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terça-feira, junho 25, 2024

Assange -- e também os outros

1. O poder dos estados não hesita em massacrar o indivíduo. Após a denúncia da WikiLeaks, que revelou, entre outras coisas, os crimes de guerra cometidos pelos Estados Unidos no Afeganistão, ou que espiavam os próprios aliados (quem não se lembra do embaraço de Obama com Merkel?), o poder não ficou parado. Comprou magistrados na Suécia, engendrando um muitíssimo mal amanhado caso de "violação" num ménage à trois; e contou com a subserviência da Inglaterra e da própria Austrália, o país de Assange...

2. Só a força conjugada da opinião pública mundial com a imprensa livre pode enfrentar o poder e forçá-lo a ceder. A fórmula arranjada serve para tentar minimamente salvar a face dos Estados Unidos, que não obstante tem a seu crédito a infâmia de Assange ter estado doze anos arrecadado, primeiro na embaixada do Equador em Londres e numa prisão de alta segurança nos últimos cinco anos.

Assange não é o único. Edward Snowden, um patriota americano que revelou aos concidadãos que eram vigiados pelo próprio governo -- a quem Putin, num gesto de grande dignidade concedeu a cidadania russa por ocasião da invasão da Ucrânia -- está exilado. Mas há pior, e não nos podemos esquecer deles: Abdullah Öcalan, patriota curdo, antigo líder do PKK, preso desde 1999 na Turquia; Marwan Barghouti, palestino da Fatah, nas prisões israelitas; Ales Bialiatski, professor de Literatura e defensor dos direitos da cidadania bielorrussa; e a maravilhosa e heróica Narges Mohamaddi, coleccionadora de encarceramentos no regime clerical iraniano, por recusar-se a usar o chamado "véu islâmico" (por cá justificado pelo wokismo  idiota) -- os seja por recusar-se a ser uma pessoa de segunda classe na própria sociedade.  

sábado, outubro 08, 2022

o Nobel da Paz - Bialiatski, muito bem, mas esqueceram-se do Assange

Confio na boa-fé do Comité Nobel para a Paz, e não é por nem sempre ter acertado que perde importância. Tem-se falado do falhanço de Barack Obama quanto à politica externa; sim, mas também não: Cuba e Irão fizeram jus ao galardão, do meu ponto de vista. Poderia falar de muitos casos, mas o antigo presidente norte-americano chega.

Quanto aos que foram atribuídos ontem: começo já por dizer que não estou suficientemente informado sobre as duas associações da sociedade civil, portanto remeto-me à tal confiança no dito Comité.

Quanto a Ales Bialiatski, de quem nunca ouvira falar, só posso louvar a decisão. Prisioneiro político, assim designado pela sempre credível Amnistia Internacional, tenho por estas pessoas a maior admiração e consideração e simétrico desprezo pelo poder ou poderes que combatem. Tenho pena que a Nobel tenha esquecido Assange -- não sei se por medo de polémica, que parece não ter, ou Snowden, felizmente ao abrigo de retaliações.

A anedota merdiática: não faltou quem mencionasse Zelensky, uma marionete do Pentágono ou do Navalny, alcandorado a democrata pelos patifes dos americanos, e que desconfio não passar de um agente da CIA (quem vem do partido nacionalista-populista do Jirinovsky, o crédito que tem é zero).

terça-feira, abril 12, 2022

se o Batalhão de Azov diz, é porque deve ser verdade ou de como se trata uma opinião-pública embrutecida (ucranianas LXVII)

Os novos heróis do mundo livre, das democracias liberais, de tudo aquilo de que tanto gostamos, da liberdade para sermos aldrabados e enxovalhados, ou seja o Batalhão de Azov, acusou os russos de usarem armas químicas em Mariupol. Deve ter o mesmo grau de veracidade com que na Síria a administração democrata, então presidida por Obama, tentou culpar Putin pela mesma utilização -- sabendo-se já então que os Estados Unidos, na sua disputa com a Rússia, se servia do Estado islâmico no terreno, tal como hoje se serve dos neo-nazis. É a conhecida ética capitalista.

