«E o Manco teima e diz, com a ponta do cigarro requeimado ao canto da boca: / -- Jesus Cristo há-de voltar para nos dar a terra. / -- Voltar?! / -- Os pobres hão-de ser sempre pobres. / E o Fortunato: / -- Sempre. Sem pobres acabava-se o mundo. / -- O mundo é dos probes!» Raul Brandão, O Pobre de Pedir (póst., 1931) § «Eu então, enternecido, dizia à deleitosa senhora: / -- Ai D. Augusta, que anjo que é! / Ela ria; chamava-me enguiço! Eu sorria, sem me escandalizar. "Enguiço" era com efeito o nome que me davam na casa -- por eu ser magro, entrar sempre as portas com o pé direito, tremer de ratos, ter à cabeceira da cama uma litografia de Nossa Senhora das Dores que pertencera à mamã, e corcovar.» Eça de Queirós, O Mandarim (1880) § «Era por 1813, meado de Agosto, quando o pastor chorava encolhido, a um canto do curral, e pedia ao padre Santo António com muitas lágrimas que lhe deparasse a cabra perdida. / João da Lage, o amo, assomou à porta da corte, e bradou: / Perdeste alguma rês?» Camilo Castelo Branco, Maria Moisés (1876-77)
dos «Pórticos»
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*«A *meio da tarde, o barco, com novo silvo infantil, atracou em
Bedrachein. Dali nos dirigimos para Mênfis, cujos remotos túmulos a minha
curiosidade es...
Há 13 horas