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segunda-feira, junho 09, 2025

2 versos de Cesário Verde

«Se eu não morresse, nunca! E eternamente / Buscasse e conseguisse a perfeição das cousas!»

«O sentimento dum Ocidental - IV. Horas mortas», O Livro de Cesário Verde (póst., 1887)

terça-feira, maio 06, 2025

3 versos de Cesário Verde

«A espaços, iluminam-se os andares, / E as tascas, os cafés, as tendas, os estancos / Alastram em lençol os seus reflexos brancos;» 

«Noite Fechada - O Sentimento dum Ocidental II», O Livro de Cesário Verde (póst., 1887)

segunda-feira, março 31, 2025

6 versos de Cesário Verde

«E num cardume negro, hercúleas, galhofeiras, / Correndo com firmeza, assomam as varinas. // Vêm sacudindo as ancas opulentas! / Seus troncos varonis recordam-me pilastras; / E algumas, à cabeça, embalam nas canastras / Os filhos que depois naufragam nas tormentas.» 

«O sentimento dum ocidental -- I. Ave-Marias», O Livro de Cesário Verde (póst., 1887)

domingo, março 16, 2025

Camilo Castelo Branco, no dia do bicentenário

Rafael Bordalo Pinheiro
Camilo Ferreira Botelho Castelo Branco (Bairro Alto, Lisboa, 1825 – São Miguel de Seide, Vila Nova de Famalicão, 1890).

Escritor completo, cultivou todos os géneros literários: é o efabulador romântico de Romance de um Homem Rico (1861) e Amor de Perdição (1862), o escritor realista de A Queda dum Anjo (1866) ou O Retrato de Ricardina (1868), o romancista “histórico” de A Filha do Regicida (1875), o autor ironicamente à la page com o naturalismo em Eusébio Macário (1879) e A Corja (1880); é o poeta de Nas Trevas (1890); o dramaturgo de O Morgado de Fafe em Lisboa (1861); o folhetinista de cordel de Maria! Não me Mates que Sou Tua Mãe (1841); o polemista de O Clero e o Sr. Alexandre Herculano (1850) ou Vaidades Irritadas e Irritantes (1866); o memorialista das Memórias do Cárcere (1862); o crítico de Esboços e Apreciações Literárias (1865); o biógrafo de D. António Alves Martins – Bispo de Viseu (1870); o epistológrafo da Correspondência com Vieira de Castro (1874); o antologiador do Cancioneiro Alegre (1879); o historiador comprometido do Perfil do Marquês de Pombal (1882); o publicista de O Vinho do Porto (1884)…

Entre as convulsões da Guerra Civil e a agonia do Ultimato, o Portugal do século XIX, dos Cabrais à Regeneração, espelha-se na obra de Camilo. Mas, erudito, vem de trás, das crónicas vigiadas de Fernão Lopes aos cartapácios fantasiosos de Frei Bernardo de Brito; prosador exímio e mestre da língua, é herdeiro do Padre António Vieira e está também na génese de Aquilino Ribeiro; instável, sarcástico, violento e ao mesmo tempo lírico, encerra uma verdade envolta em fingimento que não deixa indiferente o leitor do século XXI.  

É um dos génios tutelares da cultura portuguesa. O seu nome próprio, Camilo, tem dimensão idêntica aos de Camões, Vieira, Bocage, Garrett, Antero, Eça, Cesário ou Pessoa. Amor de Perdição emparceira em peso e relevância canónicos com Os Lusíadas, Menina e Moça, Viagens na Minha Terra, Os Maias, O Livro de Cesário Verde, , Clepsidra, Mensagem, Andam Faunos pelos Bosques, A Selva, Mau Tempo no Canal, Sinais de Fogo, Para Sempre – clássicos absolutos. Escritores como Teixeira de Pascoais, Aquilino, Vitorino Nemésio, José Régio, João de Araújo Correia, entre muitos outros de primeira água, sentiram-se interpelados pelo génio do «colosso de Seide», dedicando-lhe estudos de amplitudes várias; também artistas plásticos como Roque Gameiro, Stuart Carvalhais, Francisco Valença, Leal da Câmara, Diogo de Macedo, Tom, João Abel Manta ou Mário Botas não lhe ficaram indiferentes.

