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terça-feira, dezembro 05, 2023

a arte de começar mais depressa

 «O rebanho». «Olhares a ressumarem medo, a voz rastejando um tom humilde, o garotelho, oito anos anémicos, vestido a farrapos, prosseguia: -- A mãe diz que é tarde!»

«Ruínas». «-- Podia demorar-se mais...»

«A inimiga». «Ela recuperava forças.»

«O vencido». «-- E o filho?»

Assis Esperança (1892-1975), Funâmbulos (1925)

quinta-feira, setembro 29, 2022

a arte de começar mais depressa

 «Prelúdio (A música das ondas)». «Dispensou a cadeira de rodas e atravessou o portão do hospital cambaleando.»

«Amizade». «Quase toda a manhã é o mesmo suplício: quando chego na portaria, a vizinha gorda do trezentos e dois já está esparramada no banco de madeira, tendo ao lado o seu irritante cachorrinho peludo.»

«Gosto de enxofre». «Uma mulher entrar sozinha no bar, escolher a mesa, se sentar e pedir uma cerveja são coisas que nunca se vê por aqui.»

«Caminhos». «Diante da banca de jornais e revistas, o homem parece petrificado, os olhos grudados na primeira página do jornal que estampa a manchete MARADONA ESTÁ MORTO».

«O pedido». «A mulher está sentada na varanda, xícara de café e latinha de biscoitos de maisena no colo.»

«Cicatriz». «Seu Júlio disse que o homem cultivava cavanhaque grisalho e tinha uma cicatriz no rosto que ia do nariz até perto da orelha.»

«A primeira vez».  «Eu jogava futebol de botão no  piso da sala quando a ambulância freou na porta de casa.»

«Como num quadro sacrossanto». «Deus me perdoe, mas parecia que eu estava diante do quadro da Virgem e o menino Jesus -- o delegado repetia.»

«Estação Fim do Mundo». «-- Quanto é a a bala de tamarindo? -- pergunta o homem.»

«Café fraco». «Do jeito que me cataram em baixo da marquise, me despejaram aqui, sem uma palavra sequer, de explicação ou de consolo.»

«O amor é mais frio que a morte».  «Não há nada mais triste do que cemitério em dia de chuva.»

«O último post». «Eu poderia ter resolvido o assunto no tuíter, com menos de cem caracteres, algo como Quando vocês acabarem de ler isto aqui, eu terei acabado com tudo, mas ficaria faltando alguma coisa.»

«Mortos na cabeceira». «E esse medo de ir para a cama?»

«Herança». «A nuvem avermelhada manchava o céu desde o começo da manhã, prometendo que o dia não seria como outro qualquer.»

«Mangas vermelhas». «Marcaram encontro para o fim da tarde e pegaram o caminho da chácara.»

«Ternura». «A filha do velho recomendou que eu não usasse roupas "pronunciantes".»

«Queima de arquivo.» «A dupla formada por repórter e fotógrafo que fazia o plantão da madrugada na redação -- num tempo em que ainda havia plantões, jornalistas e redações -- me tirou da cama antes do galo cantar.»

«A última lembrança».  «Ele disse que não queria me ver nunca mais, nem pintada de ouro.»

«Decisão». «Foi dele mesmo a decisão de se mudar para a casa de repouso -- Solar da Amizade, estava escrito na placa de madeira -- e também a escolha do asilo.» 

«A crooner do Norte». «Hoje eu me lembrei de você, Cauby.»

«Deus sabe». «Quando minha mãe vinha com a trouxa de roupas descosturadas ou precisando de remendos, eu já ficava nervosa.»

«Tempos difíceis». «Cenário: Ponto de ônibus.»

«Cada um sabe de si.» «Lucinha chega ao trabalho com uma mão no olho e outra na boca, cobrindo o hematoma no supercílio e o machucado no lábio.»