Não é muito relevante saber que os neo-nazis são uma minoria na Ucrânia, como gostam de dizer os inocentes e os arregimentados; o que importa é quanto um bando de marginais perigosos organizados em milícias pode condicionar a vida política de um país, em especial com as costas aquecidas pela CIA.

Os russos estão obviamente longe de ser santos, e até acredito que os do Donbass tenham contas sérias a ajustar. Nas guerras nunca há bons e maus de um só lado. E isto serve também para a liderança política: se Putin se tornou um conservador ortodoxo e nacionalista (nacionalismo e religião dá sempre merda), do lado americano, nem sequer sabemos a quem pertence a liderança, que não é obviamente ao senil do Biden e muito menos à tonta que serve de vice-presidente.

A propaganda  que condiciona opiniões públicas brutalizadas pelo viver (ou sobreviver) quotidiano, pelo escapismo imbecil e grosseiro das televisões e da torrente de insignificância online serve às mil maravilhas. A amoralidade capitalista nunca olhou a meios, e eles aí estão em larga escala a servirem-se das massas, acríticas e amorfas, como é da sua condição. Mesmo com a inegável liberdade de imprensa de que dispõem -- uma vantagem sobre qualquer ditadura, diga-se de passagem --, a brutalização é tal, que essa imprensa livre fica sempre circunscrita a um nicho. E a massa move-se ao sabor de quem a comanda, do mais simples cidadão ao pivô analfabeto de um telejornal qualquer.

ucranianas

terça-feira, janeiro 07, 2020

os bárbaros

Sem abordar a questão do Médio Oriente, que tem de ser vista à luz de um secular mosaico pluriétnico, registo: se o general iraniano  Qasem Soleimani não estava no Iraque propriamente em missão de Boas Festas -- e com isto não faço nenhum juízo de valor --, e que, portanto, é uma baixa de guerra, onde se dá e leva, a circunstância de o idiota do Trump ter ameaçado o património histórico do Irão, é revelador de que, apesar de nos Estados Unidos se situarem algumas das melhores universidades do mundo com a respectiva massa crítica, a verdade é que praticamente tudo o que o antiamericanismo mais larvar deita cá para fora não anda longe da verdade. Sim há um Wilson e um Rossevelt, um Walt Whitman e um Mark Twain, mas são enfeites; o focinho da América é mesmo a cara do actual presidente (e já agora do seu secretário de estado) -- e nisso muito mais verdadeiro do que aquela figura de vitelo desmamado do Clinton ou de um porventura equívoco chamado Obama.  

terça-feira, abril 10, 2018

à mercê dos lacraus

As forças subterrâneas apostadas na deterioração das relações entre Estados Unidos e Rússia estão a ganhar a parada.  Derrotada a mulherzinha que era o seu peão nesta táctica de embolsar proventos -- Hillary Clinton, com uma postura claramente confrontacional --, sai-lhes Trump, um cromo acossado internamente. Paulatinamente, estão a conseguir levar a água ao seu moinho.


Só se fosse um maquiavélico com tendências suicidas -- fórmula contraditória --, Assad, com o controlo militar absoluto, cometeria a estupidez de lançar um ataque com armas químicas contra um alvo confinado e  impossibilitado de sair do buraco onde se meteu, sem outra saída a não a escalada e alastramento do conflito...


Tenho a convicção, desde o primeiro ataque com essas armas, ainda no tempo de Obama, que tal foi, e é, perpetrado, ou de dentro (a chamada oposição síria está infestada pelo fundamentalismo islâmico, -- é ouvi-los com o alahu-aqbar), ou de fora (israelitas e/ou sauditas) -- ou dentro e fora.


