Não ouvi o final, por causa da box, e não tive paciência para ir à procura outra vez. Santos Silva, que começou bem o mandato, cortando a palavra ao badalhoco do Chega, esteve igualmente bem ao falar da integração harmoniosa dos imigrantes ucranianos na sociedade portuguesa e, já agora, naquele aceno erudito da Sonia Delaunay com o Amadeu de Sousa-Cardoso.
Não esteve nada bem no tom justificativo com que quis mostrar a Zelensky um país obediente aos interesses geopolíticos da Nato, nem na aldrabice de dizer que Portugal é um país respeitador do Direito Internacional. Tem dias... Quando o infractor são os Estados Unidos, lá estamos nós, acriticamente obedientes. Exemplos: o Iraque e o Kosovo, duas manchas, sem falar, com este então ministro, na farsa do autoproclamado "presidente Guaidò" na Venezuela -- não porque o Maduro mereça respeito, não merece nenhum --, mas porque pôs em dificuldade a grande comunidade portuguesa no país, hipotecando-se mais uma vez aos interesses dos Estados Unidos, sem qualquer vantagem para nós -- Estados Unidos, aliás, que se preparam para reabilitar Maduro, graças ao petróleo, deixando cair, como é seu costume o investido factotum na Venezuela.
Zelensky fez um discurso fraco, de ocasião. O PCP deveria ter estado presente, pois, repetindo, estava em sua casa.
(em tempo: e o dispensável ar fortalhaço com que se referiu à Rússia...)