O tempo, ele próprio – em boa parte graças aos jornais e às bibliotecas itinerantes, primeiro, ao audiovisual e aos curricula escolares, depois – encarregou-se de tornar o acervo literário de Camilo em elemento identitário dos portugueses, o que se verifica quando a cultura popular se deixa impregnar pela criação erudita, e vice-versa. Esse intercâmbio fecundo é a glória dos criadores: por um lado assegura a perenidade do seu nome e de parte da sua obra; por outro, acrescenta densidade à comunidade nacional em que o autor e os seus livros se fizeram.

O legado artístico camiliano constitui-se como património incomparável. O mesmo se passa com outras manifestações seculares equivalentes em importância: das cantigas de D. Dinis e os autos de Gil Vicente à obra romanesca dos nossos maiores escritores contemporâneos; das gravuras rupestres do Vale do Côa aos projectos de Siza Vieira, passando pelos painéis de Almada Negreiros; das sonatas de Carlos de Seixas às sinfonias de Luís de Freitas Branco e à guitarra de Carlos Paredes; dos retábulos da escola de Nuno Gonçalves às telas de Júlio Pomar, dos retratos de Columbano aos cartoons do seu genial irmão, Rafael Bordalo Pinheiro – a cultura portuguesa não é susceptível de ser apreendida sem estas, e outras, manifestações do espírito. Assim com Camilo Castelo Branco.


Texto inédito, datado de 31-V-2010

quarta-feira, março 12, 2025

3 versos de Cesário Verde

«Lembra-me, de manhã, quando nas praias anda, / Por entre o campo e o mar, bucólica, morena, / Uma pastora audaz da religiosa Irlanda.» 

«Manhãs brumosas», O Livro de Cesário Verde (1887)

segunda-feira, janeiro 27, 2025

4 versos de Cesário Verde

«Agonizava o Sol gostosa e lentamente, / Um sino que tangia, austero e com vagar, / Vestia de tristeza esta paixão veemente, / Esta doença, enfim, que a morte há-de curar.» 

«Flores velhas», O Livro de Cesário Verde (póst., 1887)

quinta-feira, janeiro 09, 2025

2 versos de Cesário Verde

«Os ares, o caminho, a luz reagem; / Cheira-me a fogo, a sílex, a ferragem;» 

O Livro de Cesário Verde (póst., 1887)

quarta-feira, janeiro 08, 2025

o triunfo do conselheiro Acácio

O Panteão Nacional é demasiado acanhado para Eça de Queirós. Sim, é verdade, estão alguns dos muito grandes, por exemplo génios como Aquilino Ribeiro e Amália Rodrigues, a quem os portugueses devem tanto como ao grande romancista, enorme cronista e incomparável estilista. No entanto, para além de faltarem por lá muitos, outros há que não se percebe por que lá repousam, para além das comezinhas circunstâncias políticas, que, a propósito, o mesmo Eça detestava -- para não falar das comezainas dos novos-ricos hi-tech.

Mas nem é uma questão de companhias: quando Camilo passar ao Panteão, o que a partir de agora se torna obrigatório, ou Júlio Dinis -- e assim lá estarão reunidos os três grandes romancistas portugueses do século XIX --, não serei eu quem irá contestar a decisão. Mas os autores de Amor de Perdição  e A Morgadinha dos Canaviais são outra loiça, e por sinal bem diferente entre si, felizmente -- e viva a diversidade...

O problema é que trasladar Eça de Queirós para o Panteão, além de ser ridículo, depois de há pouco mais de trinta anos os restos mortais estarem por um triz destinados à vala comum -- não fora o alerta da imprensa --, o seu espírito crítico e com pouca paciência para os arrivismos protagonizados pelo pessoal político, a politicalha monárquica ou a jacobinagem republicana, obrigaria a que se usasse de parcimónia no estadulho deputo-ministerial que se vai empoleirar no frágil esqueleto. Que parte da família em sequer o tenha percebido é quase grotesco, mas também não é de admirar -- refrão: "Como és belo, meu Portugal", canta, irónico e sarcástico, Luís Cília... 