«Cruzamento». «Ainda lembrava como se tivesse acontecido ontem do dia em que ela chegou com os olhos duros, aquele mesmo par de olhos que já amolecera tanto antes dos seus.»

«Os caçadores e a caça (Um conto de Natal)». «Na volta da escola, caminhando às margens da belíssima lagoa que ilumina e transluz no crepúsculo, o menino vê o homem passar correndo.»

«A vida é troca». «A vida é dura, doutor.»

«Mais cedo ou mais tarde o teto desaba». «A cena se passa no ano de mil novecentos e setenta e um.»

«Ainda tem sol em Ipanema». «De mãos dadas, Sergio e Clara pulam das pedras do calçadão para a areia morna e caminham para o mar.»

Luís Pimentel, Ainda Tem Sol em Ipanema (2022)

Prémio Ferreira de Castro / 2021

apresentação: Museu Ferreira de Castro, 30-IX-2022, 18 h.

(estão todos convidados)


quinta-feira, maio 26, 2022

da contenção das obras-primas (menos é sempre mais)

«-- Navio?»  O incipit, e também primeiro parágrafo, do conto «Os faroleiros», que abre Urupês (1919), de Monteiro Lobato, obra fundamental de um dos grandes escritores do Brasil e da nossa língua. Discurso directo, serve a pergunta de pretexto ao narrador para contar uma história trágica passada num farol. Uma beleza de começo.

quarta-feira, maio 25, 2022

da ética do despojamento à identificação impossível

«Desta viagem do velho Arlanza até Sout'n' vou guardar uma indelével memória.» José Rodrigues Miguéis (1901-1980), «Gente da terceira classe», Gente da Terceira Classe (1962)

Texto que abre o volume com o mesmo título, publicado em 1962, e apresentado em epígrafe como "Jornal de bordo - 1935", é mais reportagem que conto. Filho de imigrante galego, e licenciado em Ciências Pedagógicas pela Universidade de Bruxelas, fartou-se certamente da parvónia que era Lisboa em 1935, e ruma aos Estados Unidos, onde viverá o resto da vida, com breves intermitências.

Comunista de há muito, os tipos que nos apresenta nesta terceira classe de que obviamente não fazia parte, merecem-lhe uma atenção em que salta à vista a vontade de idealização do povo que aqui está longe de aparecer em carne e osso, por vezes chegando à comiseração, quase à repugnância pelo primitivismo -- que já Raul Brandão, por exemplo notava, ou Ferreira de Castro também, ambos, porém com maior empatia e nunca usando de ironia. Miguéis, diria, vai além da ironia: a mordacidade por vezes quase camiliana, está muito presente. Nem as figuras que nitidamente idealiza -- o antigo marinheiro ou a velha popular do Barroso --  sobrevivem quando abrem a boca. Um marxista com vontade de ideal, numa visão benigna; um cínico diria: o povo não serve?, muda-se o povo! Também foi tentado, com o sucesso que se conhece. No entanto, a sua sinceridade é indiscutível, tal como o apurado sentido crítico, mesmo que ocasionalmente toldado pelo vezo ideológico, sempre discreto, contudo, como se impõe.

sexta-feira, fevereiro 12, 2021

a arte de começar mais depressa

«A aliança inglesa». «A sua vaidade de mulher bonita lisonjeava-se com a convicção de ter fixado o coração volúvel e a imaginação impressionável do noivo; a consciência da própria superioridade dava-lhe a certeza de ter definitivamente tomado posse do espírito do marido, fortaleza tantas vezes atacada, e outras tantas espontaneamente rendida, nas batalhas alegres de uma mocidade jovial.» [Sabugosa]

«Um pequeno romance». «A quem logo de manhã cedo em Vizela vai para o banho, não pode passar despercebida uma rapariga dos seus dezoito anos mal contados, que ali adiante à esquina da botica, sentada no granito do passeio, vende chapéus de palha, que ela própria, num labor incessante continuamente fabrica.» [Arnoso]

