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sexta-feira, julho 05, 2019

vozes da biblioteca

«o vento / leva-lhe a quase / saia / e vê-se a jóia / surpresa lapidada» Frederico Barbosa, «Paulistana de Verão», Cantar de Amor Entre os Escombros (2002)

«Pior, pior de tudo foi ter sido / par de Camões que continua vivo / só pele e canto ossificado em espanto» António Barahona, Rizoma (1983)

«Vitorioso o rei regressa à frente dos exércitos / e há fome e peste nas aldeias arrasadas.» Manuel Alegre, Praça da Canção (1965)

terça-feira, janeiro 08, 2019

vozes da biblioteca

«Cada dia / promete o infinito em meia dúzia / de palavras -- o amor, / a vida, o tempo, a morte, a esperança, / o coração.» Fernando Pinto do Amaral, «Palavras», Pena Suspensa (2004)

«Não sabiam, / porque viviam no centro do seu tempo, / e o centro do tempo não sabe nunca o que lhe irá ser percurso, / como um rio que corre não conhece a sua foz, / só as margens por que passa e o iluminam, ou ensombram.» Ana Luísa Amaral, «Entre mitos: ou parábola», Escuro (2014)

«sim, Ana / morreremos loucos / mas / esta noite / dormiremos / juntos» Ademir Assunção, «5 dias para morrer», Na Virada do Século -- Poesia de Invenção no Brasil (2002) (edição de Claudio Daniel e Frederico Barbosa)

terça-feira, julho 05, 2011

Antologia Improvável #476 - Frederico Barbosa (2)

MEMÓRIA SE

A mais íntima
memória se
desdobra cega
e surda:

a presença tátil
de suas dobras
incrustadas
nas marcas linhas
das minhas mãos.

O gosto redondo
do seu corpo
na retina língua
do meu gesto
ou rosto.

E seu perfume
rio riso colorido
escorrendo
sobre o corpo
sopro e calor.

Memória se
deseja. O resto,
se ouça ou veja.

Na Virada do Século -- Poesia de Invenção no Brasil
(edição de Claudio Daniel e Frederico Barbosa)

domingo, junho 19, 2011

Antologia Improvável #475 - Fabrício Marques

FICANDO TARDE

Estou ficando tarde. E o tempo
vai carpindo antes do tempo
rugas de cansaço e lucidez.

Com ar de melancolia
(Estou ficando tarde)
percorre o rosto um sorriso.

As horas se gastam, amarelam
como quando a vida arde
-- ó albor -- na pele, sem aviso.

Na Virada do Século -- Poesia de Invenção no Brasil
(edição de Caudio Daniel e Federico Barbosa)


domingo, maio 29, 2011

Antologia Improvável #473 - Fabiano Calixto

ESPERA

a janela aberta
da cozinha
as mãos
os pratos limpos

uma hora
de música
um quinto
cigarro
para passar o tempo

-- rumor de fresta
noite de maio --

uma espera
acesa
durando uma estrela

Na Virada do Século -- Poesia de Invenção no Brasil
(ed. Claudio Daniel e Frederico Barbosa)

quinta-feira, maio 26, 2011

sábado, abril 16, 2011

Antologia Improvável #469 - Eduardo Sterzi

OUTRO TIGRE

Tigre, diamante vertebrado,
nenhuma jaula poderá 
reter, inflexível, a fria
fúria do teu olhar.

Nosso inútil terror de humanos
extraírá, do mundo em que vives,
a força líquida (flutíssona) de
músculos invisíveis.

Tigre, metáfora do tempo,
demônio cego da distância:
que ser, ferido de beleza,
te admira em segurança?

Na Viragem do Século - poesia de Invenção no Brasil
(edição de Frederico Barbosa e Claudio Daniel)

quarta-feira, março 02, 2011

Antologia Improvável #465 - Carlos Ávila

TÚMULO AO POETA DESCONHECIDO

uma brochura
que mal se sustenta de pé
na biblioteca pública
de uma cidadezinha qualquer

as páginas amareladas
de uma antologia
com trezentos e tantos
tantos tantos "poetas"

um título
perdido
(muito cedo, muito cedo)
nas prateleiras de um sebo

apenas um nome
(nowhere man)
na babilônica
lista telefônica

numa obscura
repartição pública
(beneficência da língua portuguesa)
sem cura

um bardo bêbado
no fundo do bar
olhando pro nada
e pensando que é o mar

no tumulto da vida -- o túmulo
requiescat in pace
& não volte jamais

Na Virada do Século - Posei de Invenção no Brasil
(Claudio Daniel e Federico Barbosa)



quinta-feira, janeiro 27, 2011

Antologia Improvável #461 - Cacá Moreira de Souza

uma mentira talvez
um canto
uma chantagem
um escândalo
uma trepada
um porre
uma promessa
um plano de vôo
uma carta
um tranqüilizante
uma viagem
um grito
uma lágrima
um sim


talvez...

in Claudio Daniel e Frederico Barbosa,
Na Virada do Século --
 Poesia de Invenção no Brasil

sábado, maio 07, 2005

Antologia Improvável - Frederico Barbosa

STAR DUST

(Lester Young
lendo Star Dust)

toda pele
quando ela toca
troca

arde
vira verde
trans-
parece

(Lester Young
lendo Star Dust)

nada nunca ninguém
quando ela toca ou fala
toca tão completamente
quando completa foi tocada

(Lester Young
lendo Star Dust)

Cantar de Amor Entre os Escombros
Frederico Barbosa Posted by Hello