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sexta-feira, janeiro 09, 2026

o que está a acontecer

«PORTO COVO // 3.ª feira. 1 de Julho.   1975 // -- Boa-tarde, minha senhora. Tenho quartos, sim. Ainda cá não tenho ninguém. Dos meados deste mês em diante é que eles aparecem. O ano passado até me pediram para os deixar dormir no chão. E que bem dormiram alguns! Se dormiram!» Olga Gonçalves, A Floresta em Bremerhaven (1975)

«Já vou quase no fim da praça quando ouço o rodar grave mas pressuroso de uma carroça de ancien régime: é o nosso chefe e comandante, o capitão da empresa, o Sr. C. da T., que chega em estado.» Almeida Garrett, Viagens na Minha Terra (1846)

«É a paciência, que espera hoje, amanhã, com o mesmo sorriso humilde: -- Tem paciência -- e os seus dedos ágeis tecem uma teia de ferro. Não há obstáculo que a esmoreça. -- Tem paciência -- e rodeia, volta atrás, espera ano atrás de ano, e olha com os mesmos olhos, sem expressão e o mesmo sorriso estampado.» Raul Brandão, Húmus (1917)

quinta-feira, janeiro 01, 2026

o que está a acontecer

«São 17 deste mês de Julho, ano de graça de 1843, uma segunda-feira, dia sem nota e de boa estreia. Seis horas da manhã a dar em S. Paulo, e eu a caminhar para o Terreiro do Paço. Chego muito a horas, envergonhei os mais madrugadores dos meus companheiros de viagem, que todos se prezam de mais matutinos homens que eu.» Almeida Garrett, Viagens na Minha Terra (1846)

«E, assim que a noite se fechava, e a lâmpada do altar vasquejava os lampejos finais, ninguém se afoitava a transitar naquelas ruas de encruzilhada, desde que se divulgou que os demónios, a horas mortas, marinhavam, como bugios, pelo barrote onde a cabeça do regicida apodrecia.» Camilo Castelo Branco, A Filha do Regicida (1875)

«A ambição não avança um pé sem ter o outro assente. a manha anda e desanda, e, por mais que se escute, não se lhe ouvem os passos. Na aparência é a insignificância a lei da vida: é a insignificância que governa a vila.» Raul Brandão, Húmus (1917)

sexta-feira, dezembro 26, 2025

o que está a acontecer

«Stalines a carvão antipatizavam connosco nas esquinas. E o rio desmaiava em Caxias, sufocado pelas asas dos pássaros, com penedos de petroleiros imóveis sob a ponte. / Na segunda quarta-feira de Setembro de mil novecentos e setenta e cinco, o despertador pescou-me às oito horas do meu sono, do mesmo modo que as gruas do cais trazem à superfície os automóveis peludos de limos que não sabem nadar.» António Lobo Antunes, Auto dos Danados (1985)

«O povo, porém, depois de fazer reverência a Jesus, voltava-se contra a face esquálida do justiçado e clamava, fremente de rancor: "Estás nas profundas do Inferno, patife!" / E os gaiatos aporfiavam em acertar-lhe com pelouros de lama, lucrando aplausos e gargalhadas do auditório os mais certeiros.» Camilo Castelo Branco, A Filha do Regicida (1875)

«Era uma ideia vaga; mais desejo que tenção, que eu tinha há muito de ir conhecer as ricas várzeas desse Ribatejo, e saudar em seu alto cume a mais histórica e monumental das nossas vilas. Abalam-me as instâncias de um amigo, decidem-me as tonteiras de um jornal, que por mexeriquice quis encabeçar em desígnio político determinado a minha visita. / Pois, por isso mesmo, vou: -- pronunciei-meAlmeida Garrett, Viagens na Minha Terra (1846)

quarta-feira, dezembro 24, 2025

o que está a acontecer

«Foi sempre ambiciosa a minha pena: pobre e soberba, quer assunto mais largo. Pois hei-de dar-lho. Vou nada menos que a Santarém: e protesto de quanto vir e ouvir, de quanto eu pensar e sentir se há-de fazer crónica.» Almeida Garrett, Viagens na Minha Terra (1846)

«Defronte daquele altar, na outra esquina da Fancaria, arvoravam o espeque rematado pela cabeça de Domingos Leite,  que parecia olhar para Jesus Cristo com as pálpebras roxas e entreabertas; e a primorosa escultura do Redentor, olhando para o povo, parecia chorar.» Camilo Castelo Branco, A Filha do Regicida (1875)