Há pessoas, há espíritos, há intelectos, há sensibilidades incompatíveis com tanto conselheirismo. Antero de Quental é outro caso de incompatibilidade com o Panteão (ainda por cima com o Teófilo por perto, o parvónio, como lhe chamava...) Ponham lá o Cesário Verde e o António Nobre, ainda maiores poetas do que o divinalmente furibundo Antero, que jaz em paz em Ponta Delgada. 

Ou o José Afonso, outro para quem o edifício de Santa Engrácia seria como se jazesse no gavetão das luminárias nacionais. Como se poderia fazer do homem que revolucionou a nossa música, miscigenando-a, ele próprio um revolucionário limpo, num berloque da pátria? 

Antes a vala comum, para onde deixaram ir o Bocage -- sabendo-se nessa altura quem  e o que era Bocage, destino de que Eça se salvou, por um triz. ( refrão: "Como és belo, etc.)

Mas o povo fica feliz -- excepto os bairristas de Baião (ai o turismo...) -- e os acácios impantes, com o assuntozinho despachado, e ala que se faz tarde para a açorda. 

quarta-feira, dezembro 04, 2024

5 versos de Cesário Verde

«E pitoresca e audaz, na sua chita, / O peito erguido, os pulsos nas ilhargas, / Duma desgraça alegre que me incita, / Ela apregoa, magra, enfezadita, / As suas couves repolhudas, largas.» 

«Num bairro moderno», O Livro de Cesário Verde (póst., 1887)

quarta-feira, outubro 30, 2024

4 versos de Cesário Verde

«"Ela aí vem!" disse eu para os demais; / E pus-me a olhar, vexado e suspirando, / O teu corpo que pulsa, alegre e brando, / Na frescura dos linhos matinais.» 

«A débil», O Livro de Cesário Verde (póst., 1887)

segunda-feira, julho 15, 2024

a propósito de OS CANIBAIS, de Álvaro do Carvalhal

Releio Os Canibais, de Álvaro do Carvalhal (Padrela, Valpaços, 1844 - Coimbra, 1868). É um daqueles muitos cuja morte precoce, trazida pela doença, foi um desperdício -- Cesário Verde, António Nobre, José Duro; mas também Henrique Pousão e Amadeu de Sousa-Cardoso, na pintura; António Fragoso, extraordinário compositor. 

Os Canibais, que abre o volume póstumo de Contos (1868), embora seja apontada como obra-prima do gótico português, não creio que a sua sobrevivência se deva particularmente à definição como narrativa de terror, aliás bastante chocarreiro, antes aos atributos estilísticos do escritor, e um tipo de narrador intrometido, sentencioso, por vezes cheio de boa disposição, à maneira de Garrett ou sarcástico como Camilo, que certamente conhecia bem, culto e lidíssimo que era, como se comprova pelos apartes do referido narrador, por vezes com uma ironia de que não desdenhariam Machado de Assis e Eça de Queirós -- espírito crítico que transborda sem afectação ou aspereza inútil, porém frontal e assertivo, ou não estivera ele ao lado de Antero na Questão Coimbrã.  

sábado, julho 06, 2024

3 versos de Cesário Verde

«Quando eu via, invejoso, mas sem queixas, / Pousarem borboletas doudejantes / Nas tuas formosíssimas madeixas,» 

O Livro de Cesário Verde (póst., 1887)

domingo, junho 16, 2024

4 versos de Cesário Verde

«O seu olhar possui, num jogo ardente, / Um arcanjo e um demónio a iluminá-lo; / Como um florete, fere agudamente, / E afaga como o pêlo dum regalo!» 

O Livro de Cesário Verde (póst., 1887)

quarta-feira, maio 29, 2024

2 versos de Cesário Verde

«Pudesse eu ser o mar e os meus desejos / Eram ir borrifar-lhe os pés com beijos.» O Livro de Cesário Verde (póst., 1887)

segunda-feira, maio 06, 2024

3 versos de Cesário Verde

«Era um municipal sobre um cavalo. A guarda / Espanca o povo. Irei-me; e eu, que detesto a farda, / Cresci com raiva contra o militar.» O Livro de Cesário Verde (póst., 1887)

quinta-feira, abril 18, 2024

150 portugueses: 36-40

36. Domingos Sequeira (1768-1837). Pintor de transições: de estilos (do neoclassicismo para o romantismo) e de regimes (do absolutismo para o liberalismo, com as Invasões Francesas pelo meio). A pintura doméstica, os retratos familiares -- esplêndido.