«A Cabrita». «Ao ver os seus grandes olhos negros, sublinhados pelo esmalte suavemente esbatido das olheiras, a boca de beiços palpitantes, finos e sensuais, a pureza extraordinária dos contornos do seu corpo, fácil seria adivinhar que Maria, por alcunha -- a Cabrita -- não era irmã de Manuel Torrão, nem filha da Sr.ª Engrácia, rendeira do casal do Arneiro, situado à borda da estrada que conduz de Sintra a Mafra.» [Sabugosa]

«A viagem». «Uma noite, em Kobe, em lugar de ir percorrer os bairros pitorescos da cidade, deixei-me ficar na banal casa de jantar do Hôtel des Colonies, comodamente sentado à beira do lume, conversando com uma senhora inglesa, viúva e já idosa, que sozinha viera da Austrália passar os meses de inverno ao Japão.»  [Arnoso]

«Balões». «Uma aragem tão leve como sopro de criança, balouçava docemente acima da multidão, que saía do missa do Loreto, um cacho de balões de cautchouc duma transparência suave, e a que o plenissol daquela manhã de Abril, dava o aspecto dos maravilhosos frutos de Aladim.» [Sabugosa] 

«No mar». «Noite escura.» [Arnoso]

«O filho do maioral». «A poucas léguas de Lisboa, na margem direita do Tejo, e não muito longe de uma das estações do caminho-de-ferro, estendem-se as vastas propriedades do marquês de ***, possuidor de um nome antigo e de uma fortuna avultada, que tem atravessado com rara felicidade o temporal desfeito que arrastou para sempre a maior parte das suas iguais.» [Sabugosa]

«Inconfidência». «Trouxe-nos hoje o correio novas do extremo oriente.» [Arnoso]

«O fadista». «Também se transformou!» [Sabugosa]

«Mater Dolorosa». «Aquela filha, filha única, era a menina dos seus olhos.» [Arnoso]

«A nora -- o moinho». «Saindo das portas de Lisboa e tomando por algumas azinhagas que do Campo Grande levam à estrada de Sacavém, ou visitando as hortas que se espalham pelo vale de Chelas, não é raro ainda ouvir pelas compridas tardes de verão o gemer arrastado, a melancólica e plangente cantilena das noras.» [Sabugosa]

«Um sonho». «Vi-me num bosque sentado sobre uma pedra que o musgo viçoso amaciava.» [Arnoso]

«Na goela do leão». «Quando o leão de púrpura dos Silvas perder a sua língua negra acabará a família a que vai pertencer, profetizara o Roque a uma das suas netas, na véspera do casamento, por uma noite de luar coado a custo pelas abóbodas do espesso arvoredo numa das avenidas da quinta de Belas.» [Sabugosa]

Conde de Sabugosa (1851-1923) e B. de Pindela [Conde de Arnoso, 1855-1911], De Braço Dado (1894)

quarta-feira, fevereiro 10, 2021

a arte de começar mais depressa

 «Agade e Nimur». «Havia em Agade uma porta imemorial e no frontão tinha escrito: "Porta em frente da qual se não colhe o trigo."»

«Do deus memória e notícia». «Quando os povos do Oriente vieram em levadas sucessivas e plantaram tendas multicores nos vales e planaltos por onde sopravam os ventos, os magistrados de Ghard tiveram de declarar a guerra para recuperar a rota das caravanas.»

«A simetria». «O rei Jeherdal era gordo, enfermiço, mas tinha reputação de sagaz e prudente.»

«O bólide». «Só quando muito recentemente foi deposto por uma insurreição o ditador Raymond Arenas, da República Central Americana de San Pelayo, se soube ao certo, por documentos encontrados no palácio saqueado, o que realmente aconteceu ao navio britânico Caliban, enigmaticamente desaparecido em 12 de Julho de 1960 ao largo da Costa Rica.»

