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terça-feira, novembro 11, 2025

o que está a acontecer

«Só de nostalgias faremos uma irmandade e um convento, Soror Mariana das cinco cartas. Só de vinganças faremos um Outubro, um Maio, e novo mês para cobrir o calendário. E de nós, o que faremos? // 1/3/71» Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta, Maria Velho da Costa, Novas Cartas Portuguesas (1972)

«"O quê?", perguntou Mister DeLuxe. "É curioso pensar", disse Austin, passando por cima da pergunta directa, "que o rapaz tirava burriés do nariz quando era pequeno, mas não os comia logo". "Hã?", fez Mister DeLuxe. "Não os comia logo", acentuou Austin, "colava-os à parede para os comer no dia seguinte".  Houve uma pausa. "Gostava deles secos", explicou.» Dinis Machado, O que Diz Molero (1977)

«Ele retomará o seu desabafo, avivando detalhes, corrigindo versões. Por vezes, a certificar-se de que o sigo ou precisado de cumplicidade, faz de mim testemunha, cada frase torna-se um pedido de compreensão. E porque eu digo que compreendo, para ele é como se eu também tivesse estado presente.» J. Rentes de Carvalho, A Amante Holandesa (2003)

terça-feira, fevereiro 23, 2016

uma carta de Oliveira Martins

Oliveira Martins (1845-1890), director de O Repórter, agradece, com os maiores encómios, a Luciano Cordeiro (1844-1900), o envio de Sóror Mariana, a Freira Portuguesa (1888). Esta é a primeira de quatro cartas de homens públicos enviadas a Cordeiro, que sustentava tratar-se as Lettres Portugaises do punho de Mariana Alcoforado, o que continua a ser controverso.


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quarta-feira, junho 11, 2014

Oliveira Martins a Luciano Cordeiro: "vibrei"

Oliveira Martins (1845-1890), director de O Repórter, agradece, com os maiores encómios, a Luciano Cordeiro (1844-1900), o envio de Sóror Mariana, a Freira Portuguesa (1888). Moniz Barreto (1863-1896) foi o maior crítico literário do seu tempo.

Meu querido Luciano

     Vibrei, certamente, vibrei todo o dia ontem, lendo a sua primorosa obra. V. fez um milagre. Não queria escrever-lhe agradecendo-lhe o seu livro antes de o ler, e não o fiz logo porque o tinha emprestado ao Moniz Barreto para ele escrever o artigo que lhe pedi e V. já leu, decerto.
     O Repórter cumpriu o seu dever.
     O livro das Cartas que V. fez é verdadeiramente definitivo, não há nada mais a dizer.
     V. esgotou a erudição e a crítica: não há que rebuscar nem que observar mais.
     Está definido o caso patológico (?) e determinado o concurso de circunstâncias que se deu.
     Receba pois V., meu querido Luciano, os meus mais cordiais parabéns e creia-me sempre -- Seu velho amigo, de uma amizade sempre moça.

Oliveira Martins

[actualizei a ortografia]

in Soror Mariana Alcoforado, Cartas de Amor -- Ao Cavaleiro de Chamilly, Porto, Editora Ausência, 2002.
editor: Luciano Cordeiro