Os lacraus que puxam os cordelinhos não hesitam, mesmo com o risco de, no final, também eles perecerem -- está na sua natureza.


No meio de tudo isto, duas indignidades maiores: as vítimas dos ataques químicos, carne para canhão literal, sacrificadas à guerra de propaganda e contrainformação, e a inominável traição aos curdos.


 

domingo, abril 09, 2017

as linhas vermelhas de Obama, a falta de linha de Trump, do sr. Bernardo Pires de Lima e do sr. José Cutileiro

Estou convencido de que a inacção de Barack Obama relativamente ao ataque químico ocorrido na Síria há uns anos se deveu às fundadas dúvidas sobre a autoria dessas acções, como qualquer pessoa intelectualmente decente e honesta, que não esteja directa ou indirectamente no teatro de guerra. E o mesmo se passa agora, como diz Tulsi Gabbard, mulher aliás admirável
Trump, que não é decente nem honesto e, intelectualmente, é duvidoso que seja alguma coisa, ensaiou a fita dos últimos dia na Síria. Está no papel dele, assim como Putin no seu. 
Nada disto é estranho; pelo contrário, é velho e revelho, e perigoso na medida em que pode haver sempre algo que corra mal nesta aparente encenação bélica.

Agora, insuportável, insuportável é ler e ouvir alguns especialistas, como me tem sucedido (ainda há pouco na rádio) a darem os ataques químicos como realizados pelo lado de Assad, quando não têm nenhuma prova, nem sequer a evidência, de que tenha sido assim. 
É o caso de Bernardo Pires de Lima, uma Hillary Clinton de trazer (cá) por casa, ou do aposentado embaixador José Cutileiro, com uma posição anti-russa que parece patológica. 
Todos podemos ter as nossas opiniões, preocupações, simpatias e antipatias -- o que não é admissível é que comentadores apresentados com o selo de garantia académica, como Lima, não passem de câmara de eco do bruaá mediático-propagandístico. 

No programa «Visão Global», da Antena 1, diz este senhor qualquer coisa como: 'O ataque químico perpetrado pelo presidente Assad'..., etc.; assim como o de há cerca de três anos, que originou as tais linhas vermelhas de Obama. Como raio sabe ele? Pois não sabe!, porque os únicos a sabê-lo são os beligerantes. Lima tem a obrigação de saber que nestes conflitos as partes chegam a provocar ataques no seu lado, para comprometer o inimigo. É maquiavélico, mas é vulgar. Se não sabe, é incompetente para ser comentador na rádio pública; como não acredito que o não saiba, é pior.

domingo, janeiro 29, 2017

América: o desfile dos horrores

Sem contar com Obama, acho que tenho de recuar a Jimmy Carter para encontrar um presidente decente dos Estados Unidos. Reagan, foi aquela desgraça do reaganomics e o presidente que empurrou os Sandinistas para os braços da URSS, porque aquela testa não concebia outra coisa senão apoiar um ditador anticomunista, mesmo que fosse um ladrão reles e sanguinário. O colapso da União Soviética, esgotada e com pés de barro, era uma questão de tempo, como se viu, quando tudo se esfumou. Bush pai, embora tenha conseguido formar uma coligação de grande significado para reverter a invasão do Koweit por Saddam Hussein, internamente, foi uma anedota. Clinton, com aquele ar de vitelo mas desmamado, além de idiotices como a criação do Kosovo, temos de agradecer-lhe a desregulação do sector bancário de retalho, que viria a descambar na crise de 2008. Uma vergonha. De W., nem vale a pena falar. Trump ainda agora começou; não sei como irá acabar, se irá acabar.  Mas se acabar antes do termo do mandato, significa que, a substituí-lo, ficará aquela aberração do tea party, chamado Pence, tão do agrado do Bible Belt e do Ku-Klux-Klan, talvez ainda mais perigoso. Trump não tem ideologia, é um vendedor de banha-da-cobra, e defenderá tudo e o seu contrário, como é seu hábito. O outro talvez já fie mais fininho. 
Por outro lado, a reacção popular, dos presidentes de câmara e governadores da América civilizada, dos magistrados, são um sinal de esperança. 

