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quarta-feira, janeiro 02, 2019

vozes da biblioteca

«Cuido não andar longe da verdade se afirmar que a minha Aventura Poética começou aí por volta de 1908, tinha eu os meus oito anos, no dia em que reparei (ou procedi como se reparasse) na existência das palavras, extraídas da vaza da algaraviada comum por homens estranhos, incumbidos da missão especial de dizerem o que mais ninguém ousava.» José Gomes Ferreira, A Memória das Palavras I ou o Gosto de Falar de Mim (1965)

«Mesmo antes de despertar -- um sonho me alvissarou que era hoje; um sonho em contorções e desesperos de pesadelos; seringas que se quebravam nas mãos, agulhas que me fugiam por entre os dedos, frascos de droga que se esvaziavam, por diabólico ilusionismo -- no próprio instante da picada.» Reinaldo Ferreira (Repórter X), Memórias dum Ex-Morfinómano (1933)

«Sentei-me a uma das carteiras e, não tendo coragem de levantar os olhos, fixei-os no abecedário, que crescia e se deformava constantemente.» Ferreira de Castro, «[Memórias inéditas»] (1931)

sábado, fevereiro 07, 2015

a descoberta do valor das palavras

«No fim de contas as palavras não serviam apenas para meter na ordem gaiatos descompostos, insultar as vizinhas linguareiras da cave ou adormecer com canções o ranho dos miúdos. Dispostas de certa maneira adquiriam outro significado, exprimiam sentimentos e valores que os homens só daquela forma se atreviam a desabafar em voz alta com cerimonial de ritmos pautados.»

José Gomes Ferreira, A Memória das Palavras I ou o Gosto de Falar de Mim (1965)

quinta-feira, agosto 04, 2005

Caracteres móveis #30 - José Gomes Ferreira

Preferi viver meses, anos, séculos, ao lado de mim mesmo, misterioso, à espera... Porque em Arte, meus queridos amigos e inimigos, esperar é criar.
A Memória das Palavras I ou o Gosto de Falar de Mim

José Gomes Ferreira

Posted by Picasa

domingo, maio 29, 2005

Antologia Improvável #15 - José Gomes Ferreira

Terra áspera
onde nunca houve faunos nas árvores,
nem ninfas nas fontes,
nem deusas nos rios de preguiça verde...

Terra nua
com vultos pardos
a dependurarem nos ramos lágrimas de forca,
e a verterem nas fontes súplicas de sede,
e a atirarem para as lajes passos de suplício,
e a colarem nos muros sombras de desenterrados.

Terra seca
em que só o drama dos homens
povoa as árvores e as pedras
de imaginação de cinzas,
e transforma o mundo
num planeta podre
da carne de todos os mortos,
ainda com restos de corações a pulsar
no silêncio das rosas...
-- esse suor de pétalas sem deuses
que cheira a cadáveres lívidos
nas frontes dos heróis.

Heróicas / Poeta Militante

José Gomes Ferreira

Posted by Hello