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sexta-feira, setembro 27, 2024

entretanto, Netanyahu anda à solta em Nova Iorque

Bem fez a Mongólia, que mandou o tpi à fava quando Putin a visitou. O mesmo, aliás, deveria ter feito a África do Sul, por ocasião da cimeira dos BRICS, e como Lula já garantiu que fará (mas o Lula é alguém). Ou seja: a Mongólia deu-se ao respeito, como deverá fazer qualquer país que não passe por republiqueta das bananas. A farsa do tpi é tal, que Netanyahu anda à solta em Nova Iorque

Por falar nisso: ontem quando cheguei estava Montenegro a falazar na ONU; aguentei 30 segundos e não retive nada, a não ser banalidades. Aliás, o pensamento de Montenegro sobre questões internacionais deve estar ao nível do café da esquina, nada que ele não possa emendar (Cavaco, por exemplo, aprendeu no posto). Ao menos que aprenda também e não seja uma nulidade tipo António Costa, como teremos ocasião de ver já a partir de Janeiro.

quinta-feira, junho 09, 2022

pintora de intervenção: Paula Rego, à luz de Álvaro Cunhal, Ferreira de Castro e José Régio, passando pela ministra inexistente e o cabelo comprido de Santana Lopes

 

O título é só para chatear, porque eu até sou bastante regiano, tendência castriana. No entanto, a Paula Rego (o artigo atribui-se aos que nos são socialmente íntimos) usou, e muito bem, a arte para denunciar. E a arte pode e deve expressar tudo, incluindo a revolta e a denúncia.

O jovem Cunhal (23 anos, salvo erro), plekhanoviano, defendia que a arte devia servir os movimentos ascendentes da humanidade, rechaçando o solipsismo reiterado e alienado. Era bem intencionado, além de jovem (em velho, achava a mesma coisa). O problema é que o poder, onde se acoita a maioria dos filhos-da-puta, tem sempre os seus jdanovs, os seus puxa-sacos (como tão bem dizem os brasileiros), os seus lambe-cus (menos elegante a nossa expressão). E então vieram os ditames, com os seus comissários políticos, os seus burocratas, toda a ralé. As boas intenções de Cunhal tornadas pesadelo. Régio, mais velho (doze anos), mais maduro, mais genial -- José Régio está entre a meia dúzia dos maiores nomes da literatura e cultura portuguesas do século XX --, rebatia em favor da liberdade do artista para escrever o que quisesse, como quisesse, sobre o que quisesse. Na polémica (séria, mas correctíssima e diria até amistosa) com Cunhal na Seara Nova, dá o nome do Ferreira de Castro como um exemplo de alguém que escrevia uma literatura de intenções sociais.  (Para Ferreira de Castro, a arte não servia; a arte era servida; e servi-la era também dotá-la de desígnio.) É claro que tanto Régio como Cunhal estão a falar de arte, não de propaganda; no entanto, Régio outra vez, sabia perfeitamente que a arte pode revestir-se de propaganda e que uma não exclui forçosamente a outra. Di-lo na presença, a propósito de "A Revolução de Maio", do António Lopes Ribeiro, e com toda a razão: Riefenstahl, não é? Ou Eisenstein... 

Sobre a pintura da Paula Rego, não direi nada. Há coisas de que gosto, outras nem tanto. É um dos grandes pintores portugueses do seu tempo? É sem dúvida dos mais marcantes. Estará na primeira linha?, provavelmente, mas o tempo o dirá; e não é a circunstância que sempre impressiona os basbaques de ser "reconhecida internacionalmente" -- continuamos uns provincianos -- que lhe garantirá maior ou menos relevância.

