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sexta-feira, fevereiro 25, 2022

a Costa Rica, o presidente da Ucrânia, a miss universo e as figuras d'úrsula

Os patéticos, porque desesperados, apelos do presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, mostram como ele foi usado pelos americanos, que obviamente já o deitaram fora, como fazem sempre quando aqueles de que se servem deixam de ter utilidade. Apesar de inicialmente impreparado para a função, teve tempo para aprender; logo suspeito que foi mal aconselhado ou então é teimosamente autossuficiente.

Os indignados com a invasão russa para tomar o controlo do país e torná-lo pelo menos inócuo para as suas pretensões de defesa, nem se apercebem (ou devem estar agora a aperceber-se, dada a quantidade de analistas competentes que tem aparecido ultimamente a comentar, geralmente militares) -- (nem se apercebem) de como os americanos se estavam a paulatinamente a instalar-se ali. E o cidadão a leste destas matérias nem em sonhos se apercebe do que são as acções de subversão a vários níveis de que as potências lançam mão, Não é pois de admirar que em relação a esta guerra da Ucrânia se esteja, na análise, à escala proclamatória da miss universo. Pode parecer muito má onda, mas as relações internacionais não se regem pelas boas intenções, mas por interesses, pequenos ou grandes. É assim em todo o lado, sejam os estados pequenos ou grandes. Deveríamos ser todos como a Costa Rica (um estado feliz, provavelmente), mas por enquanto só há uma. E até essa me parece que não deixa os seus interesses por mãos alheias, tal como se afigura ter sucedido com Zelensky, que está agora a pagar o preço da temeridade/teimosia/inconsciência [riscar o que não interessa], preço que sinceramente espero não seja tão alto como o próprio diz.

Em relação aos sonsos, que sabem muito bem o que está em causa -- dois imperialismos em disputa, grosso modo, e essencialmente nada mais do que isso -- dá-me voltas ao estômago a sua sonsice. A começar pela Senhora von der Leyen, que ontem parecia um doberman a invectivar a acção militar da Rússia, como se ela não soubesse e colaborasse na estúpida estratégia (?) europeia que foi a da hostilização, quando não tentativa de humilhação daquele a todos os títulos extraordinário país: do afastamento indiscriminado dos atletas das olimpíadas (a resposta digna da grande Elena Isinbaieva quando quiseram abrir-lhe uma excepção, por ser quem era, faria corar quem tivesse vergonha na cara); ou, por exemplo as directivas dadas à Agência Europeia do Medicamento quanto às vacinas russas contra o sars-cov2. Enfim, eles lá foram arranjando o estocismo necessário para aparar os destrates. Afinal, na Rússia houve sempre duas correntes, pró-ocidental e isolacionista. Com o isolacionismo da pátria de Tchekhóv, de Prokofiev, de Répin e de um sem número de figuras deste nível em todas as áreas, que são igualmente pilares da civilização europeia, temos mais nós a perder do que eles -- é a minha convicção. Por isso ouvir idiotices da von der Leyen ou do Borrell e o papaguear do dirigismo nacional, é algo que me dá náuseas. Não significa isto que a Rússia esteja acima da crítica, obviamente; mas não nos tomem a todos por parvos.

quarta-feira, dezembro 20, 2017

«A Roda Gigante»


Woody Allen pegou num shaker, meteu-lhe Tchékhov, Arthur Miller e Ingmar Bergman, mais uns pós de Woody Allen, e serviu um filme de Woody Allen, que se vê e até se gosta, principalmente porque Kate Winslet é memorável.


terça-feira, maio 31, 2005

Caracteres móveis #17 -- Anton Tchékhov

Veja só, Ánia: o seu avô, o seu bisavô e todos os seus antepassados eram esclavagistas, proprietários de almas vivas, e não será verdade que de cada ginja no pomar, de cada folha, de cada tronco, olhem para si seres humanos, será que não houve vozes... Possuir almas vivas -- isso transfigurou-vos a todos, aos que viveram antes e aos que vivem agora, a um ponto tal que a menina, a sua mãe e o seu tio já não se dão conta de que vivem com dinheiro emprestado, de que vivem por conta alheia, por conta dessa gente a quem não deixam entrar em casa para além do vestíbulo...
O Ginjal
(tradução de Nina e Filipe Guerra)

Tchékhov

Posted by Hello