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sexta-feira, maio 15, 2026

2 versos de Manuel Alegre

«Canto as armas e os homens / Porque a tribo me disse: tu guardarás o fogo.» 

O Canto e as Armas (1967) - «O Canto e as Armas»

quarta-feira, maio 13, 2026

3 versos de Manuel Alegre

«Em cada poema estou mas não sozinho / antes de mim a língua e os que primeiro / cantaram antes de mim» 

Praça da Canção (1965) - «Canção Primeira»

sexta-feira, abril 03, 2026

3 versos de Manuel Alegre

«Trago palavras como bofetadas / e é inútil mandarem-me calar / porque a minha canção não fica no papel.» 

Praça da Canção (1965) - «Apresentação»

sexta-feira, março 06, 2026

2 versos de Manuel Alegre

«só cantando se pode incomodar / quem à vileza do segredo nos obriga.» 

Praça da Canção (1965) - «Apresentação»

quinta-feira, janeiro 22, 2026

1 verso de Manuel Alegre

«Darei ao povo o meu poema.» 

Praça da Canção (1965) - «Do poeta ao seu povo»

sexta-feira, março 28, 2025

saiu no JL

De há  meses para cá tememos que o último JL seja mesmo o último Publica-se há 45 anos, sempre com o mesmo director (e fundador), José Carlos de Vasconcelos. Tem número óptimos, compensando largamente um ou outro menos conseguido. O seu previsível (embora ainda não anunciado) fim ser(i)á catastrófico. Duvido que possa ser substituído. Comecei a lê-lo ainda estava a acabar o liceu, e tenho o primeiro número que comprei. (Qualquer dia farei aqui uma resenha). E guardei muitos outros, sem falar nos recortes.

Enquanto se mantiver, passarei a arquivar aqui citações retiradas de cada número que entretanto se publique. Talvez possa levar alguém a comprá-lo.

«Camões viajou e viveu o seu próprio poema ao mesmo tempo que o escrevia.» Manuel Alegre

«[...] jornalismo, artes, literatura e compromisso social são colunas de um mesmo templo que, hoje, se redefine, correndo riscos de esboroamento porque a corrente da formatação desenfreada tudo parece levar à sua frente...» António Carlos Cortez 

«[...] (o mundo já foi criado para sempre.)» Carlos de Oliveira

«Perante a guerra, o que se espera de um intelectual é o exercício da sua capacidade analítica, antecipada pela procura dos dados empíricos que são as fontes primárias que alimentam o pensamento crítico.» Viriato Soromenho-Marques



JL #1421, 19-III-2025


quinta-feira, abril 22, 2021

JornaL

 Liberal. Palavra digna, ideia libertadora, 201 e 199 anos após a revolução e a primeira Constituição. Quando se abastarda e confunde com ganância e selvajaria, a culpa não é da ideia.

Livre. Honrou-se e fez jus ao nome, ao ceder lugares à Iniciativa Liberal e ao Volt.

Navalny. É lamentável dizê-lo, mas conhecendo o historial da política americana em relação à Rússia após a queda da União Soviética, Navalny é no mínimo um instrumento da CIA, se não for seu agente.

Putin. Lava a alma ouvi-lo dizer aos americanos, satélites e vassalos: quem traça as linhas vermelhas somos nós, a propósito das provocações na Ucrânia e no Mar Negro. Os rufias só percebem a linguagem da força. E há apenas um país que pode fazer frente ao bullying americano. Eu assisto com deleite.

Vacinas. Há quem diga que a vacina russa -- de há muito com a certificação da OMS -- não é aprovada pela Agência Europeia do Medicamento para proteger as farmacêuticas no mercado. Não creio; seria a Máfia instalada nos lugares de decisão da União Europeia. A EMA não aprova porque os americanos não deixam, como qualquer vê. O europeísta que ainda há em mim sente-se desiludido.

Vassalagem.  É o nosso comportamento em relação às administrações americanas. Devemos ter com eles as melhores relações, até por uma questão de vizinhança, mas a subserviência é deplorável. Uma aberração chamada Kosovo; a miserável Cimeira das Lajes; a desastrada e perigosa acção na Venezuela, em que fomos marionetes. Quanto às vacinas, estamos apenas a ser obedientes, e duvido que o governo tenha grande margem de manobra, se não quiser abandalhar a UE, como fazem os húngaros. Mas neste cao é a própria UE que está a pedi-las.