quinta-feira, janeiro 19, 2017

Barack Obama

Quando Obama ganhou as primeiras eleições, escrevi isto. No fim do segundo mandato, escreveria praticamente o mesmo. Na política interna, tanto quanto me é dado ver, foi um extraordinário presidente, pois recebeu o país nas lonas, conseguindo recuperar a economia e o emprego. O que seria se o recebesse numa situação de normalidade... No entanto, os problemas 'raciais' (não há raças humanas...) agravaram-se e o mal-estar de que os analistas têm falado deixa este amargor na véspera de deixar o cargo.
Nunca fui muito optimista, mas estava longe de imaginar que o mundo estaria como está hoje, em grande parte por responsabilidade dos antecessores de Obama, uma vez que não se pode recriminar o presidente cessante por ter querido retirar as tropas americanas do lodaçal iraquiano, crime da administração anterior, contra a qual esteve. Se o acordo com o Irão ou o restabelecimento das relações diplomáticas com Cuba, para além da execução do bin Laden, são feitos assinaláveis, não escondo que me desapontou a sua moleza diante do governo radical israelita, no que respeita à política de colonatos; e a forma pouco hábil com que lidou com a Rússia, saindo, aliás, a perder em toda a linha no confronto que alimentou -- ou deixou alimentar -- com Putin, sem benefício para o Ocidente, mas certamente regalando alguns falcões e a indústria de armamento.

segunda-feira, janeiro 16, 2017

o que vai na cabeça de Trump

Não faço a mínima ideia. E ele, se calhar, também não. Impante do pragmatismo solerte que lhe deu a invejável aura cor-de-laranja do homem de sucesso tão do agrado dos basbaques das business schools cá da parvónia, em relação à União Europeia, continua na senda da campanha eleitoral.
A UE, ainda hoje desconsiderada em entrevista ao Times, é um concorrente agonizante que ousou engendrar uma moeda que concorre com o dólar. Não precisa do Trump para dar cabo de si própria, porque vai no bom caminho.
A NATO é um caso mais interessante. Parece que o eleito disse tratar-se de uma organização obsoleta, no que concorda com a aproximação à Rússia. Se se trata de bluff de casino para obrigar os europeus a alargar os cordões à bolsa, está bem visto. Veja-se a neofascistóide da primeira-ministra polaca, de braços abertos às tropas americanas deslocadas para a fronteira leste, mandadas por Obama, e que no fim-de-semana serão chamadas de volta às bases... Mas pode ser outra coisa: pode ser que Trump esteja genuinamente convencido, como parece estar, de que vivemos um período de guerra de civilizações, e que os russos, cristãos ortodoxos -- e de que maneira! --, são aliados naturais contra a barbárie islamita e, talvez na sua cabeça, contra o perigo amarelo. Neste caso, porém , já não me parece que os russos estejam assim tão interessados...
As próximas semanas vão ser interessantíssimas. Mas eu não acredito, por enquanto, que ele se atreva a acabar com a NATO, (ainda) não tem força para isso, se é o que quer fazer, o que também não me parece líquido.Aí sim, já veria alguns motivos de preocupação para os estados bálticos, e não só. 

sexta-feira, dezembro 30, 2016

o enigma Obama

Ainda não descortinei a estratégia de Obama, a dias de abandonar a Casa Branca: o arrufo com Netanyahu, depois de dois mandatos de passividade e até de humilhação; o coroar das tensões com a Rússia, com a expulsão de diplomatas, já respondido na mesma moeda. Quer condicionar Trump?  Mas não está em condições de o fazer.Há uma coisa que confrange: este lento e dir-se-ia inglório agonizar de uma administração liderada por um homem superior, que parece capturado por outros poderes. Guantanamo aí está para levantar as maiores dúvidas acerca do raio de acção do ainda presidente americano: o mesmo que tendo assistido em directo ao abate de Bin Laden, se mostra incapaz de cumprir uma promessa eleitoral, repetida na segunda campanha, de mandar encerrar aquela prisão.

