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quarta-feira, março 02, 2016

microleituras

Vinte e três cartas, datadas entre 1922 e 1926 -- exemplarmente anotadas por José Barbosa --, do historiador da náutica dos Descobrimentos Luciano Pereira da Silva, ao historiador da Cultura Portuguesa Joaquim de Carvalho, então a dirigir a Imprensa da universidade de Coimbra.
Trata-se de um epistolário de eruditos, basicamente sobre a publicação de estudos próprios ou de terceiros, mais de metade escrito em períodos de férias, por vezes com um toque pitoresco do sábio dividido entre os deveres do estudo e as delícias do dolce far niente estival.

excerto: 
«[...] O tempo está por aqui delicioso. É com mágoa que vejo este mês de setembro precipitar-se na voragem do Passado. As férias já mostram o fim próximo. Qualquer dia regressamos à velha Coimbra. Quando para lá for, lhe peço o favor de m'o dizer.
O que lhe desejo é que tudo lhe corra bem, que faça m.tos achados, e bons, nas sua investigações, muitos Eurekas, qual o amigo Arquimedes e com o mesmo alvoroço de satisfação, mas não no mesmo traje. [...]»
[carta datada de Caminha, em 14 de Novembro de 1925]

ficha:
Autor: Luciano Pereira da Silva
título: Correspondência de Luciano Pereira da Silva para Joaquim de Carvalho
edição: José Barbosa
Separata do Bol. bibl. Univ. Coimbra, vol. 39, págs. 41-90
editor: Universidade de Coimbra
local. Coimbra
ano: 1984
impressão. oficinas de «Coimbra editora»
págs.: 49

sexta-feira, março 01, 2013

uma epígrafe de Joaquim de Carvalho


As nações com a responsabilidade histórica da gente portuguesa, não podem imobilizar-se estaticamente, nem devem iludir-se infantilmente; têm que desentranhar sucessivamente da massa das suas tradições e aspirações um ideal coerente com a conjuntura histórica, que exprima e defina o seu estar mudável em concordância com o seu ser permanente. (Compleição do Patriotismo Português, 1953).

in Eduardo Lourenço, O Labirinto da Saudade -- Psicanálise Mítica do Destino Português (1978), Lisboa, Círculo de leitores, 1988.

domingo, novembro 12, 2006

Correspondências #67 - Joaquim Bensaúde a Joaquim de Carvalho

76 Rua do Possolo
27 de Março. 924
Exmo Sr.
Para quem vive como eu uma vida intensa em epocas longinquas do passado, tem sido uma surpreza e um prazer ver a orientação nova e fecunda que nos ultimos tempos tem produzido entre nós um grande numero de benemeritos trabalhadores. É uma esperança n'este chaos politico tragico e lugubre em que vivêmos. Serão as andorinhas annunciadoras de tempos de primavera? Se assim é, bem poderei morrer em paz e contentamento.
Ponho aqui a VEx. as ideas e a impressão de surpreza que tive q.do recebi o bello livro de VEx. sobre Leão Hebreo.
Passaram-me tantos autores judaicos pelas mãos durante as minhas longas pesquizas da historia da mathematica e astronomia da Peninsula que agora só tenho verdadeiro prazer quando pesco algum mathematico ou astrologo christão desconhecido e ignorado.
As decantadas trevas peninsulares na edade media apregoadas por esse mundo fora por quem quis expoliar a cultura peninsular, foram uma lenda cujo alcance ainda se não pode medir. Estou hoje profundamente convencido de que as trevas na Peninsula começaram com os desmandos inquisitoriaes -- e que nas queimas de livros dos autos de fé, não foi só a sciencia judaica que desappareceu mas tanta ou quasi tanta sciencia christã.
Em mathematica e astronomia, em medicina, e em philosophia ha uma grande obra a fazer para por em evidencia o que foi a herança scientifica dos Arabes na Penísula e o que foi este grande centro irradiador que assimilava e divulgava pela Europa o que os invasores aqui deixaram.
Agradeço a VEx. o seu primoroso trabalho que como pode fazer idea vou ler com o mais vivo interesse.
De VEx.
mt. admirador e grato
Joaquim Bensaude
A Historiografia dos Descobrimentos -- Através da Correspondência Entre Alguns dos Seus Vultos
(edição de João Marinho dos Santos e José Manuel Azevedo e Silva)