«Apesar dos jipes da polícia patrulhando as ruas, ciganos carregados de tachos e cadeiras assaltavam os apartamentos vagos do centro. Nasciam infantários nos prédios em ruína, com crianças sentadas no soalho a engordarem de sanduíches de caliça.» António Lobo Antunes, Auto dos Danados (1985)  

sábado, dezembro 20, 2025

o que está a acontecer

«Se Castela percebeu estes escabrosos dizeres do colaborador da Monarquia Lusitana tanto como nós, decerto não reconheceu o que o frade lhe inculcava, e sobejamente demonstrou no seu proceder subsequente pouquíssima reverência aos avisos do céu.» Camilo Castelo Branco, A Filha do Regicida (1875)

«Eu muitas vezes, nestas sufocadas noites de Estio, viajo até à minha janela para ver uma nesguita de Tejo que está no fim da rua, e me enganar com uns verdes de árvores que ali vegetam sua laboriosa infância nos entulhos do Cais do Sodré. E nunca escrevi estas minhas viagens, nem as suas impressões pois tinha muito que ver!» Almeida Garrett, Viagens na Minha Terra (1846) 

«Desde Abril do ano anterior que a tropa e os comunistas se aproximavam das fachadas dos prédios, erguiam o membro como animais para urinar, e abandonavam nas paredes um mijo de vivas e morras que se contradiziam e anulavam, logo coberto por cartazes de comícios e greves, fotografias de generais, propaganda de conjuntos rock, cruzes suásticas, ordens de boicote ao governo e convites de retrete, dedos de letras entrelaçadas num namoro que o Outono do tempo desbotava.» António Lobo Antunes, Auto dos Danados (1985)

sexta-feira, dezembro 12, 2025

o que está a acontecer

«Só a avó, já doente do cancro, navegava ao acaso na poltrona de inválida, de radiozinho de pilhas encostado às farripas da orelha, contemplando a sorrir, sem entender, os democratas que de quando em quando rebolavam aos encontrões no corredor e vasculhavam o resto das pratas com o cano dos revólveres, repetindo os discursos estranhos dos altifalantes dos cegos.» António Lobo Antunes, Auto dos Danados (1985)

«Que viaje à roda do seu quarto quem está à beira dos Alpes, de Inverno, em Turim, que é quase tão frio como Sampetersburgo -- entende-se. Mas com este clima, com este ar que Deus nos deu, onde a laranjeira cresce na horta, e o mato é de murta, o próprio Xavier de Maistre, que aqui escrevesse ao menos ia até o quintal.» Almeida Garrett, Viagens na Minha Terra (1846)

«Dá o cronista-mor do Reino razão plausível do altar provisório nestes tortuosos termos: Foi para que, com a duplicada presença de Cristo sacramentado e crucificado, reconheça Castela que para uma de suas traições se nos duplica Cristo para defensa.» Camilo Castelo Branco, A Filha do Regicida (1875)

segunda-feira, dezembro 08, 2025

o que está a acontecer

«I- De como o autor deste erudito livro se resolveu a viajar na sua terra, depois de ter viajado no seu quarto; e como resolveu imortalizar-se escrevendo estas suas viagens. -- Parte para Santarém. -- Chega ao Terreiro do Paço, embarca no vapor de Vila Nova; e o que aí lhe sucede. -- A Dedução Cronológica e a Baixa de Lisboa. - Lord Byron e um bom charuto. - Travam-se de razões os ílhavos e os bordas-d'água -- os da calça larga levam a melhor.» Almeida Garrett, Viagens na Minha Terra (1846)

«Olho-o um instante, olho a casa, circunvago o olhar. Preparar o futuro -- o futuro... E uma súbita ternura não sei porquê. Silêncio. Até ao oculto da tua comoção. Preparar o futuro, preparação para a morte.» Vergílio Ferreira, Para Sempre (1983)

«No intuito de expiar o sítio, segundo a pia frase de Fr. Francisco Brandão, ergueu a piedade um altar encostado à seteira por onde o regicida abocara a escopeta, e aí foi arvorada aquela milagrosa imagem do Crucificado, que despregou a mão revolucionária no dia em que o duque bragantino foi aclamado rei.» Camilo Castelo Branco, A Filha do Regicida (1875)

domingo, março 16, 2025

Camilo Castelo Branco, no dia do bicentenário

Rafael Bordalo Pinheiro
Camilo Ferreira Botelho Castelo Branco (Bairro Alto, Lisboa, 1825 – São Miguel de Seide, Vila Nova de Famalicão, 1890).

