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segunda-feira, janeiro 16, 2023

o eleitorado gosta de bandidos

 No meu tempo adulto vi vários serem eleitos pelo Povo. No início, havia a desculpa de estarem apresentáveis ao eleitorado, com falinhas mansas, sabonetes vendidos imaculados. Não é particularmente vergonhoso as pessoas deixarem-se aldrabar escroques como Clinton, Blair ou Aznar; as embalagens ocultavam o fedor, como sucedeu agora com Biden, um senil pouco recomendável. 

O que escandaliza é este eleitorado bestializado votar em mentecaptos ou gângsteres, sabendo que estão a fazê-lo e importando-se pouco com isso, alguns já por niilismo, para rebentarem com tudo muito depressa. Três exemplos: Donald Trump, Boris Johnson, Jair Bolsonaro.

O primeiro, com dinheiro suficiente para fazer-se eleger, ao contrário da harpia Hilária: Trump teria sido reeleito não fora apanhado na curva pela Covid-19, donde se percebe que entre ressentidos e niilistas, o eleitorado norte-americano é constituído por bois. Mas não é que os bois tinham razão? Para quê defenestrar um vulgar bandido, quando em seu lugar se apresentava o decano duma quadrilha? O eleitorado brasileiro votou -- e tornou a votar, metade dele -- num mentecapto que só sabe contar até nove, tão mentecapto como aquele mesmo eleitorado que foi manobrado como cobaia de laboratório desde o golpe que destituiu Dilma Rousseff até ao sacrifício de Lula, aplaudido até por tantos judas que o mesmo Lula arrancara à pobreza. É claro que ninguém pode eximir o actual presidente brasileiro de ter sido demasiado brando -- ou quem sabe conivente -- com a quadrilha que se instalou no poder, à sombra do PT. Em ponto pequeno, o que sucede entre nós com o PS, como já sucedeu com o PSD. Não se segue por isso que o povo endosse o voto a um aldrabão de feira como Ventura. Até agora, não; uma miséria como o Chega não chega aos 10%, porque todos já toparam a pinta do animal; mas é preciso que os partidos do poder se degradem ainda mais para que o povo se agarre a qualquer porcaria que bolse música para os seus ouvidos corrompidos. Basta-lhe ser bem-falante, simular convicções e com uma leve ponta de excentricidade (o que o Montenegro gostaria de ser mas não é) para a maralha em desespero se agarrar a um novo credo quia absurdum. Veja-se Boris Johnson: do Brexit à guerra na Ucrânia, patife ardiloso que enganou todos, e parece que gostaram, pois deram-lhe maioria absoluta... Agora choram. Pobres dos que nunca votaram no celerado.

quarta-feira, janeiro 02, 2019

o mistério Bolsonaro

Como todos os portugueses, e talvez muitos brasileiros, só ouvi falar no Bolsonaro quando o homem produziu aquela lamentável declaração de voto nesse mau carnaval que foi o golpe de destituição da Dilma Rousseff, aliás uma mácula que o acompanhará sempre, pelo menos enquanto não se retratar. Algo, já agora, pelo qual a sua mui cristã mulher, Michelle Bolsonaro -- com uma certa piada, devo dizê-lo com frontalidade -- deveria velar, pois duvido que o Senhor Jesus tenha achado graça à tirada. A alma em risco.
O grande mistério Bolsonaro, para mim, que vejo de fora, não é a sua eleição -- quem já viu Trump, viu tudo --, mas a sobrevivência política durante quase trinta anos dum gajo que, pelos vistos, não fazia nada no parlamento, inscrito num partidículo cujo nome ainda não consegui fixar.
(Saltar daqui para a incompetência das esquerdas, que parece ter sido vasta, é outro assunto.)

quinta-feira, julho 13, 2017

vamos admitir que o Lula é culpado

Convenientemente condenado a nove anos e meio de cadeia, depois da ópera-bufa que foi o afastamento de Dilma da presidência, provavelmente por não ser gatuna. Deixemos agora esse fétido festival da plutocracia brasileira em acção. Se o Lula apanha nove anos e meio, o Temer certamente será condenado a perpétua, com trabalhos forçados; e sua excelência o Cunha bandido, arrisca-se à forca. Isto para não falar no energúmeno do Collor, tão ladrão que até o sistema teve de correr com ele: após os nove anos e meio, o mínimo aceitável seria a reabertura do processo, e talvez uma condenação à fogueira, como nos velhos tempos. (Ah, não pode ser... já não há inquisição, e a igreja deixou de caçar bruxas e judeus para tocaiar meninos.)

