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quinta-feira, abril 21, 2022

o péssimo discurso de Santos Silva (ucranianas LXXIII)

Não ouvi o final, por causa da box, e não tive paciência para ir à procura outra vez. Santos Silva, que começou bem o mandato, cortando a palavra ao badalhoco do Chega, esteve igualmente bem ao falar da integração harmoniosa dos imigrantes ucranianos na sociedade portuguesa e, já agora, naquele aceno erudito da Sonia Delaunay com o Amadeu de Sousa-Cardoso.

Não esteve nada bem no tom justificativo com que quis mostrar a Zelensky um país obediente aos interesses geopolíticos da Nato, nem na aldrabice de dizer que Portugal é um país respeitador do Direito Internacional. Tem dias... Quando o infractor são os Estados Unidos, lá estamos nós, acriticamente obedientes. Exemplos: o Iraque e o Kosovo, duas manchas, sem falar, com este então ministro, na farsa do autoproclamado "presidente Guaidò" na Venezuela -- não porque o Maduro mereça respeito, não merece nenhum --, mas porque pôs em dificuldade a grande comunidade portuguesa no país, hipotecando-se mais uma vez aos interesses dos Estados Unidos, sem qualquer vantagem para nós -- Estados Unidos, aliás, que se preparam para reabilitar Maduro, graças ao petróleo, deixando cair, como é seu costume o investido factotum na Venezuela.

Zelensky fez um discurso fraco, de ocasião. O PCP deveria ter estado presente, pois, repetindo, estava em sua casa.


(em tempo: e o dispensável ar fortalhaço com que se referiu à Rússia...)

ucranianas

domingo, setembro 10, 2006

Correspondências #58 - Amadeu de Sousa-Cardoso a Robert Delaunay

Manhufe - Amarante
(18 septembre 1915?)
Cher Ami,
J'arrive de la chasse et trouve votre carte postale. A mon prochain voyage à Porto, je m'occuperai des couleurs.
Merci de vos renseignementes.
Que la guerre est charmante -- c'est un peu littéraire, mais il se peut... Qu'elle doive être émotionante, je n'ai aucun doute. Je vous avoue mon regret de me trouver si loin. Je voudrais la sentir plus près, la vivre davantage.
Que la paix soit devenue trop chère, je vous crois -- on la paie. Mais si on ne participe pas à la guerre, si peu que ce soit, on s'embête. Il nous faut quelque chose de fort -- je suis militariste!
On me dit de Porto qu'il faudrait que vous remplissiez un bulletin ou je ne sais quoi pour qu'on vous envoie vos télégrammes. Donc, votre adresse que j'ai donné ne sufit pas; il la faut signée de votre main.
Salutations à Madame, et, pour vous, une amicale poignée de main.
A. de Souza-Cardoso
In Correspondance de Quatre Artistes Portugais -- Almada-Negreiros, José Pacheco -- Souza-Cardoso, Eduardo Vianna avec Robert et Sonia Delaunay
(edição de Paulo Ferreira)