Escritor completo, cultivou todos os géneros literários: é o efabulador romântico de Romance de um Homem Rico (1861) e Amor de Perdição (1862), o escritor realista de A Queda dum Anjo (1866) ou O Retrato de Ricardina (1868), o romancista “histórico” de A Filha do Regicida (1875), o autor ironicamente à la page com o naturalismo em Eusébio Macário (1879) e A Corja (1880); é o poeta de Nas Trevas (1890); o dramaturgo de O Morgado de Fafe em Lisboa (1861); o folhetinista de cordel de Maria! Não me Mates que Sou Tua Mãe (1841); o polemista de O Clero e o Sr. Alexandre Herculano (1850) ou Vaidades Irritadas e Irritantes (1866); o memorialista das Memórias do Cárcere (1862); o crítico de Esboços e Apreciações Literárias (1865); o biógrafo de D. António Alves Martins – Bispo de Viseu (1870); o epistológrafo da Correspondência com Vieira de Castro (1874); o antologiador do Cancioneiro Alegre (1879); o historiador comprometido do Perfil do Marquês de Pombal (1882); o publicista de O Vinho do Porto (1884)…

Entre as convulsões da Guerra Civil e a agonia do Ultimato, o Portugal do século XIX, dos Cabrais à Regeneração, espelha-se na obra de Camilo. Mas, erudito, vem de trás, das crónicas vigiadas de Fernão Lopes aos cartapácios fantasiosos de Frei Bernardo de Brito; prosador exímio e mestre da língua, é herdeiro do Padre António Vieira e está também na génese de Aquilino Ribeiro; instável, sarcástico, violento e ao mesmo tempo lírico, encerra uma verdade envolta em fingimento que não deixa indiferente o leitor do século XXI.  

É um dos génios tutelares da cultura portuguesa. O seu nome próprio, Camilo, tem dimensão idêntica aos de Camões, Vieira, Bocage, Garrett, Antero, Eça, Cesário ou Pessoa. Amor de Perdição emparceira em peso e relevância canónicos com Os Lusíadas, Menina e Moça, Viagens na Minha Terra, Os Maias, O Livro de Cesário Verde, , Clepsidra, Mensagem, Andam Faunos pelos Bosques, A Selva, Mau Tempo no Canal, Sinais de Fogo, Para Sempre – clássicos absolutos. Escritores como Teixeira de Pascoais, Aquilino, Vitorino Nemésio, José Régio, João de Araújo Correia, entre muitos outros de primeira água, sentiram-se interpelados pelo génio do «colosso de Seide», dedicando-lhe estudos de amplitudes várias; também artistas plásticos como Roque Gameiro, Stuart Carvalhais, Francisco Valença, Leal da Câmara, Diogo de Macedo, Tom, João Abel Manta ou Mário Botas não lhe ficaram indiferentes.

O tempo, ele próprio – em boa parte graças aos jornais e às bibliotecas itinerantes, primeiro, ao audiovisual e aos curricula escolares, depois – encarregou-se de tornar o acervo literário de Camilo em elemento identitário dos portugueses, o que se verifica quando a cultura popular se deixa impregnar pela criação erudita, e vice-versa. Esse intercâmbio fecundo é a glória dos criadores: por um lado assegura a perenidade do seu nome e de parte da sua obra; por outro, acrescenta densidade à comunidade nacional em que o autor e os seus livros se fizeram.

O legado artístico camiliano constitui-se como património incomparável. O mesmo se passa com outras manifestações seculares equivalentes em importância: das cantigas de D. Dinis e os autos de Gil Vicente à obra romanesca dos nossos maiores escritores contemporâneos; das gravuras rupestres do Vale do Côa aos projectos de Siza Vieira, passando pelos painéis de Almada Negreiros; das sonatas de Carlos de Seixas às sinfonias de Luís de Freitas Branco e à guitarra de Carlos Paredes; dos retábulos da escola de Nuno Gonçalves às telas de Júlio Pomar, dos retratos de Columbano aos cartoons do seu genial irmão, Rafael Bordalo Pinheiro – a cultura portuguesa não é susceptível de ser apreendida sem estas, e outras, manifestações do espírito. Assim com Camilo Castelo Branco.