P.S. - Não acompanho a política brasileira de perto, não tenho opinião sobre o juiz Moro. Só não gostei da chicoespertice do Carlos Carreiras, presidente da câmara da minha terra (e terra dos meus antepassados, já agora) -- ou de quem lhe fez o frete -- quando usou as Conferências do Estoril para juntar juízes de grande gabarito, como Antonio Di Pietro e Baltasar Garzón, com Carlos Alexandre e Sérgio Moro, ambos no centro de um furacão jurídico-político-mediático, com todas as interrogações que têm levantado.
Em tempo. Há, logo à partida, uma diferença qualitativa entre Lula e Dilma e os outros: aqueles foram resistentes (palavra que não diz nada aos patetas); tiveram perseguição, prisão e tortura. Têm , por isso, uma dimensão que não está ao alcance dessas porcarias engravatas que por aí mexem.

sexta-feira, janeiro 06, 2017

oh, democracia...

Se o Eça de Queirós tinha razão quando defendeu -- em carta ao seu amigo Oliveira Martins, de apetências cesaristas -- que "a democracia a du bon"; e se não foi ainda desmentida a razoabilidade da conhecida asserção do Churchill, a verdade é que ela está pouco defendida dos demagogos e, dentre estes, os extremistas (Hitler, FIS, Irmandade Muçulmana).

Aparece agora uma nova categoria: a dos patetas que falam em nome do Crucificado de há dois mil anos, que era deus e simultaneamente seu filho, nascido duma mãe fecundada pelo Espírito Santo, que afinal era o pai, mas também era o filho -- trapalhada fascinante que tem ocupado os melhores espíritos, cuja luz, porém, atinge em cheio a mioleira desguarnecida de criaturas como o prefeito de Guanambi. Este, já não se contenta em falar em nome de deus, como alguns colegas do Congresso brasileiro, no triste caso da impugnação de Dilma Rousseff, transmitida urbi et orbi; mas afirma-se deus ele próprio. Um deus cujo diagnóstico poderá ser: 1) um espertalhão; 2) um maluquinho que devia estar internado. Em qualquer dos casos, um indivíduo sem qualidades para o lugar, eleito democraticamente. 

Oh, democracia, a que provas nos sujeitas!...










visto aqui

quarta-feira, agosto 31, 2016

Brasil: o cómico da situação


Nunca vira turistas brasileiros antes dos governos de Lula e Dilma. Antes disso, via-se brasileiros que eram portugueses que viviam desafogadamente, o que lhes permitia visitarem a família, ou então lusodescendentes. Havia sim, e (há), imigrantes, gente que fazia o caminho para cá, vindos de todo o Brasil, do nordeste ao sul, gente humilde, fugida à pobreza, a violência. Turistas brasileiros, aos magotes, em excursão,só há poucos anos.
Quando Lula foi eleito pela primeira vez, disse que o seu mandato valeria a pena se conseguisse que todos os brasileiros (todos), pudessem usufruir de pelo menos uma refeição por dia. Assim era,e ainda é, o Brasil, um dos países mais ricos do mundo e também dos mais miseráveis, porque é iníquo: um país que tem uma pequena elite plutocrática quando uma porção enorme do povo é extremamente pobre. Os responsáveis por essa iniquidade tiveram hoje uma vitória, regressam ao poder, fazendo tábua rasa do voto do povo. E quem deita fora os votos dos eleitores? Os seus representantes, que, à direita, são um conglomerado de caciques, pastores evangélicos, vigaristas de várias procedências. Portanto, golpistas; portanto, traidores, E, além disso, o cómico da situação, muitos deles, ao contrário da Dilma, delinquentes de ficha suja, como as criaturas acima retratadas. (Com que cara vai o Temer apresentar-se ao Obama, aos líderes europeus, nas Nações Unidas. Com a cara de pau que tem, Esperemos que alguém lha cubra, com creme. Aí o espectáculo ficaria completo.)




terça-feira, março 29, 2016

tropeções justicialeiros

Em Portugal, agentes da justiça violam a lei, passando aos tablóides dados de processos em segredo, v.g. o caso Sócrates. Não se dão ao respeito e o descrédito é grande.
No Brasil, entram abertamente na luta política, sob o disfarce do combate à corrupção. O que se passa com Lula e com Dilma Rousseff (e o que não se passa com outras áreas políticas) é de bradar aos céus. Aqui já não é dar-se ao respeito, é o despudor tornando a justiça uma caricatura; não são magistrados, mas palhaços.
Em Angola, nem palhaços, mas marionetas. Os activistas antigovernamentais em "julgamento", vêem, no decurso dele, ser-lhes retirada a acusação ridícula de tentativa de atentado contra o Presidente da República; mas, em contrapartida, impende sobre eles -- arranjada à trouxe-mouxe, no decorer do processo -- a acusação de "associação de malfeitores". Não fosse grave e seria diurético. Prevê-se que até final do processo Luaty Beirão, Nuno Dala e demais companheiros possam vir a ser acusados de traição e estacionamento proibido.