«O desafio». «Perto da mesquita grande do Cairo havia um velho que se acocorava no chão, sobre o turbante estendido, e recitava as Suratas  do Corão perante uma pequena multidão em círculo, que lhe retribuía com algumas moedas ou alguns géneros.»

«Almocreves, publicanos, ricos-homens e ciganos». «Acautelados das tropas de Massena que, batidas por Beresford, demandavam caminhos de Castela, atravancando as estradas de carros, gente e canhões, num pandemónio de tropa solta e perdida em que ninguém tinha mão, os dois almocreves saíram de Alcácer noite alta, por carreteiras de poucos sabidas e desviadas da tropelia francesa.»

«Do problema que o capitão Passanha houve de resolver quando, em circunstâncias atribuladas, comandava o Maria Eduarda no estreito de Malaca do bom despacho que lhe deu com a colaboração de todos / ou / O enigma da estátua mutilada encontrada nos fundos de Shandenoor». «Há meses, o navio oceanográfico Scania, pesquisando espécies marinhas entre Samatra e Ceilão, não longe dos baixios a que chamam Shandenoor, trouxe à tona um estranho achado, decerto há muito afundado nas profundas geladas daquelas paragens.»

«Definitiva história do Professor Pfiglzz e seu estranho companheiro». «Quando eu era muito novo, fui comissário de bordo num grande cargueiro misto, o Fernão Ferro, que fazia a demorada carreira entre Leixões, Hadleh e Carvangel, com escala por vários portos secundários.»

«Que todos ficassem bem…» «Nos meus últimos dias de férias no arquipélago de Shandenoor vieram procurar-me dois sujeitos escuros, muito magros, bisonhos, que se diziam enviados pelo rei de Carvangel.»

«As três notícias do Diabo». «À espera de transbordo, um amigo meu atardou-se numa tasca fedorenta de San Pelayo, bebendo tequilla e jogando ao Modelo

«O caminho de Cherokee Pass». «Ao fim de dois meses de buscas infrutíferas nas planícies de Oklahoma, um jovem pesquisador chamado Barton regressava desiludido, esfomeado, coberto de vermina, arrenegando dos velhos mapas comprados a batoteiros ociosos no bar fétido de Cherokee Pass.»

«O contrato». «Quis-me desenfastiar a procurar emprego em Londres.»

«A pele do judeu». «Intrigado por um dito melancólico de Aberramão III, que em quarenta anos de reinado tinha contado catorze dias de paz, o universitário Rui Telmo meteu-se a pesquisar a vida dos Árabes na Península.»

«A transmutação». «No final do batuque, o jovem cuanhama, muito bebido de cerveja de palma, vergou o arco e disparou uma flecha para as alturas.»

«Desdobramento». «Ele atribuía aquele grande cansaço e quebranto nos plenilúnios a um acontecimento da sua infância distante.»

«A espada japonesa». «O frade Góis, o mais antigo manuseador de manuscritos do convento, um dia recebeu uma espada japonesa, afiada e comprida.»

«A autora». «A advogada Helena Telo teve de ficar em Lisboa, no início de Agosto, por causa de uma petição complicada que a lei mandava interpor em férias.»

«O circuito». «Foi com dificuldade que aluguei um quarto em Coimbra, perto da Couraça dos Apóstolos.»

«A passagem». «Um amigo meu, amigo antigo a quem não é preciso ver muitas vezes, telefonou-me um dia destes, para termos uma conversa muito séria.»

«Coleccionadores». «Isto de coleccionar antiguidades vai e volta.»

«O sonho». «Tenho tido imenso tempo para pensar em tudo isto, olhos fixados nestes azulejos pardos, ainda mais sujos da luz vinda da janela, , depois de ter feito um percurso de impurezas que não deixa iluminar forte seja o que for.»

«O fim». «Como combinado, André e Burka passaram nessa tarde pela loja onde se empregara a filha.»

«O emprego». «Os três, na cidade de ..., estavam sentados e, do muito calor, abanavam-se com folhas de jornal, enquanto esperavam.»