37. D. Fernando II (1816-1885). O grande rei consorte, extraordinário na atenção ao património histórico e à arte do seu tempo. Com ele, Portugal ficou menos pobre.

38. Gaspar Corte-Real (c. 1450-1501). O destemor do desconhecido -- ou a coragem de vencer o temor... -- e a condição trágica de uma família desaparecida quase toda nos mares do Atlântico Norte.

39. Henrique Pousão (1859-1884). Único na nossa pintura, país com demasiados génios artísticos precoces na morte: Cesário (seu contemporâneo), António Nobre, Amadeu, António Fragoso, Mário Botas

40. D. João II (1455-1495). Uma das figuras-chave dos Descobrimentos e, principalmente, da expansão; centralizador do poder régio; herdeiro e vingador do avô, D. Pedro, o regente que fora o Infante das Sete Partidas.

sábado, abril 13, 2024

4 versos de Cesário Verde

«Quando, se havia lama no caminho, / Eu te levava ao colo sobre a greda, / E o teu corpo nevado como arminho / Pesava menos que um papel de seda...» O Livro de Cesário Verde (póst., 1887)

sexta-feira, abril 05, 2024

2 versos de Cesário Verde

«Grande dama fatal. sempre sozinha, / E com firmeza e música no andar!» O Livro de Cesário Verde (póst. 1887)

quarta-feira, agosto 17, 2022

101 livros na mochila imaginária (sécs. XIX-XX), escritores que me alegram a existência - os primeiros 50

 Os que escrevem com as vísceras, como qualquer verdadeiro escritor.

Os que trabalham o idioma.

Os mortos, pois as baixezas que tenham cometido são já do outro mundo. (Uma excepção nesta lista.)

Os bravos, os que tomaram posição, fosse ela qual fosse.

 Os que me dão prazer, emocionam e divertem.

São alguns, só em língua portuguesa, um título para cada autor -- e só portugueses porque calhou.

Num próximo post, direi mais qualquer coisa; daqui a uns dias, mais 51 (chama-se a isto estar de férias).


1.      Almeida Garrett (1799-1854), Frei Luís de Sousa (1844) - 45 anos

2.      Alexandre Herculano (1810-1877), Eurico o Presbítero (1844) - 34 anos

3.  Camilo Castelo Branco (1825-1890), Amor de Perdição (1862) - 37 anos

4. Ramalho Ortigão (1836-1915), Rei D. Carlos, o Martirizado (1908) - 72 anos

5.  Júlio Dinis (1839-1871), A Morgadinha dos Canaviais (1868) - 29 anos

6.  Antero de Quental (1842-1891), Bom Senso e Bom Gosto (1866) - 22 anos

7 .  Eça de Queirós (1845-1900), A Cidade e as Serras (1901)