25 de abril sempre! É inacreditável como se pode ser tão canhestro/sectário (riscar o que não interessa). Manuel Alegre disse ontem que ninguém é dono do 25 de Abril, nem mesmo os que o fizeram. E é assim mesmo. Vedar o acesso à celebração desta gloriosa revolução a um partido com representação parlamentar por causa da pandemia é acima de tudo estúpido. (Depois admirem-se que o verdadeiro partido dos animais continue a subir.) Daquelas organizações todas que aparecem na comissão organizadora, metade são dependências do PCP, e uma boa parte doutras são constituídas  pelas respectivas direcções e mais ninguém. Como disse, e bem, Carlos Silva, da UGT, há erros que se pagam caro. 

sábado, março 13, 2021

«Eram terríveis as rotinas,

 quase um rito iniciático, uma sagração.»

Uma rememoração poética de episódios domésticos da infância. Um retrato de uma pequena aristocracia / burguesia provincial na primeira metade da década de 1940, com o marcado papel matriarcal intramuros, e o despontar de uma vocação poética, Manuel Alegre, «A grande subversão», para ler aqui

sexta-feira, julho 05, 2019

vozes da biblioteca

«o vento / leva-lhe a quase / saia / e vê-se a jóia / surpresa lapidada» Frederico Barbosa, «Paulistana de Verão», Cantar de Amor Entre os Escombros (2002)

«Pior, pior de tudo foi ter sido / par de Camões que continua vivo / só pele e canto ossificado em espanto» António Barahona, Rizoma (1983)

«Vitorioso o rei regressa à frente dos exércitos / e há fome e peste nas aldeias arrasadas.» Manuel Alegre, Praça da Canção (1965)

segunda-feira, junho 17, 2019

vozes da biblioteca

«A infância mantinha-a viva.» Sarah Adamopoulos, «Sozinha no cemitério», A Vida Alcatifada (1997)

«-- Este cão é um grande sacana, caça um bocado e depois põe-se a fazer a parte, olha para ele, está-se nas tintas para as codornizes e para nós.» Manuel Alegre, Cão como Nós (2002)

«Só ao ar livre é que o seu tamanho variava e, se por acaso estivesse muito tempo sem dizer palavra, até seria bem capaz de desaparecer chão abaixo ou quase. Alface, Um Pai Porreiro Ganha Muito Dinheiro (1997)

quarta-feira, maio 22, 2019

vozes da biblioteca

«Olhava lá do alto daquele combro / a melodia, / tão merencória na infância, ata- / viada de fitinhas no chapéu de palha» António Barahona, Noite do Meu Inverno (2001)

«Ontem entrei numa baiuca infame, / Numa taberna de bandidos reles -- / Pois que eu desci às espirais misérrimas / Do Lameiro de Job!...»  in Herberto Helder, Edoi Lelia Doura -- Antologia das Vozes Comunicantes da Poesia Moderna Portuguesa (1985)

«Trago palavras como bofetadas / e é inútil mandarem-me calar / porque a minha canção não fica no papel.» Manuel Alegre, Praça da Canção (1965) 

domingo, fevereiro 17, 2019

vozes da biblioteca

«Em cima da cômoda / uma lata, dois jarros, alguns objetos / entre eles três antigas estampas» Francisco Alvim, «Luz», in Heloisa Buarque de Hollanda, 26 Poetas Hoje (1976)

«Era Setembro e não pensei / que os homens não cantavam lá nas verdes vinhas / da minha pátria onde a vindima é triste.» Manuel Alegre, «Do poeta ao seu povo», Praça da Canção (1965)

«O poeta ia bêbedo no bonde.» Carlos Drummond de Andrade, Brejo das Almas (1934)

sábado, dezembro 29, 2018

vozes da biblioteca

«Por um brinde ao amor passado, / Ficou de pranto alagado / O vestido de noivado / Da rainha de Kachmir.» Gomes Leal, [«A Rainha de Kachmir»], in Herberto Helder, Edoi Lelia Doura -- Antologia das Vozes Comunicantes da Poesia Moderna Portuguesa (1985)

«Qual o instante / em que o verão se transforma no outono / se o arrepio da noite quando chega / parece ainda um luminoso dia?» Fernando Pinto do Amaral, «Naufrágio», A Luz da Madrugada (2007)