Mário de Carvalho (1944), Contos da Sétima Esfera (1981)

sexta-feira, novembro 20, 2020

a arte de começar mais depressa

«Diálogo no tempo morto». «--Tudo seco!»

«Diálogo em torno da fogueira». «-- Ó nosso avô, ó mais velho da nossa aldeia, aqui estamos todos para ouvir a tua voz.»

«Diálogo dos bem casados». «-- Já apitou, Germano?»

«Diálogo dos homens na praia». «-- Oh! Boa tarde aí pessoal.»

«Diálogo dos pastores em transumância». «-- Ponhamos mais um pedacinho de lenha na fogueira, Tjivandja.»

«Diálogo dos emigrantes». «-- Andámos muito hoje, mano.»

«Diálogo na rua escura.» «-- Vês aquela rua escura?»

Henrique Abranches (1932-2006), Diálogo (1962) 

quinta-feira, outubro 29, 2020

a arte de começar mais depressa:

«Branca». «D. Branca morava no Porto e sofria, por vezes, de chiliques inofensivos.»

«Roxo». «Tinha os olhos roxos, de vidente.»

«Amarelo». «Findo o espectáculo, em toda assistência se notava um contentamento pouco expressivo.»

«Azul». «A transfusão de sangue tinha operado o seu milagre -- realmente o sangue azul corria-lhe nas veias em caudal abundante, até mesmo para um bom aproveitamento sanguíneo eléctrico.»

«Pardos». «Os Pardos viviam fora da cidade.»

«Vermelho». «Todas as vezes que entrava numa sala onde estava gente ele fazia-se vermelho.»

«Preto». «A morte do Preto começava na terça-feira».

«Verde». «Foi gratuitamente e por acaso que estando ontem na Ribeira das Naus a olhar para um Tejo verde me espantei a trouxe-mouxe.»

Ruben A. (1920-1975), Cores (1960)

terça-feira, outubro 06, 2020

a arte de começar mais depressa

«Deus ex machina». «O Inverno de 1890 foi dos mais ásperos que flagelaram a Europa durante o século findo, e na Holanda, então -- onde eu o passei quase todo --, país relativamente temperado e malìssimamente preparado para as baixas temperaturas, morria-se de frio.»

«A cigana (Carta a António Patrício)». «Hammamet, Dezembro, 1930. / Meu caro amigo: / Com aquela mesma mulher cuja presença, anos depois de nos separarmos para sempre, adivinhei, "senti", num recinto imerso em profundas trevas e cheio de gente; e logo, porque fugi para a não ver, me sugeriu a explicação do mito de Orfeu e Eurídice; com essa mesma mulher, durante os nossos longos e atormentados amores, deu-se um caso de telepatia tão raro, que merece realmente ser arquivado.»

«Margareta». «Em matéria de viagens fui sempre, por instinto e reflexão, refractário a programas; contudo, na minha primeira ida a Itália, reconhecendo a necessidade de visitar com certo método país tão incomparável e infinitamente variado na paisagem e na arte, delineei um plano que me tolhesse as turbulências juvenis, sopeando-me a irrebatível mania das digressões, e executei-o sem repugnância nem arrependimento.»

«Cordélia». «As minhas relações com gente da Catalunha datam da infância, graças a uns negociantes de cortiça, de S. Feliú de Guixols, que se estabeleceram na minha terra e de que ainda hoje lá existe descendência.»

«?». «O meu quarto na hospedaria Fra Giaccomo, em Smirna, era uma gaiola de vidro suspensa sobre o mar, e isso concorreu muito para que eu aí me demorasse mais do que projectara.»

«O sítio da mulher morta». «Já totalmente impossibilitados de trabalhar, os Elisiários, meus velhos caseiros dos Pegos Verdes, tinham abandonado a propriedade recolhendo-se a um casebre que possuíam na povoação vizinha, a Figueira.»

M. Teixeira-Gomes (1860-1941), Novelas Eróticas (1935)