sábado, março 19, 2016

Brasil: o povo responde aos golpistas

Em viagem, de madrugada, o noticiário no carro, Lula a dirigir-se ao povo na Av. Paulista. Nas poucas dezenas de segundos em que o oiço, topo o político de excepção, aquele de que as ignaras classes possidentes  classificam como analfabeto ou semi.., que sabe mais a dormir que todos itagibas nutridos a novela da Globo com os olhos todos abertos.
Luiz Inácio 'Lula' da Silva, Doutor Honoris Causa pela Universidade de Coimbra, para escândalo de dondocas e itagibas.
E mais que Lula,vejo hoje na imprensa o povo que durante séculos tem sido explorado pelos plutocratas e corruptos, como esses cunhas dos senados, a gritar "NÃO VAI TER GOLPE!..."
Não sei se vai ou se não vai. Ele está em marcha. Mas o povo sabe o que quer, e sabe o que não quer: a continuação dum país atrasado, com uma imensa maioria de pobres, de analfabetos, de excluídos; e um ínfima casta de privilegiados. E aqui, ó cínicos comentadores & idiotas úteis d'aquém e d'além mar, interessa menos Lula e Dilma, presidente legítima do Brasil, mas o povo brasileiro, apesar dos seus itagibas e dos seus cunhas.
  

quinta-feira, março 17, 2016

Lula: deixem-se de golpes e apresentem as provas de corrupção

Adenda ao que aqui escrevi: ouvi no carro um excerto das escutas da conversa telefónica entre a Presidente da República do Brasil e o ex-presidente, divulgadas à imprensa pelo juiz (!).
Não altera em nada a minha posição, pelo contrário, só acentua as evidências da conspiração contra o governo democraticamente eleito de Dilma Rousseff, utilizando para tal uma suspeição não provada sobre Lula da Silva -- o que demonstra a bandalheira em que o país se encontra, nesta campanha bem orquestrada pelos plutocratas de vários sectores (a começar pelos me[r]dia), aliados à escumalha das seitas evangélicas no sentido de manipular a carneirada, com a politicalha do costume a lançar achas para a fogueira em que provavelmente alguns se irão também queimar. E nas vésperas dos Jogos Olímpicos, ó valha-me o senhor jesus!
Há quem defenda que, se o Lula  não tiver nada a temer, estando inocente, deverá enfrentar a justiça (?) e dar o corpo às balas, até em nome do seu passado de lutador contra a miserável ditadura militar. Talvez. Mas eu tenho sempre cautela em calçar os sapatos dos outros. E não entro no ulular da matilha que conduz o rebanho, enquanto não surgirem provas inequívocas. A isto chama-se civilização; ao que estamos a assistir, chama-se terceiro mundo. 
Portanto: de Justiça, aqui, zero; de golpismo, bastante. 

sexta-feira, março 11, 2016

Cheira a esturro esta estória do Lula

E porquê? Porque dá um jeitaço para comprometer Dilma Roussef e a conversa mal amanhada do chamado 'impeachment', conduzida pela direita golpista e dos interesses. Então o Brasil, que, antes do FHC, teve tanto presidente ladrão!... Não tenho ilusões sobre o exercício do poder, à direita ou à esquerda. A ralé dos negócios escuros é sempre rápida a pôr o pé na porta e a corromper quem se deixa comprar. Mas no contexto político actual brasileiro, tudo aquilo tresanda.

segunda-feira, outubro 27, 2014

muda mais

Vivo em Cascais e trabalho em Sintra, dois locais turísticos por excelência. Até há meia dúzia de anos, de brasileiros, só imigrantes, em geral pobres em trabalhos indiferenciados, com excepção dos dentistas, ou uns quantos casados com  portugueses, em regra integrando os segmentos sociais mais abastados. Turistas, famílias, nem vê-los, ao contrário do que hoje sucede.
A situação mudou radicalmente nos últimos anos, também com forte contributo de Fernando Henrique Cardoso, o primeiro presidente recomendável que aquele país teve em mais de três décadas. O PT -- que sem dúvida terá todas as características que têm os partidos de poder, nomeadamente a atracção dos oportunistas, dos vigaristas, certamente necessitando de várias varridelas --, com todas as insuficiências, tornou o Brasil mais decente. Pessoalmente, não politicamente, até sinto mais simpatia pelo Aécio que pela Dilma; mas é graças ao PT e ao grande Lula que o Brasil começa a sair do Terceiro Mundo.

sexta-feira, junho 21, 2013

Dilma Rousseff e a cena obscena

É uma triste ironia que a justa revolta das ruas brasileiras ocorra no mandato de Dilma Rousseff. Não apenas pelo seu passado, enobrecido pela luta armada contra a ditadura militar -- valendo-lhe prisão e tortura --, como pelo seu presente, pois ela foi quem, visivelmente, demonstrou maior intolerância para com a corrupção. Espero que passado, presente e a fibra que lhe é peculiar a confirmem como a estadista que o momento precisa.
Por outro lado, a curiosa reacção de muitos brasileiros às copas, em casa, mostra que cada vez mais o mundo do futebol é uma cena obscena. Quando o pão é pouco, o circo não deve brilhar em excesso.