Texto inédito, datado de 31-V-2010

segunda-feira, julho 15, 2024

a propósito de OS CANIBAIS, de Álvaro do Carvalhal

Releio Os Canibais, de Álvaro do Carvalhal (Padrela, Valpaços, 1844 - Coimbra, 1868). É um daqueles muitos cuja morte precoce, trazida pela doença, foi um desperdício -- Cesário Verde, António Nobre, José Duro; mas também Henrique Pousão e Amadeu de Sousa-Cardoso, na pintura; António Fragoso, extraordinário compositor. 

Os Canibais, que abre o volume póstumo de Contos (1868), embora seja apontada como obra-prima do gótico português, não creio que a sua sobrevivência se deva particularmente à definição como narrativa de terror, aliás bastante chocarreiro, antes aos atributos estilísticos do escritor, e um tipo de narrador intrometido, sentencioso, por vezes cheio de boa disposição, à maneira de Garrett ou sarcástico como Camilo, que certamente conhecia bem, culto e lidíssimo que era, como se comprova pelos apartes do referido narrador, por vezes com uma ironia de que não desdenhariam Machado de Assis e Eça de Queirós -- espírito crítico que transborda sem afectação ou aspereza inútil, porém frontal e assertivo, ou não estivera ele ao lado de Antero na Questão Coimbrã.  

quinta-feira, abril 04, 2024

150 portugueses: 21-25

21. Camilo Castelo Branco (1825-1890). Ao cabo de quase novecentos anos, a língua é o maior património dos portugueses; ainda mais do que a sua História, real e mitificada, pois o país pode acabar (nada é eterno), mas a literatura, forjada a partir dessa mesma língua, ficará, mesmo depois de a língua morrer também. Por isso são tão (ou mais, quanto a mim) importantes os grandes escritores (em sentido lato) do que os guerreiros e navegadores que construíram Portugal e a ideia dele. E assim sendo, Camilo, porventura o maior do século XIX (junte-se-lhe Garrett, Herculano, João de Deus, Júlio Dinis, Antero, Oliveira Martins, Eça, Cesário, Fialho e Nobre), é uma presença evidente, por muito exígua que esta lista ainda mais fosse.

22. D. Dinis (1261-1325). Poeta, guerreiro, governante, sexto rei de Portugal, e um dos mais amados.

23. D. Fernando (1345-1383). Nono rei de Portugal, um grande monarca com uma política externa desastrosa. A sua consorte, Leonor Teles (de Meneses), é a mulher mais odiada da nossa história.

24. Garcia de Orta (c. 1501 - 1568). Produto dos Descobrimentos e da expansão imperial, cristão-novo, médico, botânico e farmacêutico. Um dos homens do seu tempo, à escala global.

25. Infante D. Henrique (1394-1460). O mítico Navegador, mas homem bastante prático 

terça-feira, dezembro 19, 2023

hora de admoestações e outros caracteres móveis

«Descera o académico ao pátio, depois de abraçar a mãe e irmã, e beijar a mão ao pai, que para esta hora reservara uma admoestação severa, a ponto de lhe asseverar que de todo o abandonaria se ele caísse em novas extravagâncias.» Camilo Castelo BrancoAmor de Perdição (1862) 

«Sacerdote do Cristo, ensinado pelas largas horas de íntima agonia, esmagado o seu coração pela soberba dos homens, Eurico percebera, enfim, claramente que o Cristianismo se resume em uma palavra -- fraternidade.» Alexandre HerculanoEurico o Presbítero (1844) 

«Sim, leitor benévolo, e por esta ocasião te vou explicar como nós hoje em dia fazemos a nossa literatura.» Almeida GarrettViagens na Minha Terra (1846)

terça-feira, agosto 22, 2023

no meu labirinto - 51-60

51) Andrade Corvo, Um Ano na Corte (1850-51)

52) Vicente Ferrer Neto de Paiva, Princípios Gerais da Filosofia do Direito (1851)

53) Alexandre Herculano, Lendas e Narrativas (1851)

54) Alexandre Herculano, Eu e o Clero (1851)

55) José do Canto, Calendário Rústico (1851)

56) J. F. Henriques Nogueira, Estudos sobre a Reforma em Portugal (1851)

57) Camilo Castelo Branco, Anátema (1851)

58) A. P. Lopes de Mendonça, Recordações de Itália (1852-53)

59) L. A. Rebelo da Silva,  A Mocidade de D. João V (1853)

60) Almeida Garrett, Folhas Caídas (1854)

domingo, agosto 20, 2023

no meu labirinto: 41-50

41) Luz Soriano, História do Cerco do Porto (1846-49)

