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terça-feira, maio 08, 2018

«Esta pressa, esta correria e, talvez, também, os solavancos, o cheiro da gasolina, a luminosidade da estrada e do céu, tudo isto contribuiu para que eu adormecesse no caminho.» Albert Camus, O Estrangeiro (1942) - (tradução de António Quadros)

«Então a máquina lançou uma esplêndida pluma de vapor e afastou-se devagar, com uma fila de caras olhando-me inexpressivamente.» J. L. Carr, Um Mês no Campo (1980) - (tradução de Isabel Neves)

«Ele leccionava numa escola tão nojenta como o apartamento onde vivíamos, e eu era tarefeiro numa editora de negreiros, revendo traduções, corrigindo provas, mas como os nossos salários de miséria nem chegavam para pagar o aluguer do apartamento e garantir o nosso sustento, aceitávamos aqui e ali todos os trabalhos suplementares a que conseguíamos deitar mão, por mais estranhos que fossem, desde propor nomes a uma agência de publicidade para que esta escolhesse de entre eles o de uma nova companhia aérea, até ordenar os arquivos do Hospital de la Vall d'Hebron, passando por escrever letras de canções, que nunca nos foram pagas, para um músico que agonizava sem inspiração.» Javier Cercas, A Velocidade da Luz (2005) - (tradução de Helena Pitta)

domingo, maio 15, 2011

Antologia Improvável #471 - Fernando Pessoa (5) / Alberto Caeiro (2)

Quem me dera que a minha vida fosse um carro de bois
Que vem a chiar, manhãzinha cedo, pela estrada.
E que para de onde veio volta depois
Quase à noitinha pela mesma estrada.

Eu não tinha de ter esperanças -- tinha só que ter rodas...
A minha velhice não tinha rugas nem cabelo branco...
Quando eu já não servia, tiravam-me as rodas
E eu ficava virado e partido no fundo de um barranco.

Poemas de Alberto Caeiro
(edição de António Quadros)