Achava imensa piada à forma como ela trocava as voltas ao circo político-mediático que a parasitava. Ontem vi por diversas vezes aquela inexistência que foi a última ministra da cultura a condecorá-la (já que não se serve para nada, assina-se obituários, ou condecora-se); e num acto bastante performativo, Paula Rego abria muito a boca, como que espantada, simulando desvanecimento, percebendo e gozando como a forma como estava a ser usada para outros se promoverem. Um grande momento, e não me lembro de outro assim, desde que Santana Lopes, nomeado sec-de estado da cultura de Cavaco, deixou crescer o cabelo para a função. 

quarta-feira, outubro 18, 2017

O discurso do PR e outras coisas acessórias

Marcelo Rebelo de Sousa proferiu uma declaração política sem mácula para o momento que se vivia, justificando plenamente as funções que exerce e a existência do próprio cargo na forma como é moldado pela constituição. Talvez tenha de recuar ao mandato de Ramalho Eanes para encontrar momentos tão substantivos da actuação presidencial. Nem Soares nem Sampaio, que me recorde, tiveram um momento com estes contornos, pelo menos em público. (Nem vale apena falar de Cavaco, um indivíduo que nunca teria dimensão para ir além de secretário-de-estado, e cuja investidura como chefe de governo e do estado exibe a indigência das elites políticas.).

O governo de António Costa merece censura? Merece-a toda, neste particular. São dois anos de executivo, é inútil argumentar com a pesada herança de Passos, que, tendo governado contra os portugueses, não se lhe podem ser assacadas responsabilidades pela balbúrdia na Protecção Civil.

Merecendo ser censurado, a reprovação já foi feita pela opinião pública, que felizmente tem cada vez menos pachorra para deixar-se iludir. Daí que seja também com justificado asco que as pessoas olhem para o oportunismo político de uma Assunção Cristas, anterior ministra da Agricultura -- a tal que recorria à 'fé' para enfrentar a seca, fé certamente emponderada (para usar uma palavra horrível) com muitas orações e genuflexões. Portanto, não será por aqui que o governo cairá, só se o PCP e o BE não tiverem também eles pudor.

Finalmente, sem ter pretensões a conselheiros político, será bom que a escolha do próximo MAI recaia em alguém com arcaboiço político suficiente para enfrentar a matilha da direita parlamentar. Esta faz lembrar aqueles documentários do David Attenborough: os chacais rodeando a manada de búfalos, à espera que uma mãe se distraia com a cria ou que um indivíduo velho ou doente fique para trás, esgotando-o pela fadiga. Tentaram-no com os ministros das Finanças, da Economia e da Educação, que chegaram bem para eles, cada um com o seu estilo; estão-no a fazer com o da Defesa, que tem também cabedal, mas que talvez não consiga resistir à enxurrada. Isto não é para ministros sem experiência política (lembremo-nos do desastre da ministra de Passos, que, sabe-se lá porquê, foi buscá-la à Universidade de Coimbra e, apesar da fachada de màzona, saiu trucidada), não é para carne tenra, é para ursos como, por exemplo, Carlos César ou outros do mesmo tipo, com experiência e peso político. Aliás, se há coisa que me dá gosto ver é quando o líder parlamentar do PS, com a brutalidade, sempre necessária mas nunca vulgar, para os que não têm vergonha, deixa knockout a direita parlamentar. 

