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sexta-feira, junho 24, 2016

em estado de choque

Um tipo deita-se a pensar que a União Europeia, bastante ferida embora, tem uma pequena oportunidade de regeneração, em face da curta vitória do Bremain no Reino Unido; e acorda com a reviravolta do Brexit e com o princípio do fim da UE, tal a miríade de acontecimentos a haver, tais as ondas de choque desta decisão histórica. 

A UE ferida de morte (não interessam nada as declarações pias de Donald Tusk); a independência da Escócia, pelo menos, é de novo uma forte possibilidade, como o fim do Reino Unido; uma péssima notícia para Portugal, a começar pelo factor económico, mas que é insignificante em face das implicações políticas e mesmo estratégicas da nova situação.

A Inglaterra era o único país, no actual contexto, que podia contrabalançar o poderio excessivo da Alemanha e dos seus aliados próximos, como a Holanda (a França, como é patente, vive uma crise profunda).

 A UE passará a ser um conglomerado de interesses díspares, polarizado (o desagradável e protofascista Grupo de Visegrad, por exemplo) em torno de zonas de influência, mais do que já estava a ser, uma vez que não acredito nas tristes lideranças que nos conduziram até aqui.

sexta-feira, setembro 19, 2014

o exemplo da Escócia: civilização e barbáries de diferente jaez

Nestes tempos em que a barbárie nos é posta a todas as horas diante dos olhos, o referendo escocês foi altamente higiénico e retemperador, um exemplo para todo o mundo de como as questões políticas, por magnas que sejam, podem ser dirimidas de forma civilizada -- grandemente civilizada --, como o demonstraram escoceses e ingleses. Já houvera outros casos, como o do Quebeque e o da secessão da Checoslováquia. Mas este, pela hipermediatização que protagonizou, constituiu-se como acto político que não deixará de ser lembrado em processos semelhantes -- a começar pela Espanha, aqui ao lado, pese embora a diferença do enquadramento legal.
A verdade é que o eleitorado da Escócia se manifestou, e esse é que é o ponto. O resto é ignorância, estupidez e má-fé -- a começar pelo alívio dos mercados, como, acriticamente, já se papagueou hoje -- sem que percebam (ou queiram perceber) que pôr a política dos interesses permanentes dos povos nas mãos da especulação sem rosto nem pátria, e muito menos valores, só pode conduzir ao desastre -- como tem sucedido e continuará a suceder.
No fundo é um outro tipo de barbárie, menos sanguinária, mas igualmente destrutiva.

segunda-feira, setembro 15, 2014

A Escócia e os escroques do costume


À medida que quinta-feira se aproxima com toda a sua incerteza, cresce a pressão dos rapinantes do costume. Companhias e bancos ameaçam abandonar a Escócia, se ganhar o 'sim' à separação do Reino Unido. Como se um país com população semelhante em número à da Irlanda republicana, com as reservas petrolíferas que detém e com uma cultura universalmente reconhecível e admirada pudesse estar sujeita aos caprichos dos mercenários da finança e dos mercados...
Mesmo que vença o 'não', será, tudo o indica, uma vitória tangencial, o que significará que metade do eleitorado, a que se junta, no lado unionista, uma percentagem inquantificável que votará 'não' por desígnio político e não meramente utilitário -- significará que mais de metade dos escoceses  responderá com o devido desprezo aos argentários a soldo, gente de má fama.

P.S. A postura da rainha tem sido politicamente sábia -- além disso, a questão do regime, de momento, não está em causa. Obviamente, ela é contra a secessão; mas também sabe que a legitimidade histórica da sua dinastia não é inglesa, mas escocesa, pois Isabel II é uma Stuart. Questão politicamente complexa, simbolicamente nem por isso.