42) Alexandre Herculano, História de Portugal, desde o Começo da Monarquia até ao Fim do Reinado de Afonso III (1846-1853)

43) Alexandre Herculano, O Bobo (1128) (1846)

44) Francisco Maria Bordalo, Eugénio (1846)

45) Almeida Garrett, As Profecias do Bandarra seguido de Um Noivado no Dafundo e A Sobrinha do Marquês (1848)

46) Alexandre Herculano, O Monge de Cister (1848)

47) António Feliciano de Castilho, Felicidade pela Agricultura (1849)

48) A. P. Lopes de Mendonça, Memórias dum Doido (1849)

49) A. P. Lopes de Mendonça, Ensaios de Crítica e de Literatura (1849)

50) Francisco Joaquim Bingre, O Moribundo Cisne do Vouga (1850) 

sexta-feira, agosto 18, 2023

no meu labirinto: 31-40




31) Vicente Ferrer Neto de Paiva, Elementos de Filosofia do Direito (1844)

32) Almeida Garrett, Frei Luís de Sousa (1844)

33) António Feliciano de Castilho, Escavações Poéticas (1844)

34) Alexandre Herculano, Eurico o Presbítero (1844)

35) Marquesa de Alorna, Obras Poéticas de D. Leonor de Almeida Portugal Lorena e Lencastre, Marquesa de Alorna, Condessa de Assumar, e Oyenhausen, Conhecida entre os Poetas Portugueses pelo Nome de Alcipe (póst., 1844)

36) Francisco Freire de Carvalho, Primeiro Ensaio sobre História Literária de Portugal, desde a Sua Mais Remota Origem, até o Presente Tempo (1845)

37) Almeida Garrett, Flores sem Fruto (1845)

38) Almeida Garrett, O Arco de Sant'Ana (1845-50)

39) Almeida Garrett, Viagens na Minha Terra (1846)

40) Almeida Garrett, Dona Filipa de Vilhena seguido de Falar a Verdade a Mentir Tio Simplício (1846)

quinta-feira, agosto 17, 2023

no meu labirinto: 21-30

 

21) Visconde de Vilarinho de São Romão, Histórias de Meninos para Quem não For Criança, Escritas por um Homiziado que Sofreu o Martírio de Estar Escondido Cinco Anos e Dois Meses (1834)

22) Alexandre Herculano, A Voz do Profeta (1836)

23) Almeida Garrett, Um Auto de Gil Vicente (1838)

24) Oliveira Marreca, Noções Elementares de Economia Política (1838)

25) Visconde de Juromenha, Sintra Pinturesca (1838)

26) Alexandre Herculano, A Harpa do Crente (1838)

27) Guilherme Centazzi, O Estudante de Coimbra (1840-41)

28) Visconde de Santarém, Memória sobre a Prioridade dos Descobrimentos Portugueses na Costa da África Ocidental (1841)

 29) Almeida Garrett, O Alfageme de Santarém (1842)

30) Almeida Garrett, Romanceiro e Cancioneiro Geral (1843-51)


quarta-feira, agosto 16, 2023

no meu labirinto: 11-20

11) José Agostinho de Macedo, Exorcismo contra Periódicos e Outros Malefícios: Fugite Partes Adversae (1821)

12) Almeida Garrett, Retrato de Vénus seguido de Ensaio sobre a História da Pintura (1821)

13) António Feliciano de Castilho, Cartas de Eco e Narciso (1821)

14) Almeida Garrett, Catão, seguido de O Corcunda por Amor (com Paulo Midosi, 1822) 

15) Almeida Garrett, Camões (1825)

16) Almeida Garrett, D. Branca (1826)

17) Almeida Garrett, Carta e Guia para Eleitores (1826)

18) Almeida Garrett, Adozinda (1828)

19) Almeida Garrett, Da Educação ( 1828)