quarta-feira, dezembro 28, 2016

JornaL

Gado. Santos Silva, um homem do Norte, mandou uma piadola regional a Veira da Silva pelo seu sucesso na concertação social. O divertido Carlos Abreu Amorim logo veio berrar para as 'redes sociais' pela demissão do governante. Eles estão por tudo, qualquer caca serve. Continuem, que o país agradece.
Monumentos. É triste e é uma vergonha o estado reconhecer a sua incapacidade e incompetência na preservação do património cultural. Castelos, palácios, fortes, conventos, igrejas vão ser concessionados a privados para impedir que caiam. Prefiro assim, mas não deixa de ser vergonhoso e uma tristeza. Por isso também me meteu um bocado de nojo as estúpidas indignações a propósito da Cornucópia. Qualquer dia escrevo algo sobre a questão dos subsídios às artes.
Ferrovia. Em 2009, um governante idiota mandou ou permitiu o encerramento do troço Covilhã-Guarda. Quem assim procedeu tem uma puta duma noção de país que não interessa a ninguém. O governo mandou reactivar. Vivó Governo.
Catalunha. Um autarca catalão foi preso por dizer que não acatava a decisão do tribunal e defender a independência do país. Esta direita castelhana, talvez mais indigente do que a portuguesa, não aprende nada. O que se seguirá? Mais posições de força? Palhaços...
Islamofobia. O presidente romeno, da minoria étnica alemã, recusou dar posse à líder do paartido mais votado, muçulmana.. E pode? Ou é já o neo-fascismo miasmático da Europa Central a infectar os ares?
Pearl Harbour. A visita de Abe marca mais uma importante acção diplomática de Obama, que já visitara Hiroxima, a juntar ao acordo com o Irão e ao retomar das relações diplomáticas com Cuba. Obama falhou, contudo, e em toda a linha, onde mais importava: o conflito israelo-palestino.
Princesa Lea. Conheci-a na sala de cinema do Casino Estoril, em 1977, tinha eu treze anos. Demasiado nova para renunciar.
P&R. «É o nome da sua primeira viola? Ainda a tem? Tenho e essa não vendo nem por nada! Está guardadinha. Ainda faz algumas canções, porque estou sempre a meter-lhe cordas novas, a tocar. Tem graça, porque quando pego nessa viola saem sempre coisas boas -- não sei se é pela relação que tenho com ela. Até tenho violas muito caras, com a marca xpto, mas aquela Janine não tem comparação. Antes de ter filhos, eu dizia que se tivesse uma filha ia chamá-la de Janine por causa da minha viola. Tenho três rapazes e não tenho meninas. Então a Janine é a filha que não tive.» Entrevista de Matias Damásio, músico angolano, a Bruno Martins, no i de hoje. 

quarta-feira, novembro 09, 2016

aliviado, mas apreensivo

(continuação do post anterior)

A derrota de Hillary Clinton, uma falcoa despreparada e simplória (lembrar que apoiou a invasão criminosa do Iraque, ao contrário de Obama), deixa-me aliviado. A perigosíssima derrapagem da política externa americana em relação à Rússia (não sei o que pensar sobre Obama, a este propósito), pode ter sido travada. O resto é escuridão.

