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sábado, maio 17, 2025

as 2-razões-2 por que vou voltar a votar no PCP/CDU este ano

Como sempre, continuo a votar onde e em quem me apetece; como no ano passado, volto a votar nos mesmos e pela mesmíssimas razões. São elas:

1. A posição do PCP em relação à Guerra da Ucrânia, entre a Rússia e (parece que ainda) os Estados Unidos. Posição moderadíssima, aliás, que tem a grande virtude de não tolerar que Portugal seja nesta questão mais um verbo de encher, ao contrário dos outros partidos todos com assento no Parlamento, do do "nacionalista" Ventura ao do sofista Tavares.

2. Gosto de votar e que o meu possa ter influência, o que várias vezes não sucede. Há uma ano votei na CDU para ajudar a eleger António Filipe, número dois por Lisboa. O último ano mostrou como a Assembleia da República se degradou com a eleição dos candidatos do Chega. Nunca como agora o Parlamento precisou tanto de bons parlamentares. E António Filipe é dos melhores. 

E é isto

segunda-feira, março 04, 2024

ucraniana CCXXIX - porque votarei no PCP

Votarei no domingo, 10 de Março de 2024, no PCP, o único com representação parlamentar que neste momento histórico não me envergonhou. 

Tenho várias razões para votar no PCP, e outras tantas para não votar. Sou um cidadão livre, voto como me apetece. Já votei em vários partidos e também votei em branco. Exerço a minha liberdade, só não deixo de ir às urnas.

A minha decisão está tomada desde que estas eleições foram anunciadas, e prende-se com a guerra na Ucrânia, entre dois imperialismos, e a postura de menorização do país, subserviência e leviandade crassa ignorante de praticamente todas as outras formações concorrentes e dos órgãos de soberania portugueses, que fizeram deste país um mero capacho dos interesses da administração americana, dominada pela rapacidade do complexo militar-industrial dos Estados Unidos. Mais que um capacho, uma excrescência, uma espécie de Hotentócia (o vocábulo é queirosiano...), a quem ninguém liga nenhuma, uma coisa ridícula. 

Um país como Portugal, a caminho dos novecentos anos, com uma forte ligação atlântica aos países que emergiram do seu império e com um património histórico e simbólico ímpar -- uma língua, uma literatura, uma cultura popular --, submete-se à pirataria alheia sem um pingo de vergonha nem brio.

Sou o primeiro a reconhecer os condicionalismos da nossa situação geopolítica de vizinhança com os Estados Unidos (ao contrário de outros, que porventura achariam que a Rússia iria tolerar indefinidamente as investidas e provocações dos patifes da cia e do pentágono), com quem deveremos manter boas relações -- mas de onde está excluída a vassalagem de protectorado que tem caracterizado a política (?) portuguesa, pelo menos desde a destruição da Iugoslávia. 

Se a minha posição não é totalmente coincidente com a do PCP, que acho moderada, só aqui vi uma atitude que chamasse nomes aos bois. Por isso, foram fustigados pelo que disseram e pelo que não disseram, pelo analfabetos e prostitutas da política e do comentariado, que visceralmente me enojam.

Gostaria que o PCP tivesse uma boa votação nestas eleições, mas para mim isso é secundário, pois o país está e estará nas mãos dos mesmos. O que me interessa é mesmo tomar posição, e ela aqui está. 

quarta-feira, junho 21, 2023

não é preciso chamar nazi ao Zelensky, porque ele não precisa (ucranianas CXCIV)

O nazismo foi a perfeita encarnação do Mal na História contemporânea, em maior grau ainda, pela sua selectividade espúria, do que a escravatura praticada em larga escala com destino às plantações das Américas (o ser humano tratado como mercadoria), os genocídios índio e arménio (atavismo territorial primitivo, no fundo à Gengis Khan), para não falar doutro departamento, o terror estalinista, todo um outro departamento. A depravação moral de Hitler e sicários (um sicariato que se estendeu, infelizmente, a milhares de alemães e povos vizinhos), que o fascista Mussolini quase passa por moderado e o chefe Salazar quase por democrata. O nazismo é único no Ocidente contemporâneo e não vale a pena equipará-lo com qualquer outro sistema de poder.

É por isso que me parece contraproducente o PCP enveredar por essa retórica de Putin (de quem aliás o partido tanto se preocupa em dissociar-se). E não é o único: lembremos Pedro Doares, na recente convenção nacional do Bloco de Esquerda, chamando neonazi ao Zelensky. No entanto, foi neste caso uma hiperbolização salutar, pois, mesmo para quem não é nem gosta do BE, como é o meu caso, causava vergonha e embaraço vê-lo alinhado com a nato ou com o Chega.

Dito isto, também não se pode escamotear a presença, o poder e a influência da extrema-direita neofascista e porventura neonazi em todo o processo que conduziu à guerra que decorre entre os Estados Unidos e a Rússia na Ucrânia.

A CIA, aliás, e beneméritas agremiações americanas congéneres às ordens do Pentágono e do complexo militar-industrial norte-americano (não, obviamente, do taralhouco do Joe Biden), gostam muito de recrutar e branquear este género de delinquentes. Veja-se o caso Navalny: independentemente de tresandar a homem-de-mão, foi membro do partido do Jirinóvsky que deus tem. Ou seja: o rebotalho, o lumpen político e social que a implosão da União Soviétiva excretou.

