Anátema (1851), o primeiro romance de Camilo, meia dúzia de anos depois da estreia, em verso, com o bonito título Os Pundonores Desagravados...
Diz a contracapa da minha edição que o Camilo do futuro já lá está, e é verdade. O Camilo sarcástico, corrécio, inconveniente e iconoclasta; o escritor a metro, mas um metro abençoado, pois havia que fazer render o peixe do folhetim, diz-me o Alexandre Cabral. naquele invejável Dicionário, que publicado em 2-jornais-2, em Lisboa e no Porto --, o estilista límpido e poderoso.
Completava vinte e seis anos, e os grandes eram então Garrett, Herculano e Castilho, aparecendo dizendo estar-se nas tintas para o romantismo e respectivos ideais revolucionários, que desprezava. «Escola militante» e «sociedade aspiradora», são duas expressões que dão ideia do vezo polémico deste grande reaccionário, que foi temível e destrutivo, quando queria. E em tom de desafio encerra a apresentação do livro:
«O escritor destas coisas ainda não abriu matrícula, nem pede que o inscrevam ainda à custa de uma boa reputação de folhetinista. Se a escola, em nome do século, do futuro e da humanidade, o interrogar pela substância útil deste apontoado de palavras, o autor não lhe dá resposta alguma. / Dito isto, começa-se.»
É impossível não adorar este desavergonhado de génio.