quinta-feira, fevereiro 09, 2017

os 'utentes' da língua e o Aborto Ortográfico

Sobre o aborto ortográfico e as suas consequências, está tudo dito. Meia dúzia de técnicos e burocratas da língua, do lado português, ajudaram a pari-lo, e o governo de Cavaco Silva, com Santana Lopes como secretário de estado da Cultura, deram-lhe o seguimento político.
Página negra na história da língua, como qualquer aborto é um nado morto, porque não há nem haverá nenhuma uniformização do português nos cinco cantos do mundo. Mais ano menos ano, este aviltamento da língua será insustentável, e os governos e as academias vão ter de introduzir alterações consequentes.
No entretanto prevalece o descaso dos decisores políticos e dos apparatchiks, o descaso com que tratam o património cultural português, que é coisa que não vivem nem sentem, a não ser que sintam o cheiro a votos pela manhã.
É uma generalização abusiva, dirão. É uma generalização, porventura injusta, porém nada abusiva, como testemunha o património histórico e cultural deste pobre país. Séculos de analfabetismo (meio milhão em 2017) pagam-se caro.
Repito o já escrito, por mais de uma vez: não há um único grande escritor português que não seja contra o aborto ortográfico. São os escritores os criativos da língua, os que quotidianamente a defrontam e desafiam. Desde que o problema se pôs, nem Saramago, Lobo Antunes, Mário de Carvalho, sancionaram este atentado. Vasco Graça Moura foi exemplar no seu combate cívico. O enorme Vitorino Magalhães Godinho, um dos historiadores de que Portugal se deve orgulhar, teve, contra o aborto ortográfico, o último combate da sua longa vida.
Nada que impressione ou incomode os 'utentes' da língua, como Vital Moreira, que escreve tão bem como qualquer notário, mistura alhos com bugalhos, não percebe que, antes de ser política, a questão da língua é um problema de cultura, em sentido amplo. É claro que para quem 'utiliza' a língua com a mesma displicência com que se serve da carreira 727 da Carris, estes assuntos são uma grande maçada. 

quarta-feira, março 09, 2016

a tomada de posse

(por ordem) Excepcional discurso de Ferro Rodrigues.: elevado, de extrema elegância para com Cavaco Silva, com perspectiva histórica, sentido de presente, oportuníssima, essencial e óbvia referência ao impasse político e moral em que se encontra a União Europeia.
 O de Marcelo, muito bom, como seria de esperar. Para já, o país sente-se arejado, e eu quero ter algum optimismo quanto ao futuro, no que respeita à acção do novo presidente.

domingo, janeiro 24, 2016

a boa notícia d'hoje

O Cavaco passa a ser designado como "presidente cessante".
De resto, Marcelo com bom discurso, como seria de esperar. Prevejo que vão ser uns cinco anos divertidos em Belém.
Sampaio da Nóvoa mostrou o grande estofo que tem.
Tino de Rans, esteve quase a ultrapassar Edgar e Maria de Belém.
Jorge Sequeira não ficou em último. Um dos vencedores da noite.

sexta-feira, outubro 23, 2015

Seria surpreendente se Cavaco surpreendesse.

Não é de admirar que quem torpedeou um governo nas vésperas da adesão à então CEE ameaçasse, em fim de mandato presidencial fazer o mesmo ao país, em nome da pequenez política que o caracteriza.
Há dez anos eu, pobre ingénuo -- sem que pusesse sequer hipótese de nele votar -- acreditava que dez anos como primeiro-ministro e outros dez de travessia do deserto lhe tivesse dado estofo de estadista. Foi sol de pouca dura, como se sabe. Portugal está há poucas semanas de ver-se livre dele; veremos em que estado deixará o país.
(nota: escusado será dizer que este post não tem que ver com a decisão formalmente inatacável de ter indigitado Passos Coelho para formar governo, mas com os avisos à navegação que entendeu fazer. Esperemos que, então sim, não tenhamos de recorrer às fórmulas patéticas da Traulitânia: golpe de estado, usurpação, e outros mimos.)

quarta-feira, junho 17, 2015

a ministra pesca zero

As declarações de Cavaco na Bulgária a propósito da Grécia foram lamentáveis. As perplexidades de Passos Coelho são sonsas. As observações da ministra Albuquerque (nem estive para ver se nessa qualidade) são apatetadas. Sabe lá ela se um país pode ou não pode entalar os outros todos; percebe lá ela se os outros todos entalarem a Grécia dos potenciais efeitos devastadores para a UE!...  A senhora sabe de mercearias, o resto, como tecnocrata, é-lhe vagamente coiso. Se Cavaco e Passos estão a fazer (baixa) política, a pobre ministra -- a quem nunca deveriam ter sido retiradas as mangas de alpaca de contabilista -- julga que sabe o que diz, mas, como se tem visto, em política caseira mete frequentemente os pés pelas mãos (falta-lhe manha); de geopolítica, então, a ministra pesca zero.