«Quando chegava o mês de Maio, eu abria a janela e ficava bêbado desse cheiro a fogueiras, carroças e ciganos.» Manuel Alegre, «Rosas vermelhas», Praça da Canção (1965)

terça-feira, dezembro 18, 2018

vozes da biblioteca

«Encheu de pranto o vestido, / Encheu de pranto os anéis... / E, sem soltar um gemido, / Chorou, num pranto sumido, / O seu passado perdido, / Os seus amores tão fiéis!...» Gomes Leal, «[A rainha de Kachmir], in Herberto Helder, Edoi Lelia Doura -- Antologia das Vozes Comunicantes da Poesia Moderna Portuguesa (1985)

«Nesse tempo o Sol nascia exactamente no meu quarto.» Manuel Alegre, «Rosas vermelhas», Praça da Canção (1965)

«"Quase e só quase, é a nossa condição -- quase outros somos não o sendo, e quase como nós o foram outros, e sempre nós e outrem, outrem e nós, nos fomos contando pela vida os números impossíveis de contar.» Pedro Alvim, «Quase», Os Jogadores de Xadrez (1986)


domingo, outubro 07, 2018

«E ouvi um jipe que rolava na picada / um jipe sem sentido / na última viagem de Portugal.» Manuel Alegre, «À sombra das árvores milenares», Doze Naus (2007)

«Parecia o Céu estrelado, / Ou a visão dum "fakir" / O vestido de noivado / Da rainha de Kachmir.» Gomes Leal, «[A rainha de Kachmir], in Edoi Lelia Doura -- Antologia das Vozes Comunicantes da Poesia Portuguesa (1985)

«Quando descer à teia derradeira / não se verá no mundo alteração, ou só / talvez alguma mosca mais contente.» António Franco Alexandre, Aracne (2004) 

segunda-feira, outubro 01, 2018

«Canto o carvão e as cinzas / as gazelas e os peixes / na fogueira contínua das cavernas. [...]»  -- «O canto e as armas», Manuel Alegre, O Canto e as Armas (1967)

«De nossos olhos / uma palheta irisa a fenda / que há nos céus sujos / da terra. [...]» -- «Uma certa dignidade», Sebastião Alba, A Noite Dividida (1996)

«Vista por fora é pouco apetecida, / porque aos olhos por feia é parecida; / porém dentro habitada / é muito bela, muito desejada, / é como a concha tosca e deslustrosa, / que dentro cria a pérola fermosa.» -- «À Ilha de Maré, termo desta cidade da Baía», Manuel Botelho de Oliveira, Música do Parnaso (1705) / José Valle de Figueiredo, Antologia da Poesia Brasileira (s.d.)


sexta-feira, junho 09, 2017

o Prémio Camões, pois claro

Se há obra que faça jus ao Prémio Camões, essa é a que integra dois livros absolutamente históricos, que são literatura e mais do que literatura, constituindo-se como um ponto de situação do país na época que foram escritos. Praça da Canção (1965) e O Canto e as Armas (1967), de Manuel Alegre, procedem a uma sondagem de um tempo e de um modo de sentir colectivos. E nessa medida -- por muito que custe àqueles que se comprazem, com uma literatura vagal ou deliquescente (e à frente de toda a gente...) --, nessa medida, aquela poética emula e participa da do próprio Luís de Camões, como de Guerra Junqueiro, António Nobre e Fernando Pessoa.

sexta-feira, maio 27, 2016

microleituras

Sobre a Censura e a auto-censura. O artiguinho saltou-me há vinte anos, impressionado com a leitura das «Mensagens» de Ferreira de Castro na sessão do MUD (1946) e na campanha de Norton de Matos (1949):  O medo das pessoas falarem livremente umas com as outras, não fossem ser presas, despedidas, interrogadas, torturadas. O país do medo. E, no tempo de Salazar, Ferreira de Castro escrevia isto para ser lido em público:

«[...] Os Portugueses, na sua maioria, vivem numa permanente desconfiança [...] Eles vêem em todo o compatriota que não conhecem um possível inimigo -- um homem que lhes pode fazer mal. Eles desconfiam de tudo, até dos mendigos, algumas vezes até dos parentes. até da sua própria sombra. Mesmo os homens mais pacíficos, pais de família cuja principal preocupação poderem alimentar os filhos, vivem neste ambiente de suspeição, que produz, tantas vezes, imerecidos juízos sobre pessoas que, afinal, são outras tantas vítimas do medo.»
(«Mensagem de Ferreira de Castro», Campanha Eleitoral da Oposição. Depoimento. 3.ª série, Lisboa, 1949)

