segunda-feira, abril 21, 2025
quarta-feira, janeiro 08, 2025
o triunfo do conselheiro Acácio
O Panteão Nacional é demasiado acanhado para Eça de Queirós. Sim, é verdade, estão alguns dos muito grandes, por exemplo génios como Aquilino Ribeiro e Amália Rodrigues, a quem os portugueses devem tanto como ao grande romancista, enorme cronista e incomparável estilista. No entanto, para além de faltarem por lá muitos, outros há que não se percebe por que lá repousam, para além das comezinhas circunstâncias políticas, que, a propósito, o mesmo Eça detestava -- para não falar das comezainas dos novos-ricos hi-tech.
Mas nem é uma questão de companhias: quando Camilo passar ao Panteão, o que a partir de agora se torna obrigatório, ou Júlio Dinis -- e assim lá estarão reunidos os três grandes romancistas portugueses do século XIX --, não serei eu quem irá contestar a decisão. Mas os autores de Amor de Perdição e A Morgadinha dos Canaviais são outra loiça, e por sinal bem diferente entre si, felizmente -- e viva a diversidade...
O problema é que trasladar Eça de Queirós para o Panteão, além de ser ridículo, depois de há pouco mais de trinta anos os restos mortais estarem por um triz destinados à vala comum -- não fora o alerta da imprensa --, o seu espírito crítico e com pouca paciência para os arrivismos protagonizados pelo pessoal político, a politicalha monárquica ou a jacobinagem republicana, obrigaria a que se usasse de parcimónia no estadulho deputo-ministerial que se vai empoleirar no frágil esqueleto. Que parte da família em sequer o tenha percebido é quase grotesco, mas também não é de admirar -- refrão: "Como és belo, meu Portugal", canta, irónico e sarcástico, Luís Cília...
Há pessoas, há espíritos, há intelectos, há sensibilidades incompatíveis com tanto conselheirismo. Antero de Quental é outro caso de incompatibilidade com o Panteão (ainda por cima com o Teófilo por perto, o parvónio, como lhe chamava...) Ponham lá o Cesário Verde e o António Nobre, ainda maiores poetas do que o divinalmente furibundo Antero, que jaz em paz em Ponta Delgada.
Ou o José Afonso, outro para quem o edifício de Santa Engrácia seria como se jazesse no gavetão das luminárias nacionais. Como se poderia fazer do homem que revolucionou a nossa música, miscigenando-a, ele próprio um revolucionário limpo, num berloque da pátria?
Antes a vala comum, para onde deixaram ir o Bocage -- sabendo-se nessa altura quem e o que era Bocage, destino de que Eça se salvou, por um triz. ( refrão: "Como és belo, etc.)
Mas o povo fica feliz -- excepto os bairristas de Baião (ai o turismo...) -- e os acácios impantes, com o assuntozinho despachado, e ala que se faz tarde para a açorda.
sexta-feira, novembro 24, 2023
o amor é forte como a morte
O snobismo em arte, então, é exasperante -- pobres criaturas que se atabafam a esconder aquilo de que realmente gostam em troca do alarde do que os outros esperam que gostem, que infelizes devem ser nessa vida clandestina que se impõem, Tom Waits pr'aqui, Robert Wyatt (será?) pr'acolá, mas o que lhes faz soltar o pèzinho é o Tony Carreira, a até levam a mãe ao piquenicão do Continente.
Teresa Radice e Stefano Turconi são uma dupla nos fumetti italianos e também na vida real. O leitor português pôde lê-los nas revistinhas Disney -- as Comix, de boa memória e péssima administração. São orgulhsos autores de histórias do Mickey, do Pato Donald, do Tio Patinhas, etc.; mas são também autores de BD para um público adulto. Sim, com um muito agradável erotismo, mas não é disso que estou a falar. Um livro que li há pouco, Il Porto Proibito -- inédito em Portugal, mas não em Espanha, nem em França -- como és belo, meu Portugal, citando Luís Cília --, uma história de marinharia e amores para além da morte, passada em navios, numa casa de órfãs e num bordel, merecedor de uma exegese que aqui não cabe.
Teresa Radice & Stefano Turconi, Il Porto Proibito
Bao Publishing, Milao, 2015
sexta-feira, setembro 10, 2021
portugueses
quarta-feira, dezembro 06, 2017
"Como és belo, meu Portugal"*
Coisas que não interessam nada a quase ninguém. É o tal défice de que falava Costa.
(* Luís Cília)
sábado, dezembro 10, 2016
quinta-feira, dezembro 08, 2016
só uma música
domingo, setembro 18, 2016
canções portuguesas - #8 «O Conde Niño» (Luís Cília, 1974)
(tradicional)