terça-feira, abril 14, 2015

o nosso filho-da-puta

Leio no DN, e sinto um sorriso irónico nos lábios: Islam Karimov, o ditador do Uzbequistão foi eleito pela quarta vez (a constituição local só permite uma reeleição), com 90,39% dos votos (adoro o vírgula trinta e nove...).  
O sorriso não se deve, porém, a este milagre em que ditaduras têm constituições que não cumprem -- por cá também houve disso.  A ironia é o congraçar nas felicitações logrado por Karimov, em que Putin e Obama competem na exultação. O russo é hiperbólico, o americano, optimista, claro, chegando a falar da "nossa relação robusta e sempre em evolução". Muito se deve rir Karimov, no poder desde 1989, secretário geral do PC usbeque, ainda na velha URSS, com estes salamaleques diplomáticos.
Os ideais são belos, mas a política externa dos países rege-se pela defesa dos seus interesses permanentes. É triste? É, mas o mundo não é uma grande Costa Rica, o único estado, que eu saiba, sem forças armadas -- e agora, também, sem proselitismos pseudo-religiosos.
Como dizia, e bem, Franco Nogueira, invertendo a máxima do seu mentor Salazar, «Em política internacional, tudo o que parece não é...»
Creio que era a propósito do inqualificável Mobutu (ou seria Pinochet?, ou Saddam Hussein?...), homem de mão de um dos lados da Guerra Fria -- creio que era a propósito dele que os americanos diziam: "É um filho-da-puta, mas é o nosso filho-da-puta).
O Uzbequistão, estado da Ásia Central com 30 milhões de habitantes, tem uma importante situação geopolítica (faz fronteira com o Afeganistão; está a um quarto de hora de F16, por exemplo, do Paquistão. 
Diante do fracasso do Ocidente, em particular dos EUA, após a eliminação ou neutralização de filhos-da-puta que eram, haviam sido ou passaram a ser os nosso filhos-da-puta (Saddam, Kahdaffi, Assad), e com os lindos resultados que se vêem (o Estado Islâmico com o o cortejo horrendo de crimes contra a Humanidade -- mulheres, crianças, não-beligerantes, património histórico milenar), toca a cumular o bom do Karimov de adulações. É velho como a História.   

sexta-feira, abril 03, 2015

O Irão, depois de Cuba

O acordo de princípio com o Irão sobre o programa nuclear persa, mostra como Obama é um político de excepção. Interne e externamente o seu mandato caracterizou-se por reconstruir uma economia escaqueirada pelos republicanos, a minimizar os danos destes infligidos à ordem mundial e a ultrapassar obstáculos de política externa que duraram décadas. Depois de Cuba, o Irão. 
Claro que tudo isto é sempre provisório e a situação internacional é a que sabemos. Mas é um exemplo bom, e esse traz sempre frutos.

quinta-feira, dezembro 18, 2014

JornaL

Obama. No segundo mandato, fez o que devia e o que podia em relação a Cuba, ao arrepio da diplomacia bronca dominante dos Estados Unidos (Fidel Castro foi por ela empurrado para o colo da então URSS). A abertura à ilha será muito mais eficaz na mudança do regime do que o isolamento imposto até agora.

«Guerra do petróleo».  Esplêndido artigo de Jorge Almeida Fernandes no Público, explica a estratégia saudita da baixa de preços do crude (concorrência de petróleo de xisto norte-americano, de extracção mais cara, e estrangulamento da economia do Irão, arqui-rival na região), bem como os efeitos imprevisíveis desta queda de preços na política russa, assunto muito sério.

Vítor Crespo. Mais um dos grandes e dos bons miltares de Abril que nos deixa.

Submarinos. Na Alemanha, condenou-se quem corrompeu em Portugal e na Grécia; na Grécia, prende-se ex-governante; por cá, arquiva-se o processo. Não será, por isso, constituído arguido Jacinto Leite Capelo Rego, militante ou simpatizante (em todo o caso, contribuidor líquido) do CDS.

Pena de morte. Primeira medida do governo paquistanês contra os talibãs suicidas.