quinta-feira, abril 09, 2015

Gama feio

Ainda não tenho candidato presidencial (parece que só Henrique Neto se apresentou). Na verdade estou muito mais preocupado com as legislativas, até porque o prazo de validade do presidente Cavaco se aproxima gostosamente do fim.
Isto a propósito de ter lido hoje no DN a enviesada diatribe de João Taborda da Gama, filho de Jaime Gama, dirigida a Sampaio da Nóvoa, servindo-se para tal de uma respeitabilíssima pessoa já falecida, e que não menciono por pudor as misturar um nome elevado com as baixezas das pequenas ambições. 
Mesmo que tudo aquilo seja verdade -- e estou em crer que àquela narrativa muito bem construída faltará um ou outro pormenor não despiciendo --, mesmo que seja assim, é feio Gama filho usar de expedientes deste jaez quando se fala da possibilidade de Gama pai avançar com candidatura própria à P da R. Queria atacar Nóvoa, deixava passar este entrudo pré-eleitoral. Assim, ficará sempre a suspeita -- como a mim ficou depois de o ler -- de que haverá ali um vago interesse pessoal.

Em tempo: aqui está o resto da história que Gama filho não contou.

quinta-feira, fevereiro 19, 2015

Tsipras: os que se erguem e os que se vergam

Ontem, Tsipras dizia a Shaüble, no parlamento grego, que não devia ter pena dos que se erguem (os gregos), mas dos que se vergam (ele não disse quem, mas a carapuça era para nós). Schaüble respondeu hoje, exibindo uma ministra das finanças de Portugal que faz tudo como a Alemanha gosta, e manda. Que vergonha, que vergonha...
Entretanto, Cavaco volta a puxar do porta-moedas e mostra como nós temos ajudado tanto os gregos. Miséria, miséria...

quarta-feira, julho 10, 2013

Cavaco: Passos e Portas, rua!

Para além doutras interpretações, Cavaco diz: Passos e Portas, rua. Mas acautela a sua própria posição na previsível eventualidade de tudo ficar na mesma. Mas com esta moção de desconfiança ao governo, será que este aguenta até Junho?

terça-feira, janeiro 29, 2013

papel de mosca

Andava cheio de vontade de o ler. Novidades, novidades, não dei por elas, a não ser o que tem que ver com politicalha, a alta roda da União Europeia (oh, o tutear dos estadistas...), as reuniões entre os líderes, os jantares confidenciais, etc.
Mas parece ser um trabalho competente de David Dinis e Hugo Filipe Coelho, papel de moscas em reuniões à porta fechada, seguindo a-par-e-passo aquele período do pec IV e do pedido de resgate.
Sócrates obstinado, Cavaco calculista, Portas malabarista, Passos ávido e empurrado para a frente, Teixeira dos Santos saco de pancada, Pedro Silva Pereira ministro adjunto, Durão Barroso, o nosso homem na Europa (como se tivesse feito alguma diferença).
O livro não responde, nem lhe cumpria, à pergunta se o pec IV, com o aval alemão, teria chegado. A avidez pelo pote de Passos e apaniguados não permitiu sequer assistir ao eventual falhanço desse pec. 
Apesar de tudo muito fresco, é útil relembrar alguns episódios de pouca grandeza.

David Dinis e Hugo Filipe Coelho, Resgatados -- Os Bastidores da Ajuda Financeira a Portugal, 3.ª ed., Lisboa, A esfera dos Livros, 2012.

quarta-feira, julho 06, 2011

a Moody's e a piada negra do dia

ouvi-a ao bom do António Macedo, na Antena 1: os círculos económicos e financeiros estariam estupefactos com a recente decisão de promover a lixo a nossa dívida pública...
E fico sonhador quando leio Faria de Oliveira a clamar contra o "insulto" e a "imoralidade" da Moody's ou Mira Amaral a qualificar como terrorista a dita agência. Cavaco tem de puxar-lhes as orelhas: não se trata assim os mercados. Carneiros e cordeirinhos até à degola.

terça-feira, abril 12, 2011

a "cidadania"