Joaquim de Carvalho

domingo, outubro 22, 2006

Correspondências #64 - Alfredo Pimenta a Joaquim de Carvalho

[12-11-26]
5.ª feira
Ex.mo Snr: -- V.ª ex.ia ha de fazer-me a justiça de acreditar q. eu não publicaria cartas da senhora D. Carolina Michaëlis q. não pudessem ser publicadas. De todas ellas só uma aparece com um corte -- o corte de uma phrase, -- não pela auctora da carta, mas por mim -- e porq. se refere a um incidente m.to intimo da minha vida particular com q. o publico nada tem. De resto, todas as cartas daquella illustre Senhora são publicaveis. E se alguma o não fosse, eu seria o primeiro a furtal-a á publicação. No entanto, para respeitar os excessivos escrupulos de V.ª ex.ia, como ellas antes de compostas na typographia vão ás suas mãos, V.ª ex.ia emittirá o seo parecer, pois q. previamente as lerá. Com m.to prazer escreverei ao Dr. Joaquim de Vasconcellos, a preveni-lo da edição deste trabalho, por uma questão de delicadeza e deferencia m.to merecidas -- e por mais nada. Pois q. tanto o trabalho erudito como as cartas são meos -- e só eu sou juiz da sua publicação ou da sua divulgação. Um dia destes enviarei a V.ª ex.ia os originais. Na copia, ha algumas faltas, ou porq. o copista leo mal, ou porq. não soube reproduzir. As provas, revejo-as eu -- e assim corrigirei os defeitos do copista.
De. V.ª ex.ia m.to ad.or grato
A.P.
Cartas de Alfredo Pimenta a Joaquim de Carvalho
(edição de Maria do Rosário Azenha e Olga de Freitas da Cunha Ferreira)

Joaquim de Carvalho

domingo, março 05, 2006

Correspondências #35 - António Sérgio a Joaquim de Carvalho

108, Boulevard Berthier, Paris, 17e
13 de Dezembro [1929]
Meu presado Amigo
Remeto-lhe por êste correio a tradução das Ultimas Conversações do Renouvier. Ficar-lhe-ia muito grato se me encarregasse de mais trabalhos dêste género. A minha situação financeira é neste momento dificílima.
Parece-me tipograficamente mais belo colocar as anotações juntas, no fim do volume, e assim fiz; se não concorda, o remédio é fácil: basta dizer ao tipógrafo que as introduza no texto.
Procurei tornar a tradução mais clara do que o original.
Na Lauda 52, resolvi-me a criar uma palavra: percepcionar, -- para tradução de percevoir, ter percepção, porque perceber tem na nossa língua uma acepção vulgar que é bem diferente*. Parecia-me conveniente reunirmo-nos um dia algum amigos da filosofia, para fixarmos certos pontos de vocabulário filosófico em nossa língua. Há vinte anos quando escrevi a Natureza da afecção, tive de forjar essa mesma afecção. Agora, que decidiu publicar uma biblioteca filosófica, era boa ocasião de fixarmos o vocabulário, para não ficar muito diferente de volume para volume.
Parecia-me conveniente dar à colecção um título, que se imprimiria como sôbre-título em todos os volumes, os quais suponho conviria tivessem um aspecto tipográfico uniforme.
Nas provas poderei ainda fazer quaisquer aperfeiçoamentos.
Parecia-me também interessante levar cada volume um pequeno introito explicativo seu, como director da colecção.
Seus cunhados bem. Um grande abraço do Amigo muito dedicado, grato e admirador
A. S.
*Ver a anotação respectiva, na Lauda 108
António Sérgio no Exílio -- Cartas a Joaquim de Carvalho
(edição de Fernando Catroga e Aurélio Veloso)