): Alguma poesia. Salgueiros: o que pode haver num nome. Uma terra antiga. Paisagem… . …e povoamento. O brasão de Ossela. Os Castros. Um pai de quem não se fala. Infância. Um benemérito local e os dois mestres de Ferreira de Castro. Margarida. Primeiras leituras. João de Deus. A «Educação Cívica». Faustino Xavier de Novais. Eduardo de Noronha, Do Minho ao Algarve. Os jornais. História de João Soldado. Tradição oral. As lágrimas dos foguetes. A fuga, ou as razões de uma partida. O caso Margarida. Contexto económico e social. O último dia.
II- No coração da selva (1911-1914): A travessia. De Belém do Pará ao rio Madeira. Rumo ao coração da selva. Patrão, procura-se. Conhecimento do inferno. Os índios, os outros. Os dias do Paraíso. Cartas de longe. As duas Raimundas. Charadas. Manoel Sabino Durães. Jornais. «O Amor de Simão». Horas Nostálgicas. O adeus ao seringal.
III- Na Feliz Lusitânia. Do Pará ao Rio (1914-1919): Belém do Grão-Pará. A cidade desconhecida. “Cassiporé”. Viver em Belém. O Jornal dos Novos. Criminoso por Ambição. Alma Lusitana. Portugal. Patriotismo e nativismo. Um temperamental. Uma agenda. O jovem galante. O Rapto. Rugas Sociais. Às voltas pelo Brasil, até ao Rio de Janeiro. A bagagem literária. Zola. Schopenhauer. Tólstoi. Euclides da Cunha. Regresso.
Cronologia (1898-1919)
(a continuação desta lista)*
51. Rebelo da Silva (1822-1871), Contos e Lendas (1866) - 44 anos
52. Bulhão Pato (1828-1912), Memórias (1894-1907) - 66 anos
53. João de Deus (1830-1896), Campo de Flores (1893) - 63 anos
54. Conde de Ficalho (1837-1903), Uma Eleição Perdida (1888) - 51 anos
55. Abel Botelho (1854-1917), Amanhã (1901) - 47 anos
56. Fialho de Almeida (1857-1911), Figuras de Destaque (1923)
57. Antero de Figueiredo (1866-1953), Além (1895) - 29 anos
58. Camilo Pessanha (1867-1926), Clepsidra (1920) - 53 anos
59. Carlos Malheiro Dias (1875-1941), Em Redor de um Grande Drama (1913) - 38 anos
60. José Duro (1875-1899), Fel (1898) - 23 anos
61. Júlio Dantas (1876-1962), Nada (1896) - 20 anos
62. António Patrício (1878-1930), Pedro, o Cru (1918) - 40 anos
63. Sarah Beirão (1880-1974), Triunfo (década de 1950)
64. João de Barros (1881-1960), Algas (1900) - 19 anos
65. João Sarmento Pimentel (1888-1987), Memórias do Capitão (1963) - 75 anos
66. Reinaldo Ferreira (Repórter X) (1897-1935), Memórias de um Ex-Morfinómano (1933) - 36 anos
67. João da Silva Correia (1896-1973), Farândola (1944) - 48 anos
68. João de Araújo Correia (1899-1985), Noite de Fogo (1974) - 75 anos
69. Maria Archer (1899-1982), Ida e Volta duma Caixa de Cigarros (1938) - 39 anos
70. Fernanda de Castro (1900-1994), Cartas para Além do Tempo (1990) - 90 anos
71. João Gaspar Simões (1903-1987), Elói ou Romance numa Cabeça (1932) - 29 anos
72. Soeiro Pereira Gomes (1909-1949), Esteiros (1941) - 32 anos
73. Castro Soromenho (1910-1968), Terra Morta (1949) - 39 anos
74. Manuel Tiago / Álvarfo Cunhal (1913-2005), Cinco Dias, Cinco Noites (1975) - 62 anos
77. Mário Dionísio (1916-1993), Terceira Idade (1982) - 66 anos
75. António José Saraiva (1917-1993), Maio e a Crise da Civilização Burguesa (1970) - 53 anos
76. Romeu Correia (1917-1996) , Calamento (1950) - 33 anos
77. Bernardo Santareno (1920-1980), O Pecado de João Agonia (1961) - 41 anos
78. Antunes da Silva (1921-1997), Suão (1960) - 39 anos
79. Carlos de Oliveira (1921-1981), Trabalho Poético (1976) - 55 anos
80. Francisco José Tenreiro (1921-1963), Ilha de Nome Santo (1942) - 21 anos
81. Agustina Bessa Luís (1922-2019), A Sibila (1954) - 32 anos
82. Eduardo Lourenço (1923-2020), O Labirinto da Saudade (1978) - 55 anos
83. Urbano Tavares Rodrigues (1923-2013), Roteiro de Emergência (1966) - 43 anos
84. Alexandre O'Neill (1924-1996), No Reino da Dinamarca (1958) - 34 anos
85. José Cardoso Pires (1925-1998), Balada da Praia dos Cães (1982) - 57 anos
86. Jorge Reis (1926-2006), A Memória Resguardada (1990) - 64 anos
87. Luís de Sttau Monteiro (1926-1993), Angústia para o Jantar (1961) - 35 anos
88. António Alçada Baptista (1927-2008), Uma Vida Melhor (1984) - 57 anos
89. David Mourão-Ferreira (1927-1996), Um Amor Feliz (1986) - 59 anos
90. Alberto de Lacerda (1928-2007), Oferenda I (1984) - 56 anos
91. Herberto Helder (1930-2015), Ou o Poema Contínuo (2001) - 71 anos
92. Mário António (1934-1989), Amor (1960) - 26 anos
93. Pedro Tamen (1934-2021), Guião de Caronte (1997) - 63 anos
94. Álvaro Guerra (1936-2002), Café República (1982) - 46 anos
95. Artur Portela Filho (1937-2020), A Funda (1972-1977) - 35 anos
96. Fernando Assis Pacheco (1937-1995), Respiração Assistida (2003)
97. Armando Silva Carvalho (1938-2017), Alexandre Bissexto (1983) - 46 anos
98. Vasco Pulido Valente (1941-2020), Às Avessas (1990)-- 49 anos
99. Eduardo Guerra Carneiro (1942-2004), A Noiva das Astúrias (2001) - 59 anos
100. José Bação Leal (1942-1965), Poesias e Cartas (1971)
101. Vasco Graça Moura (1942-2014) , Laocoonte -- Rimas Várias, Andamentos Graves (2005) - 63 anos
* Enquanto que a primeira metade é provavelmente definitiva, ou próximo disso, esta não é tal: faltam-lhe autores importantes, que ainda não li, ou não li o suficiente para que possam aqui figurar. Enquanto que na primeira, os escritores são mesmo aqueles, sem tirar nem pôr, e os livros sofreriam poucas alterações se daqui a uns anos a revisse, a mesma segurança não a tenho quanto a esta outra metade,
«[...] // Eu amo-te, e sigo / / Teus passos, bem vês! / O cão do mendigo / Não é mais amigo / Do dono, talvez!»
João de Deus, Campo de Flores (1893)
Pergunta-me o que penso de João de Deus e da sua festa. Vou dizer-lho em meia dúzia de palavras.»
Fialho de Almeida, um extirpar de escrófulas com incisão de bisturi sem anestésico, uma violência inaudita, que nem em Camilo ou Raul Proença, um desencanto feroz. Um texto sobre e a propósito de João de Deus, para ler aqui.
Segue-se a norma adoptada em Angola e Moçambique, que é a da ortografia decente.