O que seria engraçado, se não fosse trágico, é que os ingénuos da cidadania que andaram a aclamar a pureza do candidato Nobre, na verdade serviram de idiotas úteis, quer à estratégia do ressentimento anti-Alegre, quer, objectivamente, à rápida reeleição de Cavaco. Depois dos delírios das presidenciais embasbacam-se agora com as últimas novidades. Se o PSD ganhar as eleições, prevejo comédia na Assembleia da República.

quarta-feira, março 23, 2011

A crise política IV

1. Para que serve Cavaco? Até agora, para afrontar o governo legítimo e lançar o país na crise.
2. Repito: Sócrates não é inocente.

sexta-feira, janeiro 21, 2011

modernaço

O final dos tempos de antena de Cavaco impressiona pela girândola de novas tecnologias: o Twitter, o Flipper, o Skippy, a Lassie e o Rin-Tin-Tin. 

segunda-feira, janeiro 23, 2006

Escrever na areia - Com o pé direito



Acabou-se. Manuel Alegre não foi eleito. Mobilizou mais de um milhão de eleitores, por razões várias. Quanto a mim, votei num homem com um passado honroso e num cidadão que soube estar nos momentos essenciais do lado certo da História. E votei no escritor. A meu ver, Manuel Alegre poderá continuar a prestar bons serviços ao país na acção política, no PS e na Assembleia da República, sabendo fazer valer o peso granjeado nesta eleição. Portugal também precisa dele, não em movimentos residuais de protesto, mas no centro do poder.
Uma palavra para o presidente eleito, Aníbal Cavaco Silva, referindo o bom discurso de vitória que proferiu no CCB, dirigindo-se à imprensa e, por seu intermédio, aos portugueses. Uma intervenção limpa, sem adversativas, lembrando os estrangeiros que cá vivem e os portugueses mais desfavorecidos, falando na liberdade, sem precisar de fazê-lo, mas dando com ela outra forma à sua proclamação vitoriosa. Gostei. Espero que lhe, e nos, seja auspicioso.
Uma notícula para os comentadeiros de serviço, para os pivôs e plumitivos agenciados: sem ilusões quanto à sua desvergonha, conformo-me com vê-los pululando, sempre disponíveis e de boca aberta à espera que lhes atirem amendoins...
Outra notícula para vomitar na dita extrema-esquerda (não falo na desdita extrema-direita, que está cadaverosa): os Louçãs, os Tomés, os Rosas, os Vales de Almeida, as Dragos, mais os aliados do candidato a Américo Thomaz, que na sua insignificância política não hesitaram em insultar alguém cujo passado de resistente deveria merecer alguma estima e talvez solenidade, pelo menos a essa confraria beata que quando fala em esquerda, fá-lo com a voz cava...

quarta-feira, dezembro 07, 2005

Escrever na areia - Alegre vs. Cavaco (ou ontem o blogger devia estar entupido)

Posted by Picasa*tvi
É só para dizer que o debate ontem correu muito bem, a ambos. Sereno e elegante para com Cavaco, político na acepção mais elevada, Alegre tem à esquerda os seus reais adversários. Terá de arrumar com Soares, evidenciando como a candidatura deste é politicamente aberrante num estado moderno e europeu; provavelmente, até ao dia do debate o próprio Soares já terá percebido que o país há muito perdeu a pachorra para gramar outra vez a sua magistratura de influência. Chega. Alegre terá também que pôr Jerónimo no sítio e, se for preciso, perguntar-lhe onde estava antes do 25 de Abril, para ver se o diligente secretário-geral, que anda há um ano a pastorear o rebanho, encaixa; e finalmente mostrar que Louçã é um produto marginal e suburbano, uma espécie de irritação cutânea, por enquanto nada de muito sério que não passe com uma pomada bem aplicada. Uma palavra para Cavaco: terá sempre as suas insuficiências, como todos nós, mas em dez anos ganhou um estofo visível de estadista. Eu também dormirei tranquilo se Cavaco for eleito. Mas, para já, estou com o Manuel Alegre.