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quarta-feira, novembro 13, 2024

4 versos de Camões

«Por estes vos darei um Nuno fero, / Que fez ao rei e ao Reino tal serviço; / Um Egas e um Dom Fuas, que de Homero / A cítara para eles cobiço;» 

Os Lusíadas I-12 (1572)

sexta-feira, maio 17, 2024

150 portugueses: 51-55

51. Egas Moniz (1874-1955). Médico neurologista genial (angiografia no cérebro) e controverso (lobotomia). Prémio Nobel da Medicina em 1949. Também escritor e político.

52. Fernando Pessoa (1888-1935). Um poeta do outro mundo, um dos maiores de sempre, e não apenas entre os portugueses, o que seria já muitíssimo.

53. Geraldo o Sem-Pavor (+c. 1173). Figura extraordinária de guerreiro e mercenário. Entre homem e lenda, figura no brasão de Évora, cidade que conquistou aos mouros.

54. D. João III (1502-1557). Conhecido na Europa como o "Rei da Pimenta", tudo (ou quase) nele foram becos sem saída. Associado para sempre à vinda da Inquisição 

55. D. Luís da Cunha (1662-1749). Diplomata de primeiro plano, académico e estrangeirado em cujo Testamento Político pensa o atraso do país, em especial dos malefícios para o seu desenvolvimento que acarretou a acção do Tribunal do Santo Ofício e a monomaníaca perseguição aso cristãos-novos.

terça-feira, setembro 26, 2023

101 contos portugueses #6

 O Senhor dos Navegantes, de Ferreira de Castro (1954)

"Deus", insatisfeito com a sua obra de criação, aparece inadvertidamente ao narrador com uma braçada de ex-votos para destruir -- ou o contrassenso da sua existência, pela voz de um louco. 

Ou seria mesmo Deus, e não um louco? Se na leitura que fez do conto, Egas Moniz remete para uma manifestação de patologia psiquiátrica, E. M. de Melo e Castro, ao recolhê-lo na sua Antologia do Conto fantástico Português, abre a porta à especulação, mesmo que saibamos do ateísmo do autor, pelo que a questão é pertinente. 

Metafísica: Só no revolucionário -- como Jesus Cristo -- há a possibilidade de uma parcela do divino 

Incipit: «Branca, airosa, pequenita, erguida sobre o tope de uma colina, a Capela do Senhor dos Navegantes divisava-se de longe, como um farol.»

quarta-feira, setembro 13, 2023

Portugal, 1128 - uma lista de 150 portugueses (1-5)

1. D. Afonso Henriques (Coimbra[?}, 1109/1111 - 1185). O Conquistador. Fundador do reino, do estado e da nação portuguesa. 2. Egas Moniz (c. 1080 - 1146). Aio do primeiro rei, pertenceu à nobreza medieval de entre Douro e Minho, esteio da força de D. Afonso Henriques. 3. D. João Peculiar (Coimbra [?], ? - Braga, 1175). Arcebispo de Braga, o grande negociador da política externa e de alianças, do reino recém formado. 4. Gualdim Pais (Amares, c. 1118/20 - Tomar, 1195). Cavaleiro templário, chegando a grão-mestre, representa nesta lista o papel das ordens militares na fundação. 5. Mafalda de Sabóia (Avigliana [?], c. 1125 - Coimbra, 1158). A primeira rainha, dela provêm todos os reis de Portugal, incluindo o actual rei sem trono, Duarte de Bragança. 

pressupostos

segunda-feira, abril 17, 2023

150 portugueses: 2. Egas Moniz (c. 1080-1146)