8.   Cesário Verde (1855-1886), O Livro de Cesário Verde (1887)

9.  M. Teixeira-Gomes (1860-1941), Agosto Azul (1904) - 44 anos

10.  António Nobre (1867-1900), (1892) - 25 anos

11.  Raul Brandão (1867-1930), Húmus (1917) - 50 anos

12.  Manuel Laranjeira (1877-1912),  Cartas (1943)

13.  Manuel Ribeiro (1878-1941), A Catedral (1920) - 42 anos

14.  Jaime Cortesão (1884-1960), Memórias da Grande Guerra (1919) - 35 anos

15.  Aquilino Ribeiro (1885-1963), Andam Faunos pelos Bosques (1926) - 37 anos

16.  Fernando Pessoa (1888-1935), Livro do Desassossego (1982)

17.  Fidelino de Figueiredo (1888-1967), Um Coleccionador de Angústias (1951) - 63 anos

18. Assis Esperança (1892-1975) - Servidão (1946) - 54 anos

19.  José de Almada Negreiros (1893-1970), A Cena do Ódio (1915) - 22 anos

20.  Ferreira de Castro (1898-1974), Emigrantes (1928) - 30 anos. 

21.  Francisco Costa (1900-1988), Última Colheita (1987) - 87 anos

22.  José Rodrigues Miguéis (1901-1980), Gente da Terceira Classe (1962) - 61 anos

23.  Vitorino Nemésio (1901-1988), Mau Tempo no Canal (1944) - 43 anos

24.  José Régio (1901-1969), Páginas de Doutrina e Crítica da «presença» (1977)

25.  João Pedro de Andrade (1902-1974), A Hora Secreta (1942) - 40 anos

26.  Saul Dias (1902-1983), Obra Poética (1980) - 78 anos

27.  Tomás de Figueiredo (1902-1970), A Toca do Lobo (1947) - 45 anos

28.  Armindo Rodrigues (1904-1983), Voz Arremessada ao Caminho (1943) - 39 anos

29.  Branquinho da Fonseca (1905-1974), O Barão (1942) - 37 anos

30.  António Gedeão / Rómulo de Carvalho (1906-1997), Poemas Póstumos (1983) - 77 anos

31.  Fernando Lopes-Graça (1906-1994), A Caça aos Coelhos (1940) - 34 anos

32.  Alberto de Serpa (1906-1992), Drama -- Poemas da Paz e da Guerra (1940) - 34 anos

33.  Carlos Queirós (1907-1949), Desaparecido (1935) - 28 anos

34.  Miguel Torga (1907-1995), Bichos (1940) - 33 anos

35.  Joaquim Paço d’Arcos (1908-1979), Ana Paula (1938) - 30 anos

36.  Manuel da Fonseca (1911-1993), Cerromaior (1943) - 32 anos

37.  Alves Redol (1911-1969), Barranco de Cegos (1961) - 50 anos

38. Políbio Gomes dos Santos (1911-1939), A Voz que Escuta (1944)

39.  José Marmelo e Silva (1911-1991), Sedução (1937) - 26 anos

40.  Vergílio Ferreira (1916-1996), Para Sempre (1983) - 67 anos

41.  Manuel Ferreira (1917-1992), Hora di Bai (1962) - 45 anos

42. Fernando Namora (1919-1989), Retalhos da Vida de um Médico (1949) - 30 anos

43.  Jorge de Sena (1919-1978), O Indesejado (António, Rei) (1951) - 32 anos

44. Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004), Contos Exemplares (1962) - 43 anos

45.   Ruben A. (1920-1975), O Mundo à Minha Procura (1964-66-68) - 44 anos

46.   José Saramago (1922-2010), O Ano da Morte de Ricardo Reis (1984) - 62 anos

47.   Dinis Machado (1930-2008), O que Diz Molero (1977) - 47 anos

48.    Rui Knopfli (1932-1997), Mangas Verdes com Sal (1969) - 37 anos

49.   Ruy Belo (1933-1978), Homem de Palavra[s] (1969) - 36 anos

50.   Maria Isabel Barreno (1939-2016), Maria Teresa Horta (1937),  Maria Velho da Costa (1938-2020), Novas Cartas Portuguesas (1972) - 33, 35 e 34 anos


em tempo: (17/VIII): 

prevalência evidente do romance e da poesia;

curiosidade: o autor mais velho à época de edição, Francisco Costa, 87 anos, esteve para ser o mais novo, com vinte, uma vez que hesitei entre o livro de estreia, o magnífico (1920), e o último.

quarta-feira, fevereiro 12, 2020

JornaL

Coronelismo. O governador do estado brasileiro da Rondônia proibiu nas escolas livros de Machado de Assis, Euclides da Cunha, Mário de Andrade e outros. Chama-se a isto extrema-direita cavalar.

Eutanásia, assunto em que a Igreja detém a maior expertise, ou não registasse no seu cadastro uma prática recorrente, tantas foram as almas perdidas a agonizar nas fogueiras da Inquisição -- sem esquecer os nímios cuidados paliativos aplicados nos cárceres da santa instituição. Ando a ficar um bocado farto destes gajos.

Farto. Alexandre Farto, mais conhecido por Vhils, numa entrevista ao JL de hoje expressa a convicção no poder da arte em influenciar e alertar para a necessidade de transformação social. Sempre foi essa a arte que mais me interessou, talvez por ser um tipo muito concreto, como certa vez disse pessoa amiga; sempre tive pouca paciência para os orgasmos solitários e menos ainda para o tricot. Ou seja: entre Cesário Verde e António Nobre, gostando de ambos, preferirei sempre o Cesário.