20) Almeida Garrett, Portugal na Balança da Europa (1830)

domingo, maio 07, 2023

da inteligência dos poetas e outros caracteres móveis

«O povo rude de Carteia não podia entender esta vida de excepção, porque não percebia que a inteligência do poeta precisa de viver num mundo mais amplo do que esse a que a sociedade traçou tão mesquinhos limites.» Alexandre HerculanoEurico o Presbítero (1844) - «Por quantas maldições e infernos adornam o estilo dum verdadeiro escritor romântico, digam-me, digam-me: onde estão os arvoredos fechados, os sítios medonhos desta espessura?» Almeida Garrett, Viagens na Minha Terra (1846) - «O amor dos quinze anos é uma brincadeira; é a última manifestação do amor às bonecas; é a tentativa da avezinha que ensaia o voo fora do ninho, sempre com os olhos fitos na ave-mãe que a está da fronde próxima chamando: tanto sabe a primeira o que é amar muito, como a segunda o que é voar para longe.» Camilo Castelo Branco, Amor de Perdição (1862) - «Henrique nem desviara os olhos para o fundo do vale, que se lhe abria à esquerda, velado pela densa névoa daquela atmosfera saturada de humidade, nem prestava atenção à agreste e selvática paisagem, do lado direito, toda encrespada de pinheirais nascentes e de espinhosas tojeiras.», Júlio Dinis, A Morgadinha dos Canaviais (1868) - «Toda a intelectualidade, nos campos, se esteriliza, e só resta a bestialidade.» Eça de Queirós, A Cidade e as Serras (semi-póstumo, 1901)

quarta-feira, fevereiro 22, 2023

Garrett gozoso

1. «Por quantas maldições e infernos adornam o estilo dum verdadeiro escritor romântico, digam-me, digam-me: onde estão os arvoredos fechados, os sítios medonhos desta espessura?»

2. «Trata-se de um romance, de um drama -- cuidas que vamos estudar a história, a natureza, os monumentos, as pinturas, os sepulcros, os edifícios, as memórias da época?»

3. «Passaria por aqui algum Orfeu que, pelos mágicos poderes da sua lira, levasse atrás de si as árvores deste antigo e clássico Ménalo dos salteadores lusitanos?» 

Almeida Garrett, Viagens na Minha Terra (1846)

sábado, fevereiro 18, 2023

25 romances (2) - o arejar da prosa

 

2. «Que viaje à roda do seu quarto quem está à beira dos Alpes, de Inverno, em Turim, que é quase tão frio como Sampetersburgo -- entende-se.» (Almeida Garrett, Viagens na Minha Terra, 1846)

A ideia de viagem, substantivo e verbo, empregue no título e incipit do romance de Garrett; substantivo no plural, uma vez que ao percurso físico se somam as múltiplas digressões que o autor nos oferece ao longo do livro. Como já aqui escrevi, o incipit da Viagem à Volta do Meu Quarto (1839), de Xavier de Maistre (1763-1852), servindo como epígrafe -- -- «Qu'il est glorieux d'ouvrir une nouvelle carrière, et de paraître tout-à-cop dans le monde savant un livre de découvertes à la main, comme une comète inattendue étincelle dans l'espace!» --, dá o tom paródico e descontraído do texto, ajudado pelo sumário prévio do capítulo -- «De como o autor deste erudito livro se resolveu a viajar na sua terra, depois de ter viajado no seu quarto; e como resolveu imortalizar-se escrevendo estas viagens.», etc. --,  mas também a noção de uma via que Garrett abre, um arejamento na prosa nacional, brisa que chega até nós.

Neste capítulo inicial, são expostas as razões, no tom vivificante da hora em que Garrett vai tomar o vapor no Terreiro do Paço -- seis da manhã de um dia de Julho de 1843 --, alarga-se nas primeiras considerações com que polvilhará todo o romance, detendo-se numa benigna e pitoresca disputa entre varinos e campinos sobre quem é mais forte: se os ribatejanos ou os beirões do litoral. 

dos 25 romances 1-3 - caracteres móveis

Eurico o Presbítero «Cada qual tecia então a sua novela ajudado pelas crenças da superstição popular: artes criminosas, trato com o espírito mau, penitência de uma abominável vida passada, e, até, a loucura, tudo serviu sucessivamente para explicar o proceder misterioso do presbítero.» Alexandre Herculano (1844)

Viagens na Minha Terra «De alguma beleza sei eu cujos olhos cor da noite ou de safira (Dialec. Poet. Vet.), cujas faces de leite de rosas, dentes de pérolas, colo de marfim, tranças de ébano (a alusão é sortida, há onde escolher) davam larga matéria a boas grosas de sonetos -- no antigo regime dos sonetos, e hoje inspirariam miríades de canções descabeladas e vaporosas, choradas na harpa ou gemidas no alaúde.» Almeida Garrett (1846)

Amor de Perdição «O povoléu intacto fugira espavorido, que ninguém se atrevia ao filho do corregedor; os feridos, porém, incorporaram-se e foram clamar justiça à porta do magistrado.» Camilo Castelo Branco (1862)