Frase do dia. "Por muito conservador que se seja, nunca se está preparado para os ultrajes do capitalismo." (Miguel Esteves Cardoso, Público). 

segunda-feira, dezembro 15, 2014

JornaL

Hoje passei pelo Público:

* Juntos Podemos quer transformar-se em partido político. Patético.
* Entrevista de João Semedo: não aprendeu nada.
* Obama cede aos republicanos e revoga proibição de (algumas) práticas manhosas e particularmente danosas dos mercados financeiros. Fê-lo, talvez, para preservar a sua reforma da saúde. O descalabro segue dentro de momentos.
* Dez mil pessoas numa manif anti-islâmica em Dresden. E isto é só o princípio. Bem pode o editorialista proclamar o choque e a estupefacção pelo crescente número de cidadãos que isto concita. Não vale a pena chamar-lhes nazis. Já tenho escrito que é uma questão de tempo até as coisas ficarem incontroláveis. Responsabilidades: os oportunistas políticos do costume, que querem caçar votos no eleitorado islâmico sujeitando-se a caprichos anti-cívicos e idiotas; os próprios líderes moderados dessas comunidades, que não quiseram ou souberam extirpar o cancro do fundamentalismo do seu seio. E, indirectamente, editoriais pios como os do Público, que não percebe -- ou faz que não percebe -- as causas deste descalabro.
* A reavaliação  de Duchamp como homicida da pintura, a propósito da exposição patente no Centro Pompidou, que serve obras das décadas de 1910 a 1960. Não é isto a Arte, reavaliação sobre reavaliação?
* João Carlos Espada amalgama o Cunhal antiliberal e totalitário da entrevista a Oriana Falacci, nos idos de '75, ao Siryza e ao Podemos. Sabe muito, o Espada?
* Grande texto de Madalena Homem Cardoso: «CPLP: à mesa dos canibais». Crónica duma decepção profunda. O âmago é Xanana, em tempos herói.

quinta-feira, outubro 30, 2014

acho um piadão ao Putin

Ao mesmo tempo que faz um acordo com a Ucrânia sobre o abastecimento de gás (vamos lá a ver por quanto tempo), manda uns bombardeiros estratégicos passear por estes lados para lembrar à Nato que a questão é para ser resolvida nos termos que ele quiser ou aceitar. Coisa que o Obama sabe, mas que a boa parte dos homúnculos políticos da Europa, que se armaram em salientes na questão ucraniana, parece que se esqueceram.

terça-feira, fevereiro 11, 2014

basbaques

Um anormal que fotografa para revistas de mexericos, inventou um caso entre Obama e Beyoncè. Tudo é de esperar dum energúmeno que ganha a vida a alimentar os dias miserandos dos basbaques que se alimentam destes subprodutos impressos.
Mais basbaques que os próprios basbaques foram, são, os responsáveis pelos telejornais, que, de língua de fora, como cão a quem acenam um osso, foram a correr fazer-se eco desta patifariazita reles. Não que seja de admirar: digam-me cá: o que são os blocos noticiosos da oito horas de SIC, TVI e RTP?
Sim, é isso mesmo: rasteirice, incompetência, pobreza de espírito, lixo.

quarta-feira, janeiro 08, 2014

bem escrito

«A grande realização de Barack Obama (e digo isto sem ironia) foi ter conseguido ser eleito. Tornou-se num símbolo da mudança e ficará na História por isso, mesmo que de facto pouco tenha conseguido mudar.»

Helder Macedo, «Papoilas sem trigais», JL #1128, 25.XII.2013

sábado, novembro 23, 2013

O meu LEEFFest 2013 #15 -- «Fruitvale Station»

Fruitvale Station, de Ryan Coogler (Estados Unidos, 2013). "Selecção oficial -- Fora de competição".
As tensões raciais nos Estados Unidos não desapareceram com a eleição de Obama, como é óbvio. O filme traz-nos a história verídica, passada em 2009, do assassínio de Oscar Grant III pela polícia, na sequência de uma rixa no metro, entre negros e brancos. A Autoridade canaliza a sua acção repressiva apenas contra os negros, enquanto os brancos não são incomodados. Bom cinema.