Voltando ao Zelensky: na mais benigna das hipóteses, foi um líder que hipotecou o próprio país ao ser incapaz de estabelecer um status quo com os russos do Donbass. Não é o único culpado? Não será; mas sujeitou-se a servir os interesses de uma potência global interessada em neutralizar a Rússia. Se perder a guerra, como parece irá perdê-la, ninguém lhe perdoará; se a ganhar, admitamos a hipótese académica, o custo será de tal modo elevado, que alguém irá perguntar-lhe se não teria sido preferível ter-se batido por uma solução que teria por base os Acordos de Minsk. É que -- e nisto o PCP tem toda a razão -- a guerra não começou no ano passado, como dizem para aí os intrujões -- cujo mentor é, recorde-se, Boris Johnson (um Nobel da Paz para ele) --, com a invasão da Rússia pela Ucrânia.     

quinta-feira, setembro 01, 2022

do risco da sinceridade

Um dos riscos de escrever o que se pensa, como aconteceu no post abaixo, é poder ser confundido com vendidos, cuja associação me provoca náuseas. O facto de eu ser totalmente crítico do bolchevismo, não significa que não sinta muita estima -- e nalguns casos até amor -- por gente do PCP, nada de confusões. Seria para mim repugnante estar no mesmo comboio que o serafins saudade do bolsar comentarial a propósito da Festa do Avante!, à qual não irei porque tenho o Guincho à minha espera. O cartaz deste ano é notável; quem me dera lá estar.

quinta-feira, abril 07, 2022

queriam a nato, não queriam? então tomem lá (ucranianas LXII)

Tenho sido parcimonioso com Zelensky. Goste-se ou não, ele e a família arriscam a vida, e eu aprecio gente corajosa. Ou seja, mostrou estar à altura da situação, e isso merece-me respeito. Mas isto, que não é pouco, acaba já aqui. Por razões que não sei descortinar, Zelensky é também alguém que faz o trabalho sujo dos Estados Unidos e, como tal, co-responsável político pelo que se passa na Ucrânia. 

Aliás, a cúpula política Ucraniana, é preciso repetir tantas vezes quantas as necessárias, pôs o seu povo em risco e arrastou-o para uma guerra que lhes escapa, como qualquer um, se quiser, pode ver. O papel grosseiro dos americanos é cada vez mais indisfarçável: os convites à Finlândia e à Suécia, países historicamente neutrais para participarem nas reuniões da Nato, e agora à Ucrânia; a fita que estão a fazer com a comissão dos direitos humanos, quando se estão a borrifar para os mesmos (não pertence a Arábia Saudita essa comissão?); e agora (fora tudo o resto) a hilariante birra com o G20: como não conseguem condicionar a China e a Índia dizem que não vão se a Rússia estiver presente. É para rir, apesar de tudo.

O PCP. Então o PCP iria aprovar a ida ao Parlamento de um governante que proíbe o PC da Ucrânia, fora as perseguições étnicas etc., a que a Europa dos "nossos valores" fecha os olhos quando convém? (Um dia destes tenho de fazer o paralelo das atitudes relativamente à Catalunha e à Ucrânia -- nunca tive paciência para vigaristas). O que seria se o PCP aprovasse a ida ao Parlamento de um indivíduo que é instrumento da Nato e além disso preside a um estado que ilegalizou o PC de lá?... Drogam-se, ou só se fazem de estúpidos?  

ucranianas

quarta-feira, março 02, 2022

Ucrânia: elogio do PCP

 Como já aqui escrevi, a posição do PCP é impecável sobre o contexto político da guerra na Ucrânia, independentemente doutras considerações ideológicas, e cujo comunicado inicial se pode ler aqui; e este parágrafo é irrepreensível:

"O PCP salienta que o agravamento da situação é indissociável da perigosa estratégia de tensão e confrontação promovida pelos EUA, a NATO e a UE contra a Rússia, que passa pelo contínuo alargamento da NATO e o reforço do seu dispositivo militar ofensivo junto às fronteiras daquele país, e em que insere a instrumentalização da Ucrânia, desde o golpe de estado de 2014, com o recurso a grupos fascistas, e que levou à imposição de um regime xenófobo e belicista, cuja violenta acção é responsável pelo agravamento de fracturas e divisões naquele país."

Se algum pecado tiver, será por defeito. Embora para o cidadão comum, a leste destas matérias, possa parecer críptico, qualquer observador honesto sabe que este parágrafo é correctíssimo (e, de resto escrito em bom português, e sem usar o aborto ortográfico). O mais, é pura desonestidade intelectual, vigarice, analfabetismo jornalístico funcional.

segunda-feira, junho 15, 2020

Racismo

Padre António Vieira,
por Candido Portinari
Exceptuando o caso dos ciganos (e que excepção...) e os seis nazis que andam para aí a passear a sua  miséria mental e que serão sempre anulados quando o Estado o quiser fazer, não há em Portugal racismo relativamente a outras etnias. Isto pode estragar a conversa a muita gente que quer ganhar notoriedade à custa de uma clivagem artificial, mas essa é a realidade de quem não se deixa embalar por exaltações adolescentes. O chamado racismo estrutural, expressão arranjada para cobrir o logro intelectual, é económico e classista. Tem que ver com a pobreza e não com a cor da pele. Claro que tudo isto tem muito que se lhe diga, mas nem sou a pessoa indicada nem este é o lugar para.
Já agora, a posição do PCP é lapidar: "Sobre a vandalização do monumento ao Padre António Vieira". O resto é folclore, e do péssimo.