O mesmo ano, contra a mediocridade instaurada pelo medo, com os surrealistas a erguerem-se. E, por falar em surrealistas, cruzo na temática do medo, poemas de Alexandre O'Neill, Natália Correia, mas também de Manuel da Fonseca e Manuel Alegre. E foi o que me veio à memória, quando pensava no que escrever sobre esta separata. Lembrei-me do parazer em pegar nos textos, aqui e ali, misturá-los, cozinhá-los. Sempre gostei de fazê-lo. E não apenas com a literatura, mas também com a pintura, a música...

incipit - «Uma ideia que tem feito carreira com sucesso é a da inexistência de grande obras reveladas após o 25 de Abril, dessas que aguardaram publicação durante anos nas gavteas dos seus autores.»

 Ricardo António Alves, Ferreira de Castro: Um Escritor no País do Medo (1997)
(também aqui)


segunda-feira, maio 23, 2016

"liberdade de expressão"

Quando Manuel Alegre desertou, na Guerra Colonial e após ter sido preso, tomou uma das poucas decisões decentes que qualquer indivíduo apanhado numa engrenagem de crime deve fazer. Porque a Guerra Colonial levada a cabo pelo governo português de então, mais não pretendeu senão sustentar uma situação de facto: a dominação de territórios alheios, com recurso à força. Governo que, recordemos, era ilegítimo, por não assentar em mandato popular e se sustentar no poder com base na fraude (eleições forjadas), e no terror (pide, legião, informadores, prisões e deportações). Em 25 de Abril de 1974 a legalidade foi reposta..
Há por aí umas excrescências que têm o desplante, ainda hoje, de defender a acção do regime anterior neste campo, com o sofisticado argumento de que aquilo "era nosso e muito nosso" -- ipsis verbis ouvido num debate televisivo a uma criatura que numa anterior campanha para as presidenciais veio acusar Manuel Alegre de traição à pátria e outras aleivosias. Não foi uma crítica, foi um insulto, e grave -- ainda para mais durante um processo eleitoral, o que até pode levantar suspeitas de ataque oportunista e facciosamente motivado, portanto com agravantes.
O homenzinho foi há pouco condenado pela Relação a indeminizar Manuel Alegre, depois de uma luminária qualquer da primeira instância ter absolvido o ofensor.
Agora, vejo com desgosto, algumas pessoas defenderem a argumentação do advogado de defesa -- pessoa respeitável, mas que, enfim, exagera --, quando diz que esta condenação é de alguma forma um condicionamento da liberdade de expressão.
Como?...
Então, ao abrigo da liberdade de expressão, podemos fazer as acusações mais vis? Se eu tiver uma moral vitoriana, e disser que determinada fulana por ter tido mais do que uma relação amorosa, é uma puta, estou a insultar, com base em preconceitos trogloditas -- e, objectivamente a provocar um dano a essa pessoa --, ou estou a exercer o meu legítimo direito à liberdade de expressão? 
É evidente que esse direito não pode colidir com outro direito, que é o da dignidade e honra de terceiros, e qualquer adolescente percebe isso (o que pelos vistos não foi percebido pelo juiz da primeira instância). E de tal maneira assim é, que qualquer energúmeno pode vir defender que Angola (ou Timor ou o Brasil) "era nossa e muito nossa". Ao fazê-lo, ofende a minha sensibilidade, e mais do que isso: atenta contra um dos direitos humanos, que é o da autodeterminação dos povos. Mas nem por isso deixará de poder defendê-lo, ao abrigo da liberdade de expressão; outra coisa será afirmar-se que esse indivíduo, cuja condição militar lhe dava um poder que a generalidade dos cidadãos não tinha, foi um traidor à nação, por contibuir para sustentar um governo usurpador e ilegítimo, imposto aos portugueses. Por muito mal que eu possa pensar dele, não me atreveria a dar esse passo, e não só por poder sofrer uma justificada acção penal, mas porque os indivíduos são muito mais complexos dentro de situações também elas complicadas.