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domingo, maio 17, 2026

Volta a Portugal em escritores - Abrantes

 


António Botto
(António Tomás Botto, Concavada, Abrantes, 17-VIII-1897)







sexta-feira, setembro 12, 2025

1 verso de António Botto

«Variam os mundos -- / E a maldade humana mantém o seu posto.» 

A Vida que Te Dei (1938)

sábado, março 05, 2016

microleituras

António Botto, mais conhecido como poeta, muitas vezes muito bom, outras poucas nem por isso, também escreveu contos para crianças. Estorinhas edificantes e pueris que resistiram mal à passagem do tempo, quer pelo léxico (é um problema recorrente dos livros para as crianças) quer pelo tom, distante, sério e moralista.
A edição, recente (o depósito legal é de 1996), é muito preguiçosa: não diz de onde foram extraídos os sete textos que compõem o livro, e é omisso quanto à autoria das ilustrações, que pela assinatura, vimos com dificuldade tratar-se de Alfredo Morais, um pintor académico do primeiro quartel do século passado, a condizer com o conjunto que nos é apresentado. A impressão dos desenhos é péssima.

incipit do primeiro conto, «Os olhos do amor»: «Uma vez, uma cabrinha estava presa num curral, onde estava também um burro.»

ficha:
Autor: António Botto
título: os Olhos do Amor
colecção (dirigida por Salomé Almeida): «Colecção Céu Azul» #9
editora: Editorial Minerva
edição: 3.ª
local: Lisboa
ano: s.d.
págs.: 48
impressão: Editorial Minerva

quarta-feira, março 13, 2013

António Botto, «Remorso»


O céu de súbito pôs-se negro e o vento à solta, parecia querer derrubar montes, castelos e vidas. -- Eduardo, meu filho! gritou a mãe. E o pequeno que deixara de brincar, cego pela poeira e assustadíssimo pelo brusco desaparecimento da luz do sol, deitou a correr para casa. Batia-lhe de frente a ventania dificultando-lhe a corrida. Um remoinho de folhas secas ergueu-se, descompassado. Eduardo, chegou. -- Mas, vens a tremer, meu filho? -- Sim, minha mãe, tenho frio. E com efeito nessa manhã suavíssima de outono o vento fez-se cortante como nos dias baços, chuvosos, e doentios de Janeiro. Eduardo, a pouco e pouco, ia ficando tranquilo. Entretanto, o vento, numa lamúria desgrenhava as árvores, partindo-as, e a chuva, torrencial, dava-nos a impressão de alagar o Universo. Os relâmpagos iluminavam a terra e o céu. A casa estremecia e algumas telhas abalavam como flechas pelos ares. -- Não tenhas medo, meu filho. Deus protege o nosso ninho. Eduardo, então, desatou a chorar, e por mais que a mãe lhe perguntasse a causa daquele choro, não respondia, e sempre a chorar, lembrava-se, com certeza, do ninho de passarinhos que destruíra nessa manhã.

Os Contos de António Botto7.ª ed., Lisboa, Livraria Bertrand, s.d.

quarta-feira, junho 29, 2011

terça-feira, maio 23, 2006

Antologia Improvável #132 - António Botto (2)

Aquela minha alegria
Era alegria nervosa.
Essa falsa alegria que buscamos
Para mostrarmos aos outros
No primeiro momento
De uma grande tristeza.

E as grandes tristezas são assim:
Cravam-se fundo, bem fundo;
Até parecem perdidas
Lá dentro do coração;
-- Nem o coração as sente.
Porém,
O engano dura pouco;
Primeiramente,
São gotas de pranto amargo,
Lamentos,
Raiva suave,
-- Depois: a resignação;
Um sorriso que parece desdenhoso.

Um tristíssimo sorriso.

-- Um sorriso doloroso.

Curiosidades Estéticas

Botto

sábado, março 04, 2006

Antologia Improvável #108 - António Botto

De todo o coração -- ao Jayme

Bendito sejas,
Meu verdadeiro conforto
E meu verdadeiro amigo!

Quando a sombra, quando a noite
Dos altos céus vem descendo
A minha dor,
Estremecendo, acorda...

A minha dor é um leão
Que lentamente mordendo
Me devora o coração.

Canto e choro amargamente;
Mas a dor, indiferente,
Continua...

Então,
Febril, quase louco,
Corro a ti, vinho louvado!
--E a minha dor adormece,
E o leão é sossegado.

Quanto mais bebo mais dorme:
Vinho adorado,
O teu poder é enorme!

E eu vos digo, almas em chaga,
Ó almas tristes sangrando:
Andarei sempre
Em constante bebedeira!

Grande vida!

--Ter o vinho por amante
E a morte por companheira!

Canções

António Botto

sexta-feira, julho 08, 2005

Figuras de estilo #5 - Miguel Martins

A morte e o esventramento das avestruzes que comem diamantes. Como Camões comeu Dinamene. Dinamite. Dínamo e dinamite, "Essa cativa que me tem cativo". Contas de coral ao peito, caralho branco na cona. "Bóina de marujo ao lado" -- o fado do rabo de António Botto. Povo que levas no rabo. Panascas na penumbra das ruas estreitas, pais de família nas avenidas. A loira na esquina. A escuna no rio. As tágides nas margens, secando como peixes envenenados. Trutas do Minho ou do Ceira, talvez. Enguias da lançada ou da Murtosa, talvez. As chaminés de óxidos. H2 Ó-Ó. Sereias escamadas. Instrumentos de tortura. Torquemada na floresta. A bondade presidindo às queimadas nos campos de Portugal.
Cirrose