Para um futuro blogue. Rico-homem da Casa de Ribadouro, um dos grandes magnatas de Entre-Douro-e-Minho, que sustentaram a criação do reino. Crê-se que filho de Monio Ermiges e Ouroana. Foi o aio do jovem Afonso Henriques, por disposição do Conde D. Henrique, seu pai, e mais tarde mordomo-mor do reino. Por isso, de todos os nobres portucalenses, foi o que perdurou no imaginário da comunidade, muito por causa do episódio em que, num cerco a Guimarães pelas forças de Afonso VII de Leão e Castela, empenhou a palavra garantindo que Afonso Henriques lhe prestaria vassalagem, o que nunca sucedeu, cumprindo o velho aio, depositando com toda a sua prole o seu destino nas mãos do imperador. Este episódio, para alguns lendário, foi considerado «verosímil» por Oliveira Marques no respectivo verbete do Dicionário de História de Portugal, reforçado pelo facto de a mesma narrativa constar dos baixos-relevos do túmulo deste guerreiro-político.
Pressupostos aqui e aqui.

sábado, maio 15, 2021

sexta-feira, março 22, 2013

Julio Dinis: do amor filial


[Papá]

     Nesta ocasião em que o meu futuro se fixou, não posso deixar de me recordar do muito que devo ao Papá pelos sacrifícios feitos por mim.
     [...] Meus irmãos foram privados, não sei por que vistas providenciais, de colherem neste mundo os frutos da esmerada educação que lhes dera. Esse mesmo poder, que os sacrificou tão novos, parece ter-me reservado como que para realizar em mim a recompensa que lhe merecia a resignação do Papá.
     Alegra-me esta ideia e anima-me a acreditar que não me faltará a vida e a saúde para poder cumprir essa missão talvez providencial.
     Creia-me que tenho sentimentos para avaliar todos os seus sacrifícios e para compreender o alcance da delicadeza com que procurava não mos fazer sentir.
     Neste dia, um dos mais solenes de toda a minha vida, permita-me que cumpra com o meu primeiro dever beijando-lhe respeitosamente a mão.

[a seu pai,  informando da nomeação para a Escola Médica do Porto,
Felgueiras, 24 de Julho de 1865]

Júlio Dinis, Cartas e Esboços Literários, Porto, Livraria Civilização, 1979.
editor: Egas Moniz

domingo, junho 12, 2005

Correspondências #4 - Júlio Dinis à sua sobrinha, e futura mulher, Anitas

Anitas
Não te escrevi logo que cheguei, mas não te fiz esperar muito, porque é esta a terceira carta que mando para o correio.
Dizendo-te que cheguei a salvamento a esta vila de Ovar e que continuo gozando uma boa disposição de corpo e de espírito, dou-te a única notícia que neste momento me é possível dar-te; a não ser que desejes que eu te fale no tempo porque nesse caso dir-te-ei que anteontem e ontem choveu desenganadamente, coisa de que muito gostei por já estar mal habituado a essas finezas do inverno, do qual vou sentindo saudades.
Ontem de tarde parecia-me um dia de magustos, pela escuridão, pela chuva e até pelo tocar dos sinos a defuntos. Tinha morrido não sei quem e, em homenagem, todos os sinos da terra executavam cabriolas atordoadoras.
Hoje aparece o tempo com uma cara menos rabugenta, mas já se pode andar pelas ruas sem receio de morrer de calor ou de voltar para casa com uma cor semelhante à de uma batata assada na fornalha.
Tudo isto me indica que o verão anda fazendo as suas despedidas, porque em breve nos vai deixar. Que vá, que vá; para falar a verdade, eu não hei-de morrer de saudades.
Brevemente haverá cá em casa a primeira desfolhada; o outro sinal de que está o inverno à porta. Eu já vou vestindo o meu casaco grosso para o receber como é devido, no momento de ele vir para aí de um momento para o outro.
E tu que fazes? Quando principiam as tuas férias e que fazes depois delas principiarem? Vens a Ovar, vais tomar banhos ou em que outra coisa te ocupas? Responde-me a estas perguntas, quando me escreveres. Faze visitas à mamã, tia, manos e a toda a família e supõe que te dá um abraço
Ovar, 28/8/1863.
o teu tio e sempre muito amigo
Joaquim Guilherme Gomes Coelho.
Cartas e Esboços Literários, edição de Egas Moniz